segunda-feira, 24 de março de 2014

Dar X Compartilhar

As vezes me deparo com torpedos em meu celular dizendo que ganhei algo, e que tenho que responder tal mensagem para xxx. Oras, quem é tão ignorante em acreditar que as coisas são "dadas" de garça a alguém?
Isso me fez lembrar em escrever algo a respeito. 

É comum nos depararmos com pseudos caridosos e bondosos por aí. Mas não podemos esquecer que tudo no Universo é uma troca. Quando oferecemos nossos serviços é em troca de algo, seja ele material ou não. Mas, sempre uma troca!
A falsa ideia de caridade permeia todo ambiente, seja ele físico ou virtual. Quando nos propomos a estudar e se aperfeiçoar em um determinado campo, sempre há uma despesa para isso: gastamos tempo, dinheiro e neurônios; e, logicamente, tudo isso deve ser compensado.
Alguém aqui conhece algum lugar onde as atividades são totalmente oferecidas de 'graça' a alguém?! Claro que não! Nem no meio pseudo espiritualista, pois todos aqueles que se propõe a ajudar estão gastando tempo e dinheiro em busca de uma pseuda salvação, por fazer a tal dita caridade.
Nós, aliás, pelos menos eu, ofereço minhas experiências como base para um conhecimento e aprendizado. Quando posto material sobre minha profissão - cartomancia, astrologia ou religiosa, estou apenas incentivando que os buscadores procurem se aprimorar e estudar sobre, caso se interessem. Seja através de mim ou de qualquer outro profissional. Tudo não passa de experiências ou exercícios fictícios com finalidade de incentivar. Pois tudo que sou hoje a nível de conhecimento foi adquirido por esforços e gastos financeiros com material didático. Até a internet que agora estou usando para postar esse texto estou pagando!
Então, vamos ter muito cuidado com os conceitos que envolve nosso meio profissional/espiritual, onde muitos acreditam que deva haver uma caridade de nossa parte.
Quando 'damos' ficamos sem! Quando 'compartilhamos' ficamos ainda com algo que possa crescer e ser alimentado.
Outro motivo desta reflexão minha, é porque tenho observado muitos inconvenientes sociais - brigas e desentendimentos alheios sem o mínimo motivo, apenas por fulano achar que participa de determinado grupo para receber um aprendizado gratuitamente. Isso é um engano! Tudo que compartilhamos não passa de nossas experiências; quer se aprofundar? Então vá em busca de um curso completo e detalhado sobre o assunto escolhido.
Ah, fulano plagiou meu texto... Oras, mas uma vez! Você está expondo 'publicamente' uma ideia ou criando um texto didático, defendendo uma tese? Vamos ter consciência de como as coisas funcionam.
Então, para resumir, pois textos longos cansam; vamos a alguns tópicos:

1- Não me venham com mensagem em celular que ganhei alguma coisa, porque nada é mesmo gratuito!
2- Quer se especializar em determinada área profissional, procure um curso e pague por ele. As experiências dos outros e exercícios expostos apenas servem para perceber como funciona o instrumento.
3- Quer se consultar oracularmente, pague por uma consulta; afinal o profissional estudou anos e se dedicou. E com toda certeza teve seus gastos financeiros.
4- Não pensem que participando de 'grupos de estudos' seja lá em que área for, se tornará um profissional. O conhecimento vai muito mais além disso! E a prática ainda mais longe e diversificada.



Para finalizar, uma frase com intuito reflexivo:

Não de DÁ conhecimento, se COMPARTILHA experiências!

Luqiam Osahar (24/03/2014)

quinta-feira, 20 de março de 2014

QUAL O MELHOR BARALHO PARA SE INICIAR OS ESTUDOS?



A cartomancia é vasta e existe inúmeros baralhos no mercado. Com exceção do baralho tradicional, o Baralho Lenormand vem ganhando uma popularização muito grande, e com isso uma série de Lenormand temáticos tem surgido no mercado. Considero que quando vamos iniciar um estudo é importante começar do básico, como na escola - aprendemos primeiro a matemática simples para depois entrar nas equações. Assim mesmo é na cartomancia. Muitos estudantes se vêem perdidos em certas interpretações por se depararem com muitas fórmulas já criadas aliadas a diversos simbolismos temáticos dos baralhos.
Sabemos que o Lenormand tem origem em um jogo lúdico europeu ( O Jogo da Esperança ), que é alemão. Isso não significa que os iniciantes tenham que estudar livros e alemães ou cartomancia européia. Mas é de suma importância que se tenha noção dos símbolos contidos nas cartas originais. É também natural, que muitas culturas tendam a desenvolver seu próprio método de estudos à base de sua cultura popular, o que aconteceu aqui no Brasil, incorporando elementos novos ao Lenormand.
Em fim, recomendo algumas atitudes para que se sintam a vontade diante de seu baralho:

1- Escolha que 'escola' quer seguir.
2- Escolha um baralho único para uso de estudos, que condiz com sua escolha de metodologia.
3- Procure estar a par de todo método já formulado de leitura, mesmo que venham a criar um próprio.
4- Evitem associar uma leitura cartomântica a seus conceitos religiosos.

