quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Sobrevivi a 2014! Reflexões e Votos.


2014...ah aninho complicado. Mas, enfim, chegando ao fim. 

Apesar de ter consciência que o ano pessoal/natal é bem diferente do ano gregoriano, algumas reflexões valem a pena, ao menos para ficar registrado.

Vou dizer que esse ano foi de todo ruim? Não! Algumas coisas boas aconteceram. Infelizmente, registramos mais o que há de pior do que o há de bom; um erro, mas importante para que nós, seres humanos, possamos aprender as lições da vida, afinal de contas já diz o adágio: "aprendemos mais com a dor do que com o amor". Registrar o que nos machuca também é uma forma de defesa, no qual, tentamos não cometer os mesmos erros e prosseguir com a vida e suas experiências.
Este ano de maneira geral, foi complicado a nível econômico; acredito sim, por experiências alheias, que este fator afetou a todos. Mas, entre 'troncos e barrancos' consegui sobreviver!!! A nível de saúde me mantive no controle, e isso é bom! Emocionalmente, alguns abalos; mas nada que venha a me derrubar, afinal de contas por mais racionais que tentamos ser, sempre estamos sujeito a influência comportamental dos outros.




Meu ano pessoal do Tarô, transitando entre as cartas do Diabo e Torre não poderia ser diferente do que aconteceu; me senti, as vezes, amarrado; outras vezes liberto e aproveitando os prazeres de forma telúrica; os grilhões da 15 na maioria das vezes, emocional, me causou muitas dores e cicatrizes. Não seria novidade que em determinado momento eu tivesse que me despir de uma velha roupagem, à custas dores, pela Torre. O meu segundo semestre pessoal foi de plenos desafios; cada tijolinho de minha Torre teve que ser destruído e aos poucos ainda me encontro no processo de recuperação. Me sentir em meios aos escombros e a poeira de demolição foi necessário, para que eu pudesse rever muitas coisas. Não morri soterrado, mas saí muito machucado.

Em fim, estou a caminho da Estrela, e espero que Ela possa me guiar na direção correta em busca de melhoras pessoais e produtividade.

Este ano, foi um ano de tomada de decisões precipitadas, o que culminou em vários aborrecimentos e arrependimentos. Mas, para que servem a não ser nos mostrar a verdade por trás das aparências? Aceitar nossos erros como parte de uma melhora de vida é fundamental para nossa evolução e principalmente para termos consciência de que, mesmo sendo seres coletivos, devemos zelar e preservar nossa individualidade.

Neste novo ciclo, minha palavra chave será, sem dúvida: LIBERDADE. Uma liberdade que envolve muito mais do que meu direito civil de ir e vir, uma liberdade da consciência, uma liberdade de existência, onde eu possa me livrar de meus receios e inseguranças e lançar-me, sem medo nas conquistas, nas metas, na vida.
Sei que ainda estou no processo de recuperação do meu estado de saúde psíquica e física, mas hoje me sinto mais fortalecido, e espero mesmo que em 2015 eu possa voltar ao normal. Não existe, infelizmente, máquina do tempo; mas eu vou conseguir me aproximar de uma vida vivida há anos atrás, e o melhor: com experiência!

Mas também tive bons momentos este ano, e não vou deixar de registrá-los:

*Meus exames médicos se mostraram muito bons - sinal de que estou conseguindo controlar "meu amiguinho".
*Fiz novos amigos profissionais e participei de eventos enriquecedores. 
*Dei um bom movimento em meu livro - ainda em construção.
*Tive coragem de assumir minha etnia e resgatar alguns valores.
*Me libertei de alguns dogmas e conceitos que não faziam mais sentido, ou efeito para mim.

E como metas para 2015... ah... estas são sigilosas (risos); afinal de contas, uma coisa que muito aprendi na 15 e 16 é manter as coisas em silêncio. 

No momento, o que mais quero é manter meu processo de recuperação e libertação (cura) das amarras emocionais que tanto me angustiaram e me mantiveram presos a um padrão sem sentido e doloroso.

O que eu desejo aos meus amigos e clientes? :

Aos velhos, novos e futuros círculos sociais meus, sejam eles virtuais ou presenciais, desejo que a cada ano possam conquistar novas metas! Sim, desejo CONQUISTAS. Pois só cada ser em si é que conhece suas próprias necessidades. E respeitando este princípio, é que me posiciono desta forma. Que o Universo conspire sempre para que todos nós possamos atingir nossas metas.

A algumas horas de se findar esse ano gregoriano, me despeço então dele com um poema de Fernando Pessoa (O Infante), que resume em si tudo que penso neste momento em que digito estas linhas; um poema profundo, que nos faz repensar nos valores de: Fé, Esperança, União (com nossos desejos), Conquistas, e Liberdade.


(Interpretação musicada de Dulce Pontes - Uma diva da voz portuguesa)

Que venha 2015! E que jamais nos esqueçamos de que nós somos "Seres Divinos" (leia-se Estelares), cheios de Super Poderes! Vivemos em "constelações", mas, cada um brilha na sua própria intensidade.

Fernando Omar Said (R.M.S)#

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Orixá de 2015 (?!)



[Reprodução do post que fiz ano passado, com algumas atualizações] 

'Há alguns anos uma onda de leitura anual para regência de orixás vem acontecendo. Mas isso não é nenhuma novidade, apenas se tornou "popular".

Bem, vamos esclarecer alguns pontos que vale a pena ser ressaltados:

1- Não existe essa coisa de Orixá regente do ano para "todo mundo".

Explicando: Orixá rege aquele que se dedica a egrégora dele; portanto, não seria apropriado determinar que um Orixá será regente de todos. O que acontece em algumas casas tradicionais de Asè ,é que, o babálorisà ou a Iyálorisà ira conversar com os orixás para ver quem se propõe a "olhar" ou "cuidar" dos filhos daquela determinada casa durante o ano que se inicia. 

Por isso, uma determinada casa de Asè terá seu Orixá regente, expandindo essa influência por todos seus descendentes ( as casas nascidas na mesma tradição, ou como dizemos no Asè : das "mesmas águas".

2- Dentro da tradição iorubá (candomblé/nação), não se conversa com esse orixá regente através da numerologia pitagórica, e sim através do Meríndìnlogum (Jogo de búzios). Portanto, não considero válido os cálculos numéricos a base dos números que compõe o ano a seguir ou o dia da semana que irá se iniciar o ano, usando associação com orixá. Muitos o fazem, e não vou descriminar essas interpretações - cada um segue aquilo que crê e TODOS devem ser respeitados.

Agora, digamos que algum babálorisà ou Iyalorisà resolva conversar com Ifá para saber a "Influência" de algum Orixá sob uma região ou população. Pode ? SIM ! E nestes casos a conversa é com os Odús; que, através de seus Omo Odús (caminhos) podem indicar não só um Orixá, mas talvez um grupo de Orixás que influenciarão determinadas épocas, naquela região. É semelhante as consultas a Ifá sobre as regiões em que as vitórias eram garantidas através dos Odus, em épocas remotas pelas tribos daomeanas.

Como e quando pode ser feita essa consulta ( para a região ou população) ?

Nos Itàns de Odú, quem determina os caminhos e assegura as influências negativas e positivas é o Odú Iká - o décimo quarto. 

Para os nossos ancestrais africanos, a Lua cheia (Àsùpá) era vista como os olhos de Olòorúm sob a Terra, nos momentos de escuridão. Reverenciavam essencialmente as Lua Cheia e Lua Nova ( ambas visivelmente em sua totalidade ), apenas com a diferença entre o dia e a noite. ( A lua em sua totalidade cheia vista a noite caminha em oposição ao Sol . A Lua Nova também se apresenta em sua totalidade; mas, muitas vezes não a vemos porque ela caminha durante o dia seguindo o Sol). Mas, ambas são chamadas de Àsùpá.
Então, a partir da última Lua Nova do ano se conta 14 dias (nascer do sol) para trás - sentido anti horário; e cairá em um àsùpá noturno; neste exato dia começam uma séries de rezas a Iká, até que se complete os 14 dias em que àsùpá se tornará diurno; e neste momento é que Iká se abre a revelação das influências divinas sobre a Terra.'

