quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ósóròngá - as "bruxas" na cultura Iorubá.



Na liturgia tradicional Yoruba a que deu origem a Afro-brasileira, a Mãe Universal é denominada como a própria Terra-Negra, consequentemente possuindo vários nomes referentes a seus vários aspectos, não só dentro do âmbito natural como também dentro de vários âmbitos religiosos Yorubà. Um de seus títulos mais respeitado é ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ, nome que é cultuada na “Sociedade Òsòróngà”. Já na sociedade Òrìsà onde é cultuada primordialmente junto com ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, principalmente por ser o âmbito que ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ entra ritualmente no contexto feminino na interação com o oposto através de tudo que é Branco, se relacionando intimamente no culto da cabaça de Efun, atuando como um significante complemento na formação do Par universal e sobrenatural, ou seja, a união dos opostos refletida numa visão da união de ÒÒRÌSÀNLÀ como o esposo mítico da grande Mãe Òrìsà ÌYÀMÌ-NLÀ, renomeada necessariamente com o nome de ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ onde é primordialmente proprietária da cor vermelha, cor símbolo da vida, fonte de energia, poder sobrenatural, vivacidade, crescimento, dinamismo, movimento, possibilidade, sensibilidade, fertilidade. 

Somente após a união ritual do branco com o vermelho, os quais unidos ritualmente são aspecto rituais capazes de dar existência à algo, tanto espiritual quanto físico, ou seja, a única forma de se fazer nascer ritualmente a força de um determinado Òrìsà no culto e principalmente numa cabeça de Yawo, como também expressam a forma de união dos gêneros (macho e fêmea) presidindo o nascimento de seres físicos no planeta.No culto chamado Awo-Funfun, ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ é conhecida como a Mãe vermelha, onde necessariamente é mantida com esse mesmo nome, estruturalmente cultuada como esposa mítica de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, onde entre muitos títulos classificados funfun’s (primordiais) é também chamada de IYEMOWO (mãe que possibilita dinheiro à suas filhas), ou seja, os búzios, elemento este símbolo da riqueza e ancestralidade de todas as Iyagbas, pertencendo primordialmente a Bàbáluàiyé o Òrìsà que possibilita riquezas matérias. Este fato é comprovado na iniciação de um Yawo seja à ÌYÀMÌ ou IYEMONJA, quando irrevogavelmente tanto em pequenos ou grandes rituais, seus Elegun’s saem à público com suas roupas Vermelha ou Branca completamente cobertas de Aje ( Búzios), num pedido único de riqueza seguidamente expressando a antigüidade desse Supremo Òrìsà feminino, seja qual for seu aspecto. 

Dizer que ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ não é um Òrìsà, ou dizer que Ela simplesmente não tem iniciação num culto próprio, é indiscutivelmente incorrer numa enorme falta de conhecimento referente a ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ.

O que é preciso distinguir sobre o nome ÒSÒRÓNGÀ, que é nada mais nada menos, que uma Sociedade executora de rituais aos ancestrais, onde ÌYÀMÌ encabeça como a matriarca das IYÁ-MI (minhas mães), ou seja, tanto Òrìsà’s Obirin (fêmeas) quanto os espíritos das Mães remotas e recentemente desencarnadas (Egungun feminino), cultuadas num complexo de ascensão a feminilidade, onde o homem principalmente tem seu precioso desempenho, administrando as forças femininas, num outro tipo de interação dos opostos, agora força sobrenatural feminina somada a força física masculina, ato precioso para ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ, que abençoa os homens com fecundidade através de Òòrìsà’nlà. Desta maneira está comprovado que homens capacitados pode sim, administrar pequenos e grandes rituais à ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ,até porque hoje, o fato de incorrer os homens à não cultua-la, foi devido uma pequena deturpação que aconteceu na Bahia/Salvador, quando um séquito de mulheres praticavam rituais às GÈLÈDÈ’s abstendo os homens a participarem de tais ritos, “era tanta força que elas tinham que o culto acabou se extinguindo completamente”,fato que deu origem a uma irmandade de mulheres de crença Católica... fatos que para os Yorubanos não tem coesão alguma referente ao culto de GELEDE, o que na verdade, é outro departamento em que ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ está inserida de forma complexa distinta comparado ao seu culto próprio.

