segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ética e Moral na Cartomancia



Esta semana eu vi, ou pelo menos comecei a assistir e não terminei, um vídeo em um determinado canal do youtube, que confesso que me causou certo incômodo. Mas porquê? Não que eu seja contra o uso da licença poética ou a criação de novos instrumentos oraculares; mas pelo fato de alguns artistas - que é se podemos chama-los assim, o façam nomeando suas criações com nomenclaturas já estabelecidas em outros instrumentos. E falo principalmente sobre a cartomancia (de maneira geral).

Vejam bem, não estou falando de temática , muito comum e até interessante. Mas de novos conjuntos de cartas, que se utilizam nomes de instrumentos já criados, para um determinado uso e com suas normas básicas de utilização embasadas na sua História e estudos.

Hoje acordei, e resolvi escrever sobre este tema: Ética e Moral na Cartomancia

Até onde deixamos que nosso senso criativo ou necessidades comerciais ultrapassem as fronteiras destes limites? Na minha opinião, assim como eu teria a criatividade de construir um conjunto de cartas e lança-las no mercado para auto ajuda ou uso oracular, eu também poderia criar um novo nome para elas; por exemplo : "Baralho de Omar", " Baralho de combinações", Baralho da facilidade", etc. Como existem muitos por aí, e lindos!

Bem, eu como estudioso, professor e oraculista da cartomancia ( e leia-se 'cartomancia' como Lenormand, Tarô, Baralho Sibilla ou Naipiano - como costumo chamar o baralho comum) me incomodo muito com o uso indevido destas nomenclaturas para novos conjuntos de baralhos que são criados atualmente no mercado e fogem completamente de suas estruturas simbólica e numérica. Por exemplo:
Lenormand = conjunto de 36 cartas com símbolos próprios ( não importa sua temática! [se o Urso é polar, Americano, ou até o ursinho pool, será sempre Urso!]) Jamais seria apropriado criar um animal de laboratório mesclando urso e raposa, talvez um "ursoposa" e atribuir a este baralho o nome de Lenormand do Omar. Entendem?
Imaginem um baralho criado com uma lâmina onde mistura o Carro e Eremita, do Tarô, dar-lhe o nome de "carromita" , e lançar no mercado como Tarô do Omar? 

Eu conheço e tenho um baralho belíssimo, criado e desenvolvido por uma amiga e colega de profissão,[permita-me citá-la e elogia-la, Sônia Boechat] que possui 36 cartas e "algumas" imagens inspiradas no Lenormand, que se chama: Baralho da Maria Mulambo, e não Lenormand da Maria Mulambro! Entendem onde quero chegar? E além de vários outros Lenormand importados com temáticas diversas, inclusive um nacional exclusivo da querida Tânia Durão, com temática oriental, preservando toda estrutura numérica e simbólica do Lenormand original.

Ok, vamos falar um pouco de ética e moral neste mundo da cartomancia.

Conforme conceitos filosóficos, ética vem do grego "ethos" - modo de ser; Moral vem do latim "mores" - costume. 

Vamos então resumir que moral é um conjunto de normas que ajuda o homem a se comportar em sociedade. Durkheim define moral como sendo de 'caráter obrigatório' na Ciência dos Costumes.

Ética, conforme Motta (1984), é o conjunto de valores que orienta o comportamento dos homens em relação aos outros, garantindo bem estar.

Moral leva o homem a distinguir o que é "bem e mal", "bom ou mau", "certo ou errado", os antônimos.

Ética leva o homem a agir conforme os princípios fundamentais de uma tradição, educação, e  está embasada na inteligência.

No final das contas, ética e moral são valores implícitos no nosso livre arbítrio, que vai determinar se estamos construindo ou destruindo, apoiando a natureza ou a subjugando; são gatilhos para o que é "certo e errado" em sociedade conforme valores já estipulados. 

A reflexão deste texto, na cartomancia, é que: Até onde estamos sendo éticos e morais no estudo, uso, ensinamento e criação? Sejam eles de métodos, livros e baralhos.

