quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sobrevivi a 2014! Reflexões e Votos.


2014...ah aninho complicado. Mas, enfim, chegando ao fim. 

Apesar de ter consciência que o ano pessoal/natal é bem diferente do ano gregoriano, algumas reflexões valem a pena, ao menos para ficar registrado.

Vou dizer que esse ano foi de todo ruim? Não! Algumas coisas boas aconteceram. Infelizmente, registramos mais o que há de pior do que o há de bom; um erro, mas importante para que nós, seres humanos, possamos aprender as lições da vida, afinal de contas já diz o adágio: "aprendemos mais com a dor do que com o amor". Registrar o que nos machuca também é uma forma de defesa, no qual, tentamos não cometer os mesmos erros e prosseguir com a vida e suas experiências.
Este ano de maneira geral, foi complicado a nível econômico; acredito sim, por experiências alheias, que este fator afetou a todos. Mas, entre 'troncos e barrancos' consegui sobreviver!!! A nível de saúde me mantive no controle, e isso é bom! Emocionalmente, alguns abalos; mas nada que venha a me derrubar, afinal de contas por mais racionais que tentamos ser, sempre estamos sujeito a influência comportamental dos outros.




Meu ano pessoal do Tarô, transitando entre as cartas do Diabo e Torre não poderia ser diferente do que aconteceu; me senti, as vezes, amarrado; outras vezes liberto e aproveitando os prazeres de forma telúrica; os grilhões da 15 na maioria das vezes, emocional, me causou muitas dores e cicatrizes. Não seria novidade que em determinado momento eu tivesse que me despir de uma velha roupagem, à custas dores, pela Torre. O meu segundo semestre pessoal foi de plenos desafios; cada tijolinho de minha Torre teve que ser destruído e aos poucos ainda me encontro no processo de recuperação. Me sentir em meios aos escombros e a poeira de demolição foi necessário, para que eu pudesse rever muitas coisas. Não morri soterrado, mas saí muito machucado.

Em fim, estou a caminho da Estrela, e espero que Ela possa me guiar na direção correta em busca de melhoras pessoais e produtividade.

Este ano, foi um ano de tomada de decisões precipitadas, o que culminou em vários aborrecimentos e arrependimentos. Mas, para que servem a não ser nos mostrar a verdade por trás das aparências? Aceitar nossos erros como parte de uma melhora de vida é fundamental para nossa evolução e principalmente para termos consciência de que, mesmo sendo seres coletivos, devemos zelar e preservar nossa individualidade.

Neste novo ciclo, minha palavra chave será, sem dúvida: LIBERDADE. Uma liberdade que envolve muito mais do que meu direito civil de ir e vir, uma liberdade da consciência, uma liberdade de existência, onde eu possa me livrar de meus receios e inseguranças e lançar-me, sem medo nas conquistas, nas metas, na vida.
Sei que ainda estou no processo de recuperação do meu estado de saúde psíquica e física, mas hoje me sinto mais fortalecido, e espero mesmo que em 2015 eu possa voltar ao normal. Não existe, infelizmente, máquina do tempo; mas eu vou conseguir me aproximar de uma vida vivida há anos atrás, e o melhor: com experiência!

Mas também tive bons momentos este ano, e não vou deixar de registrá-los:

*Meus exames médicos se mostraram muito bons - sinal de que estou conseguindo controlar "meu amiguinho".
*Fiz novos amigos profissionais e participei de eventos enriquecedores. 
*Dei um bom movimento em meu livro - ainda em construção.
*Tive coragem de assumir minha etnia e resgatar alguns valores.
*Me libertei de alguns dogmas e conceitos que não faziam mais sentido, ou efeito para mim.

E como metas para 2015... ah... estas são sigilosas (risos); afinal de contas, uma coisa que muito aprendi na 15 e 16 é manter as coisas em silêncio. 

No momento, o que mais quero é manter meu processo de recuperação e libertação (cura) das amarras emocionais que tanto me angustiaram e me mantiveram presos a um padrão sem sentido e doloroso.

O que eu desejo aos meus amigos e clientes? :

Aos velhos, novos e futuros círculos sociais meus, sejam eles virtuais ou presenciais, desejo que a cada ano possam conquistar novas metas! Sim, desejo CONQUISTAS. Pois só cada ser em si é que conhece suas próprias necessidades. E respeitando este princípio, é que me posiciono desta forma. Que o Universo conspire sempre para que todos nós possamos atingir nossas metas.