Neste ano (2014), a leitura foi feita exatamente no dia 21 de dezembro (última lua nova de 2014). Aí, então, tenho os Orixás que influenciarão minha terra. Entretanto, eu vou estar sob a "regência" de um Orixá determinado pela minha casa tradicional ancestral, que é o Engenho Velho (Casa Branca) em Salvador.

No meu jogo, quem vai estar regendo o Brasil (leia-se: região/país) é Insèèwé (um Oxossi), com influências fortes de Ossaim e Oxum. A partir de setembro teremos uma participação de Onirè (Ogum), Iyá Assessú (Yemanjá); e depois de Àsùpá de outubro, um julgo de Ibonã (Airá). [Aí a coisa vai esquentar!]

domingo, 21 de dezembro de 2014

O Sol (31 do Lenormand)



Bem vindo Solstício de Verão!!!

Hoje o Astro Rei atinge seu pico no Hemisfério Sul. O dia amanheceu quente, apesar de estar prevista chuva para logo mais tarde [sei não, há dias que ela ficou de chegar e nada :( ].
Mas hoje, vamos homenagear ele: O Sol!

Um dos luminares naturais do baralho lenormand, o sol se encontra em uma posição entre os lírios e a lua, o que me traz uma reflexão de como a Luz pode nos conduzir da escuridão à benção. (leia-se da esquerda para a direita), o próprio movimento do sol - leste/oeste.

O sol é uma estrela considerada de quinta grandeza (termo popular), mas sua magnitude é de +4,8, apesar de não ser tecnicamente mais brilhante que as outras, pois a Próxima Centauri tem +15,5. O brilho intenso se dá por aproximação de nós - Terra. 

O sol também é o centro magnético de nossa galaxia, e em torno dele gira inúmeros corpos celestes. Mas sua importância não se dá apenas no Cosmo. Ele influencia e dita muita Lei Natural em nosso planeta e em nossos corpos biológicos - animal e vegetal, assim como nas condições meteorológicas e climáticas.

 O Astro Rei há muito tempo sempre foi, e acredito que, sempre será, considerado a face de De@s. Algumas culturas antigas o veneravam como o próprio Deus e/ou Deusa; e como tal, sempre foi respeitado e divinizado, seja no consciente como no inconsciente. 

Responsável por nutrir a vida com seus raios e gazes, ele ativa uma cadeia de metabolismo biológico que faz com que a vida tenha continuidade, e que tudo cresça com todo vigor. Sem o sol não existiria nenhuma vida! Por isso sua Luz é considerada "divina" e fonte de toda a existência. Ah, e se falando de biologia, o sol é a principal fonte de vitamina D, a qual é responsável por alimentar todo sistema imunológico, nossas defesas. [D de "Divino", D de "Defesa", D de "Doador" :) ] 

Por sua importância climática, os povos do extremo norte o viam como o Deus que nutre a Deusa Terra, e mantém a continuidade da vida; e como tal, era associado ao fogo primordial. Outros povos, como os do Oriente Médio, que observavam mais seu "movimento" (vejam esse trabalho de História da Física sobre o movimento do Sol :Aqui ) , o veneravam também como seu Deus, e responsável por conduzir todo baile celeste.

Os alquímicos vão mais profundo ainda no simbolismo da Luz solar, considerando-o a Consciência Criadora e por outros viés o Conhecimento de Tudo e a Verdade Absoluta.

No baralho lenormand o Sol representará vitória, conquista, Luz Divina, e até mesmo, em alguns casos, o Conhecimento de algo revelado. A imagem em si já nos traz algo de muito positivo, mesmo acompanhado das nuvens (6), pois é um presságio de que o mal tempo está se dissipando. Entretanto, tente olhar diretamente para o sol. (!?) Imaginou? A Luz também pode cegar! E este é o aspecto negativo dessa carta. Muitas vezes, estamos "tão certos" de nossas verdades, que acabamos cegos diante da realidade, ou até mesmo da compreensão "no outro". Portanto, toda vez que ver o sol na mesa de consulta, não se atenha somente a essa luz espetacular; observe se não se trata de uma luz que cega, e nos torna egocêntricos, egoístas, vaidosos ao extremo, megalomaníacos... 

Que todos possam desfrutar desse solstício com todas as bençãos de nosso Astro Rei.

[Ps. Uma dica: protetor solar é importantíssimo - se você for ao sol em horários extremos. Mas, procurem tomar sol in natura, ele nos nutre e nos fortalece.]

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Urso (15 do Lenormand)



Revisando minhas postagens, percebi que ainda não tinha explanado ele :D . Talvez a palestra do III Cartas na Mesa tenha tirado meu foco :p

Mas vamos lá.

Outro belíssimo animal do baralho. E mesmo não fazendo parte de nossa fauna, temos, as vezes, contato com ele e seu comportamento. [Em zoo, filmes e animações].
Existem várias espécies de Urcidae (nome cientifico) . E estão presentes em quase todos continentes, menos na Africa. 
O urso tem comportamento carnívoro e são extremamente territorialistas. Vivem solitários, apesar de se unirem socialmente apenas para reprodução, onde são atraídos pela fêmea e depois descartados do meio familiar, ou seja: a fêmea o expulsa e cria seus filhotes sob total domínio até atingirem a independência de caça, e logo em seguida seguem sua vida, solitários.
O urso possui hábitos alimentares incomum a eles, como por exemplo, comer muito durante a primavera e verão para hibernarem no outono e inverno. O acúmulo de gordura é essencial para sua sobrevivência.
São animais extremamente fortes e hábeis, apesar de não possuírem muita velocidade, pois sua condição plantígrada não permite.
Infelizmente, há uma visão muito deturpada desse animal, por sua ferocidade. Mas se formos observar a presença deles durante a história da humanidade, vamos ver que existem situações nos quais leva-nos a considerar o outro lado da moeda. Por exemplo:

1- Os ursos são de fáceis domesticação e muitas vezes já serviram segurança em diversos lugares da Europa; em circos como espetáculos; como animais de companhia por algumas famílias ciganas.
2- Os ursos são extremamente solitários, o que levou alguns cineastras a se utilizarem dele em filmes que denotam o valor de uma amizade.
3- Os ursos foram os primeiros animais a serem representados como "bichinhos de pelúcia". Consequentemente, muitos já o tiveram como suas primeiras companhias na infância.

Por outro lado, ficaram mal vistos nas fábulas de La Fontaine, onde seu instinto animal, descontrolado, ultrapassou os limites de proteção e acabou por criar situações nefastas.





Assim como os outros animais no baralho Lenormand, o urso também denotará alguns de nossos instintos a serem trabalhados e/ou utilizados. E se tratando de figuras interpretativas e considerando o valor da polaridade, é claro que teremos que observar na leitura qual aspecto desse urso se apresenta: negativo ou positivo?

O urso pode simbolizar um estado de solidão, assim como a necessidade de sermos "bom amigo".
O urso pode representar um momento de economia ou acúmulo de bens necessários para nossa sobrevivência; assim como uma situação egoísta.
O urso pode ser a representação de uma figura materna que zela pela sua cria; jamais a figura paterna [pois sabemos que os machos são exclusos do meio familiar].
O urso, nas questões sexuais são instintivos, portanto não poderão representar um amor ou entrega íntimo emocional. São impulsionados apenas pelo desejo e por um propósito de pro-criação.