Será que estamos sendo éticos ou morais quando destruímos uma estrutura já desenvolvida para a criação de uma nova, a partir da inteligência e tradição passada (tempo)? Livre arbítrio temos para isso, afinal está implícita na prática de ambas. Mas a aplicação lógica da Ética é que vai determinar se nossas ações e consequências para a sociedade cartomântica é moral, amoral ou imoral.

Vamos refletir sobre isso! E lembrar que somos dotados de infinitas possibilidades intelectuais, basta aplica-las, praticá-las e para construir algo novo não precisamos deturpar ou destruir algo antigo - literalmente tradicional.

Eu, particularmente, considero uma afronta a inteligência humana tentar limitar o estudo e possibilidades de combinações naipianas ou simbólicas. Oráculo, auto ajuda, auto conhecimento... seja lá como se utiliza a cartomancia, deve estar provida das sinapses e uso constante dos neurônios, até mesmo da intuição. Por que limitá-las?

Que o Logos esteja sempre conosco!!!   



sábado, 3 de outubro de 2015

O "SER" Cigano II



Em setembro de 2014 escrevi um breve post sobre o assunto, pode lê-lo na íntegra aqui - http://tendabeduina.blogspot.com.br/2014/09/o-cigano.html .

"Zapiando" no Face, me deparo com muitos grupos sobre 'ciganos astrais', e então como a gota que faltava, resolvo escrever mais a fundo sobre o assunto.

Talvez eu possa parecer grosseiro (mas não é esta a intenção!), até porquê nosso povo por via de regra aprende a respeitar, mesmo não aceitando, a religiosidade de qualquer um. Entretanto algumas coisas ultrapassam os limites da fronteira do discernimento e acabam entrando em um campo de fantasias e folclorismo absurdo, onde nosso povo é levado a um grau de "divinos", "deidades", "santos", "entidades"... como se tudo fosse um mar de rosas e felicidades, e atribuindo a eles afazeres totalmente descontextualizado. 

Portanto, dessa vez, vou deixar de 'mimimis' e ser mais direto e objetivo. Muitos me odiarão, outros me amarão, e  minha etnia irá, quiçá, me aplaudir. Mas é importante dar um basta em tanta babaquice espalhada por aí.

Não culpo os ignorantes, mas sim a mídia cacheiro viajante, que sai por aí vendendo biju ngangas que de nada servem, a não ser dar lucros aos mais espertos, tentando transformar etnia em religião; ancestrais em entidades; sofrimento em alegria; pobreza em riqueza; e por aí vai...

Hoje em dia, não vivemos mais como nômades, obrigatoriamente. Algumas famílias preferem continuar assim, mas não por pressão e sim por opção. Hoje temos acesso a escolas, formação, trabalho, emprego e até cargos sociais. Mas a História passada de nosso povo nem sempre foi assim.
Este êxodo ainda é um mistério para muitos; mas não me refiro a mistério de "sobrenatural" e sim de desconhecimento. E isso se dá por conta de diversos fatores, principalmente a miscigenação e a falta de escrita de nossos ancestrais. Não haviam registros, as histórias foram passadas de forma oral e como aquela velha brincadeira do 'telefone sem fio', isso foi sofrendo algumas distorções durante séculos de andanças.

Mas, o que me incomoda realmente na atualidade, é tentar transformar a história de nosso povo em um conto de fadas, onde a dança, o canto, o ouro, as indumentárias, a crença/fé, os costumes, e mais, são visto como uma história linda, cheia de encantos, poderes, misticismo barato, abundância... aff, chega a dar nojo!

Bem, para não ser muito longo e cansativo, pois muita gente vai se doer e se corroer com isso; separei minhas considerações por tópicos. Assim, vamos ver se consigo esclarecer algumas coisas.

A ORIGEM

Historicamente, ainda não há um consenso exato sobre de onde vieram, ou onde e quando este êxodo todo começou. A maioria dos antropólogos e historiadores apostam na região Indo-asiática, por conta de diversos fatores em comum em diversas famílias e clãs da atualidade como por exemplo a raiz da língua, traços biológicos e hábitos. Portanto não temos como afirmar que surgiram na Índia, no Egito, na Europa e tão pouco na Atlântida de Platão (risos).

