domingo, 30 de novembro de 2014

Os Lírios (30 do Lenormand)



"Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória se vestiu como um deles" (Mateus 6:24-23)

Realmente, os lírios, são flores belíssimas! Nos transmitem paz, exala um aroma delicioso, e possuem uma grande resistência. 
Os lírios são flores da familia Liliaceae, do gênero Lilium; são plantas nativas do Hemisfério Norte [existem mais de 100 espécies deles]. Algumas espécies da mesma família encontramos aqui no nosso hemisfério com o nome de açucena. Na China representam o amor eterno e também a abundância. São plantas que chegam a atingir 1,50m a 2,00m. Sua resistência se dá ao fato de acumularem muita água em seus caules e depois distribuí-las em doses para sustentabilidade da flor.
Por diversos atributos benéficos, os lírios são citados em vários textos antigos espirituais - Cristãos, Agnósticos, Hindus, Egípcios, etc. Sempre considerados como reflexo do 'divino' na natureza materializada, por sua beleza e diversidade.
Os Lírios funcionam biologicamente de forma extremamente equilibrada; os extremos - de irrigação, Luz, poda e colheita, podem causar danos a eles. Vejam como cuidar do seu lírio: [Aqui.]
No baralho lenormand, os lírios vem representado por uma carta de côrte, o Rei de Espadas. E esse simbolismo tem tudo a ver com algumas nações da Europa, onde a realeza era representada por lírios, e isso também nos remete a uma carta de Poder e Autoridade.


(Brasão de Armas da Casa Real Francesa)


Na leitura interpretativa do baralho, os lírios representam o momento de paz, tranquilidade, pureza e até mesmo de resistência no momento do consulente. Por ser uma planta que simbolicamente pode representar a 'balança da natureza', esta carta pode também estar envolvida em interpretações que nos remetam a Justiça. 
Os lírios também eram usados por algumas famílias ciganas eslavas para confecção de porções 'mágicas' associadas aos desejos carnais - libido e paixões. É a flor que se encontra também na icnografia do Arcanjo Gabriel - mensageiro de Deus, como portador da boas novas e fertilidade. 

E falando em fertilidade, cabe salientar que esta flor, apesar de se reproduzir de forma sexuada, ela contêm os dois órgãos reprodutores em si mesma, e se proliferam por angiospermas - uma única flor produz sementes que darão origem a outros lírios. [Observem o contexto do hermafrodismo implícito aí].
Geralmente à primeira vista, consideramos os lírios uma flor delicada; mas ela é muito forte! Sua beleza e delicadeza podem ser interpretados simbolicamente como uma forma de lidar com as questões de maneira diplomática, onde a razão e a paz devem ser prioridades para a resolução das questões, sem uso da força bruta.
Os lírios no caminho profissional podem representar elogios e agradecimentos por um bom profissionalismo, que antecedem uma provável promoção.
Na saúde, os lírios representam a resistência as doenças e até mesmo a tratamentos recebidos de modo frequente e equilibrado, para que a biologia se mantenham firme e forte.
No amor, os lírios podem representar a harmonia do casal ou do indivíduo com seu próprio lado emocional; ou até mesmo a auto-compensação diante de uma possível solidão. Levando em conta os aspectos líbicos, vemos no lírio uma conotação de desejos carnais muito forte e quiçá de maneira individualista, quando o prazer está acima da entrega emocional.
Financeiramente, os lírios podem  representar o equilíbrio material e até mesmo o 'poder' atribuído a posses.
É uma carta que, a princípio, de maneira geral, me remete a necessidade de que o consulente precise se valorizar, elevar sua auto estima e manter-se se forma equilibrada, sem exageros.

Vamos liriar(sic) nosso dia!  


Hoje não quero reflexões, quero ações! Comprem um lírio e/ou açucena em uma floricultura perto de sua casa e contemple-o.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O Livro (26 do Lenormand)



Adoro Ler, é mais que um hobby para mim, é quase um vício. Muitos também devem gostar, pois livros nos levam a 'viajar' sem sair do lugar, nossa mente é exercitada, além de obtermos conhecimentos diversos.
O livro é fonte de informações, seja ela qual for. E também um objeto de registro escrito ou ilustrativo da História da humanidade e sua cultura. Sem o livro, provavelmente muita informação teria se perdido ao longo do Tempo. 
O livro como nos é apresentado no lenormand tem características contemporâneas; mas os pergaminhos da antiguidade tinham a mesma função: registrar e informar eventos para a posteridade. Com o livro as palavras não se perdem; o livro é a expressão física de nossos pensamentos e até mesmo de fatos que desejamos manter registrado para consultas, pesquisas, aprendizado ou meramente diversão imaginária - nos contos lúdicos ou fictícios. Nas páginas de um livro também podemos encontrar registros pessoais de uma trajetória de vida, como nas biografias, que nos servem de exemplos e onde estudamos os erros e acertos do outro para uma melhor caminhada na existência.
Como podem observar, o livro tem diversas funções, e esta diversidade pode ser encaixada em qualquer leitura interpretativa do baralho lenormand, combinando as cartas ao lado da carta do livro como se fossem palavras escritas nele.
O livro geralmente tem autoria individual, mas destina-se a um uso coletivo; pois o objetivo do autor ou autores, é que outras pessoas o leiam. É a forma mais comum de transmitirmos nossas idéias e pensamentos para outrem. É fato que só lemos aquilo que nos interessa; mas gostos são diversos, e existem informações escritas para todos os fins.
Apesar da vida em si nos apresentar ensinamentos, o livro é a primeira expressão didática de conhecimento nos apresentada na infância, e conforme aquilo que formos lendo é que nos conduz as nossas escolhas e raciocínio sobre as coisas ou até mesmo nosso caminho pessoal e profissional. A leitura induz o indivíduo a pensar, fantasiar, escolher e contemplar; além de em sua maioria nos tornar filósofos, nem que seja por um breve momento.
Uma simbologia interessante nos livros representados no baralho lenormand está na forma que ele se apresenta. Alguns baralhos apresentam imagens de livroS (no plural); outros apenas um livro - aberto ou fechado. Esta icnografia é importante observar, pois nos remeterá ao objetivo de ação em relação a este livro. Por exemplo:
- Com vários livros, podemos ter a mensagem de transmissão de conhecimento através de pesquisas comparativas ou diversas. E neste contexto pode estar associado aos estudos dentro de uma área profissional.
- Com apenas um livro, e fechado, podemos ter a indicação de registros próprios e pessoais, como diários, grimórios, escrita sigilosa, documentos, ou simbolicamente a importância que tenhamos a curiosidade de ler algo novo ou obter um conhecimento mais profundo em uma área específica.
- Com apenas um livro, e aberto, temos o indicativo de uma informação ou conhecimento de domínio público, onde todos tem acesso, e a qualquer hora.
Ainda há baralhos que podem apresentar pergaminhos ou códices, que são registros e informações antigas e importantes para o conhecimento, geralmente de ordem mística, filosófica e religiosa, que foram as primeiras necessidades de registro para transmissão de dogmas e ensinamentos.



É importante também ressaltar que o nem todo livro possui informações verídicas; alguns tem a função de nos conduzir a um mundo de fantasia e nos afastar da realidade. Uma interpretação detalhada da função do livro na mesa oracular de consulta pode indicar se "este" livro tem a função de transmitir conhecimento importante ou superficial; se este "livro" tem a conotação de grimório ou diário de vida; se "esse" livro deve ou não ser lido.
O fato é que, todo livro pode ser visto; mas nem todos podem ser lidos! Temos que ter a consciência de que um livro pode ser uma ferramenta poderosa na mão de alguém; e nosso livre arbítrio nos conduz a prática do ensinamento ou experimentos apresentados no livro.
Ler é sempre bom, mas saiba escolher muito bem sua leitura; pois nossa mente absorve até o que subliminarmente está implícito entre palavras escritas. Escrever é fácil! Compreender o que está escrito que é difícil.