Note bem, como faz uma grande diferença de acentuações do nome ÌYÀMÌ (poderosa e respeitável Mãe), o que torna totalmente diferente do nome IYÁMI (minha mãe), tanto na escrita quanto na característica verbal desempenhada no título. Por isso, tanto na sociedade ÒSÒRÓNGÀ quanto na sociedade Òrìsà, ÌYÀMÌ mãe universal, é, e deve sempre ser cultuada como o núcleo feminino, como também na interação do seu oposto, que é o próprio ÒÒRÌSÀNLÀ, o Pai Universal. 

Na verdade, ÌYÀMÌ é uma poderosa força singular que atua naturalmente como uma matriarca, num tipo de canalizadora do poder sobrenatural ou físico feminino, particularidade especial que cada uma Elas desempenham um tipo de função diferenciada, mas primeiramente como verdadeiras fontes geradoras de vidas, onde todas estão voltadas para a Grande Mãe que é o Òrìsà ÌYÀMÌ, atuando como base estrutural da vida, que em natural oposição preside a morte. Fato que comprova sua estreita relação com os Egunguns. Por isso, explicitamente de forma figurativa é afamada também como a Dona dos Mares, ou seja, o próprio útero mítico planetário, possuindo suas Águas Verdes ou Azuis, cores estas oriundas do Negro, o que comprova sua inteira relação com a morte e consequentemente com Egungun, fato que recebe o nome de ÌYÉMÒNJÁ-ÒDUÀ, possuindo poderosamente uma característica anfíbia associada ao Mar e a Terra. Por isso ÌYÀMÌ seja sob o titulo de ÒSÒRÓNGÀ ou IYÉMÒNJÁ, é uma única Grande Mãe, que irrevogavelmente está naturalmente e ritualmente relacionada a uma condição anfíbia, possivelmente cultuada Tanto na Água quanto na Terra com nomes distintos, o que faz da grande Mãe Poderosa em seus vários aspectos rituais, quando acontece suas transmutações no âmbito natural e no âmbito religioso. Comprovamos isso no culto de Egungun, onde ÌYÀMÌ é a primordial proprietária do Mel (elemento natural), cujo alimento é muito utilizado no culto à todo os Egungun (ancestral), principalmente SÀNGÓ. Já dá para perceber, o verdadeiro motivo que nas rodas de SANGO se louva tanto IYÉMÒNJÁ-ÒDUA, não havendo veracidade no fato de SANGO ser uma prole direta de IYÉMÒNJÁ e sim porque IYÉMÒNJÁ é a Mãe mítica de todos os seres vivos, e principalmente pela condição de SANGO ser um memorável e grande Egungun desencarnado, o qual é cultuado aqui no Brasil equivocadamente como um Òrìsà, onde acabou sendo confundido com os próprio Òrìsàs JAKUTA e AGANJU, nos quais SANGO foi iniciado individualmente quando vivo.
Este é o verdadeiro fato que ÌYÀMÌ ÒSÒRÓNGÀ necessariamente, com o nome de IYÉMÒNJÁ, é louvada nas Rodas de SANGO, ou seja, é também inserida nos rituais do grande Egungun-Sango, representante primordial do séquito ancestral Yorubà, fato ignorado aqui no Brasil pela maioria dos que exercem o titulo de Babalorisá e Iyalorisá. Pois até os Uruguaios e Paraguaios corrigiram este assunto, e já estão bem a frente comparado ao Brasil no tocante a SANGO. 
Voltando ao contexto feminino, ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ é uma Poderosa força voltada ao principio feminino, principalmente na função do Útero, Seios e Regra Menstrual, uma Mãe dotada de liderança, justeza, parcialidade e irritabilidade efêmera, possuidora de Astúcia e Sabedoria.
Na sociedade das GÉLÈDÈ (mascaras), Ela é também chamada pelo nome ÌYÀMÌ-AKO, titulo que faz referencia ao Pássaro “Wako-wako” representante de sua principal expressão Animal Alado e Caçador. No culto GÈLÈDÈ, acontece a saída seqüencial das mascaras, onde a mascara AKO encabeça o titulo de IYALODE (primeira dama da sociedade). ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ é ainda chamada ÌYÀMÌ-AKOKO (Poderosa e respeitável Mãe ancestral Suprema), pois este titulo entre alguns outros é somente uma referencia a antigüidade da Terra (O planeta).

