domingo, 29 de junho de 2014

E aí, tem inveja de que???

Ontem a noite lendo alguns post's no face fui dormir refletindo sobre alguns aspectos. Nós, profissionais da cartomancia, lidamos com inúmeras pessoas, N's situações...
e sempre tentados driblar as energias que nos cercam. Alguém aqui já fez consulta para algum animal? Creio que não! Pelo menos a mim nenhum veio querendo mudar ou descobrir alguma coisa sobre sua vida, simplesmente seguem seus instintos e vivem. Simples assim!
Então me meio uma reflexão... Quando procuramos lidar com simbologia, a tendência é que procuremos ver o significado real do símbolo/imagem e isso nos deixa com um leque de opções; mas, sempre procuramos nos ater ao que realmente diz aquele símbolo/imagem em sua funcionalidade/arquétipo.
Aí fiquei pensando: De onde tiramos os atributos puramente humanos (sejam qualidades ou defeitos) dos animais? Todos na cadeia biológica e no ecossistema desenvolvem atributos únicos que os levam a um instinto de sobrevivência. Afinal, " O mundo é dos mais fortes". Entretanto, quando procuramos estudar o comportamento de alguns seres neste ecossistema, chegamos a uma conclusão interessante: cada um tem seu próprio comportamento (salvo alguns casos aprendidos por osmose). 
Então fiquei reflexivo: Quem tem inveja de quem? 
Fica aqui uma série de imagens dos animais "lenormânicos" para cada um refletir. ;)

[Editando: a inveja a qual me refiro neste post é essa: clique aqui]







sábado, 28 de junho de 2014

A Cleromancia



A cleromancia ou 'dadomancia' é um sistema oracular no qual alguns ciganos se utilizam. Assim como na cartomancia, existem diversas formas de se utilizar deste oráculo, que vai depender muito de região, cultura, clã, etc.
Atualmente, aqui no Ocidente, a prática mais comum se destaca nos métodos
Rom e Calom, apesar de existirem outros métodos. Eu particularmente utilizo o método sarraceno com Dados de 6, 8 e 12 lados.
A estrutura oracular da cleromancia se baseia na contagem de pontos a partir dos dados lançados e voltados para cima; no método zott (que utilizo) contamos também a numeração que se encontra por baixo dos lados - à base da mesa, subtraindo-os dos valores somados do lado de cima. Neste caso, a mensagem vem pela ancestralidade, como se fossem "mensagens espirituais".
Geralmente o número de dados lançados são em 3 unidades, e a contagem se dá pelos dados que caírem dentro dos limites de leitura - estipulado pelo oraculista. Este limite pode ser demarcado por símbolos, linhas ou quadrantes.
O primeiro lançamento se dá a partir de um recipiente - geralmente um copo de madeira ou couro, sobre o chão ou mesa, onde o consulente 'canta' (pronuncia) sua ancestralidade [Nome de família]. Eu utilizo um copo de couro e meus dados são acompanhados de moedas.
A interpretação é conduzida de acordo com os 'temas' apresentados no primeiro lançamento. Por exemplo: Se na primeira lançada a numeração corresponder a uma temática sobre o caminho financeiro do consulente, essa leitura deve ser continuada até que se esgotem a 'voz' dos Dados - que se dá pela presença de três numerários pares idênticos para cima ( método zott que utilizo).
Depois de esgotados as dúvidas do consulente em relação a este tema, partimos para outros aspectos. Sempre determinados pelos dados. Ou seja, a princípio, ou nos primeiros momentos, não é permitido ao consulente fazer perguntas.
Depois de esgotados todas as mensagens voluntárias dos Dados, aí sim o consulente tem a liberdade de fazer outras perguntas, caso haja ainda alguma dúvida.
A Cleromancia era uma prática oracular pertinentemente de uso masculino; assim como a Cartomancia era de uso feminino. Entretanto as mudanças e evolução dos aspectos oraculares levaram ambos os gêneros a utilizarem o que melhor lhe convém, e isso não desmerece o valor oracular do instrumento. O que realmente deve ser levado em conta é o conhecimento, seriedade e entrega na forma que este instrumento é utilizado.
Talvez, por respeitar ainda alguns aspectos tradicionais , eu uso a Cleromancia em conjunto com a Cartomancia. No meu caso, eu determino que tipo de Dado será utilizado em correspondência as cartas. Por exemplo: quando utilizo o Baralho Lenormand costumo usar os Dados de 6 lados e 5 moedas junto a minha leitura. Este aspecto varia de acordo com o que foi ensinado/passado ao oraculista, seja por mera intuição ou pelos próprios ancestrais.