A algumas horas de se findar esse ano gregoriano, me despeço então dele com um poema de Fernando Pessoa (O Infante), que resume em si tudo que penso neste momento em que digito estas linhas; um poema profundo, que nos faz repensar nos valores de: Fé, Esperança, União (com nossos desejos), Conquistas, e Liberdade.


(Interpretação musicada de Dulce Pontes - Uma diva da voz portuguesa)

Que venha 2015! E que jamais nos esqueçamos de que nós somos "Seres Divinos" (leia-se Estelares), cheios de Super Poderes! Vivemos em "constelações", mas, cada um brilha na sua própria intensidade.

Fernando Omar Said (R.M.S)#

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Orixá de 2015 (?!)



[Reprodução do post que fiz ano passado, com algumas atualizações] 

'Há alguns anos uma onda de leitura anual para regência de orixás vem acontecendo. Mas isso não é nenhuma novidade, apenas se tornou "popular".

Bem, vamos esclarecer alguns pontos que vale a pena ser ressaltados:

1- Não existe essa coisa de Orixá regente do ano para "todo mundo".

Explicando: Orixá rege aquele que se dedica a egrégora dele; portanto, não seria apropriado determinar que um Orixá será regente de todos. O que acontece em algumas casas tradicionais de Asè ,é que, o babálorisà ou a Iyálorisà ira conversar com os orixás para ver quem se propõe a "olhar" ou "cuidar" dos filhos daquela determinada casa durante o ano que se inicia. 

Por isso, uma determinada casa de Asè terá seu Orixá regente, expandindo essa influência por todos seus descendentes ( as casas nascidas na mesma tradição, ou como dizemos no Asè : das "mesmas águas".

2- Dentro da tradição iorubá (candomblé/nação), não se conversa com esse orixá regente através da numerologia pitagórica, e sim através do Meríndìnlogum (Jogo de búzios). Portanto, não considero válido os cálculos numéricos a base dos números que compõe o ano a seguir ou o dia da semana que irá se iniciar o ano, usando associação com orixá. Muitos o fazem, e não vou descriminar essas interpretações - cada um segue aquilo que crê e TODOS devem ser respeitados.

Agora, digamos que algum babálorisà ou Iyalorisà resolva conversar com Ifá para saber a "Influência" de algum Orixá sob uma região ou população. Pode ? SIM ! E nestes casos a conversa é com os Odús; que, através de seus Omo Odús (caminhos) podem indicar não só um Orixá, mas talvez um grupo de Orixás que influenciarão determinadas épocas, naquela região. É semelhante as consultas a Ifá sobre as regiões em que as vitórias eram garantidas através dos Odus, em épocas remotas pelas tribos daomeanas.

Como e quando pode ser feita essa consulta ( para a região ou população) ?

Nos Itàns de Odú, quem determina os caminhos e assegura as influências negativas e positivas é o Odú Iká - o décimo quarto. 

Para os nossos ancestrais africanos, a Lua cheia (Àsùpá) era vista como os olhos de Olòorúm sob a Terra, nos momentos de escuridão. Reverenciavam essencialmente as Lua Cheia e Lua Nova ( ambas visivelmente em sua totalidade ), apenas com a diferença entre o dia e a noite. ( A lua em sua totalidade cheia vista a noite caminha em oposição ao Sol . A Lua Nova também se apresenta em sua totalidade; mas, muitas vezes não a vemos porque ela caminha durante o dia seguindo o Sol). Mas, ambas são chamadas de Àsùpá.
Então, a partir da última Lua Nova do ano se conta 14 dias (nascer do sol) para trás - sentido anti horário; e cairá em um àsùpá noturno; neste exato dia começam uma séries de rezas a Iká, até que se complete os 14 dias em que àsùpá se tornará diurno; e neste momento é que Iká se abre a revelação das influências divinas sobre a Terra.'

Neste ano (2014), a leitura foi feita exatamente no dia 21 de dezembro (última lua nova de 2014). Aí, então, tenho os Orixás que influenciarão minha terra. Entretanto, eu vou estar sob a "regência" de um Orixá determinado pela minha casa tradicional ancestral, que é o Engenho Velho (Casa Branca) em Salvador.