Esta carta muitas vezes assusta o consulente no momento da leitura; mas é imprescindível que o oraculista a interprete em relação as cartas ao lado; pois se tratando de cartomancia os terceiros nas questões são representados pelas cartas de côrte; as cartas numeradas simbolizarão arquétipos/personalidade/situação do próprio consulente. [Cito este aspecto porque é comum alguns se utilizarem de frases como: "Um amigo urso lhe cerca" - pejorativo]. 

Como venho comentado em meus posts, é importante conhecermos o comportamento do animal envolvido em uma leitura, isso facilita muito a interpretação detalhada da simbologia inculta na presença desse ícone.

E se utilizando do lúdico, vamos procurar ser mais o "irmão urso" (Walt Disney), do que o "amigo urso" (La Fontaine)



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As Estrelas ( 16 do Lenormand )


Quem nunca se pegou nomeando estrelas no céu? Acredito que muitos. Eu, por exemplo, tinha o costume de nomear algumas estrelas por pessoas importantes na minha vida. Para o povo nômade, principalmente os zott, as constelações tinham um significado muito especial; tanto místico quanto físico. O costume de estudar o céu, pelos povos do Oriente, era induzido pela observação das estrelas. Essa conexão não era meramente didática, mas muito espiritual. Dentro de uma leitura celeste profunda, as constelações possui mais importância que o próprio movimento dos astros. As constelações são a morada dos deuses. E quando nos referimos a tal Estrela Guia, é claro que se trata de nosso guia divino, cósmico, espiritual.
Dos luminares no baralho lenormand, as estrelas são a mais antiga e seu brilho continua fascinando muitos até hoje. Sua multiplicidade e longevidade são incontáveis. Diferente da Lua e Sol, das estrelas só avistamos a Luz, e este aspecto tem uma simbologia muito profunda.

 Para nós, seres humanos, as estrelas sempre teve uma importância fundamental; não só no sentido visual como também no metafisico, espiritual, e biológico. Antes do advento de instrumentos de localização, como astrolábios, bússolas e mapas, as estrelas foram nossos guias. A Terra era mapeada no céu através das estrelas, e elas foram responsáveis por possibilitar as grandes expansões de impérios em todo mundo. As estrelas também foram alvo de profundos estudos filosóficos e ocultistas com suas constelações fixas, marcando personalidades de indivíduos e muitas vezes definindo "seu" destino. Cientificamente, hoje sabemos que nosso corpo biológico possui componentes presentes nas estrelas; sim, somos feitos de 'gases e partículas' de estrelas, como hélio, hidrogênio e carbono. Tecnicamente, somos uma estrela!
Raramente olhamos para o céu e contemplamos as estrelas; mas elas sempre estão lá - brilhando intensamente, muito mais que o próprio sol. Nossa ligação mais íntima com elas, hoje em dia, é nossa identidade zodiacal marcado em nossa Carta Natal pelos signos. Mas, para os mais curiosos, esta ligação vai longe; pois nos leva a mergulhar profundamente na origem de todas as coisas. Quando o brilho de uma estrela chega a nós, provavelmente ela já estará literalmente morta. Não existe mais fisicamente, já explodiu! Apenas sua Luz nos chega e fica, como uma lembrança eterna de sua existência. O infinito do Cosmo é como um reveillon com fogos de artifício explodindo constantemente, uma celebração eterna de recomeços; a diferença é que estas luzes "nunca" se perdem, ou pelo menos estarão durante toda nossa existência humana.
Todos somos uma estrela, literalmente e simbolicamente. E o que nos faz uma estrela? Nossa simples existência. Agora, se esse brilho será visto e apreciado pelo outro, aí é outra história. A contemplação das estrelas na noite se dá basicamente de maneira coletiva, ou seja, mesmo que foquemos em apenas uma, visualizamos outras a volta; e pela distância e nosso potencial óptico não conseguimos visualizar apelas uma estrela solitária na noite, sempre estamos vendo constelações.
No baralho lenormand, as estrelas (plural) nos remota a uma simbologia de Luz, brilho, esperança, pluralidade, ancestralidade, espiritualidade, e infinito. Estas estrelas podem nos guiar em meio a confusão e incertezas; estas estrelas podem nos levar a contemplar a existência divina compondo o Grande baile celeste; estas estrelas podem nos apresentar a busca por conhecimentos profundos, além de nossa própria compreensão.


Há uma troca eterna entre nós e o Cosmo, e como dizem, a cada estrela que morre nasce um de nós e a cada um que se vai pelo portal da morte, nasce uma estrela. Essa interação constante nos faz pensar que somos viajantes no tempo; e como almas, embarcamos nessa rota com nosso próprio brilho, não o brilho do "outro"! Lembrem-se disso. E este brilho é construído de nossas ações e intensificado pela resposta do 'outro' em relação à nossa importância.
Geralmente, a estrela é uma carta de bom augúrio; mas lidando com as polaridades interpretativas, ela também pode simbolizar uma estrela que já "se apagou".
Considero esta carta como nossa orientadora no baralho. A carta das estrelas pode nos conduzir a qualquer caminho que desejarmos; mas cuidado! Se ficar fixadamente olhando para elas, pode não ver o que se encontra em seu caminho, e as estradas podem estar cercadas de perigos. Portanto, deixe que as estrelas lhe guiem, mas não fique viajando em sonhos supérfluos, e procurem não se deixar guiar por luzes que lhe levem a morte como insetos na lâmpada.
Simbolicamente, e por viés metafísicos, as estrelas podem ter uma ligação estreita com nossos dons e destino; uma carta que nos liga intimamente ao plano espiritual pessoal, não a dogmas e instituições.
Teoricamente, dentro de nosso tempo, podemos considerar as estrelas como imortais, e esta conotação nos remete a algo que vai além de nossa existência, inclusive ligando o passado ao futuro, ancestralidade a posteridade, nascimento a destino... e nós, somos o presente, o meio caminho disso: a própria estrela brilhando!


Todos somos estrelas, mas como anda seu brilho?
De que forma tem se guiado? Ou, orientado os outros?

Tenham uma noite bem estrelada. Olhe para o céu, contemple sua existência!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O Bouquet (09 do Lenormand)