segunda-feira, 23 de junho de 2014

Meu Retorno Solar



Apesar de minha celebração pessoal está relacionada a um Retorno Lunar, a Revolução Solar marca o aspecto mais social. E foi nesta noite de 21 de Junho que celebrei junto a alguns amigos este retorno.
Meus agradecimentos a todos presentes e ausentes que manisfestaram suas felicitações e comungam com minha longevidade.
Aspectos da minha RL e RS me levam a um ciclo novo muito especial,
principalmente dentro da comunidade Zott; e acompanhado com isso algumas mudanças nos aspectos psíquicos/espirituais, assim como assistenciais.
Espero poder estar sempre bem e disposto para poder orientar àqueles que buscam por auxílio. Os astros e o Universo como um todo conspirando para a 3ª fase de '5' do meu 'povo do deserto'.
Um beijo nos rins de todos e um abraço bem forte na alma.

#LuqiamOsahar

sábado, 14 de junho de 2014

Postura de um oraculista



Esta semana atendi uma cliente antiga que me disse ter ido em outra pessoa para se consultar, haja vista estar fora do RJ (Credito pessoalmente o fato da curiosidade). Bem, ela me confessou que ficou assustada e impressionada. Não pelo fato de acertos versus erros cometidos pela oraculista, que jogara tarô. Entretanto, me chamou a atenção a narrativa de minha consulente:
"... o local ela lindo! Mas cheio de imagens, cristais e uma fumaceira de incenso que mal poderia respirar. Mas Luk, não foi isso que me incomodou. Ela tinha um tom de voz tão agressivo, e falava como se estivesse dando ordens; o que não era natural dela, pois já havia escutado por telefone quando marquei a consulta. Pedia que eu confirmasse tudo que ela dizia. Tinha horas que ela parava num tom de suspense como se estivesse vendo um monstro, e por fim me dava aquele susto: CUIDADO! com fulano de tal, e descrevia uma figura que eu não conseguia associar a ninguém que conheço. Foi horrível, me falou coisas "creu com léu" e depois ainda disse que minha mãe estava na beira da morte. Aff, minha mãe já morreu há 10 anos! ..." E por aí foi mais uns 15 minutos de narrativa dela.
Eu só pensando com meus botões: O que levou ela a procurá-la? Não me contive e perguntei. A resposta foi quase que automática: " Minha amiga disse que ela era ótima!".
Em fim, mais um caso que mostra que o que é bom para um pode não ser para outro. E isso é mais comum do que imaginamos em nosso meio de trabalho.
Eu particularmente acredito que estamos vivendo uma época de tanto misticismo e folclore que as vezes muitos perdem a noção e acabam extrapolando em suas posturas. Não sei se é para impressionar, mas isso acaba sendo uma mão de via dupla, muitas vezes acaba assustando e se tornando ridículo - quase um show do Zé do Caixão.
Acredito que algumas posturas suaves e delicadas devem ser adotadas; até porquê, o consulente tem que sair de nossa frente em melhor estado do que chegou. Mesmo que a leitura tenha mensagens nefastas, devemos ter muito cuidado como a transmitimos. No meu ponto de vista, resolvi expor neste texto alguns temas para reflexão, que considero tornar nossas consultas mais agradáveis. É claro que existem pessoas (consulentes) que gostam de espetáculos - e graças ao Universo não são meu público alvo.