No meu jogo, quem vai estar regendo o Brasil (leia-se: região/país) é Insèèwé (um Oxossi), com influências fortes de Ossaim e Oxum. A partir de setembro teremos uma participação de Onirè (Ogum), Iyá Assessú (Yemanjá); e depois de Àsùpá de outubro, um julgo de Ibonã (Airá). [Aí a coisa vai esquentar!]

domingo, 21 de dezembro de 2014

O Sol (31 do Lenormand)



Bem vindo Solstício de Verão!!!

Hoje o Astro Rei atinge seu pico no Hemisfério Sul. O dia amanheceu quente, apesar de estar prevista chuva para logo mais tarde [sei não, há dias que ela ficou de chegar e nada :( ].
Mas hoje, vamos homenagear ele: O Sol!

Um dos luminares naturais do baralho lenormand, o sol se encontra em uma posição entre os lírios e a lua, o que me traz uma reflexão de como a Luz pode nos conduzir da escuridão à benção. (leia-se da esquerda para a direita), o próprio movimento do sol - leste/oeste.

O sol é uma estrela considerada de quinta grandeza (termo popular), mas sua magnitude é de +4,8, apesar de não ser tecnicamente mais brilhante que as outras, pois a Próxima Centauri tem +15,5. O brilho intenso se dá por aproximação de nós - Terra. 

O sol também é o centro magnético de nossa galaxia, e em torno dele gira inúmeros corpos celestes. Mas sua importância não se dá apenas no Cosmo. Ele influencia e dita muita Lei Natural em nosso planeta e em nossos corpos biológicos - animal e vegetal, assim como nas condições meteorológicas e climáticas.

 O Astro Rei há muito tempo sempre foi, e acredito que, sempre será, considerado a face de De@s. Algumas culturas antigas o veneravam como o próprio Deus e/ou Deusa; e como tal, sempre foi respeitado e divinizado, seja no consciente como no inconsciente. 

Responsável por nutrir a vida com seus raios e gazes, ele ativa uma cadeia de metabolismo biológico que faz com que a vida tenha continuidade, e que tudo cresça com todo vigor. Sem o sol não existiria nenhuma vida! Por isso sua Luz é considerada "divina" e fonte de toda a existência. Ah, e se falando de biologia, o sol é a principal fonte de vitamina D, a qual é responsável por alimentar todo sistema imunológico, nossas defesas. [D de "Divino", D de "Defesa", D de "Doador" :) ] 

Por sua importância climática, os povos do extremo norte o viam como o Deus que nutre a Deusa Terra, e mantém a continuidade da vida; e como tal, era associado ao fogo primordial. Outros povos, como os do Oriente Médio, que observavam mais seu "movimento" (vejam esse trabalho de História da Física sobre o movimento do Sol :Aqui ) , o veneravam também como seu Deus, e responsável por conduzir todo baile celeste.

Os alquímicos vão mais profundo ainda no simbolismo da Luz solar, considerando-o a Consciência Criadora e por outros viés o Conhecimento de Tudo e a Verdade Absoluta.

No baralho lenormand o Sol representará vitória, conquista, Luz Divina, e até mesmo, em alguns casos, o Conhecimento de algo revelado. A imagem em si já nos traz algo de muito positivo, mesmo acompanhado das nuvens (6), pois é um presságio de que o mal tempo está se dissipando. Entretanto, tente olhar diretamente para o sol. (!?) Imaginou? A Luz também pode cegar! E este é o aspecto negativo dessa carta. Muitas vezes, estamos "tão certos" de nossas verdades, que acabamos cegos diante da realidade, ou até mesmo da compreensão "no outro". Portanto, toda vez que ver o sol na mesa de consulta, não se atenha somente a essa luz espetacular; observe se não se trata de uma luz que cega, e nos torna egocêntricos, egoístas, vaidosos ao extremo, megalomaníacos... 

Que todos possam desfrutar desse solstício com todas as bençãos de nosso Astro Rei.

[Ps. Uma dica: protetor solar é importantíssimo - se você for ao sol em horários extremos. Mas, procurem tomar sol in natura, ele nos nutre e nos fortalece.]

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Urso (15 do Lenormand)



Revisando minhas postagens, percebi que ainda não tinha explanado ele :D . Talvez a palestra do III Cartas na Mesa tenha tirado meu foco :p

Mas vamos lá.