Uma carta que deixa muitos em êxtase, pois nos remete a felicidade. Mas quais os aspectos implícitos por traz dessa beleza? São muitos. Como podem observar, toda a côrte de espadas no lenormand são representada por leveza: os lírios (rei de espadas), a criança (valete de espadas) e as flores (rainha de espadas). A Côrte de espadas na cartomancia européia é representada por seus governos monárquicos nos quais foram alvos de diversas disputas, guerras, e conquistas. E com isso, a figura da flora nestas cartas denotam um certo tom de glória e reconhecimento.
O bouquet há muito tempo foi símbolo de reconhecimento a vitória e conquista, como vemos até hoje, principalmente em eventos que envolvem competições, onde as flores são entregues antes das medalhas de mérito. 
Toda conquista e vitória requer uma certa dose de sacrifício, e seus ícones também; pois as flores que compõe os bouquet são se certa forma sacrificadas de suas flora para homenagear os vitoriosos. Uma carta bela e que trás felicidade a quem recebe, mas as custas de um sacrifício. E como todo sacrifício, só é digno dele quem o merece de fato.
As flores no baralho lenormand pode representar um momento de alegrias, felicidades, e reconhecimento advento de nossas obras. Quando recebemos flores, existe por trás dessa ação uma conotação oculta de reconhecimento e agradecimento por algo; pode estar associada com o mecanismo de trocas, inconscientemente ou não.
As fores são de diversas espécies e com diversos propósitos; inclusive existe estudos de comportamentos éticos em relação a que flor presentear - pois cada uma carrega em si um simbolismo próprio, como se fossem mensagem.
As fores são em geral a parte da planta responsável pela polinização e continuidade de sua existência. E esta funcionalidade biológica pode nos remeter as questões de fertilidade também em uma leitura.
As flores não são meramente ornamentos, elas carregam em sim um poder simbólico muito grande ofertado ao presenteado por ela. Elas estão em todos os lugares, sejam bem tratadas e cuidadas em floriculturas e jardins, como deixadas ao curso da natureza em parques e matas. Considero as flores a expressão colorida da existência. Uma forma do Criador nos preencher de cores e esperança com sua Obra. 
O uso das flores está presente em toda nossa interação com a natureza; ela pode carregar cura e veneno, alimento, ornamento, solicitação de perdão, reconhecimento, honras. E com toda essa gama de informações, ela pode se encaixar na leitura cartomântica em qualquer aspecto.
Por estar representada por uma Rainha - de espadas, ela (as flores), também nos levam a um contexto de autoridade dentro da composição do baralho. Além de corresponder a arquétipos de personalidades dos 'terceiros' nas questões, como suas intensões, vontades, e índole.
Para que estas flores não murchem, elas devem ser bem cuidadas e veladas por apreciação daquele que as recebe. Se estas flores vem acompanhadas de cartas vitais, pode representar uma vida cheia de alegrias e beleza. Acompanhada por cartas nefastas, podem indicar um apreço e carinho sendo corroído e desperdiçado - afinal de contas nem todos são merecedores de nosso reconhecimento e perdão.
A carta do bouquet interage intimamente com as cartas de flora - árvore, jardins e até mesmo as estradas, quando nossos caminhos podem se apresentar floridos.
As flores também podem representar  sutilmente um ato de comprometimento, a exemplo do bouquet da noiva e flor na lapela do noivo,
 demostrando a vontade de uma relação de felicidades e alegrias.
Podem também representar um ato de despedida apresentada em seu ofertório aos nossos mortos.
Ligações espirituais e religiosas também não podem ser descartadas, como principal objeto de devoção em altares.
O mais interessante das flores, e que automaticamente me remota a primavera, é o fato de ser naturalmente a ideia de esperança quanto a vida, pois através delas a Natureza nos mostra que há uma continuidade, quando a Mãe Terra desperta e nos traz a vida de volta após o inverno.
A morte, sua poda para elaboração do bouquet, representa a esperança e alegria de que, mesmo após o sacrifício, a vida continua. 
E concluindo, as flores também podem nos remeter a um contexto de despedida , oculta nos ofertórios fúnebres, como as coroas deixadas nas lápides de nosso queridos amigos e ente. 


Já ofereceu flores em forma de reconhecimento?
Como cuida das flores que ganha?

Um dia florido, de vida, para ti.

Me despeço com uma das mais belas músicas que fez parte de uma época da minha vida. Uma mensagem de esperança. Composição e interpretação de Fátima Guedes:

Flor de ir embora [ clik no link abaixo ]

https://www.youtube.com/watch?v=WxYrSEOx5yM

domingo, 30 de novembro de 2014

Os Lírios (30 do Lenormand)



"Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam, contudo vos digo que nem Salomão, em toda a sua glória se vestiu como um deles" (Mateus 6:24-23)

Realmente, os lírios, são flores belíssimas! Nos transmitem paz, exala um aroma delicioso, e possuem uma grande resistência. 
Os lírios são flores da familia Liliaceae, do gênero Lilium; são plantas nativas do Hemisfério Norte [existem mais de 100 espécies deles]. Algumas espécies da mesma família encontramos aqui no nosso hemisfério com o nome de açucena. Na China representam o amor eterno e também a abundância. São plantas que chegam a atingir 1,50m a 2,00m. Sua resistência se dá ao fato de acumularem muita água em seus caules e depois distribuí-las em doses para sustentabilidade da flor.
Por diversos atributos benéficos, os lírios são citados em vários textos antigos espirituais - Cristãos, Agnósticos, Hindus, Egípcios, etc. Sempre considerados como reflexo do 'divino' na natureza materializada, por sua beleza e diversidade.
Os Lírios funcionam biologicamente de forma extremamente equilibrada; os extremos - de irrigação, Luz, poda e colheita, podem causar danos a eles. Vejam como cuidar do seu lírio: [Aqui.]
No baralho lenormand, os lírios vem representado por uma carta de côrte, o Rei de Espadas. E esse simbolismo tem tudo a ver com algumas nações da Europa, onde a realeza era representada por lírios, e isso também nos remete a uma carta de Poder e Autoridade.


(Brasão de Armas da Casa Real Francesa)


Na leitura interpretativa do baralho, os lírios representam o momento de paz, tranquilidade, pureza e até mesmo de resistência no momento do consulente. Por ser uma planta que simbolicamente pode representar a 'balança da natureza', esta carta pode também estar envolvida em interpretações que nos remetam a Justiça. 
Os lírios também eram usados por algumas famílias ciganas eslavas para confecção de porções 'mágicas' associadas aos desejos carnais - libido e paixões. É a flor que se encontra também na icnografia do Arcanjo Gabriel - mensageiro de Deus, como portador da boas novas e fertilidade. 

E falando em fertilidade, cabe salientar que esta flor, apesar de se reproduzir de forma sexuada, ela contêm os dois órgãos reprodutores em si mesma, e se proliferam por angiospermas - uma única flor produz sementes que darão origem a outros lírios. [Observem o contexto do hermafrodismo implícito aí].
Geralmente à primeira vista, consideramos os lírios uma flor delicada; mas ela é muito forte! Sua beleza e delicadeza podem ser interpretados simbolicamente como uma forma de lidar com as questões de maneira diplomática, onde a razão e a paz devem ser prioridades para a resolução das questões, sem uso da força bruta.
Os lírios no caminho profissional podem representar elogios e agradecimentos por um bom profissionalismo, que antecedem uma provável promoção.
Na saúde, os lírios representam a resistência as doenças e até mesmo a tratamentos recebidos de modo frequente e equilibrado, para que a biologia se mantenham firme e forte.
No amor, os lírios podem representar a harmonia do casal ou do indivíduo com seu próprio lado emocional; ou até mesmo a auto-compensação diante de uma possível solidão. Levando em conta os aspectos líbicos, vemos no lírio uma conotação de desejos carnais muito forte e quiçá de maneira individualista, quando o prazer está acima da entrega emocional.
Financeiramente, os lírios podem  representar o equilíbrio material e até mesmo o 'poder' atribuído a posses.
É uma carta que, a princípio, de maneira geral, me remete a necessidade de que o consulente precise se valorizar, elevar sua auto estima e manter-se se forma equilibrada, sem exageros.

Vamos liriar(sic) nosso dia!  


Hoje não quero reflexões, quero ações! Comprem um lírio e/ou açucena em uma floricultura perto de sua casa e contemple-o.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O Livro (26 do Lenormand)