1- Ambiente limpo e aconchegante, que não necessariamente precisam estar decorados com extremos.
2- Mesa de atendimento o mais leve possível, até para que haja espaço para uma abertura das cartas de maneira confortável.
3- Cuidados com incensos! Nem todos são agradáveis, e muitas pessoas são alérgicas. O mais aconselhável seria um leve aromatizador, ou uma limpeza com produtos levemente perfumados.
4- Lidamos com um público extremamente diversificado, por exemplo atendo até pastores de Igreja Universal. Portanto é prudente que evitemos expor 'nossa' religiosidade através de imagens em excesso que sugira um proselitismo. Isso muitas vezes deixa o consulente desconfortável.
5- Não é necessário miscelânea, nosso tom de voz deve se manter equilibrado todo o tempo. Expressões faciais e elevação de timbre dão conotação teatral a consulta, e tira a seriedade.
6- Gesticulações em excesso também são perigosas, tira o foco do consulente nas palavras.
7- Ter consciência de nossas habilidades e conhecimento real do oráculo e métodos utilizados. Automaticamente isso passará confiança também ao consulente. Nada de 'enrolações'! Em caso de dúvida - que por ventura possa acontecer, o melhor é ficar calado.

Em todo caso, cada um exerce suas atividades da forma que melhor lhe convêm. Mas, vamos procurar ter o mínimo de respeito com nossos consulentes. Afinal, mesmo que alguns só procurem para nos testar ou por simples curiosidades, existem aqueles que realmente necessitam de um ambiente tranquilo, palavras doces e principalmente uma veracidade no que está sendo transmitido.

Boas consultas a todos!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

É Gollllllllllllllll hã hã hã







Pois é, se fossemos bem na Educação todos saberiam fazer as contas; por isso o Governo não investe nisso. Simples assim.

E falando em Copa... que fiasco aquela abertura! Um espetáculo simplório e xumbrego que só acrescentou mais uma vergonha para os brasileiros. Ops! Quem produziu foi uma belga !? ah sim uma coreografa chamada Daphné Cornez; mas a direção artística
ser de Franco Dragone, que produz espetáculos do Cirque du Soleil... deixa para lá, um desses lá (no Cirque) ele ia ser demitido. Mas acho que foi porque tinham pouco dinheiro. Tadinhos, vejam as contas neste link : aqui

A musica com play back nada demais, afinal todos fazem isso. Mas era notado o desconforto de Jenifer Lopez, que dissera não vir e acabou aceitando; coitada! Ainda pagar esse mico com aquela roupinha ridícula.

Mas a empolgação da cover de Ivete Sangalo - Claudia Leitte (isso mesmo, com dois 't' de tapada ao quadrado), foi demaisssss, ela até fez um "hu hu" bem alto em desconexão com o play back. E ainda se achando, querendo disputar o rebolado e sensualidade com a Jennifer Lopez. Aff, deu nojo. O outro, aquele hap Pitbull, que estava mais para Lord Voldemort, nem vou comentar com aquela calça apertadinha sob medida para ele (risos). Bem que eu reparei a varinha de Harry Potter no bolso dele ;)

Em fim, vamos ver qual a próxima atração do circo 'brazil' nas olimpíadas.