O que sabemos e temos conhecimento histórico é que, grupos se tornaram nômades e se espalharam pelo mundo em busca de novas oportunidades ou quiçá fugindo de algo ou alguma catástrofe. 
Com os encontros destes grupos foram formando diversas famílias e se dirigindo a diversos lados, geralmente guiados por mera intuição ou descobertas de fontes de sobrevivência - como rios, terra fértil, caça, etc. Mesmo assim, quando mudavam as estações sazonais procuravam outros lugares. Esta observação sazonal fez com que ficassem mais atentos aos ciclos naturais da Terra e também os levaram a observar mais os céus e movimento dos astros e estrelas. Assim permaneciam constantemente em movimento. 
Neste período, os bens e patrimônios de nosso povo se resumia apenas nas suas indumentárias, utensílios e animais de carga; nada de ouro e joias!
Com a miscigenação de povos surgiram as diversas formas de linguagem oral e pictórica, que foram se mesclando aos povos não-nômades que encontravam pelo caminho.
Um povo extremamente observador e em busca de aceitação e sobrevivência, começaram a perceber hábitos dos não-nômades que os levaram a uma avaliação de como encerrar suas andanças e se fixar em terras. Mas isso não era fácil, pois os "estranhos andarilhos" ou "errantes" não foram bem vistos pelas sociedades já formadas. E aí começa o processo de perseguição e peregrinação constante. 

CRENÇA E FÉ 

Não uso o termo "religião" para desvincular este sistema a dogmas, no qual as religiões estão atreladas.
Meus ancestrais tinham uma crença mesclada entre animismo, deísmo, medo dos espíritos e também em fé e crença importada - principalmente no caso do Islamismo, Judaísmo e Catolicismo, pois o monoteísmo não causava nenhum impacto a interação com a natureza. Entretanto a ausência de uma religião formal era de extrema importância e bem significativa, pois deixava desenvolver em seu lugar um poderoso sentido de tribo.
Assim sendo, o povo cigano NÃO tem religião formal! Adotam práticas relevantes a eles, ou comungam(gavam) com a religiosidade local em busca de aceitação.
A etnia cigana por natureza ancestral NÃO cultuam espíritos de desencarnados, eles tinham medo e horror aos Mulo (espíritos e fantasmas) tanto é que nos ritos funerários toda liturgia consistia e deixar o espirito livre do corpo físico e não permitir que nada o trouxesse de volta a convivência com os "vivos-encarnados". Em alguns clãs o transe acontecia numa forma mais xamânica, e não incorporativa (do verbo: 'ser possuído por espírito' + risos). As mais velhas - Shuvanis (curandeiras, feiticeiras e bruxas) acessavam a consciência de seus ancestrais de uma forma muito singular; e isso só se dava em casos de extrema necessidade.
O uso de objetos oraculares eram utilizados pelos preparados para tal, e VIVOS! Não espíritos! Sendo mais claro no exemplo da cartomancia, cleromancia, cafeomancia, etc... - Não eram os espíritos que "incorporavam" para serem interpretes destes oráculos; a essência ou energia dos ancestrais é que estariam "falando" pelos objetos sacros, e os preparados para tal interpretação faziam a transmissão verbal para o consulente.
[Não me venham com "entidades" que incorporam para lerem cartas, borra de café, folhas de chá, jogar dados ou moedas e até pedrinhas!] aff!!!!

O COLORIDO , RIQUEZA, ALEGRIA... OH "POVO" FELIZ! SERÁ?

Bem. Vamos começar pelo "colorido" das indumentárias. Sabem por que a etnia cigana sempre foi retratada em vestimentas coloridas e adornadas?

"- Sim! Por que eram um povo feliz e gostavam da beleza!!!!"

Sinto informar, caro leitor, que você está totalmente equivocado. Sim, ledo engano. As roupas coloridas retratadas nos quadros e pinturas nada mais são que retalhos, ou seja, restos, de tecido descartados pelos mais abastado; e que, meus ancestrais recolhiam dos lixos para confeccionar suas roupas. Pois é! E para ficar mais "bonitinho" ainda, adornavam com cent's que de nada valiam e eram recolhidos nas ruas e estradas, simplesmente porque brilhavam.
Sabiam que existiam clãs que só se vestiam de preto? Pois é, era o tecido menos nobre em determinada época, e quando as viúvas nobres descartavam suas vestimentas de luto. Sim, de rosa, NADA!!!