Adoro Ler, é mais que um hobby para mim, é quase um vício. Muitos também devem gostar, pois livros nos levam a 'viajar' sem sair do lugar, nossa mente é exercitada, além de obtermos conhecimentos diversos.
O livro é fonte de informações, seja ela qual for. E também um objeto de registro escrito ou ilustrativo da História da humanidade e sua cultura. Sem o livro, provavelmente muita informação teria se perdido ao longo do Tempo. 
O livro como nos é apresentado no lenormand tem características contemporâneas; mas os pergaminhos da antiguidade tinham a mesma função: registrar e informar eventos para a posteridade. Com o livro as palavras não se perdem; o livro é a expressão física de nossos pensamentos e até mesmo de fatos que desejamos manter registrado para consultas, pesquisas, aprendizado ou meramente diversão imaginária - nos contos lúdicos ou fictícios. Nas páginas de um livro também podemos encontrar registros pessoais de uma trajetória de vida, como nas biografias, que nos servem de exemplos e onde estudamos os erros e acertos do outro para uma melhor caminhada na existência.
Como podem observar, o livro tem diversas funções, e esta diversidade pode ser encaixada em qualquer leitura interpretativa do baralho lenormand, combinando as cartas ao lado da carta do livro como se fossem palavras escritas nele.
O livro geralmente tem autoria individual, mas destina-se a um uso coletivo; pois o objetivo do autor ou autores, é que outras pessoas o leiam. É a forma mais comum de transmitirmos nossas idéias e pensamentos para outrem. É fato que só lemos aquilo que nos interessa; mas gostos são diversos, e existem informações escritas para todos os fins.
Apesar da vida em si nos apresentar ensinamentos, o livro é a primeira expressão didática de conhecimento nos apresentada na infância, e conforme aquilo que formos lendo é que nos conduz as nossas escolhas e raciocínio sobre as coisas ou até mesmo nosso caminho pessoal e profissional. A leitura induz o indivíduo a pensar, fantasiar, escolher e contemplar; além de em sua maioria nos tornar filósofos, nem que seja por um breve momento.
Uma simbologia interessante nos livros representados no baralho lenormand está na forma que ele se apresenta. Alguns baralhos apresentam imagens de livroS (no plural); outros apenas um livro - aberto ou fechado. Esta icnografia é importante observar, pois nos remeterá ao objetivo de ação em relação a este livro. Por exemplo:
- Com vários livros, podemos ter a mensagem de transmissão de conhecimento através de pesquisas comparativas ou diversas. E neste contexto pode estar associado aos estudos dentro de uma área profissional.
- Com apenas um livro, e fechado, podemos ter a indicação de registros próprios e pessoais, como diários, grimórios, escrita sigilosa, documentos, ou simbolicamente a importância que tenhamos a curiosidade de ler algo novo ou obter um conhecimento mais profundo em uma área específica.
- Com apenas um livro, e aberto, temos o indicativo de uma informação ou conhecimento de domínio público, onde todos tem acesso, e a qualquer hora.
Ainda há baralhos que podem apresentar pergaminhos ou códices, que são registros e informações antigas e importantes para o conhecimento, geralmente de ordem mística, filosófica e religiosa, que foram as primeiras necessidades de registro para transmissão de dogmas e ensinamentos.



É importante também ressaltar que o nem todo livro possui informações verídicas; alguns tem a função de nos conduzir a um mundo de fantasia e nos afastar da realidade. Uma interpretação detalhada da função do livro na mesa oracular de consulta pode indicar se "este" livro tem a função de transmitir conhecimento importante ou superficial; se este "livro" tem a conotação de grimório ou diário de vida; se "esse" livro deve ou não ser lido.
O fato é que, todo livro pode ser visto; mas nem todos podem ser lidos! Temos que ter a consciência de que um livro pode ser uma ferramenta poderosa na mão de alguém; e nosso livre arbítrio nos conduz a prática do ensinamento ou experimentos apresentados no livro.
Ler é sempre bom, mas saiba escolher muito bem sua leitura; pois nossa mente absorve até o que subliminarmente está implícito entre palavras escritas. Escrever é fácil! Compreender o que está escrito que é difícil.

Tem escolhido bem sua leitura?
Costuma registrar suas experiencias para que sirva de exemplo para outros?
Segue receitas criadas ou procura desenvolver as suas?

Um ótimo dia de busca pelo conhecimento!

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

A Casa (04 do Lenormand)



A carta da casa e da torre são as únicas estruturas construídas pelo homem no baralho, e como tal ocupam uma funcionalidade própria: a de abrigar. Mas, diferente da torre, que é apenas uma parte de uma estrutura, a casa vem com sua totalidade; o que, de fato nos remete a uma obra completa, cuidada e que tem como função compor um Lar. Mesmo assim, a casa, por se tratar de uma estrutura física, pode se referir a diversos aspectos. Esta estrutura pode não só representar um Lar familiar como uma instituição, seja ela : pessoal, comercial, estatal e simplesmente lúdica.
Quando vejo a carta em uma leitura, me remeto logo as questões que envolve o ambiente familiar do consulente. Mas se tratando de aspectos profissionais, esta casa pode se referir a uma empresa; nos aspectos de saúde, esta casa pode ser um hospital; nos aspectos financeiros, esta casa pode ser um banco; nos aspectos espirituais, esta casa pode ser um templo; e por aí vai...
A casa é parte integrante e necessária em uma comunidade, é de maneira bem significativa, o local de descanso da 28, 29, 13 e as vezes abriga também a 18. 
A casa é muito mais que uma simples estrutura arquitetônica; ela é o sonho de todos em prol de constituir uma independência e privacidade. É nosso local de refúgio, onde nos sentimos protegidos.
Mas, para que esta casa se coloque a disposição favorável do consulente, ela deve estar cercada de cartas que denotem uma intimidade e propriedade; pois a casa também pode se referir a propriedade de outrem. 
A interpretação da casa deve ir muito além de mera estrutura construída para abrigar uma família; simbolicamente esta casa nos remeterá muito ao patrimônio, à nossa segurança, à nossa realização pessoal, à nossa privacidade - na qual só entra quem for convidado.
Paralelamente e de maneira muito sutil, esta casa pode se referir a nosso próprio corpo, como primeiro lar, no útero materno; e como tal, deve ser tratada com esmero.


 Observem que as casas representadas no baralho lenormand são casas bem construídas, belas e cercadas da 20 - os jardins, pois esta mesmo, nada mais é que a extensão externa da casa.
A casa é uma carta que pode agregar combinações de fáceis interpretação com qualquer carta do baralho, pois se tratando de uma estrutura física, ela pode ser construída em qualquer lugar; inclusive no navio.
A casa é basicamente a carta da proteção física do 28,29 e 13. Ela nos abriga e isola da influência de todas as outras cartas do baralho. Pode ser nosso cárcere voluntário ou involuntário. A corte de copas quando se reúne [ casa, cegonha e coração ] é sinal claro de bons agouros e propósitos de felicidade, e me remete a um Lar ou ambiente harmonioso.
A casa do lenormand pode ser tanto alugada quanto de propriedade do consulente, o que realmente importa em sua simbologia é que ela será o local de refugio, de descanso, de amor e segurança íntima do mesmo. A carta da casa tem ligação direta com algumas cartas como: chave, jardim, árvore, dama, cavalheiro, criança. E nos coloca protegidos das cartas nefasta da fauna.
De posse dessa casa, cabe ao consulente limitar o acesso do que, e de quem, não o faz bem. Os cuidados em relação a casa é de responsabilidade do próprio consulente; e se ele permitir que perigos adentrem seu Lar, só a ele cabe também expulsá-los.
Existe uma comparação legal que faço para perceber algumas nuances do contexto da casa como família, haja vista nem todo consulente estar diretamente ligado a uma estrutura familiar; muitos habitam sozinho. E neste caso, quando o consulente vive de maneira isolada ou solitária, a representação de seu lar pode estar na torre. Neste caso, seus genitores ou parentes como família estarão na casa.
Explorando a casa, perceberemos que à sua volta e dentro da mesma se agregam todas as cartas do baralho, basta deixar a imaginação e intuição fluir. Assim sendo, quando vermos a casa em uma leitura, vamos observar o que está a sua volta; isso pode ser um indicativo de como o consulente tem cuidado de seu lar; quais seus anseios; quais seus medos; quais seus projetos; e principalmente até que ponto ele é dependente ou independente.
A maioria de nós temos um lugar para chamar de lar, seja próprio ou alugado. Mas, muitos se encontram a pária da sociedade, e o lar deles são as ruas - a 22, infelizmente. :(
O lar da fauna pode ser a árvore, a montanha, e até mesmo a casa. O lar da flora pode ser o Jardim, as estradas, o mar (peixes). O lar dos nômades pode ser o navio. O lar da Luz pode ser o Sol, estrelas e Lua. E assim, todas as cartas possuem seu lar; e no final das contas encontramos o único lar próprio, indivisível e eterno de todos: o Caixão!