Tem escolhido bem sua leitura?
Costuma registrar suas experiencias para que sirva de exemplo para outros?
Segue receitas criadas ou procura desenvolver as suas?

Um ótimo dia de busca pelo conhecimento!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A Casa (04 do Lenormand)



A carta da casa e da torre são as únicas estruturas construídas pelo homem no baralho, e como tal ocupam uma funcionalidade própria: a de abrigar. Mas, diferente da torre, que é apenas uma parte de uma estrutura, a casa vem com sua totalidade; o que, de fato nos remete a uma obra completa, cuidada e que tem como função compor um Lar. Mesmo assim, a casa, por se tratar de uma estrutura física, pode se referir a diversos aspectos. Esta estrutura pode não só representar um Lar familiar como uma instituição, seja ela : pessoal, comercial, estatal e simplesmente lúdica.
Quando vejo a carta em uma leitura, me remeto logo as questões que envolve o ambiente familiar do consulente. Mas se tratando de aspectos profissionais, esta casa pode se referir a uma empresa; nos aspectos de saúde, esta casa pode ser um hospital; nos aspectos financeiros, esta casa pode ser um banco; nos aspectos espirituais, esta casa pode ser um templo; e por aí vai...
A casa é parte integrante e necessária em uma comunidade, é de maneira bem significativa, o local de descanso da 28, 29, 13 e as vezes abriga também a 18. 
A casa é muito mais que uma simples estrutura arquitetônica; ela é o sonho de todos em prol de constituir uma independência e privacidade. É nosso local de refúgio, onde nos sentimos protegidos.
Mas, para que esta casa se coloque a disposição favorável do consulente, ela deve estar cercada de cartas que denotem uma intimidade e propriedade; pois a casa também pode se referir a propriedade de outrem. 
A interpretação da casa deve ir muito além de mera estrutura construída para abrigar uma família; simbolicamente esta casa nos remeterá muito ao patrimônio, à nossa segurança, à nossa realização pessoal, à nossa privacidade - na qual só entra quem for convidado.
Paralelamente e de maneira muito sutil, esta casa pode se referir a nosso próprio corpo, como primeiro lar, no útero materno; e como tal, deve ser tratada com esmero.


 Observem que as casas representadas no baralho lenormand são casas bem construídas, belas e cercadas da 20 - os jardins, pois esta mesmo, nada mais é que a extensão externa da casa.
A casa é uma carta que pode agregar combinações de fáceis interpretação com qualquer carta do baralho, pois se tratando de uma estrutura física, ela pode ser construída em qualquer lugar; inclusive no navio.
A casa é basicamente a carta da proteção física do 28,29 e 13. Ela nos abriga e isola da influência de todas as outras cartas do baralho. Pode ser nosso cárcere voluntário ou involuntário. A corte de copas quando se reúne [ casa, cegonha e coração ] é sinal claro de bons agouros e propósitos de felicidade, e me remete a um Lar ou ambiente harmonioso.
A casa do lenormand pode ser tanto alugada quanto de propriedade do consulente, o que realmente importa em sua simbologia é que ela será o local de refugio, de descanso, de amor e segurança íntima do mesmo. A carta da casa tem ligação direta com algumas cartas como: chave, jardim, árvore, dama, cavalheiro, criança. E nos coloca protegidos das cartas nefasta da fauna.
De posse dessa casa, cabe ao consulente limitar o acesso do que, e de quem, não o faz bem. Os cuidados em relação a casa é de responsabilidade do próprio consulente; e se ele permitir que perigos adentrem seu Lar, só a ele cabe também expulsá-los.
Existe uma comparação legal que faço para perceber algumas nuances do contexto da casa como família, haja vista nem todo consulente estar diretamente ligado a uma estrutura familiar; muitos habitam sozinho. E neste caso, quando o consulente vive de maneira isolada ou solitária, a representação de seu lar pode estar na torre. Neste caso, seus genitores ou parentes como família estarão na casa.
Explorando a casa, perceberemos que à sua volta e dentro da mesma se agregam todas as cartas do baralho, basta deixar a imaginação e intuição fluir. Assim sendo, quando vermos a casa em uma leitura, vamos observar o que está a sua volta; isso pode ser um indicativo de como o consulente tem cuidado de seu lar; quais seus anseios; quais seus medos; quais seus projetos; e principalmente até que ponto ele é dependente ou independente.
A maioria de nós temos um lugar para chamar de lar, seja próprio ou alugado. Mas, muitos se encontram a pária da sociedade, e o lar deles são as ruas - a 22, infelizmente. :(
O lar da fauna pode ser a árvore, a montanha, e até mesmo a casa. O lar da flora pode ser o Jardim, as estradas, o mar (peixes). O lar dos nômades pode ser o navio. O lar da Luz pode ser o Sol, estrelas e Lua. E assim, todas as cartas possuem seu lar; e no final das contas encontramos o único lar próprio, indivisível e eterno de todos: o Caixão!



Tem cuidado de seu corpo como seu Templo e Lar da alma?
Sua casa física está protegida, arrumada e limpa?
Tem olhos de solidários pelos que habitam o lar da 22?

Uma ótima noite bem confortável em sua casa e de bem com seu Lar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Carta (27 do Lenormand)