domingo, 8 de junho de 2014

Sobre religião e deuses



Primeiro, quero deixar bem claro que, RESPEITO o fé e devoção de todos - sem exceção. Este post se refere apenas a meu ponto de vista após longas jornadas, entregas, ritos, e devoção. Resolvi escrevê-lo após observar tantos post's pessoais/ e ou copilados em redes sociais fazendo apologia a crenças pessoais, enaltecendo seus templos e sendas, etc. Também não sou ateu, e tenho muita Fé, mas não cega.
Não vou entrar no mérito da espiritualidade, pois considero
avessa a 'religião' - como instituição, seja ela qual for.
Os deuses, se é que existem, se alimentam de nossa fé. Nada mais!. Quando deixamos de acreditar, eles deixam de existir e não exercem influência nenhuma direta nem indireta com ninguém nem nada. Isso acontece há milhares de anos e continuará acontecendo.
Mas, confesso que, me irrita as vezes ver pessoas tão esclarecidas e inteligentes se apropriarem de mitos, ritos e dogmas para se sentirem tão importantes diante dos mais 'não tão cultos'. A via inversa dessa prática gera uma das mais absurdas atitudes do ser humano, o fanatismo. Além de que se inicia um círculo vicioso de entrega desnecessária a estes 'seres', muitas vezes atribuindo nossas vitórias e fracassos a eles, ou aos desígnios desta ideologia.
A vida está evoluindo, e a Natureza não espera os mais carentes/ou não para acompanhá-la nessa jornada. Quando eu vejo os rumos em que a Fé está tomando, sendo manipulada por líderes religiosos para seus mais vil bel prazer, realmente me irrita. Talvez não tanto com eles (pseudos sacerdotes), mas principalmente nos féis 'cordeiros' que tentam se agarrar a algo inexistente em busca de soluções para seus problemas.
A História está cheia da queda de grandes impérios religiosos, e o povo não pára para raciocinar: Onde estavam esses deuses tão venerados? A equação é bem simples, basta ouvir o povo:
- Quando segui a religião X minha vida deu uma guinada.
- Quando segui a religião X minha vida desmoronou.
- Quando fiz um rito para o deus X tudo de bom aconteceu.
- Quando fiz um rito para o deus X tudo deu errado.
E assim caminha a humanidade com as mesmas frases só mudando os deuses de X para Y...

Acredito que seja mesmo um círculo vicioso - lobos versus cordeiros. E estamos tão preocupados com nosso próprio umbigo que não paramos para observar os detalhes por traz dessa maldição chamada Religião.
Outro aspecto interessante é observar que o povo está tão envolvido nesta egrégora que passam mesmo a acreditar que suas bençãos e fatalidades devem ser aceitas como propósito dessa cega fé.
E quando falo  em Instituições Religiosas, me refiro a TODAS - Cristãs, Protestante, Islâmicas, Judaicas, Neo-pagãs etc.
É de suma importância que no contexto atual tenhamos uma percepção mais lógica de nossos potenciais como Ser Humano. Nossa mente é capaz de tudo, inclusive de parir 'novos deuses' (rsrsrs) e o ciclo continuar.
Mas, mesmo não acreditando nos deuses como 'governantes' das religiões ( pois acredito, mas de forma bem diferente), tenho esperança que o Ser Humano um dia caia na real, e fuja de seus pastos ou rebanhos.
Vale apena rever um post que publiquei sobre a diferença entre Religião e Espiritualidade: Clique aqui ou sobre a função de nossa espiritualidade: Clique aqui .

Terminando esta reflexão com duas frases que adoro:

"O medo criou os deuses" ( Lucrécio)
"A Religião é o ópio do povo" ( Karl Marx )

E um trecho da música de Marcos Viana que tem tudo a ver com esse texto:

"...Na terra dos homens, no circo dos anjos, guardiões implacáveis do céu
Dançamos a dança da vida no palco do tempo, teatro de Deus..."

Clique no link p ouvir 









sábado, 7 de junho de 2014

O Louco - Musicando arcanos





O Infante ( Poema Fernando Pessoa )


Dulce Pontes

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce
Deus quis que a Terra fosse toda uma
Que o mar unisse, já não separasse
Sagrou-te e foste desvendando a espuma
E a orla branca foi
De ilha em continente
Clareou correndo até ao fim do mundo
E viu-se a terra inteira, de repente                                  
Surgir redonda do azul profundo
Quem te sagrou, criou-te português
Do mar e nós em ti nos deu sinal
Cumpriu-se o mar e o império se desfez
Senhor, falta cumprir-se Portugal
E a orla branca foi
De ilha em continente
Clareou correndo até ao fim do mundo
E viu-se a terra inteira, de repente
Surgir redonda do azul profundo