Ìyàmì-Òsòróngà = Poderosa Mãe cultuada na Sociedade Osoronga. 

Ìyàmì-Ajé = Poderosa Mãe administradora do Poder Sobrenatural. Titulo em alusão quando seu culto é realizado na LUA NOVA na finalidade de utilização dos poderes sobrenaturais em defesa a uma agressividade (feitiço), ou relacionado aos projetos, ideais, envolvimentos e recolhimento de Yawo. “Por ser o ciclo mais escuro da lua”. 

Ìyàmì-Eleye = Poderosa Mãe Proprietária dos Pássaros. 

Ìyàmì-Oduwà = Poderosa Mãe proprietária do recipiente da existência (o mundo). 

Oduduwà = Recipiente Negro Existencial (A Terra figurativamente Negra)
Ìyàmì-Odu = Recipiente – Útero – Cabaça – O Planeta – Ovo – Esfera existencial. 
Ìyàmì-Alaiye = Poderosa Mãe proprietária de toda extensão Terrestre. 
ÌYÀMÌ-EKUNLAIYE = PODEROSA MÃE QUE INUNDA A TERRA COM ÁGUA... 
Ìyàmì-Iyemonja = Poderosa Mãe senhora que possui muitos filhos como cardumes de Peixes. “Uma alusão a sua qualidade anfíbia a quantidade de ser humanos existentes na terra comparada aos peixes no Mar”. (Titulo relacionado a Egun e não a Ogun como muitos erradamente afirmam)
Ìyàmì-Iyemowo = Poderosa Mãe que é o próprio dinheiro de suas filhas (búzios). “Uma alusão a grande quantidade de búzios que utiliza em suas roupas” (Titulo que é cultuada no culto de Orisanlá). 
Ìyàmì-Omolu = Poderosa Mãe a filha sagrada de Deus. (Título que é cultuada ao lado de Obaluwaiye)
Ìyàmì-Omolulu = Poderosa Mãe rainha das formigas. “Uma referencia ao fato de estar associada ao subsolo (Título que é também cultuada no culto de Obaluwaiye)”.
Ìyàmì-Ori ou Iya-Ori = Poderosa Mãe das Cabeças. “Uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de sacrifício animal sobre uma cabeça”. (Titulo que é também cultuada nos ritos de Bori).


Ìyàmì-Buruku = Poderosa Mãe Antiga. Uma referencia ao planeta na sua Antigüidade existencial. 
Ìyàmì-Agba = Poderosa Mãe ancestral associada ao poder feminino. 
Ìyàmì-Ako = Poderosa Mãe que é o pássaro Ako. Titulo referente ao 3o dia da lua cheia e a seu culto exatamente na sociedade das Geledes. 
ÌYÀMÌ-IYELALA = PODEROSA MÃE SENHORA DOS SONHOS. (RELACIONADA À REVELAÇÃO DE SITUAÇÕES ATRAVÉS DE SONHOS). 
Ìyàmì-Ayala = Poderosa Mãe esposa daquele que é o Céu. “Uma referencia ao fato da Terra ser coberta pelo Céu o próprio Orisanla”. 
Ìyàmì-Onilé = Poderosa Mãe proprietária da Terra. “Titulo referente a reverencia e aos rituais realizados dentro da terra”. Outra referencia é ao fato de ser o lugar mais próprio de se cultuar toda classe de espíritos, na qual Ela é a grande apaziguadora desses espíritos ou forças rebeldes. Numa única função de tranqüilizar, apaziguar ou neutralizar qualquer tipo de força oculta agressiva. 


ase o!