Vamos falar um pouco da felicidade. Sabem aqueles quadros retratando meu povo dançando e cantando, geralmente bêbados, em volta de uma fogueira sob a lua cheia? Sinto informar que não estavam celebrando a felicidade, e sim a nostalgia - a saudade, a perda, a morte. Pois é. Inclusive nos ritos de casamento, onde as festividades chegavam a durar dias; noivas e suas famílias choravam e lamentavam muito a perda de um membro em troca de favores e até promessas às outras famílias. Nem tudo era alegria; saibam disso, quando "folcloricamente" simularem festas ciganas.

"- Ah Omar, como não poderiam ser feliz e prósperos? Andavam cheio de ouros pelo corpo!"

Ahh, caro leitor, outra vez engado pelos seus olhos e pela ignorância histórica. Ouro era coisa da nobreza e não dos antigos nômades. Sinto informar que a fama de ladrões e trapaceiros tem seu fundo de verdade na antiguidade. Muitas vezes em conchavo com a própria nobreza, quando se tratava dos ciganos dos mares (os piratas), e pelos seus serviços recebiam seu quinhão em ouro. Este pouco ouro era deixado sob os cuidados das mulheres em forma de adereços, mas não com conotação de adorno ostentação, e sim por sobrevivência. Quando meu povo era traído, pelos mesmos nobres, com quem faziam conchavos, tinham que fugir as pressas, apenas com seus filhos no colo e o que tinha no corpo. Entenderam agora, por que tanto ouro e joias penduradas? Só assim poderiam recomeçar em outro lugar. 
E ainda dizem: " Ô povo feliz!"



Sabiam que o Holocausto da II Guerra Mundial foi responsável pelo extermínio de milhares de ciganos? Sim, foram milhares de meu povo queimado com seus triângulos castanhos ou azuis costurados em suas poucas roupas, no campo de concentração KL Auchwitz II - Birkenau. Mas, por trás desta nefasta época algo de bom veio a acontecer. Anos depois, alguns ciganos romenos, eslovacos e poloneses , em sua maioria de clã kalderash, se reuniram em prol de uma luta política para que fossem reconhecidos como uma "Nação sem Pátria" pela ONU. Com a União Romani Internacional, os ciganos já tinham sido reconhecidos pelo Conselho Social e Econômico das Nações Unidas, por volta de 1979. Mas só em 1993 que passaram a ter direito de voto. Devemos isso principalmente a dois ciganos: Nicolae Gheorghe e Ian Hancock. (imagem abaixo)


Futuramente o povo Romani passaria a ter um símbolo social e político - sua bandeira. (àquela que todos conhecem com uma roda no centro). O azul representando o céu, o verde o chão e a roda vermelha  o movimento de peregrinação. 

OS CIGANOS NO BRASIL

Bem, sabemos que nossa colonização foi européia, assim sendo a maioria da etnia cigana que se encontram hoje em terra brasilis vem de lá. Mas com o passar dos tempos e o envolvimento, principalmente matrimonial, de várias famílias, acabamos agregando outros grupos/clãs no Brasil. Hoje temos em sua maioria os Calons que vieram da região Ibérica e se proliferaram no Brasil, adotando inclusive os costumes e religiosidade local. E isso explica o porquê desta "salada de frutas" religiosa-sócio-cultural e folclórica que encontramos por aqui. Nada diferente de outros imigrantes.
E voltando ao assunto "religiosidade" - que foi o motivo que me levou a escrever este post, só encerro com um questionamento:

Quando é que vamos começar a cultuar espíritos asiáticos, espíritos europeus, espíritos norte-americanos, espíritos australianos... porque já temos espíritos ciganos e indígenas. [uma pitada de sarcasmo]

Para saberem mais sobre a distribuição da etnia cigana no Brasil, sugiro uma navegada no site da Embaixada Cigana (http://www.embaixadacigana.com.br/etnicidades_ciganas_no_brasil.html)