Imagem Tarô Rider-Waite

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Vias de reflexão



Hoje Mércurio se encontra retrógrado em Câncer, momento de ter cuidado com a comunicação entre os próximos. Aproveitar esta fase para reorganizar nossa mente e por em ordem tudo que estiver relacionado a burocracia. Pensar bem antes de expor suas ideias. Bom para filosofar sobre a vida e rascunhar algumas coisas antes de por em prática. Mas temos uma ajudinha da Lua crescendo em Libra, que de certa forma nos põe em equilíbrio para evitar medidas drásticas; principalmente no que cerne a nossos bens e abundância, haja vista Vênus em Touro nos encher com sua graça e lançar suas bençãos aos nossos pés. (E haja abundância!) 
Vamos aproveitar para renovar conceitos sociais e nos desenvolver rumo aos nossos potenciais com disciplina - sob os auspícios de Plutão em Capricórnio.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Dia do Baralho Lenormand 2014



Por Chris Wolf

FOI DADA A LARGADA!

Dia do Baralho Lenormand (Journée Lenormand) - 25 de Junho foi criado para celebrar e valorizar este instrumento oracular que amamos e que ajuda a tantas pessoas. Será comemorado todo o dia 25 DE JUNHO.

PARTICIPE! Usem a hashtag #JourneeLenormandsempre que postarem algo relativo ao 'DBL' em seus perfis de redes sociais, blogs, instagrans, etc... Sejam fotos, promoções, vídeos, textos, depoimentos... Usem sua imaginação! E deixem a publicação como 'pública', para que possamos compartilhar.

* Vamos acompanhar todas as postagens! Estaremos de olho, repostando tudo em nossa página. Assim, nossa timeline vai estar CHEIA de comemorações, com vocês participando conosco! VAMOS COMEMORAR JUNTOS!

domingo, 1 de junho de 2014

A Cruz (36 do Lenormand)



Já é notório que o baralho Lenormand tem uma origem lúdica alemã, então nada mais apropriado que investigar seu simbolismo à base de uma interpretação nativa. Como o Jogo da Esperança teve sua origem entre 1771 a 1799 pelo artista Johann Kaspar Hechtel, é bem provável que tenha tido uma influência protestante neste símbolo. Até porquê não há a presença do Jesus Crucificado.