ORIKÍ TI IYAMÍ ÒSÒRÒNGÁ

MO JÚBÀ ÈNYIN ÌYÁMI ÒSÒRÒNGÁ

O TÒONÓN ÈJÉ ENUN

O TÒOKON ÈJÉ ÈDÒ
MO JÚBÀ ÈNYIN ÌYÁMI ÒSÒRÒNGÁ
O TÒONÓN ÈJÉ ENUN
O TÒOKON ÈJÉ ÈDÒ
ÈJÉ Ó YÈ NÍ KÁLÈ O
Ó YÍYÈ, YÍYÈ, YÍYÈ KÒKÒ,
Ó YÍYÈ, YÍYÈ, YÍYÈ KÒKÓ.



Meus Respeitos A Vós Minha Mãe Òsòròngá

Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue Interior

Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue, Do Coração E Do Fígado.

Meus Respeitos A Vós Minha Mãe Òsòròngá
Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue Interior
Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue, Do Coração E Do Fígado.
O Sangue Vivo Que É Recolhido Pela Terra Cobre-Se De Fungos.
Ele Sobrevive, Sobrevive, Ó Minha Mãe Velha,
Ele Sobrevive, Sobrevive, Ó Minha Mãe Velha. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Saudades dos Orixás.




Essa semana estava conversando com um amigo sobre o candomblé de hoje em dia, e fazendo algumas comparações com os de "antigamente". 
Me recordo claramente minha aflição por ter que ficar recolhido 3 meses dentro de uma roça; ter que acordar as 4h da manhã para tomar banho de ervas no Tempo - inverno, me recolhi no mês de agosto; de ter que tomar um mingau insosso; de comer alimentos sem temperos e pouco sal; de dormir em uma esteira no chão de terra batida; de acordar a qualquer hora para uma série de rezas; de ter que andar de cabeça baixa; e tantas outras coisas.

Hoje, sinto saudades de meu "barco", dos meus irmãos e de meu babalorisà - que faleceu ano passado. Se passaram 21 anos e muita coisa mudou; o candomblé de antigamente, quase extinto, dá lugar a uma nova modernidade. 

Antes, "Orixá" era simples sem deixar de ser belo; hoje é glamour, brilhando mais que alegoria de escola de samba. 
Antes, "Orixá" era humildade; hoje é Ego exacerbado.
Antes, "Orixá" era pura Natureza (de Natural); hoje é robótico (de programado).
Antes, "Orixá" era Fé e Devoção; hoje é comercial e profissão.
Antes, "Orixá" era Pai e Mãe espirituais; hoje são juízes e carrascos.
...

Ah, não vou ser tão radical. O tempo muda mesmo e não devemos ficar presos a conceitos tão primitivos. Mas hei de convir que, mesmo com nossa modernidade, é imprescindível que mantenhamos alguns aspectos devocionais inalterados. Mas estou sendo bem sincero quando digo que me assusta até onde essa modernidade vai parar.

Alguns aspectos litúrgicos devem e podem ser mudados, como por exemplo a imolação; que hoje não caberia mais em seu real propósito, que era de alimentar o povo. Afinal de contas, as pessoas hoje, em sua grande maioria, vai as casas de asè para beber, sim BEBER! Chega a ser engraçado quando alguns me convidam a uma festa de Orixá, e logo e tentam me convencer a ir porque vai ter 100 caixas de cerveja. 

Enfim, enquanto as pessoas não souberem desenvolver discernimento espiritual, jamais entenderão a diferença entre Orixá e "candomblé atual". 

Espero que os verdadeiros Orixás não tenham morrido, afinal os deuses também não são eternos; e sim, estejam escondidos ou pegado o "caminho de Aruanda" de volta para casa.

Que Iyá Omo ejá e Osò òsí abençoe a todos nós com discernimento e responsabilidades espirituais.