Recomendo também as seguintes leituras:

-The Gypsies. (Fraser,A) ed. Rev,1995
-The Destiny of Europe's Gypsies (D.Kenrick e G. Puxon) Sussex University Press, 1972 [holocaustro]
-The traveller Gypsies (J.M. Okely) Cambridge,1993
-The Zincali (G. Borrow), John Muray, 1841

Uma obra traduzida para o português:

-Enterrem-me em pé. A lonja viagem dos ciganos. (Isabel Fonseca) ed. Schwarcz, 1995 [publicado pela companhia das letras em 2004]

Omar Said (decendente zott)





sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Véus de Maya - Rede social virtual



Descobri recentemente que a "fase eremita" nos faz entrar em várias reflexões, e uma delas resolvi escrever sobre.
Neste mundo "globalizado", onde as relação se encontram 99% nas redes virtuais, vivemos uma das Eras de maior ilusão em relação ao próximo. Já assisti vários vídeos sobre isso, mas confesso que nunca tinha parado para analisar à base de minha lista "facebookiana" X realidade in loco de alguns.
A cada dia, que por ventura passeio na rede, me vem uma decepção, ou melhor: entendimento; de como funciona este mundo por trás do monitor. Isso é muito triste, pois percebemos o quanto as pessoas se vêem iludidas com a realidade. Confesso que alguns post's de pessoas que eu tinha grande admiração fizeram com que eu mudasse muitos conceitos. Alguns perdem até a noção, a ponto de uma hora postar algo e segundos depois contradizer tudo que tinha escrito. Será que vivem uma dualidade quase que instantânea, ou realmente tem memória fraca? Sei lá...
Eu me considero uma pessoa extremamente estressada (até com pequenas coisas), sei que isso me faz mal. Não fico postando desilusões e dificuldades; nem alegrias e boa venturas. Prefiro aproveitar meu momento longe dos olhos alheios.
Quero deixar claro que não estou totalizando, mas generalizando (rsrsrs); críticas? Jamais. Apenas reflexões! Com toda certeza, vivemos em um mundo virtual onde as pessoas expressam (talvez involuntariamente) seus desejos inconscientes. E o que muitas vezes me preocupa é que não fazem por onde mudar. Vivem a se vangloriar ou reclamar à base de uma psicologia reversa em prol de si mesma, esperando curtidas, compartilhamentos e até mesmo palavras de parabenização e consolo. Isso é muito triste! Por que triste? Porque não assumem sua realidade, não aceitam suas provações, não se contentam com a realidade dos fatos, não procuram evoluir suas mentes a nível social, espiritual e material; estão sempre em busca de aprovação ou consolo do outro.
É de suma importância, que aprendamos, que antes de sermos seres sociais devemos respeitar e aceitar nossa individualidade, pois no fim das contas somos seres solitários envolvidos em nosso próprio "mundinho". Tudo neste mundo parte e se desenvolve de dentro para fora e não o inverso.
Resumindo: ainda temos muito que aprender! E isso, infelizmente é com os outros (um paradigma aceitável).
Será que um dia cairemos na realidade, faremos nossa parte e mudamos o rumo do uso da rede?

Terminarei minha reflexão com um verso de uma música de Almir Sater (Tocando em Frente):

"...todo mundo ama um dia, todo mundo chora. Um dia a gente chega, e no outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua História e cada Ser em si carrega o dom de ser capaz, e ser feliz. Compreender as manhas e as manhãs, compreender as maças e as maçãs..."

Bom fim de semana a todos!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

IV Mesa Redonda de Baralho Cigano e Journeè Lenormand - Considerações



Hoje, mais descansado, e com a mente em ordem, minha lembrança doce a agradável de nosso IV encontro. Promovido pela querida Tânia Durão, o IV Mesa Redonda Sobre as Cartas Ciganas foi um sucesso!

1- Meus sinceros agradecimentos por fazer parte desse grupo de palestrantes.

2- A logística foi perfeita e sabemos que a cada ano mais desafios virão, e expansão é o seu lema.