Tem cuidado de seu corpo como seu Templo e Lar da alma?
Sua casa física está protegida, arrumada e limpa?
Tem olhos de solidários pelos que habitam o lar da 22?

Uma ótima noite bem confortável em sua casa e de bem com seu Lar.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Carta (27 do Lenormand)



Bem apropriado este sorteio de hoje, pelo menos para mim. Acabo de sonhar coisas muito interessantes, e acordo com a esperança de renovação e novidades na minha vida.
Obs. Usarei a palavra Carta com iniciais maiúsculas para diferenciar da carta material de composição do baralho.
A carta do baralho, de ordem 27º é o envelope/Carta (a correspondência). Diferente da carta 01 (cavaleiro), esta carta, o envelope, nos remete a uma mensagem escrita ou ilustrada. A Carta no lenormand vem como representação física de ma mensagem enviada a um destinatário em específico. Geralmente nos baralhos, esta carta está lacrada, o que é um indicativo de privacidade, ou uma escrita ou mensagem destinada a alguém em específico - como as correspondências dos correios.
Na carta da Carta encontramos símbolos próprios que nos remetem a duas coisas que considero importante: uma mensagem e um segredo!
Voltando ao passado temos um exemplo de como diferenciar estes dois aspectos. As mensagens enviadas a um público ou comunidade eram conduzidas por um cavaleiro que a transmitia através da palavra oral ou documento exposto, denominado mensageiro ou porta-bandeira; as mensagens particulares, geralmente escritas com palavras ou símbolos em pergaminho, couro ou papel, eram conduzidas por pessoas anônimas e com um destino certo. Isso se dava para evitar o risco desta correspondência sofrer desvio ou roubo; e até mesmo porque estas mensagens escritas eram sempre de âmbito particular e sigiloso.
Quando vejo no baralho a Carta, me vem logo uma mensagem clara e objetiva para o consulente, e que, nem eu mesmo, como oraculista, conheço. Minha função é avisa-lo de que está prestes a receber uma informação importante e que não pode ser compartilhada; haja vista o envelope ter um cunho de algo/informação sigilosa e particular. Então, eu sempre oriento que o consulente fique atento a sua 'caixa de correio', que pode sê-la literalmente: Os Correios S/A como caixa de emails, SMS, Whatsapp etc. 
A função desta Carta é notificar, informar, avisar, ou até mesmo solicitar retorno da mensagem - como uma convocação própria e única. Lembrando que, o valor simbólico mais importante contido nesta carta é o do sigilo! Lembrem-se sempre que uma carta ou correspondência tem sempre o remetente e destinatário, portanto estamos lidando um um simbolismo endereçado a alguém e por alguém. Nada mais que isso. Até nas Cartas colocadas dentro de uma garrafa e lançadas ao mar, tem seu destinatário, mesmo que incógnito; e neste caso, pode ser um pedido sutil de socorro. 
 [lembre-se também desta simbologia quando verem o envelope/Carta e peixes juntos].
E falando em sigilo, esta carta pode sim, simbolicamente estar associado a sonhos, pois são também mensagens sigilosas de maneira onírica.
Abrir uma correspondência destinada a outro é crime! Lembrem-se disso. E como tal, devemos respeitar as Leis, tanto físicas quanto oraculares e/ou espirituais. Não cabe a nós tentar desvendar o que está escrito dentro deste envelope, ou colocar palavras no pergaminho em branco - muitas vezes representada nesta carta. Cabe somente e exclusivamente ao consulente decifrar e entender tal mensagem.
Na cultura cigana nômade também existiam mensagens sigilosas deixadas pelas estradas para outras caravanas, estas eram compostas por símbolos gravados em árvores, gravetos amontoados e até quantitativos de pedras, deixados geralmente em encruzilhadas; e só podiam ser interpretados pelo chefe do clã ou família responsável por tal leitura.
Eu, particularmente, considero esta carta como a do segredo, na qual só o consulente pode ter acesso. É claro que, se ele quiser divulgar o conteúdo desta Carta é problema dele, afinal de conta existe o livre arbítrio e também aqueles que não conseguem guardar uma informação.
Por outro lado interpretativo, esta carta também pode ser um indicativo de que o consulente precisa enviar uma mensagem e não só recebê-la; por exemplo, com o posicionamento do cavaleiro (01) na leitura. Invés dele - o consulente, ser o destinatário, ele pode se tornar o remetente. Levando sempre em conta que só ele deve portar o conteúdo da informação. 
No baralho lenormand, a Carta nunca é extraviada nem perdida [Me lembrei do filme 'Cartas para Julieta' - uma correspondência que levou 50 anos a chegar ao seu destino, mas chegou ;) ], portanto vamos cuidar com esmero que este envelope chegue ao seu destino com segurança. Qual a mensagem? Sei lá... e nem quero saber! Cabe somente ao consulente. Nosso papel é avisa-lo que : espere atentamente por uma mensagem importante. Pois nenhuma correspondência é enviada ao acaso e sem necessidade. Pois mais simples que pareça, existe uma importância; um aviso; um comunicado; uma convocação; uma declaração; ou meramente uma mensagem : lembrei de você! 

E para refletirmos:

Mantém suas informações recebidas com sigilo?
Sabe guardar segredos?
Já enviou uma mensagem a alguém especial hoje?

Um ótimo dia, recebendo boas notícias, para ti.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A Âncora (35 do Lenormand)



Apesar de termos 36 cartas no baralho, e a Cruz ser a última; a carta da âncora é que simbolizava a vitória, e final da partida,  no jogo de tabuleiro de Johann Kaspar Hechtel; e quando o jogador chegava à âncora levava todo dinheiro do cofre e depósito.
Esta carta está associada a conquistas, sucesso, vitória, segurança. Seguramente, pode até ser considerada a carta mais positiva do baralho.
A âncora é um instrumento náutico com a finalidade de 'segurar' a embarcação, ou assegurar que ela não fique balançando. A âncora em si não prende a naus, ela precisa de uma rocha ou fenda marítima na qual ela possa se encaixar com suas 'garras' para obter um bom funcionamento; pois se a âncora é lançada em terreno arenoso, seguramente ela não cumprirá seu papel de segurança.

Por este motivo, eu vejo, simbolicamente, sua eficácia associada as cartas do navio e montanha juntos na mesma leitura e ou ao decorrer dela. 
Quando meu pai se aposentou, comprou um barco de pesca, atividade que ele sempre gostou além das estradas e cavalos. E me recordo que em uma de nossas navegadas ele me disse: " filho, a âncora não pode ser lançada em qualquer lugar; você deve conhecer bem a rota que vai, pelas cartas náuticas, e saber que lugar possui arrecifes para descer a âncora." Como ele vivia praticamente o final de sua vida como um 'cigano dos mares', eu tive que estudar muita carta náutica do litoral da Bahia, para saber como proceder em caso de necessidade.
Lançar uma âncora requer conhecimento! Isso mesmo. Se não sabe onde aportar ou onde se segurar, de nada adianta.
A âncora é um símbolo de vitória e conquista porque representa a chegada da naus a seu destino, ou a segurança da mesma em litoral calmo. Sim, calmo! Outra coisa que aprendi com meu pai foi que quando o mar está revolto nunca se deve lançar a âncora, jamais! Pois o dano a embarcação seria pior, ou até mesmo a perca da âncora para o mar, pois como ele sempre disse: " respeite as águas, com ela não se brinca!" Em mar revolto, a embarcação deve seguir o fluxo da maré para que se mantenha na superfície, se lutamos contra este fluxo seguramente será sinal de derrota para as águas.
Todas estas experiências me fez interpretar a âncora de diversas formas, junto as cartas da : montanha (rochas), livro (conhecimento), peixes (mar), estradas (rotas marítimas).
Vejo sim a âncora como símbolo de segurança, vitória e conquista; mas para que ela se torne literalmente isso é imprescindível uma série de informações e conhecimento.
Só a âncora não segura a embarcação no mar, é preciso que ela também trabalhe com cordas para mantê-la presa ao porto; e isso pode ser agregado ao chicote. Aí sim, a embarcação encontra-se segura e com possibilidade de acesso a tripulação.
Existem diversos tipos de âncoras; e simbolicamente estas âncoras podem também ser abstratas, não necessariamente físicas. Talvez por isso a âncora do lenormand esteja sempre representada isoladamente, fora de uma naus; para que possamos leva-la aos mais altos graus de imaginação, sem perder sua funcionalidade.
Outro detalhe importante na representação do baralho, é que, esta âncora está completa com seus objetos auxiliares - boia [que serve como sinalizador de onde a âncora se encontra] e corda, que podem ser facilmente associados as cartas do : pássaros e cegonha (que flutuam) e o chicote (como cordas). Sem elas, a âncora afunda e se perde nas profundezas dos peixes (mar); aí já era :( - Nada de segurança! 