Bem apropriado este sorteio de hoje, pelo menos para mim. Acabo de sonhar coisas muito interessantes, e acordo com a esperança de renovação e novidades na minha vida.
Obs. Usarei a palavra Carta com iniciais maiúsculas para diferenciar da carta material de composição do baralho.
A carta do baralho, de ordem 27º é o envelope/Carta (a correspondência). Diferente da carta 01 (cavaleiro), esta carta, o envelope, nos remete a uma mensagem escrita ou ilustrada. A Carta no lenormand vem como representação física de ma mensagem enviada a um destinatário em específico. Geralmente nos baralhos, esta carta está lacrada, o que é um indicativo de privacidade, ou uma escrita ou mensagem destinada a alguém em específico - como as correspondências dos correios.
Na carta da Carta encontramos símbolos próprios que nos remetem a duas coisas que considero importante: uma mensagem e um segredo!
Voltando ao passado temos um exemplo de como diferenciar estes dois aspectos. As mensagens enviadas a um público ou comunidade eram conduzidas por um cavaleiro que a transmitia através da palavra oral ou documento exposto, denominado mensageiro ou porta-bandeira; as mensagens particulares, geralmente escritas com palavras ou símbolos em pergaminho, couro ou papel, eram conduzidas por pessoas anônimas e com um destino certo. Isso se dava para evitar o risco desta correspondência sofrer desvio ou roubo; e até mesmo porque estas mensagens escritas eram sempre de âmbito particular e sigiloso.
Quando vejo no baralho a Carta, me vem logo uma mensagem clara e objetiva para o consulente, e que, nem eu mesmo, como oraculista, conheço. Minha função é avisa-lo de que está prestes a receber uma informação importante e que não pode ser compartilhada; haja vista o envelope ter um cunho de algo/informação sigilosa e particular. Então, eu sempre oriento que o consulente fique atento a sua 'caixa de correio', que pode sê-la literalmente: Os Correios S/A como caixa de emails, SMS, Whatsapp etc. 
A função desta Carta é notificar, informar, avisar, ou até mesmo solicitar retorno da mensagem - como uma convocação própria e única. Lembrando que, o valor simbólico mais importante contido nesta carta é o do sigilo! Lembrem-se sempre que uma carta ou correspondência tem sempre o remetente e destinatário, portanto estamos lidando um um simbolismo endereçado a alguém e por alguém. Nada mais que isso. Até nas Cartas colocadas dentro de uma garrafa e lançadas ao mar, tem seu destinatário, mesmo que incógnito; e neste caso, pode ser um pedido sutil de socorro. 
 [lembre-se também desta simbologia quando verem o envelope/Carta e peixes juntos].
E falando em sigilo, esta carta pode sim, simbolicamente estar associado a sonhos, pois são também mensagens sigilosas de maneira onírica.
Abrir uma correspondência destinada a outro é crime! Lembrem-se disso. E como tal, devemos respeitar as Leis, tanto físicas quanto oraculares e/ou espirituais. Não cabe a nós tentar desvendar o que está escrito dentro deste envelope, ou colocar palavras no pergaminho em branco - muitas vezes representada nesta carta. Cabe somente e exclusivamente ao consulente decifrar e entender tal mensagem.
Na cultura cigana nômade também existiam mensagens sigilosas deixadas pelas estradas para outras caravanas, estas eram compostas por símbolos gravados em árvores, gravetos amontoados e até quantitativos de pedras, deixados geralmente em encruzilhadas; e só podiam ser interpretados pelo chefe do clã ou família responsável por tal leitura.
Eu, particularmente, considero esta carta como a do segredo, na qual só o consulente pode ter acesso. É claro que, se ele quiser divulgar o conteúdo desta Carta é problema dele, afinal de conta existe o livre arbítrio e também aqueles que não conseguem guardar uma informação.
Por outro lado interpretativo, esta carta também pode ser um indicativo de que o consulente precisa enviar uma mensagem e não só recebê-la; por exemplo, com o posicionamento do cavaleiro (01) na leitura. Invés dele - o consulente, ser o destinatário, ele pode se tornar o remetente. Levando sempre em conta que só ele deve portar o conteúdo da informação. 
No baralho lenormand, a Carta nunca é extraviada nem perdida [Me lembrei do filme 'Cartas para Julieta' - uma correspondência que levou 50 anos a chegar ao seu destino, mas chegou ;) ], portanto vamos cuidar com esmero que este envelope chegue ao seu destino com segurança. Qual a mensagem? Sei lá... e nem quero saber! Cabe somente ao consulente. Nosso papel é avisa-lo que : espere atentamente por uma mensagem importante. Pois nenhuma correspondência é enviada ao acaso e sem necessidade. Pois mais simples que pareça, existe uma importância; um aviso; um comunicado; uma convocação; uma declaração; ou meramente uma mensagem : lembrei de você! 

E para refletirmos:

Mantém suas informações recebidas com sigilo?
Sabe guardar segredos?
Já enviou uma mensagem a alguém especial hoje?

Um ótimo dia, recebendo boas notícias, para ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Âncora (35 do Lenormand)



Apesar de termos 36 cartas no baralho, e a Cruz ser a última; a carta da âncora é que simbolizava a vitória, e final da partida,  no jogo de tabuleiro de Johann Kaspar Hechtel; e quando o jogador chegava à âncora levava todo dinheiro do cofre e depósito.
Esta carta está associada a conquistas, sucesso, vitória, segurança. Seguramente, pode até ser considerada a carta mais positiva do baralho.
A âncora é um instrumento náutico com a finalidade de 'segurar' a embarcação, ou assegurar que ela não fique balançando. A âncora em si não prende a naus, ela precisa de uma rocha ou fenda marítima na qual ela possa se encaixar com suas 'garras' para obter um bom funcionamento; pois se a âncora é lançada em terreno arenoso, seguramente ela não cumprirá seu papel de segurança.

Por este motivo, eu vejo, simbolicamente, sua eficácia associada as cartas do navio e montanha juntos na mesma leitura e ou ao decorrer dela. 
Quando meu pai se aposentou, comprou um barco de pesca, atividade que ele sempre gostou além das estradas e cavalos. E me recordo que em uma de nossas navegadas ele me disse: " filho, a âncora não pode ser lançada em qualquer lugar; você deve conhecer bem a rota que vai, pelas cartas náuticas, e saber que lugar possui arrecifes para descer a âncora." Como ele vivia praticamente o final de sua vida como um 'cigano dos mares', eu tive que estudar muita carta náutica do litoral da Bahia, para saber como proceder em caso de necessidade.
Lançar uma âncora requer conhecimento! Isso mesmo. Se não sabe onde aportar ou onde se segurar, de nada adianta.
A âncora é um símbolo de vitória e conquista porque representa a chegada da naus a seu destino, ou a segurança da mesma em litoral calmo. Sim, calmo! Outra coisa que aprendi com meu pai foi que quando o mar está revolto nunca se deve lançar a âncora, jamais! Pois o dano a embarcação seria pior, ou até mesmo a perca da âncora para o mar, pois como ele sempre disse: " respeite as águas, com ela não se brinca!" Em mar revolto, a embarcação deve seguir o fluxo da maré para que se mantenha na superfície, se lutamos contra este fluxo seguramente será sinal de derrota para as águas.
Todas estas experiências me fez interpretar a âncora de diversas formas, junto as cartas da : montanha (rochas), livro (conhecimento), peixes (mar), estradas (rotas marítimas).
Vejo sim a âncora como símbolo de segurança, vitória e conquista; mas para que ela se torne literalmente isso é imprescindível uma série de informações e conhecimento.
Só a âncora não segura a embarcação no mar, é preciso que ela também trabalhe com cordas para mantê-la presa ao porto; e isso pode ser agregado ao chicote. Aí sim, a embarcação encontra-se segura e com possibilidade de acesso a tripulação.
Existem diversos tipos de âncoras; e simbolicamente estas âncoras podem também ser abstratas, não necessariamente físicas. Talvez por isso a âncora do lenormand esteja sempre representada isoladamente, fora de uma naus; para que possamos leva-la aos mais altos graus de imaginação, sem perder sua funcionalidade.
Outro detalhe importante na representação do baralho, é que, esta âncora está completa com seus objetos auxiliares - boia [que serve como sinalizador de onde a âncora se encontra] e corda, que podem ser facilmente associados as cartas do : pássaros e cegonha (que flutuam) e o chicote (como cordas). Sem elas, a âncora afunda e se perde nas profundezas dos peixes (mar); aí já era :( - Nada de segurança! 



Na escola européia a âncora é vista como tema do caminho profissional, e isso tem relevância pelo fato de que a principal atividade comercial no século XVIII ser a navegação pesqueira, e como tal, principal fonte de renda e lucros nos países litorâneos. Hoje podemos explorar a âncora em diversos aspectos, e encaixá-la em qualquer campo de nossa vida.
Mas, ressaltando que, estamos lidando também com simbologia; e devemos explorar os dois lados da mesma moeda. Esta âncora tanto pode nos salvar, quanto nos matar. Tanto pode nos aportar quanto nos manter estagnados. Tanto pode funcionar presa a uma rocha, quanto pode ser um fardo carregado e arrastado "nas areias do Tempo", sem necessidade e/ou por ignorância. 

E aí? :

Como tem manuseado sua âncora?
A Naus de sua vida está à deriva, ou tem um objetivo?
Sua âncora esta bem localizada, ou perdida em alto mar?