Outro belíssimo animal do baralho. E mesmo não fazendo parte de nossa fauna, temos, as vezes, contato com ele e seu comportamento. [Em zoo, filmes e animações].
Existem várias espécies de Urcidae (nome cientifico) . E estão presentes em quase todos continentes, menos na Africa. 
O urso tem comportamento carnívoro e são extremamente territorialistas. Vivem solitários, apesar de se unirem socialmente apenas para reprodução, onde são atraídos pela fêmea e depois descartados do meio familiar, ou seja: a fêmea o expulsa e cria seus filhotes sob total domínio até atingirem a independência de caça, e logo em seguida seguem sua vida, solitários.
O urso possui hábitos alimentares incomum a eles, como por exemplo, comer muito durante a primavera e verão para hibernarem no outono e inverno. O acúmulo de gordura é essencial para sua sobrevivência.
São animais extremamente fortes e hábeis, apesar de não possuírem muita velocidade, pois sua condição plantígrada não permite.
Infelizmente, há uma visão muito deturpada desse animal, por sua ferocidade. Mas se formos observar a presença deles durante a história da humanidade, vamos ver que existem situações nos quais leva-nos a considerar o outro lado da moeda. Por exemplo:

1- Os ursos são de fáceis domesticação e muitas vezes já serviram segurança em diversos lugares da Europa; em circos como espetáculos; como animais de companhia por algumas famílias ciganas.
2- Os ursos são extremamente solitários, o que levou alguns cineastras a se utilizarem dele em filmes que denotam o valor de uma amizade.
3- Os ursos foram os primeiros animais a serem representados como "bichinhos de pelúcia". Consequentemente, muitos já o tiveram como suas primeiras companhias na infância.

Por outro lado, ficaram mal vistos nas fábulas de La Fontaine, onde seu instinto animal, descontrolado, ultrapassou os limites de proteção e acabou por criar situações nefastas.





Assim como os outros animais no baralho Lenormand, o urso também denotará alguns de nossos instintos a serem trabalhados e/ou utilizados. E se tratando de figuras interpretativas e considerando o valor da polaridade, é claro que teremos que observar na leitura qual aspecto desse urso se apresenta: negativo ou positivo?

O urso pode simbolizar um estado de solidão, assim como a necessidade de sermos "bom amigo".
O urso pode representar um momento de economia ou acúmulo de bens necessários para nossa sobrevivência; assim como uma situação egoísta.
O urso pode ser a representação de uma figura materna que zela pela sua cria; jamais a figura paterna [pois sabemos que os machos são exclusos do meio familiar].
O urso, nas questões sexuais são instintivos, portanto não poderão representar um amor ou entrega íntimo emocional. São impulsionados apenas pelo desejo e por um propósito de pro-criação.

Esta carta muitas vezes assusta o consulente no momento da leitura; mas é imprescindível que o oraculista a interprete em relação as cartas ao lado; pois se tratando de cartomancia os terceiros nas questões são representados pelas cartas de côrte; as cartas numeradas simbolizarão arquétipos/personalidade/situação do próprio consulente. [Cito este aspecto porque é comum alguns se utilizarem de frases como: "Um amigo urso lhe cerca" - pejorativo]. 

Como venho comentado em meus posts, é importante conhecermos o comportamento do animal envolvido em uma leitura, isso facilita muito a interpretação detalhada da simbologia inculta na presença desse ícone.

E se utilizando do lúdico, vamos procurar ser mais o "irmão urso" (Walt Disney), do que o "amigo urso" (La Fontaine)



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As Estrelas ( 16 do Lenormand )


Quem nunca se pegou nomeando estrelas no céu? Acredito que muitos. Eu, por exemplo, tinha o costume de nomear algumas estrelas por pessoas importantes na minha vida. Para o povo nômade, principalmente os zott, as constelações tinham um significado muito especial; tanto místico quanto físico. O costume de estudar o céu, pelos povos do Oriente, era induzido pela observação das estrelas. Essa conexão não era meramente didática, mas muito espiritual. Dentro de uma leitura celeste profunda, as constelações possui mais importância que o próprio movimento dos astros. As constelações são a morada dos deuses. E quando nos referimos a tal Estrela Guia, é claro que se trata de nosso guia divino, cósmico, espiritual.
Dos luminares no baralho lenormand, as estrelas são a mais antiga e seu brilho continua fascinando muitos até hoje. Sua multiplicidade e longevidade são incontáveis. Diferente da Lua e Sol, das estrelas só avistamos a Luz, e este aspecto tem uma simbologia muito profunda.