Na escola européia a âncora é vista como tema do caminho profissional, e isso tem relevância pelo fato de que a principal atividade comercial no século XVIII ser a navegação pesqueira, e como tal, principal fonte de renda e lucros nos países litorâneos. Hoje podemos explorar a âncora em diversos aspectos, e encaixá-la em qualquer campo de nossa vida.
Mas, ressaltando que, estamos lidando também com simbologia; e devemos explorar os dois lados da mesma moeda. Esta âncora tanto pode nos salvar, quanto nos matar. Tanto pode nos aportar quanto nos manter estagnados. Tanto pode funcionar presa a uma rocha, quanto pode ser um fardo carregado e arrastado "nas areias do Tempo", sem necessidade e/ou por ignorância. 

E aí? :

Como tem manuseado sua âncora?
A Naus de sua vida está à deriva, ou tem um objetivo?
Sua âncora esta bem localizada, ou perdida em alto mar?

Um ótimo dia de segurança para ti.

domingo, 23 de novembro de 2014

Os Ratos (23 do Lenormand)



Certamente uma carta, que a principio, nos remete a condições nefastas. Mas será que se resume só neste aparente 'nojo' que deixamos conduzir nossa interpretação?
É claro e notório que o rato é um animal, por natureza: sujo, infeccioso, noturno, de habitat subterrâneos e ocultos. Mas também possui características que podem ser explorados de maneira positiva dentro de uma interpretação oracular.
O rato é da ordem dos mamíferos roedores, e pertence a diversas famílias animais, não se resumindo apenas a esta espécie geralmente apresentada no baralho. Temos ratos de diversos tamanhos, habitats diferentes e comportamento variados. O rato que se apresenta no baralho é o rato doméstico da espécie Mus musculus, bem diferente do rato de esgoto [rattus norvegicus].
Os ratos são considerados pragas, pois sua proliferação acontece quase em meio protegido, e isso os torna um dos mamíferos mais bem sucedidos na escala de sobrevivência, geralmente fugindo de seus predadores naturais mais comuns - gatos, cães, aves de rapina, e serpentes.
Estes animais são responsáveis por grande parte da destruição de alimentos agrícolas e são potencialmente considerados vetores de doenças graves que afetam o meio urbano; pois sua condição de adaptação fazem com que se escondam e vivam em diversos lugares. Não possuem uma visão boa, mas compensam com sua audição e olfato extremamente aguçados.
São animais de hábitos muito comunitário, a família (pai, mãe e prole) geralmente vivem ao longo do tempo juntos e unidos, um  cuidando dos outros.
Outro aspecto interessante neste animal, é que, eles além de poder construir tocas em quase todos os lugares na natureza, se preocupam também sempre com o 'plano B'; suas tocas sempre tem uma saída de emergência e só utilizadas neste caso!
Os ratos são extremamente dóceis, e por este motivo, associado com a sua homologia, são geralmente utilizados em laboratórios como cobaias; além de possuírem os órgãos no mesmo local que o nosso, apenas em escala menor.
Vocês sabem por que a forma de disseminação deles mais eficaz é através de envenenamento? Porque eles não podem vomitar! Sua musculatura da traqueia impede que alimentos ou algo ingerido retorne e saia pela boca.
Sabemos que este animalzinho foi o grande responsável pela expansão da peste bubônica ou peste negra, na Idade Média, dizimando 1/3 da população européia. Mas isso nada mais foi que um reflexo da natureza, pelo desequilíbrio causado pela imbecilidade humana, e/ou ignorância religiosa da época, quando a Igreja queimava os gatos (predadores naturais dos ratos) com seus donos, considerados bruxos pela Inquisição.
Com a queda de predadores, os ratos se proliferaram muito e espalharam o vírus da Peste Negra em toda Europa. A partir daí a imagem deste animal ficou associada automaticamente a doenças. Mas antes disso, eles conviviam tranquilamente com os humanos.
No baralho lenormand, os ratos vão sinalizar as situações ou condições nos quais encontramos um momento sendo corroído, desgastado ou até mesmo sendo roubado - hábitos naturais e instintivos dos ratos. Mas esta condição é instintiva, ou seja, não proposital ou à base de má índole; a não ser que este rato venha acompanhado de cartas que indiquem uma natureza sádica ou sagaz. Se os ratos não roem, eles acabam morrendo, como todos os roedores, pois seus dentes crescem em proporção acelerada e isso faz com que eles acabem deslocando a mandíbula e morram; portanto, sua natureza é roer! Cabe a nós, termos todos os cuidados para não deixar nossos pertences, alimentos e até mesmo, simbolicamente, nossa energia exposta para este animal.
São animais persistentes, como bem explanou a psicóloga Júlia Tourinho na III Mesa redonda de Baralho Cigano. E isso nos mostra um dos lados favoráveis da icnografia dos ratos.
No baralho, este animal pode simbolizar aspectos tanto negativos quanto positivos. Para facilitar o entendimento citarei alguns:

No amor: (-) desgaste emocional, engolir o veneno emocional sem conseguir 'vomitá-lo'. (+) união, senso forte de companheirismo familiar; e falando nisso, me lembrei da mensagem oculta no filme Ratatouille. ;) 

Na saúde: (-) doenças infecciosas, proliferação de um mal já instalado. (+) experimentos para cura, cobaias medicinais. 

Na profissão : (-) pessoas que nos corroem com suas presas, de maneira instintiva; roubo de idéias e projetos deixados alheio. (+) persistência, espírito de grupo, agilidade, senso de organização, planos 'b'.

Na espiritualidade: (-) comportamentos e hábitos obscuros e noturnos, cegueira dogmática - deixando ser conduzido apelas pelo que ouve. (+) Habilidades de adaptação em qualquer meio, atenção e percepção aguçadas em relação às sombras.

Na finança: (-) cleptomania, perdas por descuido. (+) acúmulo de bens e distribuição igualitária entre os seus.

Refletindo:

Estamos preparados para não sermos pegos por displicência?
Mantemos nossos bens, amores e energia, resguardados do instinto natural de alguns?
Somos persistentes naquilo que se torna nossa necessidade?
Temos um plano 'b'?