Um ótimo dia de segurança para ti.

domingo, 23 de novembro de 2014

Os Ratos (23 do Lenormand)



Certamente uma carta, que a principio, nos remete a condições nefastas. Mas será que se resume só neste aparente 'nojo' que deixamos conduzir nossa interpretação?
É claro e notório que o rato é um animal, por natureza: sujo, infeccioso, noturno, de habitat subterrâneos e ocultos. Mas também possui características que podem ser explorados de maneira positiva dentro de uma interpretação oracular.
O rato é da ordem dos mamíferos roedores, e pertence a diversas famílias animais, não se resumindo apenas a esta espécie geralmente apresentada no baralho. Temos ratos de diversos tamanhos, habitats diferentes e comportamento variados. O rato que se apresenta no baralho é o rato doméstico da espécie Mus musculus, bem diferente do rato de esgoto [rattus norvegicus].
Os ratos são considerados pragas, pois sua proliferação acontece quase em meio protegido, e isso os torna um dos mamíferos mais bem sucedidos na escala de sobrevivência, geralmente fugindo de seus predadores naturais mais comuns - gatos, cães, aves de rapina, e serpentes.
Estes animais são responsáveis por grande parte da destruição de alimentos agrícolas e são potencialmente considerados vetores de doenças graves que afetam o meio urbano; pois sua condição de adaptação fazem com que se escondam e vivam em diversos lugares. Não possuem uma visão boa, mas compensam com sua audição e olfato extremamente aguçados.
São animais de hábitos muito comunitário, a família (pai, mãe e prole) geralmente vivem ao longo do tempo juntos e unidos, um  cuidando dos outros.
Outro aspecto interessante neste animal, é que, eles além de poder construir tocas em quase todos os lugares na natureza, se preocupam também sempre com o 'plano B'; suas tocas sempre tem uma saída de emergência e só utilizadas neste caso!
Os ratos são extremamente dóceis, e por este motivo, associado com a sua homologia, são geralmente utilizados em laboratórios como cobaias; além de possuírem os órgãos no mesmo local que o nosso, apenas em escala menor.
Vocês sabem por que a forma de disseminação deles mais eficaz é através de envenenamento? Porque eles não podem vomitar! Sua musculatura da traqueia impede que alimentos ou algo ingerido retorne e saia pela boca.
Sabemos que este animalzinho foi o grande responsável pela expansão da peste bubônica ou peste negra, na Idade Média, dizimando 1/3 da população européia. Mas isso nada mais foi que um reflexo da natureza, pelo desequilíbrio causado pela imbecilidade humana, e/ou ignorância religiosa da época, quando a Igreja queimava os gatos (predadores naturais dos ratos) com seus donos, considerados bruxos pela Inquisição.
Com a queda de predadores, os ratos se proliferaram muito e espalharam o vírus da Peste Negra em toda Europa. A partir daí a imagem deste animal ficou associada automaticamente a doenças. Mas antes disso, eles conviviam tranquilamente com os humanos.
No baralho lenormand, os ratos vão sinalizar as situações ou condições nos quais encontramos um momento sendo corroído, desgastado ou até mesmo sendo roubado - hábitos naturais e instintivos dos ratos. Mas esta condição é instintiva, ou seja, não proposital ou à base de má índole; a não ser que este rato venha acompanhado de cartas que indiquem uma natureza sádica ou sagaz. Se os ratos não roem, eles acabam morrendo, como todos os roedores, pois seus dentes crescem em proporção acelerada e isso faz com que eles acabem deslocando a mandíbula e morram; portanto, sua natureza é roer! Cabe a nós, termos todos os cuidados para não deixar nossos pertences, alimentos e até mesmo, simbolicamente, nossa energia exposta para este animal.
São animais persistentes, como bem explanou a psicóloga Júlia Tourinho na III Mesa redonda de Baralho Cigano. E isso nos mostra um dos lados favoráveis da icnografia dos ratos.
No baralho, este animal pode simbolizar aspectos tanto negativos quanto positivos. Para facilitar o entendimento citarei alguns:

No amor: (-) desgaste emocional, engolir o veneno emocional sem conseguir 'vomitá-lo'. (+) união, senso forte de companheirismo familiar; e falando nisso, me lembrei da mensagem oculta no filme Ratatouille. ;) 

Na saúde: (-) doenças infecciosas, proliferação de um mal já instalado. (+) experimentos para cura, cobaias medicinais. 

Na profissão : (-) pessoas que nos corroem com suas presas, de maneira instintiva; roubo de idéias e projetos deixados alheio. (+) persistência, espírito de grupo, agilidade, senso de organização, planos 'b'.

Na espiritualidade: (-) comportamentos e hábitos obscuros e noturnos, cegueira dogmática - deixando ser conduzido apelas pelo que ouve. (+) Habilidades de adaptação em qualquer meio, atenção e percepção aguçadas em relação às sombras.

Na finança: (-) cleptomania, perdas por descuido. (+) acúmulo de bens e distribuição igualitária entre os seus.

Refletindo:

Estamos preparados para não sermos pegos por displicência?
Mantemos nossos bens, amores e energia, resguardados do instinto natural de alguns?
Somos persistentes naquilo que se torna nossa necessidade?
Temos um plano 'b'?

Um ótimo dia de 'atenção' para ti.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Criança (13 do Lenormand)



Uma carta aprazível para muitos. Mas que também engloba uma série de significados. Vamos perceber que esta carta retrata uma fase em específico do ser humano - sua infância! E como tal, não se trata de um mero 'bebezinho' - desprotegido, indefeso, mudo, e carente de atenção e cuidados especiais.
A Criança do lenormand sempre é encontrada sendo retratada no momento de lazer, geralmente brincando ou passeando em meios as flores e jardins.  Ela está sempre sozinha, sem o acompanhamento de seus genitores. E este aspecto é extremamente relevante na sua interpretação.
A 13, que pode ser o descendente da 28 e 29, é uma carta que se encaixa perfeitamente em quase todos os aspectos de uma leitura, haja vista se tratar de uma 'natureza humana' ou época.
A carta da criança nos remete não só a um simbolismo de descontração, infantilidade, alegria, leveza; mas também a um processo de amadurecimento necessário. Uma fase de aprendizado importante no qual nos tornaremos 28 e 29 bem sucedidos - em todos aspectos.
Se esta criança não for bem educada e disciplinada, com toda certeza, se tornará um ser humano repugnável. 
A composição da carta, como um todo, nos apresenta uma criança bem cuidada, fisicamente; arrumadinha, lindinha, e agradável. Mas sabemos que nem toda fase infantil é fácil de ser controlada. Hoje em dia, com o advento do Estatuto da Criança e as Leis que protegem-as, nos deparamos com um série de limitações educacionais, que antes era imposta e funcionava muito bem.
A criança de hoje não é a criança de uns 20 anos atrás! Isso é claro e notório. Estarmos a par do processo educacional de nossa criança interior é um eterno aprendizado. Esta criança da carta pode sim, e muitas vezes se faz de maneira simbólica na leitura do consulente.
Para que uma criança seja forte, educada, e tenha uma boa índole, é imprescindível a presença forte dos pais e/ou tutores preparados para tal. Quando lidamos com aspectos comportamentais de uma criança, não podemos esquecer que já fomos uma, e uma forma legal de ver isso é olhar para trás; como foi sua infância? Você foi educada pela 28, 29 ou 22 ?
Quando a criança se apresenta em uma leitura, devemos levar em consideração os aspectos infantis da situação, e como eles podem amadurecer e passar por processos de aprendizado. Muitas vezes o consulente não está suficiente amadurecido para lidar com uma determinada questão, e isso pode ser representado pela carta da criança presente.
Outras vezes, o consulente está levando a questão como divertimento, desprovida de responsabilidades e atenção.
Muitas vezes, a 'criança interior' - que nunca cresce, está bem implícita na atuação momentânea do consulente, e/ou ele(a) mesmo não procura encarar as coisas com seriedade.
Alguns leitores vêem a criança literalmente como os descendentes ativos ou futuros do consulente. Isso pode também ser válido. Eu particularmente não costumo fazer esta associação, pois encontramos descendentes de diversas faixas etárias; costumo fazer essa associação com os Valetes - que são de fato descendentes das Rainhas e Reis, e não conotam necessariamente uma fase cronológica.
É importante também ressaltar que, para aqueles que interpretam literalmente a criança, existem N's crianças: boas, educadas, rebeldes, mal educadas, abandonadas, revoltadas, criminosas, delinquentes, e até as autistas - que vivem e crescem, psicologicamente, em um mundo muito particular, longe de nossa realidade. E todos estes aspectos podem ser agregados a uma leitura a partir de suas combinações.
Coincidentemente ou não, a criança do lenormand é composta também pelo Valete de Espadas, que simbolicamente representa: ousadia, coragem, agilidade, espírito jovial, experiência aprendida com a prática (lembre-se - a criança está sozinha, descobrindo e aprendendo com suas próprias experiências).
Portanto, quando nos depararmos com esta carta, vamos observar detalhadamente onde esta criança está brincando. Temos algumas cartas "Temas" no lenormand, e elas podem ser o indicador de onde esta criança precisa caminhar com suas próprias pernas. Apesar de sermos seres coletivos, a criança nos mostra que, na maioria das vezes, devemos caminhar sozinho, sem esperar muito a ajuda do 'outro'.
O processo de amadurecimento e crescimento de cada criança é único! Cada uma tem seus instrumentos, meios, e tempo. E a própria natureza nos faz desenvolver no tempo certo, seja por simples acompanhamento cronológico ou pelas experiências dolorosas - pois é muito mais fácil aprender com a dor, do que com o amor.