 Para nós, seres humanos, as estrelas sempre teve uma importância fundamental; não só no sentido visual como também no metafisico, espiritual, e biológico. Antes do advento de instrumentos de localização, como astrolábios, bússolas e mapas, as estrelas foram nossos guias. A Terra era mapeada no céu através das estrelas, e elas foram responsáveis por possibilitar as grandes expansões de impérios em todo mundo. As estrelas também foram alvo de profundos estudos filosóficos e ocultistas com suas constelações fixas, marcando personalidades de indivíduos e muitas vezes definindo "seu" destino. Cientificamente, hoje sabemos que nosso corpo biológico possui componentes presentes nas estrelas; sim, somos feitos de 'gases e partículas' de estrelas, como hélio, hidrogênio e carbono. Tecnicamente, somos uma estrela!
Raramente olhamos para o céu e contemplamos as estrelas; mas elas sempre estão lá - brilhando intensamente, muito mais que o próprio sol. Nossa ligação mais íntima com elas, hoje em dia, é nossa identidade zodiacal marcado em nossa Carta Natal pelos signos. Mas, para os mais curiosos, esta ligação vai longe; pois nos leva a mergulhar profundamente na origem de todas as coisas. Quando o brilho de uma estrela chega a nós, provavelmente ela já estará literalmente morta. Não existe mais fisicamente, já explodiu! Apenas sua Luz nos chega e fica, como uma lembrança eterna de sua existência. O infinito do Cosmo é como um reveillon com fogos de artifício explodindo constantemente, uma celebração eterna de recomeços; a diferença é que estas luzes "nunca" se perdem, ou pelo menos estarão durante toda nossa existência humana.
Todos somos uma estrela, literalmente e simbolicamente. E o que nos faz uma estrela? Nossa simples existência. Agora, se esse brilho será visto e apreciado pelo outro, aí é outra história. A contemplação das estrelas na noite se dá basicamente de maneira coletiva, ou seja, mesmo que foquemos em apenas uma, visualizamos outras a volta; e pela distância e nosso potencial óptico não conseguimos visualizar apelas uma estrela solitária na noite, sempre estamos vendo constelações.
No baralho lenormand, as estrelas (plural) nos remota a uma simbologia de Luz, brilho, esperança, pluralidade, ancestralidade, espiritualidade, e infinito. Estas estrelas podem nos guiar em meio a confusão e incertezas; estas estrelas podem nos levar a contemplar a existência divina compondo o Grande baile celeste; estas estrelas podem nos apresentar a busca por conhecimentos profundos, além de nossa própria compreensão.


Há uma troca eterna entre nós e o Cosmo, e como dizem, a cada estrela que morre nasce um de nós e a cada um que se vai pelo portal da morte, nasce uma estrela. Essa interação constante nos faz pensar que somos viajantes no tempo; e como almas, embarcamos nessa rota com nosso próprio brilho, não o brilho do "outro"! Lembrem-se disso. E este brilho é construído de nossas ações e intensificado pela resposta do 'outro' em relação à nossa importância.
Geralmente, a estrela é uma carta de bom augúrio; mas lidando com as polaridades interpretativas, ela também pode simbolizar uma estrela que já "se apagou".
Considero esta carta como nossa orientadora no baralho. A carta das estrelas pode nos conduzir a qualquer caminho que desejarmos; mas cuidado! Se ficar fixadamente olhando para elas, pode não ver o que se encontra em seu caminho, e as estradas podem estar cercadas de perigos. Portanto, deixe que as estrelas lhe guiem, mas não fique viajando em sonhos supérfluos, e procurem não se deixar guiar por luzes que lhe levem a morte como insetos na lâmpada.
Simbolicamente, e por viés metafísicos, as estrelas podem ter uma ligação estreita com nossos dons e destino; uma carta que nos liga intimamente ao plano espiritual pessoal, não a dogmas e instituições.
Teoricamente, dentro de nosso tempo, podemos considerar as estrelas como imortais, e esta conotação nos remete a algo que vai além de nossa existência, inclusive ligando o passado ao futuro, ancestralidade a posteridade, nascimento a destino... e nós, somos o presente, o meio caminho disso: a própria estrela brilhando!


Todos somos estrelas, mas como anda seu brilho?
De que forma tem se guiado? Ou, orientado os outros?