Um ótimo dia de 'atenção' para ti.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

A Criança (13 do Lenormand)



Uma carta aprazível para muitos. Mas que também engloba uma série de significados. Vamos perceber que esta carta retrata uma fase em específico do ser humano - sua infância! E como tal, não se trata de um mero 'bebezinho' - desprotegido, indefeso, mudo, e carente de atenção e cuidados especiais.
A Criança do lenormand sempre é encontrada sendo retratada no momento de lazer, geralmente brincando ou passeando em meios as flores e jardins.  Ela está sempre sozinha, sem o acompanhamento de seus genitores. E este aspecto é extremamente relevante na sua interpretação.
A 13, que pode ser o descendente da 28 e 29, é uma carta que se encaixa perfeitamente em quase todos os aspectos de uma leitura, haja vista se tratar de uma 'natureza humana' ou época.
A carta da criança nos remete não só a um simbolismo de descontração, infantilidade, alegria, leveza; mas também a um processo de amadurecimento necessário. Uma fase de aprendizado importante no qual nos tornaremos 28 e 29 bem sucedidos - em todos aspectos.
Se esta criança não for bem educada e disciplinada, com toda certeza, se tornará um ser humano repugnável. 
A composição da carta, como um todo, nos apresenta uma criança bem cuidada, fisicamente; arrumadinha, lindinha, e agradável. Mas sabemos que nem toda fase infantil é fácil de ser controlada. Hoje em dia, com o advento do Estatuto da Criança e as Leis que protegem-as, nos deparamos com um série de limitações educacionais, que antes era imposta e funcionava muito bem.
A criança de hoje não é a criança de uns 20 anos atrás! Isso é claro e notório. Estarmos a par do processo educacional de nossa criança interior é um eterno aprendizado. Esta criança da carta pode sim, e muitas vezes se faz de maneira simbólica na leitura do consulente.
Para que uma criança seja forte, educada, e tenha uma boa índole, é imprescindível a presença forte dos pais e/ou tutores preparados para tal. Quando lidamos com aspectos comportamentais de uma criança, não podemos esquecer que já fomos uma, e uma forma legal de ver isso é olhar para trás; como foi sua infância? Você foi educada pela 28, 29 ou 22 ?
Quando a criança se apresenta em uma leitura, devemos levar em consideração os aspectos infantis da situação, e como eles podem amadurecer e passar por processos de aprendizado. Muitas vezes o consulente não está suficiente amadurecido para lidar com uma determinada questão, e isso pode ser representado pela carta da criança presente.
Outras vezes, o consulente está levando a questão como divertimento, desprovida de responsabilidades e atenção.
Muitas vezes, a 'criança interior' - que nunca cresce, está bem implícita na atuação momentânea do consulente, e/ou ele(a) mesmo não procura encarar as coisas com seriedade.
Alguns leitores vêem a criança literalmente como os descendentes ativos ou futuros do consulente. Isso pode também ser válido. Eu particularmente não costumo fazer esta associação, pois encontramos descendentes de diversas faixas etárias; costumo fazer essa associação com os Valetes - que são de fato descendentes das Rainhas e Reis, e não conotam necessariamente uma fase cronológica.
É importante também ressaltar que, para aqueles que interpretam literalmente a criança, existem N's crianças: boas, educadas, rebeldes, mal educadas, abandonadas, revoltadas, criminosas, delinquentes, e até as autistas - que vivem e crescem, psicologicamente, em um mundo muito particular, longe de nossa realidade. E todos estes aspectos podem ser agregados a uma leitura a partir de suas combinações.
Coincidentemente ou não, a criança do lenormand é composta também pelo Valete de Espadas, que simbolicamente representa: ousadia, coragem, agilidade, espírito jovial, experiência aprendida com a prática (lembre-se - a criança está sozinha, descobrindo e aprendendo com suas próprias experiências).
Portanto, quando nos depararmos com esta carta, vamos observar detalhadamente onde esta criança está brincando. Temos algumas cartas "Temas" no lenormand, e elas podem ser o indicador de onde esta criança precisa caminhar com suas próprias pernas. Apesar de sermos seres coletivos, a criança nos mostra que, na maioria das vezes, devemos caminhar sozinho, sem esperar muito a ajuda do 'outro'.
O processo de amadurecimento e crescimento de cada criança é único! Cada uma tem seus instrumentos, meios, e tempo. E a própria natureza nos faz desenvolver no tempo certo, seja por simples acompanhamento cronológico ou pelas experiências dolorosas - pois é muito mais fácil aprender com a dor, do que com o amor.

E nossas reflexões:

Como anda seu crescimento? Está se nutrindo de coisas sadias ou contaminadas?
Controla sua criança interior? Para tudo há um tempo e local!

Pequeno Príncipe

Os Peixes (34 do Lenormand)



O peixe é o único animal do lenormand que vive em um mundo desconhecido para nós, seres humanos; e que também não possui icnograficamente uma espécie determinante. Quando falamos em peixes nos referimos a qualquer um; e os baralhos o representa à livre vontade. Assim sendo não podemos explorar muito seu comportamento como animal/espécie. 
Na minha opinião, a carta do lenormand que simbolicamente aponta a prosperidade deveria se chamar de carta do Mar e não peixes. Pois o Mar é que miticamente está relacionado à riqueza/prosperidade, em diversas culturas.
Mas a icnografia do peixe faz todo sentido para esta relação de prosperidade. Os peixes desde os tempos remotos, sempre foi a principal fonte de alimento animal do homem, mesmo antes do advento da caça, pois as tribos procuravam estar próximo aos rios e mares para poder sustentar sua família.
Os peixes em sua maioria se reproduzem por óvulos, e de maneira muito quantitativa; matematicamente é quase impossível não encontrar peixes no fundo do mar. Além de termos diversas espécies, temos também cardumes imensos.
Na extremo Oriente o peixe é símbolo de prosperidade, principalmente na China, onde a pronúncia deste animal é semelhante a de prosperidade. Mas, lembrando que este peixe chinês associado a prosperidade é a Carpa. 
(origami de peixe com uma nota de dólar)

Acredito que a riqueza e multiplicidade implícita na figura do peixe, vem mesmo das parábolas cristãs onde os pescadores eram abençoados por Cristo, como exemplo da "moeda na boca do peixe" [Veja aqui], e o mesmo em determinado momento fez com que peixes se multiplicassem para alimentar o povo.
Vou ressaltar que a definição interpretativa mais propícia para a carta do peixe é prosperidade e não necessariamente riqueza material. Apesar da riqueza também estar inculta no comércio desde animal de maneira expansiva através de sua pesca. Mas, quando nos remetemos a riqueza, é também conveniente lembrar que o Mar sempre foi o grande cofre da humanidade. Onde diversos navios naufragavam com seus tesouros e ainda hoje não foram encontrados, assim sendo, os peixes se tornam simbolicamente guardiões deste tesouro material.
Os deuses marítimos, na mitologia mundial, também são associados aos portadores da riqueza dada aos homens. (Chinês- Da Yu; Grego- Posseidon; Celta- Manannán; Irlandês- Lir; Africano- Okum. etc.)
A Prosperidade representada na carta dos peixes tem uma conotação ampla, não se trata apenas de uma prosperidade física, ele pode ser sim, e deve, ser expansivo a todo tipo de abundância: material, emocional e espiritual.
A carta dos peixes nos permite vagar por uma série de interpretações, não só a questão de riqueza/prosperidade. Por exemplo:
No amor: Uma relação cercada de emoções profundas (água do mar)
Na saúde: Uma saúde de longevidade e sadia (pois sabemos que os peixes são ricos em nutrientes fundamental para à vida)
Na profissão: Uma situação na qual precisamos nos aprofundar, e conhecer um mundo diferente.
No social: Um meio onde a comunidade pode ser unida, por cardumes, e expansiva.
No financeiro: Um quantitativo significante de riqueza material - dinheiro.





Não esqueçamos que apesar do peixe sempre ter sua multiplicidade e geralmente estar abundante nos mares, existe situações e momentos que: " O mar não está para peixes" ;) . Então, não vamos abusar desta prosperidade e perceber também que toda carta tem seus polos - positivo e negativo. É fundamental em que situação e condição esta carta do peixe se encaixa na leitura.

Para reflexão:

O que é prosperidade para ti?
Tens mantido em segredo aquilo que conquista?
Prefere o peixe ou a vara para pescá-lo?

Um dia cheio de prosperidade para ti.