E nossas reflexões:

Como anda seu crescimento? Está se nutrindo de coisas sadias ou contaminadas?
Controla sua criança interior? Para tudo há um tempo e local!

Pequeno Príncipe

Os Peixes (34 do Lenormand)



O peixe é o único animal do lenormand que vive em um mundo desconhecido para nós, seres humanos; e que também não possui icnograficamente uma espécie determinante. Quando falamos em peixes nos referimos a qualquer um; e os baralhos o representa à livre vontade. Assim sendo não podemos explorar muito seu comportamento como animal/espécie. 
Na minha opinião, a carta do lenormand que simbolicamente aponta a prosperidade deveria se chamar de carta do Mar e não peixes. Pois o Mar é que miticamente está relacionado à riqueza/prosperidade, em diversas culturas.
Mas a icnografia do peixe faz todo sentido para esta relação de prosperidade. Os peixes desde os tempos remotos, sempre foi a principal fonte de alimento animal do homem, mesmo antes do advento da caça, pois as tribos procuravam estar próximo aos rios e mares para poder sustentar sua família.
Os peixes em sua maioria se reproduzem por óvulos, e de maneira muito quantitativa; matematicamente é quase impossível não encontrar peixes no fundo do mar. Além de termos diversas espécies, temos também cardumes imensos.
Na extremo Oriente o peixe é símbolo de prosperidade, principalmente na China, onde a pronúncia deste animal é semelhante a de prosperidade. Mas, lembrando que este peixe chinês associado a prosperidade é a Carpa. 
(origami de peixe com uma nota de dólar)

Acredito que a riqueza e multiplicidade implícita na figura do peixe, vem mesmo das parábolas cristãs onde os pescadores eram abençoados por Cristo, como exemplo da "moeda na boca do peixe" [Veja aqui], e o mesmo em determinado momento fez com que peixes se multiplicassem para alimentar o povo.
Vou ressaltar que a definição interpretativa mais propícia para a carta do peixe é prosperidade e não necessariamente riqueza material. Apesar da riqueza também estar inculta no comércio desde animal de maneira expansiva através de sua pesca. Mas, quando nos remetemos a riqueza, é também conveniente lembrar que o Mar sempre foi o grande cofre da humanidade. Onde diversos navios naufragavam com seus tesouros e ainda hoje não foram encontrados, assim sendo, os peixes se tornam simbolicamente guardiões deste tesouro material.
Os deuses marítimos, na mitologia mundial, também são associados aos portadores da riqueza dada aos homens. (Chinês- Da Yu; Grego- Posseidon; Celta- Manannán; Irlandês- Lir; Africano- Okum. etc.)
A Prosperidade representada na carta dos peixes tem uma conotação ampla, não se trata apenas de uma prosperidade física, ele pode ser sim, e deve, ser expansivo a todo tipo de abundância: material, emocional e espiritual.
A carta dos peixes nos permite vagar por uma série de interpretações, não só a questão de riqueza/prosperidade. Por exemplo:
No amor: Uma relação cercada de emoções profundas (água do mar)
Na saúde: Uma saúde de longevidade e sadia (pois sabemos que os peixes são ricos em nutrientes fundamental para à vida)
Na profissão: Uma situação na qual precisamos nos aprofundar, e conhecer um mundo diferente.
No social: Um meio onde a comunidade pode ser unida, por cardumes, e expansiva.
No financeiro: Um quantitativo significante de riqueza material - dinheiro.





Não esqueçamos que apesar do peixe sempre ter sua multiplicidade e geralmente estar abundante nos mares, existe situações e momentos que: " O mar não está para peixes" ;) . Então, não vamos abusar desta prosperidade e perceber também que toda carta tem seus polos - positivo e negativo. É fundamental em que situação e condição esta carta do peixe se encaixa na leitura.

Para reflexão:

O que é prosperidade para ti?
Tens mantido em segredo aquilo que conquista?
Prefere o peixe ou a vara para pescá-lo?

Um dia cheio de prosperidade para ti.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O Coração (24 do Lenormand)



Ahhh... "o amor"!