3- Perfeita a escolha dos meus colegas palestrantes, que abordaram seus temas de maneira muito pessoal e interativa com o público.

4- Ao público, quero dizer que é sempre maravilhoso recebe-los e perceber como ficam atentos a cada detalhe compartilhado pelos palestrantes - cartomantes/ ou não, mas que se esforçam ao máximo em focar nos temas das Cartas Lenormand/Baralho Cigano, independente de suas "escolas" e metodologia de leitura.



5- Aos meus colegas cartomantes, é sempre MARAVILHOSO estar ao lado de todos e perceber que a cada suspiro, conversa, palavras, olhares, etc; que aprendemos e ensinamos um pouco mais, compartilhando nossas experiências. Somos eternos aprendizes nessa jornada.

6- O esforço e dedicação de alguns palestrantes e público em se deslocarem fisicamente de suas casas, cidades e estados para estarem presentes também merecem nossos elogios e respeito.

Confesso que, este segundo encontro (que participo) me foi de extrema importância, principalmente em relação a tocante mensagem na palestra e vivência de nossa colega/amiga/psicóloga Júlia Tourinho, com a carta da Criança. Não sei até quando olharei para minha foto/imagem - escolhida na didática, e refletirei sobre a mensagem.

Alexsander Lepletier sempre explorando as diversidades das cartas temas e nos levando a um Mundo de expansão em relação interpretativa.

Giancarlo K. Schmid, (que já acompanho a muito tempo seu trabalho), seu senso "arqueólogo" cavando e cavando sempre em busca de raízes e rastros da nossa História oracular. Sua presença, como citei antes em um post no FB, foi o "Coringa" de nosso encontro, nos trazendo à Luz uma nova descoberta enterradas em páginas de livros, que com toda certeza nos levará a novos conceitos e expansão interpretativa do Baralho Lenormand. [Deixo aqui o "gostinho de quero mais"] Pois sua apresentação foi apenas uma prévia de uma grande palestra que virá por aí. Ps (E lembre-se do conselho de nossa querida Chris Wolf  na escada do prédio) :).



Não posso deixar de agradecer aos meus tripulantes na nave interestelar : Crhis Wolf e Tato Cunha, que embarcaram comigo na jornada espacial aos símbolos intocáveis: os Luminares da nossa Galáxia "lenormândica": Sol, Estrela e Lua. Chris nos ensinou os perigos da proximidade do Sol, Tato nos levou a uma viagem meio as estrelas em busca de nossa mediunidade , e a mim coube explorar as facetas e fases da Lua em nossa leitura. Acredito que todos se sentaram na janela do "Apolenormand I" para vislumbrar as maravilhas de nosso Cosmo.

Nosso cartomante e "poeta" Emanuel J. Santos (do Conversas Cartomânticas) nos levando a um passeio nos jardins da história televisiva e escrita, lembrando-nos a importância de cultivar sempre o que é bom e belo em nossos jardins.

Sonia Boechat, meu respeito e admiração por ti a cada dia aumenta. Sua forma de explanar o tal "sexo frágil" (carta 29) foi fantástica. E, para mim, que venho de um matriarcado forte, foi como estar entre os meus e lembrar da força e poder dessas, mulheres!

Adriana Padula... que terminou sua explanação da Árvore e eu envolvido completamente em meu desenho - minha árvore não parava de crescer . Obrigado!!!

Samantha Callegari, sua fofa! Foi um prazer imenso lhe conhecer. Seus adjetivos já tinham chegado até mim, e foi um surpresa poder acrescentar outros. (positivos) [Beijo em seu coração e nos veremos em breve]

A nossa fotógrafa profissional Maira Cassel, nossos agradecimentos pelas belas fotos.

Por estar envolvido indiretamente também na logística do evento, não pude interagir nem ter o prazer de acompanhar todas as palestras integralmente; mas tenho a certeza que foram maravilhosas. E fica meus sinceros agradecimentos a todos, principalmente os não citados neste post, mas gravados em minha lembrança, nos abraços fraternos e parabenizações compartilhadas pessoalmente.

QUE VENHA O "V" ENCONTRO -  A Árvore (carta V) com seus longos e frutíferos galhos vão dar mais o que falar!