Essas podem ser uma ótima maneira de começar a estudar seu baralho sem que haja dúvidas em relação a opinião dos outros.
Vamos lembrar também que cada um tem uma visão própria e deve ser respeitada.

Em relação a cartomancia tradicional (baralho comum), apesar de não existir temáticas, pois a leitura se baseia nos naipes, sua interpretação difere muito de países, cultura romani (ciganos) e dos arcanos menores do tarô. É um tipo de estudo e prática bem diferente do baralho Lenormand e Tarô.

Luqiam 20/03/2014

terça-feira, 18 de março de 2014

Cartomancia Zott - parte I




Antes dos naipes ganharem forma nos jogos árabes; os povos nômades já se utilizavam de símbolos que representavam aspectos pessoais e destino de cada clã. O conceito de que só as mulheres ciganas tinham o dom de ler as cartas, assim como a quiromancia se dá em parte a estes conceitos. 
O sangue - fluído corporal sempre foi importantíssimo dentro da cultura rom, e toda orientação mágica oracular se dava por meio oral, passado de mãe para filha. No princípio só interessava saber o destino de cada família específica e isso se dava através da leitura nada incomum do número de gotejamentos de sangue da Shuvani (Cigana mais antiga) em folhas de plantas específicas. Nesta época não existiam as cartas de corte (Reis, Damas e Valetes), e apenas dois 'naipes' - se podemos dizer assim, eram tidos como base oracular dentro dos clãs: o naipe de copas - representados pela quantidade de sangue em folhas (de 1 a 13) e os naipes de paus - representados por riscos em carvão nas folhas, também em números de 1 a 13.
Este oráculo, basicamente herbário era usados dentro das famílias com conceitos próprios e específicos a necessidade do clã. Portanto, podemos dizer que originalmente só existiam dois 'naipes' originais: o de copas ( pelo sangue - representando a família como um todo e seus descendentes); e o 'naipe' de paus (representando os perigos e alertas do que já foi destruído, pelo uso de carvões restantes de ritos fúnebres de passagem entre os zott); o uso era delicado e só manuseado por mulheres preparadas para tal, haja vista o povo nômade cigano original ter aversão aos que já se foram, chamados de "Mulos" (espíritos maléficos).
Bem, com o passar do tempo e a miscigenação das famílias zott, talvez as mulheres ficassem escassas, só nascendo homens; e de uma forma bem sábia e para manter seu estilo oracular, mais dois elementos ou 'naipes' tiverem que ser incorporados a cultura. Entretanto o domínio da riqueza (moedas e ouro) e dos trabalhos braçais/lutas (punhal e facas) eram dos homens. E como a cultura deveria ser mantida, essas mulheres mais velhas foram obrigadas a ensinar os segredos do sangue e cinza aos homens incorporando as estruturas materiais e de subsistência. Assim as folhas agora passaram a ser numeradas por sangue, pó carvão, ouro e cortes - dos punhais e facas. Aí surge de fato o conjunto 'naipiano' utilizado também pelos homens, filhos geralmente mais novos (caçulas) e que eram preparados exclusivamente para substituir as filhas não vindas nos partos. Quanto a quiromancia (leitura das mãos) continuou restritas as mulheres até hoje (antropologicamente falando), pois vemos muitos homens estudando e praticando o Drajì. Assim como a cleromancia (uso dos dados) eram exclusivos aos homens, e hoje vemos algumas mulheres usando-os.
Quando esses povos nômades começaram a se tornar popular em suas andanças e apresentações circenses, tiveram muito contato com as Côrtes Imperiais, e para agradar as "madames" transformaram o 11º, 12º e 13º em personagens da nobreza. Anos se passaram e as cartas impressas começaram a ser mais práticas para o uso comum dos nômades, e logo substituídas pelas folhas herbárias.
Hoje, os ciganos mais tradicionais se utilizam do 'baralho comum' por representarem basicamente a mesma coisa e por sua durabilidade; mas não perdendo seus conceitos básicos.
É bom ressaltar que a contagem numérica de interpretação da cartomancia tradicional difere em muito o conceito dos arcanos menores do tarô. E é isso que pretendo passar para os estudantes. A leitura do baralho comum é linda e de uma singularidade única, totalmente embasada nos conceitos e cultura das famílias ciganas.
Aos poucos vou publicando seus significados aqui, que curiosamente se iniciam do 2 ( pois esperavam o segundo filho para iniciar os mistérios mágicos e oraculares). O 1 ou Ás era considerada uma folha curinga. Isso demostra mais uma vez que os conceitos da cartomancia original zott não tem nada a ver com numerologia pitagórica, eles se baseavam em outros conceitos.
Aguardem novas informações, e viagem nos mistérios do povo antigo "nômade das estrelas" ( conceito de como se guiavam em suas andanças).

Luqiam.osahar 18/03/2014