A carta do coração é belíssima de se ver, não é? Nos remete logo ao músculo que pulsa quando estamos extremamente emocionado. Mas o que dizer daquele aperto no peito que não está relacionado unicamente a alegria? Pois é, isso é também relevante quando vemos esta carta.
Popularmente, e de maneira muito simplória, em geral nós imediatamente associamos esta carta ao amor, a algo de bom e gostoso que vibra para o consulente. Mas não se culpe! É muito natural e normal fazermos esta associação. Mas se tratando de oráculo e simbolismo, lembremos que este órgão se relaciona com todo tipo de emoção, que viaja entre o amor e ódio.
Biologicamente, este músculo não tem nada a ver com sentimentos. A função dele é apenas bombear o sangue pelo corpo. O músculos que respondem aos estímulos emocionais estão nas paredes do estômago, e por proximidade, sentimos como se fosse no coração. Mas deixemos este literalismo para lá e vamos falar de emoções :) .
A carta do coração nos levará exatamente às questões onde o consulente se sente mais envolvido emocionalmente. Isso não quer dizer literalmente um envolvimento íntimo-afetivo e/ou íntimo-carnal. Esta emoção que pulsa o músculo da carta 24 pode ser também de mágoas, rancor, ódio, inveja, frustrações, ansiedade, etc. 
É muito interessante que observemos as cartas que acompanham o coração na mesa, elas podem ser o indicativo de onde o consulente está lançando mais energia emocional e que tipo de energia é esta. 
Se formos observar atentamente todo baralho, esta é a única carta que diretamente nos remete a um sentimento abstrato que circunda a vida humana e animal do lenormand. É a única carta que diretamente apontará um sentimento, e como tal, sua intensidade será revelada em conjunto com outras cartas.
O conceito do coração representar o sentimento humano remota ao século 5 a.C , quando os filósofos gregos discutiam onde estaria a alma. Os gregos não conseguiam assimilar o espiritual sem associa-lo a uma parte física. Platão e Hipócrates discutiam em que parte do corpo estaria esta alma, e ficou definido assim que o cérebro hospeda a alma imortal (responsável pela consciência)  e o coração a alma mortal (responsável pela inteligência e sentimentos); depois Aristóteles contradisse esta separação e afirmou que só existia uma alma e esta se localizava no coração, por ser o 'centro' do ser humano.
Para os egípcios o coração era o órgão mais importante, pois este seria pesado na balança de Maat, tendo como contrapeso sua pena da justiça, para saber se a alma iria para junto dos deuses ou seria devolvido ao caos para Ammit devorá-lo.
O ícone do coração variou em diversas épocas e culturas até chegar ao que temos hoje, que não se assemelha em nada com o real músculo. 
Mas o conceito amoroso e bondoso da figura do coração veio com os Cristãos, quando representavam o amor divino em sua icnografia pelo coração de Maria em chamas e o de Cristo irradiando Luz.
Quando estamos apaixonados, o que desenhamos? (hehehe) Por isso o coração, inconscientemente nos remete ao amor.
No baralho também, este simbolismo não foge a esta interpretação. Só que, considerando uma gama de sentimentos que envolve nós, seres humanos, seria imprudente limitarmos este ícone apenas ao amor. O consulente pode estar com:
O coração de pedra.
O coração mole.
O coração apaixonado.
O coração ferido.
O coração partido.
O coração magoado.
O coração cheio de ódio.
O coração invejoso.
O coração frio.
O coração quente.
... e por aí vai.

Para refletir:

Como anda seu coração?
Tem nutrido ele com sentimentos bons ou maus?


O Trevo (02 do Lenormand)



Esta carta, em nossa cultura, possui algumas divergências de interpretação. Isso não quer dizer que exista uma leitura certa e outra errada. Ambas são válidas! Depende do baralho que se está utilizando.
Fara facilitar nosso entendimento, vamos diferenciar basicamente o Baralho Lenormand do Baralho Cigano:
Baralho Lenormand é uma nomenclatura europeia e comercial para as cartas desenvolvidas a partir do 'jogo da esperança', de 1799, criado por Kaspar Hechetel , na Alemanha. Baralho Cigano é um termo muito difundido aqui na América, e que, por licença poética, sofreu algumas mudanças em seu simbolismo e significados. Um destes exemplos se apresentou aqui nesta carta, onde o trevo foi substituído por um caminho com pequenas pedras e troncos; fazendo com que sua interpretação se alterasse. Volto a ressaltar que todas interpretações são válidas, e cabe ao intérprete conduzi-las de acordo com o simbolismo apresentado na carta e na situação exposta. 
O trevo é uma planta rasteira da família Fabaceae; existem mais de 300 espécies. Sua proliferação é espontânea e muito quantitativa. Comumente encontrada no hemisfério Norte e muito utilizada como ornamento de jardins. Geralmente este trevo popular só possui três folhas, e em muitas regiões do hemisfério sul, são consideradas ervas daninhas, pois nascem espontaneamente e dificultam o crescimento de outras plantas à sua volta.
O trevo de quatro folhas se chama Marcilea Quadrifolia
e este é nativo do extremo Norte (hemisfério) e miticamente considerado habitat de seres sobrenaturais - duendes, gnomos, fadas... Seres da Natureza e do interior da terra, que muitas vezes são responsáveis por guardar os tesouros minerais. Daí o conceito de que, quando se encontra um trevo deste, é sinal de boa sorte, pois encontramos tesouros enterrados.
Quando olhamos o trevo em uma leitura, nosso consciente mítico nos remete automaticamente a questão de "sorte", pois somos culturalmente induzidos a associa-lo com este efeito. Entretanto, se formos explorar mais detalhadamente a funcionalidade desta flora, vamos encontrar aspectos bastante controversos, e aí sim deixemos nossa intuição e técnica trabalhar junto.
O trevo nasce espontaneamente e se prolifera com muita facilidade; isso pode nos remeter uma uma interpretação de situações 'ao acaso', 'repentina' e que tende a se desenvolver com muita facilidade. Quando associamos este trevo a algum processo de plantio do consulente, aí sim, pode nos trazer problemas; pois esse trevo pode ser a 'erva daninha' que está impedindo a possível colheita farta. Mas lembremos que o trevo é frágil e de fácil remoção; portanto, mesmo o vendo como impedimentos, ele pode ser facilmente superado e removido.
Nas cartas que temos o trevo de quatro folhas a interpretação pode ser muito diferente, pois se tratando de uma raridade e ligada miticamente à sorte, podemos sim a vê-la como situações favoráveis para o consulente.
 Nas cartas do baralho cigano que encontramos uma estrada com pequenas pedras ou troncos no caminhos, pode simbolizar os obstáculos a serem ultrapassados. Mas existe uma diferença muito grande entre este obstáculo e o da Montanha (21). Os obstáculos da carta 2 são obstáculos 'colocados' no nosso caminho por algo (força externa) ou alguém (pessoas), e estes obstáculos devem e podem ser removidos com facilidade, como pequenas pedras e troncos. Já nos obstáculos da Montanha (21), não podemos remove-la, e sim contornar ou ultrapassa-la, pois se trata de obstáculos Naturais e que muitas vezes nos servem de limites, proteção ou desafios.
Considerando uma sequência do Lenormand, eu costumo fazer uma leitura legal entre estes dois obstáculos: Na 2 (trevo/pedras/troncos) o consulente está montado no cavalo pela carta 1 -cavaleiro, e isso facilita galopar entre as pedras do caminhos e saltar os troncos como obstáculos de um campo de hipismo. Na 21 (montanha) o consulente senta-se no jardim (20) e contempla, estuda, olha atentamente como pode contornar ou ultrapassar a montanha. Pensem nisso ;) .
Para quem lê a carta 2, quando o trevo vem com quatro folhas, como sorte; é importante salientar que: encontrar este trevo é extremamente difícil e quando conseguimos devemos agarrar com força e ainda lutar contra seus guardiões - os duendes, onde uma maldição pode ser lançada, caso esta sorte seja usada para fins maléficos ou egoísta. 

Para refletir:

Já estamos ultrapassando nossos pequenos obstáculos em prol de um objetivo? Ou estamos desatentos, tropeçando nas estradas da vida?  
Encontrou sua sorte? Como a tem usado? [ lembre-se que sorte do trevo de 4 folhas não se resume ao "pote de ouro"; pode ser sorte em vários aspectos.]