Tenham uma noite bem estrelada. Olhe para o céu, contemple sua existência!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Bouquet (09 do Lenormand)



Uma carta que deixa muitos em êxtase, pois nos remete a felicidade. Mas quais os aspectos implícitos por traz dessa beleza? São muitos. Como podem observar, toda a côrte de espadas no lenormand são representada por leveza: os lírios (rei de espadas), a criança (valete de espadas) e as flores (rainha de espadas). A Côrte de espadas na cartomancia européia é representada por seus governos monárquicos nos quais foram alvos de diversas disputas, guerras, e conquistas. E com isso, a figura da flora nestas cartas denotam um certo tom de glória e reconhecimento.
O bouquet há muito tempo foi símbolo de reconhecimento a vitória e conquista, como vemos até hoje, principalmente em eventos que envolvem competições, onde as flores são entregues antes das medalhas de mérito. 
Toda conquista e vitória requer uma certa dose de sacrifício, e seus ícones também; pois as flores que compõe os bouquet são se certa forma sacrificadas de suas flora para homenagear os vitoriosos. Uma carta bela e que trás felicidade a quem recebe, mas as custas de um sacrifício. E como todo sacrifício, só é digno dele quem o merece de fato.
As flores no baralho lenormand pode representar um momento de alegrias, felicidades, e reconhecimento advento de nossas obras. Quando recebemos flores, existe por trás dessa ação uma conotação oculta de reconhecimento e agradecimento por algo; pode estar associada com o mecanismo de trocas, inconscientemente ou não.
As fores são de diversas espécies e com diversos propósitos; inclusive existe estudos de comportamentos éticos em relação a que flor presentear - pois cada uma carrega em si um simbolismo próprio, como se fossem mensagem.
As fores são em geral a parte da planta responsável pela polinização e continuidade de sua existência. E esta funcionalidade biológica pode nos remeter as questões de fertilidade também em uma leitura.
As flores não são meramente ornamentos, elas carregam em sim um poder simbólico muito grande ofertado ao presenteado por ela. Elas estão em todos os lugares, sejam bem tratadas e cuidadas em floriculturas e jardins, como deixadas ao curso da natureza em parques e matas. Considero as flores a expressão colorida da existência. Uma forma do Criador nos preencher de cores e esperança com sua Obra. 
O uso das flores está presente em toda nossa interação com a natureza; ela pode carregar cura e veneno, alimento, ornamento, solicitação de perdão, reconhecimento, honras. E com toda essa gama de informações, ela pode se encaixar na leitura cartomântica em qualquer aspecto.
Por estar representada por uma Rainha - de espadas, ela (as flores), também nos levam a um contexto de autoridade dentro da composição do baralho. Além de corresponder a arquétipos de personalidades dos 'terceiros' nas questões, como suas intensões, vontades, e índole.
Para que estas flores não murchem, elas devem ser bem cuidadas e veladas por apreciação daquele que as recebe. Se estas flores vem acompanhadas de cartas vitais, pode representar uma vida cheia de alegrias e beleza. Acompanhada por cartas nefastas, podem indicar um apreço e carinho sendo corroído e desperdiçado - afinal de contas nem todos são merecedores de nosso reconhecimento e perdão.
A carta do bouquet interage intimamente com as cartas de flora - árvore, jardins e até mesmo as estradas, quando nossos caminhos podem se apresentar floridos.
As flores também podem representar  sutilmente um ato de comprometimento, a exemplo do bouquet da noiva e flor na lapela do noivo,
 demostrando a vontade de uma relação de felicidades e alegrias.
Podem também representar um ato de despedida apresentada em seu ofertório aos nossos mortos.
Ligações espirituais e religiosas também não podem ser descartadas, como principal objeto de devoção em altares.
O mais interessante das flores, e que automaticamente me remota a primavera, é o fato de ser naturalmente a ideia de esperança quanto a vida, pois através delas a Natureza nos mostra que há uma continuidade, quando a Mãe Terra desperta e nos traz a vida de volta após o inverno.
A morte, sua poda para elaboração do bouquet, representa a esperança e alegria de que, mesmo após o sacrifício, a vida continua. 
E concluindo, as flores também podem nos remeter a um contexto de despedida , oculta nos ofertórios fúnebres, como as coroas deixadas nas lápides de nosso queridos amigos e ente. 


Já ofereceu flores em forma de reconhecimento?
Como cuida das flores que ganha?

Um dia florido, de vida, para ti.

Me despeço com uma das mais belas músicas que fez parte de uma época da minha vida. Uma mensagem de esperança. Composição e interpretação de Fátima Guedes:

Flor de ir embora [ clik no link abaixo ]

https://www.youtube.com/watch?v=WxYrSEOx5yM