A Cruz é um dos símbolos que mais detalhadamente analiso em uma leitura. Não pelo contexto religioso, mas pelo que isso simbolizará para o consulente – independente da religião de cada um.
A Alemanha foi palco de uma das mais revolucionárias reformas da Igreja cristã através de Martin Luther quando resolveu ir de encontro com os conceitos de salvação impostos pela Igreja Católica Romana envolvendo a liberdade e salvação de Deus através da compra ou barganha.
Luther (Martinho Lutero) pode ser considerado o fundador do protestantismo – uma vertente cristã que predominou por muito tempo na Alemanha. Essa vertente não vê a Cruz como o Cristãos Romanos a veem.
“Nenhum personagem histórico entendeu melhor e mais profundamente o poder da cruz que Martinho Lutero, o reformador do século XVI”, escreve Mark Shaw. E Alister McGrath, um teólogo de Oxford, definiu a teologia da cruz de Lutero como “uma das compreensões mais poderosas e radicais da natureza da teologia cristã que a Igreja já conheceu”.
Em abril de 1518, Martinho Lutero (1483-1546), em Heidelberg, contrapôs seus “Paradoxos” teológicos como “teologia da cruz” (theologia crucis) à “teologia da glória” (theologia gloriae), isto é, à teologia eclesial dominante. Este episódio de 1518 tem sido descrito por Shaw como um “sussurro silencioso e ignorado”; constitui-se, entretanto, um grande engano passar despercebido por ele. No “Debate de Heidelberg”, travou-se a discussão da indulgência. Lutero contrastou a teologia da cruz com a teologia oficial, diante de uma igreja que se tornara segura e saciada. Como exemplo dessa realidade, para financiar o seu projeto mais extravagante, a basílica de São Pedro em Roma (incluindo a Capela Sistina), Leão X (1475-1521), eleito papa em 1513, resgatou a prática de cobrar indulgências, o que, de alguma maneira, precipitou a Reforma Protestante. Em Heidelberg, distinguindo entre o cristianismo evangélico bíblico e as corrupções medievais, Lutero entendeu que a igreja medieval seguia o caminho da glória ao invés do caminho da cruz.
Conhecer a Deus pela cruz é conhecer o nosso pecado e o amor redentor de Deus. Deus, na cruz, destrói todas as nossas ideias preconcebidas da glória divina. O perigo em potencial que a teologia da cruz vê na sua antítese é que a teologia da glória levará o homem a alguma forma de justiça pelas obras, à tendência de se fazer uma barganha com Deus com base em realizações pessoais. Por outro lado, a teologia da cruz repudia firmemente as realizações do próprio homem e deixa Deus fazer tudo para efetivar e preservar a sua salvação.
O teólogo da cruz não está posicionado como espectador em relação à cruz de Cristo, mas ele próprio é envolvido neste acontecimento. Por isso, ele não foge dos sofrimentos, tal qual o teólogo da glória, mas considera-os tesouro valioso. Para Lutero, o teólogo da glória “define que o tesouro de Cristo são relaxações e isenções de penas, sendo estas as piores coisas e as mais dignas de ódio.
Assim, para a teologia da cruz o sofrimento adquire significado todo especial. Os cristãos têm que se tornar iguais a seu Mestre em tudo e, por isto, têm de assumir a ignomínia de Cristo. Cristo nos precedeu no caminho que rejeita toda grandeza humana. A glória do cristão consiste nesta “fraqueza e baixeza”. E sua baixeza se revela no ato de levar o sofrimento. Visto que em meio à vida de Cristo está erigida a cruz, a vida do cristão é discipulado e sofrimento. Uma razão, diz Lutero, pela qual as pessoas querem uma teologia da glória em vez de uma teologia da cruz é que elas “odeiam a cruz e o sofrimento”. Mas, à luz da cruz, o sofrimento serve a um propósito importante, a saber, a autonegação. Ela nos esvazia de nossa autoconfiança, para que possamos ter confiança em Deus. Contudo, o sofrimento jamais deve tornar-se “boa obra”, e não encontra sua origem em ideias ascéticas. A cruz do cristão está em unidade com a cruz de Cristo, e com isto está excluída por si só toda a ideia de mérito da pessoa, que pudesse ser obtido pelo sofrimento.
A cruz é, portanto, um paradoxo: Deus rejeita os orgulhosos, mas aos humildes concede a sua graça; ele rejeita os heróis, mas derrama o seu amor justificador aos fracassados. Assim, a humildade é a virtude básica da vida sob a cruz, do mesmo modo como a soberba é o verdadeiro e o maior pecado. Somente a fé pode perceber essa realidade verdadeira e paradoxal. A fé e a humildade estão intimamente relacionadas. A fé ensina a humildade, pois a fé é “negação de nós mesmos”, total renúncia e confiar na graça de Deus. Nesta negação de todos os direitos humanos, a fé se identifica com a humildade. Ostentar a própria humildade, como numa espiritualidade monástica, não é humildade.
E aí? Quando a cruz aparece em uma leitura, como vamos interpretá-la?
1-      Vamos impor ao consulente a valorização de sua fé em uma divindade e prol de um benefício próprio?
2-      Vamos conduzi-lo a aceitar com resignação seu sofrimento porque a divindade vai aceitar tal sacrifício como uma paga ou barganha?
3-      Ou vamos orientá-lo a despertar sua Fé interior no que realmente acredita para que possa conquistar aquilo que deseja, em vez de atribuir suas vitórias e fracassos a algo superior?