Um ótimo dia de sorte e sem pedras no caminho para todos!!!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O Cão (18 do Lenormand)



Que delícia esta carta! Quem me conhece sabe meu amor por esta espécie. Por sinal, a foto que vou utilizar são de meus bebês :D.
Esta carta é de facílima assimilação, pois este animal se encontra em todo mundo e com contato direto, muitas vezes humanizados, conosco. Só quem tem e cria com cuidado sabe que os vemos como filhos.
O Cão domesticado é descendente direto dos lobos? Ledo engano! Com o advento da ciência e mapeamento de DNA, foi constatado que o "nosso cão de cada dia" tem descendência do Chacal dourado, e considerado cientificamente como Canis familiaris , já o cão selvagem, este sim tem descendência direta do Lobo e sendo considerado Canis Lupus. O homem há mais de 10.000 anos vem domesticando este animal de acordo com suas próprias necessidades: caça, guarda, companhia, etc. E deste mecanismo de adestramento e cruzamento com chacais e coiotes surgiu diversas raças, e por seleção artificial surgiram variados tamanhos e comportamentos. Tudo sobre raças e comportamentos pode ser encontrado no site oficial de cinofilia internacional [Veja aqui]
Quanto aos sentidos dos cães é importante lembrar que só o olfato, visão e audição são apurados; já o tato e paladar são pouco desenvolvidos. Também são similarmente vulneráveis a patologias humanas.
A famosa frase: "O cão é o melhor amigo do homem" também data de tempos remotos, por descobertas arqueológicas no qual este animal encontrava-se enterrado com seus proprietários.
Temos a presença do cão em diversas épocas e com funções diversas e distintas, tanto no contexto social quanto no mítico. Inclusive, talvez muitos não saibam, mas no Oriente, principalmente entre o Egito e Macedônia, existiam exércitos de cães para guerra, usados inclusive por Alexandre, o Grande.
O Cão, por natureza, é carnívoro, porém quando o homem deixou de caçar e se voltar mais a agricultura, este animal passou a obter hábitos mais sedentários e menos violentos. Entretanto, isso não mudou a visão da Igreja na Idade Média quanto a este animal o associando ao inferno, submundo, e as trevas - lobisomens e vampiros. E cães, assim como gatos e pássaros foram queimados na inquisição com seus donos acusados de bruxaria.
Durante o Renascimento esta imagem foi diminuindo e a figura dos cães ressurgiu de maneira mais leve nas fábulas e contos, resgatando sua posição social amigável entre os humanos. Mas a acensão dos cães se deu mesmo entre a realeza, quando começaram a servir de companhia para os nobres, acompanhando as carruagens e guardando os aposentos reais dos descendentes. 
Para facilitar a assimilação desta matéria, vou citando alguns exemplos de cães famosos e os associando com prováveis interpretações do Lenormand. Vamos lembrar que se tratando de uma carta da fauna, por sinal, a única no baralho domesticada, temos que, as vezes incorporar o instinto canino para entendê-la; e/ou muitas vezes também a associa-la a símbolos míticos.

Em relação à amizade, lealdade e fidelidade temos exemplos de : Balto, e Hachiko
Em relação a segurança, temos mitologicamente Cérberus.
Em relação a sociabilidade temos exemplos literários e de animação como Pluto, Snoopy e Scoob-Doo
Em relação ao amor intimo e familiar temos exemplos de Pongo e Prenda (101 dálmatas) e Lady e o Vagabundo (Walt Disney- animação 1955)


Em relação a cobaias e experimento [que considero cruel] temos a Laika.

Na carta do cão podemos encontrar o simbolismo claro de amizade, lealdade, segurança, amor incondicional. É claro que, se tratando de uma leitura interpretativa, estes aspectos podem variar entre polos positivos e negativos. E falando de simbologia, vou encerrar contando uma experiencia interessante que tive:
- Em minha décima segunda turma de baralho Lenormand, eu tive uma aluna que quando estávamos estudando a carta do cão ela me veio com uma visão muito interessante. No curso eu utilizava o French Cartomancy Lenormand, e a figura do cão não está tão feliz,
 ( é comum vermos em outros baralhos um cão feliz). Então, como sempre faço, pedi a aluna que me descrevesse o que ela via na carta; e para minha surpresa ela começou a chorar e dizer que aquele cão estava com fome e abandonado! Então perguntei: Mas por que você vê isso? Responde ela: "simples Luq, este cão está com olhar triste, e o prato de comida dele está vazio; e olha que ele está preso, meu Deus! Como alguém pode ser tão cruel?" Neste instante eu parei, pensei e disse: É verdade 'fulana'! Esta carta realmente nos remete a tristeza, abandono, solidão...
E Como sempre, a cada dia aprendendo mais com todos.

Para reflexão:

Estamos cuidando de suas amizades com zelo, como se fossem preciosos?
Estamos nos comportando com lealdade e fidelidade em relação aos nossos amigos?
Estamos alimentando nossas amizades com amor, ou com ciúme e posse?
Usamos nossos amigos como cobaias de nossos experimentos sociais?

Um belo dia para todos, e lembre-se: cuidem de seus amigos, um dia eles podem cuidar de vocês.

Ontem recebi de um grande amigo/irmão (André Luis/ Galebi) um vídeo pelo whatsapp, vejam e reflitam: 







sábado, 15 de novembro de 2014

A Cegonha (17 do Lenormand)



Gente, esta é a carta que mais adoroooo no baralho Lenormand! Estava doido para sorteá-la :D.