Não posso deixar de citar a parte 'mundana e divertida' da confraternização (pós evento): Risos mil, conversas fiadas e muita brincadeira entre nós, num divertido encontro no Mondego, e já elaborando novos projetos e idéias para a continuidade desse evento que já marcou a vida e dia do Lenormand aqui no Brasil.



#MesaRedondaSobreasCartasCiganas
#Journeelenormand

Obs. Links dos blogs e sites de alguns palestrantes estão disponíveis na página inicial do meu blog. E caso alguns não estejam e queiram expor, fiquem a vontade. (Entrem em contato inbox)

Encerro minha postagem com a imagem a IV carta do Lenormand (a casa). Escolhi o Mystic Lenormand por conter um símbolo astrológico que nos diz muito aos próximos eventos - Júpiter/expansão.


Um grande beijo no coração e rins de todos e um forte abraço em suas almas.

F.Omar Said (29/06/2015)



sábado, 25 de abril de 2015

Carnê da Cidadania MEI

Olá amigos e colegas profissionais que são registrados no MEI. Como alguns sabem, possuo CNPJ como autônomo na categoria de astrólogo e tarólogo há alguns anos. Houve, alguns meses atrás uma euforia de que o carnê que estávamos recebendo pelo correio para o pagamento do DAS era falsificado; inclusive eu fiquei meio reticente a utiliza-lo. Tentei várias vezes entrar em contato com o SEBRAE para saber sobre a autenticidade do documento e não obtive resposta. Assim continuei imprimindo as guias de arrecadação pela internet (portal do empreendedor).
Entretanto, esta semana consegui contato com o SEBRAE e recebi alguns esclarecimentos:

*O carnê é real, apenas um novo modelo, mas que deve estar atento a alguns detalhes.

O formato do novo carnê é este, e deve conter esta numeração no círculo "carta".


Quando recebe-lo é aconselhável entrar no site do Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br) e fazer as seguintes consultas:

1- Se consta o número do documento registrado na Receita Federal. Caso já tenham impresso uma guia pelo portal via internet, a numeração será diferente (pois gera um novo código), mas constará no extrato da Receita Federal - um como pago e o outro como "não" pago.

Eu printei os passos para facilitar o entendimento. Mas, conforme o funcionário do SEBRAE: "Caso não se sinta seguro em utilizar o carnê, poderá continuar imprimindo as guias do DAS pela internet".

1- Entre no portal do Empreendedor. (PGMEI)


2- Consulte seu CNPJ


3- Na guia "consulta > extrato" selecione o ano, e verifique os códigos gerados pela Receita Federal, seja pelo carnê (entregue pelos correios) ou os gerados pela internet. Com isso observe se houve apuração de pagamento no que foi efetuado.


Todo cuidado é pouco, neste país de "espertos". Boa sorte!



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Os ternos (03) - cartomancia zotti



Três de Copas

Dentro da estrutura familiar zotti, o terno de copas representa a gestação - uma nova formação biológica e familiar, ligadas através dos laços sanguíneos. Na leitura oracular representava o ovulo fecundado e uma gestação concretizada (se acompanhada de valetes, esta gestação viria a desenvolvida e haveria um nascimento). Isso se dá, porquê todo naipe de copas estaria tradicionalmente ligada aos laços de sangue e família.
Atualmente, por conta de diversos fatores ao longo do tempo esta "gestação" pode ser simbólica, entretanto continuará a estar presente dentro do âmbito familiar, e não necessariamente biológica.
Quando acompanhada de naipes de espada, é importante observar, pois há riscos de que o que está sendo gerado possa sofrer um "aborto" ou interrompimento; ou possa ter acontecido por conta de uma violência (estupro) e no caso de situações simbólicas (uma vontade alheia forçando a natureza construtiva).
Os números impares sempre foram, em sua maioria "bem vistos" na cultura sarracena, e assim sendo eram sinal de bons agouros, mesmo que houvesse algum empecilho à vista.

Três de Paus

Este terno representa as Leis, ordens ou contratos, elaborados e firmados entre o meio familiar - geralmente conduzido pelo patriarcado ou liderança masculina.
Não se trata de leis "gerais" nas quais envolveria toda sociedade zotti, mas sim os ensinamentos e leis que regiam famílias peculiares; o que variava de um clã a outro. E só valeriam dentro do ambiente formulado e imposto. Estas leis eram transmitidas oralmente em ordem descendente. 
Atualmente, através do simbolismo moderno, podemos considerar que este terno se trata das regras impostas dentro da família através do pai ou irmão mais velho, em alguns casos: parentes masculinos com influência grande dentro da família.
As cartas que acompanham este terno podem sinalizar que tipo de "leis" estão sendo transmitidas ou impostas; e se, acompanhada de naipes de espadas, se há uma contradição a tais normas ou leis.

Três de Ouros

Este terno de ouros se trata de ganhos ou lucros advindos através de inúmeras formas. Quando este terno se apresentava em uma leitura, sabia-se que as negociações ou comercializações de bens trariam ganhos favoráveis a toda comunidade, não só no âmbito familiar. Uma carta que diretamente está associada simbolicamente a "sorte" ou ao "dom" de negociação entre os zott, no qual beneficiaria a todos - ambas as partes envolvidas na negociação.
Simbolicamente este lucro pode se tratar de diversos âmbitos, não só material (apesar de se tratar do naipe de ouros).
Para nossos ancestrais os ganhos materiais eram necessário por questão se sobrevivência, e não de acúmulo de bens. Mas atualmente, estes ganhos e lucros podem ser considerados como meio de economia - aquele bem ou "favor" que pode ser guardado para uso futuro.
Os naipes que acompanham este terno denotarão o meio pelo qual veio este lucro e ganho; acompanhado de naipes de espadas sabemos que podem ter vindo através de disputa ou meio ilícito.

Três de Espadas

Apesar da numeração ímpar ter uma conotação geralmente positiva, dentro deste naipe este terno denota uma fraqueza, desvantagem para o consulente. Como lidamos com polaridades na cultura zott, não há "bom" nem "mal", pois respeitando as Leis Universais : 'o que é bom para um, automaticamente é mal para o outro'. 
Este terno irá denotar que o consulente, apesar de estar lidando com uma situação de disputa, se encontra enfraquecido e a tendência é de desvantagem ou perda durante a batalha.
Os naipes que seguem este terno podem sinalizar em que aspecto se encontra estas disputas ou batalhas; e a recomendação é que se recolha para se fortalecer, pois se permanecer nesta ação a desvantagem pode levar a consequências desastrosas.
Como regra na leitura zotti (independente no método), todo naipe de espadas deve ser cortado (transpassado) por outra carta, e se no caso outro naipe se apresentar sobre esta carta podemos ter uma noção do desfecho da ação do consulente diante deste terno - como conselho.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A Cura



Há momentos quando o recolhimento se faz necessário para que o Tempo cure os males da pisque.
Nestes dias, estive refletindo sobre isso, e com a sapiência do Tarô pude entender um pouco esse mecanismo transitório, onde se faz necessário ter paciência e descanso para que nossa mente possa se organizar e os pensamentos irem ao seu devido lugar.
Quando nossos neurônios dá um "thiuthi" e beiramos ao desequilíbrio, é necessário parar! Nosso corpo é uma máquina e como tal, alguns componentes precisam resfriar para o bom funcionamento.
A fonte neural que comanda tudo nesta máquina é perigosa, pode ser nossa melhor amiga ou pior inimiga; portanto precisamos ouvir os sinais que ela emana.
O Eremita nos ensina o momento certo de entrarmos em nossa caverna para reavaliar algumas questões, aliado a Temperança nos dá o tempo necessário para que possamos estar em descanso e conseguir enfrentar nossos medos, ansiedades e conflitos que a Lua nos trás (que se resume em diversas patologias da psique, mesmo que passageira).
Parafraseando um ditado: "de médico e louco, todo mundo tem um pouco", prefiro não deixar a loucura tomar uma porcentagem maior.
O Tarô e seus sábios conselhos. Só nós conhecemos nossos limites, diante desta vida estressante. Vamos ouvir mais nosso corpo e mente!!!