A cegonha é uma carta C O M P L E T A. O comportamento deste animal agrega tanta informação biológica, comportamental e mítica, que em si acaba alterando o valor simbólico de quase todas as cartas do baralho. Eu a considero o coringa do lenormand.  
Todos sabem que não sou fã de textos grandes, e não é preguiça de escrever! É para não cansar a leitura de meus visitantes e induzi-los a pesquisas próprias e permitir que suas mentes vaguem na simbologia. Se eu fosse enumerar as habilidades e hábitos deste animal aqui, seriam páginas de combinações. Mas vou me ater em alguns aspectos interessantes para que vocês tenham a noção do que estou falando.
A principio, quando vejo a cegonha no jogo do consulente chego e respirar de alívio, porque para mim ela denota um valor simbólico de bom augúrio muito grande - em todos os aspectos: emocional, profissional, financeiro, saúde...
Este belíssimo animal da família Ciconiidae é presente em quase todo planeta, claro em diversas espécies, mas com hábitos e mitos semelhantes. A cegonha é comumente vista na primavera, quando seu hábito migratório faz com que ela se torne presente à vista e tátil aos seres humanos. É uma ave dócil, apesar de ser carnívora.
A cegonha é cercada em diversas culturas de símbolos míticos singulares. Vou enumerar alguns que considero relevante para a interpretação dentro da cartomancia lenormanica.
Na Europa, principalmente na Romênia, a cegonha é vista como portadora das crianças recém nascidas abençoadas; estas crianças deviam nascer no início de abril (começo da primavera), quando é o período de acasalamento desta ave. Um hábito entre os aldeões era deixar suas filhas livres à noite
para namorar com quem quisessem, e quando voltavam engravidadas, elas tinham a permissão de escolher seu parceiro e pedi-lo em casamento, isso devia acontecer junto aos ninhos de cegonhas, pois apesar de serem aves diurnas, elas se acasalam somente à noite.
As bençãos advindas deste animal recaiam sobre as jovens e estas portavam crianças abençoadas para as famílias levando-as a hábitos monogâmicos e estrutura de legado familiar. Daí a lenda de que as cegonhas portavam as crianças em seu bico. Esta ave é de hábito monogâmico, portanto permanecem com o mesmo parceiro até a sua morte, e caso uma fêmea traia é condenada à morte por outras fêmeas do bando (interessante não é?). A Fêmea tem poder absoluto dentro desta espécie, e isso me fez lembrar a Rainha de Copas representando esta carta ;) .
Em comum, quase toda Europa vê na cegonha o símbolo de piedade familiar, pois os pássaros mais novos tem por instinto cuidar dos mais velhos até a morte; que por sinal possui longevidade, outro aspecto natural deste animal que simboliza a imortalidade no Oriente.
Outro hábito interessantíssimo neste animal é a disciplina. Na Africa os machos mais velhos matam os mais novos que não seguem à risca o aprendizado de voo, pois atrasam o bando em suas migrações, haja vista, serem muito unidos - só voam juntos e jamais deixam um para trás! Algumas tribos africanas viam neste comportamento a autorização divina de que podiam assassinar seus recém nascidos com deformidades físicas, ato bárbaro é claro! Mas comportamento cultural revelante por se tratarem de tribos que precisavam de guerreiros e caçadores sadios. Mas só para entenderem como este animal era visto com seriedade e respeito.
Algumas aldeias da Hungria se utilizavam dos ninhos de cegonhas como marcadores de seus tesouros enterrados, e consideravam uma forma de economizar e guardar bens (financeiros e alimentícios) durante a primavera para abastecer os períodos de escassez do inverno. Acreditavam que o ato de proteção e procriação da cegonha traria bons augúrios para seus bens materiais.
Até os meados do século XVI as cegonhas também eram vistas como mensageiras do julgamento divino, condenando o carrasco humano a desgraça por cumprir um sentença de mal julgamento. Se uma cegonha fosse vista voando uma árvore ou cadafalso na qual houve um enforcamento, o enforcado foi condenado injustamente, e seu executor teria que pagar por esta imprudência.
A cegonha não possui siringe, isso quer dizer que ela não pode emitir sons vocais, seu som é emitido com o ranger ou bater do bico. Neste aspecto vemos a questão do sigilo e segredo inculto nesta carta; inclusive anulando as fofocas e conversas alheias da carta dos pássaros (12).
A Cegonha voa acima das nuvens carregadas e quando estão em pouso abrem suas asas para proteger sua cria da chuva. Este aspecto pode anular o efeito das nuvens, carta 06.
A Cegonha tem longevidade, o que pode retardar o uso da carta 08, o caixão.
A Cegonha obedece rigorosamente as leis do bando e são justas em prol da sua comunidade, o que pode favorecer os aspectos da Lei dos homens na carta da autoridade - Torre (19).
A Cegonha tem senso de fidelidade instintiva aguçada, podendo anular os perigos da raposa (14). E também temos junto a esta carta uma lição de moral muito importante contada em uma das fábulas de La Fontaine : "Não faça com os outros o que não quer para si." Leia a estória aqui: Veja aqui.
A Cegonha tem no seu hábito alimentar as serpentes, nos livrando dos perigos da carta 07.
A Cegonha tem senso de direção afinadíssimo, o que pode favorecer e guiar as cartas do Navio, Cavaleiro e Estradas.

E por aí vai... poderia combiná-la positivamente com qualquer carta do lenormand.

Mas para não puxar sardinha para minha carta favorita (rsrsrsrs), vamos lembrar dos aspectos também negativos deste animal: sua barbárie em relação aos menos favorecidos do bando. :(
Pois é gente, se tratando de pre-conceito.... ahhhh ela está disparada na frente. Mas, fazer o que? Nem no reino animal nada é perfeito.

Vamos a nossas reflexões:

Se coloquem no lugar desta ave. Em que aspecto comportamental ou mítico você se encaixa?
Quais atributos tem trabalhado em sua vida em prol de mudanças favoráveis?
Tem sido leal com seu 'bando'?
Tem feito pré julgamentos incoerentes?

Um ótimo dia de bons augúrios !!!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Caixão (08 do Lenormand)



Esta é uma das cartas mais polêmicas do baralho Lenormand! Inevitavelmente, muitos acabam a associando com a morte, e de fato, algumas vezes pode sê-la. Entretanto, é fundamental que vejamos o caixão como um objeto e não uma condição
Vocês sabem por que o caixão foi criado? ;) Bem, antigamente, e diga-se de passagem uns 4.000 a.C os sumérios já envolviam seus mortos em cestos de junco. Mas este hábito não foi ao mero acaso. No princípio os mortos eram envoltos em tecidos ou couro e enterrados diretamente na terra; a partir de alguns casos de catalepsia (estado biológico que parece morto - pois os batimentos cardíacos e respiração são quase indetectáveis e os membros ficam rígidos[veja aqui]), os aparentemente mortos e enterrados acordavam e desorientados vagavam; isso deu origem as estórias de zumbis. As pessoas, com medo de que seus mortos voltassem à vida, inventaram uma forma de lacra-los em um receptáculo que impossibilitasse este evento; daí surgem os primeiros caixões. Portanto, no sentido literal, o caixão foi criado para guardar seguro um corpo que não poderia voltar a circular entre os outros.
Praticamente sua criação partia do uso de madeira e pregos para lacrá-lo. Os egípcios, por crença de que o corpo também seria transportado para uma vida seguinte, desenvolveu os sarcófagos de pedra, que serviria também para guardar os tesouros e posses materiais de seu sepultado, e este pudesse levar para a outra vida tudo que conquistou aqui nesta existência. 
O objeto do caixão nada mais é que uma caixa com o objetivo de manter seguro e isolado àquilo que não faz mais parte da natureza propriamente viva. É claro que seu uso destina-se principalmente a um corpo biológico morto; mas muitas vezes também foi usado para outros fins.
É importante salientar que o estado de 'morte' humana jamais foi representado por um objeto - simbolicamente falando, e sim pelo esqueleto humano, e/ou um corpo inerte envolto em ataduras fúnebres. 
Quando vejo o a imagem de um caixão, me remeto automaticamente à morte! Sim. Mas procuro observar nas entrelinhas em que aspecto esta morte se encaixa(sic). Pois hoje consideramos o estado da morte um aspecto também simbólico e não só físico. De qualquer forma, tudo que for colocado dentro de uma caixa sepulcra deve permanecer enterrado e findado. E daí temos a concepção de que a imagem do caixão simboliza o fim total e definitivo do que foi sepultado, sem os possíveis retornos!
A ideia conceitual religiosa e espiritualista da ressurreição é que dá a possibilidade de recomeços pós morte; mas, quem de fato, tem essa certeza?
Temos o hábito de dizer que o caixão representa uma passagem de ciclo, e isso pode ser relevante quando tratamos de uma condição abstrata do consulente, e não física. Porém, a imagem do caixão acompanhada de figuras/cartas que simbolizam uma vida (humana, flora e fauna) pode sim ser o indício de uma preparação para o fim - propriamente dito: a morte! Cabe ao interprete ter a sutiliza e observação clara de combinações que possam o levar a esta conclusão; porque se não, o caixão não passará de um mero objeto, ainda em uma loja, esperando algo a ser sepultado.
O interessante no caixão do lenormand é que sempre se encontra fechado, não vemos o que há lá dentro; e isso nos dá margem a uma série de especulações e faz com que exploremos nossas habilidades fantasiosas em atribuir a este objeto qualquer função que não seja só e simplesmente para fins de sepultar nossos mortos. Este caixão pode sepultar: problemas/soluções, situações/condições, físico/abstrato, bem/mal, bens materiais/bens emocionais, etc.
Uma coisa é certa: seja lá o que for para dentro do caixão deve ser sepultado, esquecido, e não voltará a nós!

Para refletir:

Já decidiu o que não serve mais para sua vida?
Está preparado emocionalmente para ver o que há dentro do caixão?
Tem consciência de que o que se sepulta não pode ser exumado?

Um bom dia de Vida para ti, e de sepultamento para seus males.