Luqiam (28-10-13)

A Arvore




A árvore sempre será sinal de bons auspícios.

Fonte de vida para diversas espécies; seja com seus frutos, suas propriedades medicinais, sua fotossíntese, sua sombra... e em tempos remotos um lugar de proteção contra os predadores.

A Árvore é um dos bens mais estimados da natureza. Quando não semeada propositalmente, a natureza dá um jeito de fazê-la por meios de pássaros, ventos, excrementos animais. etc.

Na cartomancia ela está presente direta ou indiretamente: no baralho Lenormand em sua carta 5 (a árvore), no Tarô em sua carta 12 (pendurado) e nos naipes, em "paus".

Na cultura Rom, sempre que se tinha uma noticia de gravidez na família, a avó plantava uma semente e cuidava zelosamente de sua germinação e crescimento até a criança completar a idade de 13 anos. Essa árvore era constantemente limpa e regada como a representação simbólica, quiçá mágica, dos cuidados à saúde da criança.

A "figura" da árvore está presente como protagonista até nas mais remotas histórias, como por exemplo da Bíblia - a árvore do conhecimento.

Fico a me perguntar: até que ponto vai a importância desse Ser entre nós? Será que existe algo "além", que ainda não percebemos? Já se perguntaram: Por que me sinto tão bem entre as árvores, por exemplo, em uma floresta?

Voltando ao Lenormand, essa carta é uma das mais importantes a serem analisadas em um lançamento; ela irá indicar a própria vida do consulente diante a situação apresentada. Geralmente a associo a própria saúde do consulente, seja ela mental ou física.

Essa carta pode está direta e indiretamente ligada a algumas outras cartas do baralho, e com essas pequenas observações, podemos ampliar nossa interpretação nas leituras.

Ao Cavalheiro (01) - como local de descanso diante uma longa cavalgada.
Ao Trevo (02) - como base para sua proliferação.
Ao Navio (03) - como matéria prima para sua construção; ou a queima para combustão (em navios a vapor).
A Casa (04) - como matéria prima para construção; ou puro ornamento.
As Nuvens (06) - formadas a partir da condensação.
A Serpente (07) - habitat e esconderijo de algumas.
O caixão (08) - matéria prima.
As Flores (09) - quando florescem.
A foice (10) - matéria prima para a haste que sustenta a lâmina.
O Chicote (11) - matéria prima utilizando seus cipós ou raízes.
Os Pássaros (12) - Como local para a construção dos ninhos.
A Criança (13) - Local para diversão - balanços e gangorras.
A raposa (14) - Como esconderijo.
O Urso (15) - Como fonte de prazer - Algumas espécies de ursos se esfregam em arvores para se coçar.
A Cegonha (17) - Construção de ninhos.
O cão (18) - Instrumento de demarcação territorial.
A Torre (19) - Os primeiros pontos de observação e proteção de fortalezas foram em árvores altas.
O Jardim (20) - Fornece sombra e frescor.
A Montanha (21) - Árvores em seu sopé adiam seu processo de erosão.
Os caminhos (22) - Sinalizadores ou marco de referência.
Os ratos (23) - Fuga de predadores; fonte de alimento.
O Coração (24 - Causa tranquilidade e bem estar.
O Anel (25) - Alguns casais tem hábitos de entalhar suas relações em seus troncos.
O livro (26) - Matéria prima do papel.
O Envelope (27) - resina usada para colar selos e selar o envelope.
Homem e Mulher (28 e 29 ) - fonte de alimento, sombra, descanso, lazer e diversão.
Os Lírios (30) - se tornam mais resistentes quando plantados aos pés de uma árvore.
A Chave (33) - Os primeiros instrumentos de abertura e fechadura de trancas eram de madeira.
Os Peixes (34) - A vida nasce nas raízes das árvores mangais.
A Âncora (35) - As primeiras embarcações fenícias eram "ancoradas" em árvores.
A Cruz (36) - Matéria prima original.

Observem que os luminares (Sol, Estrela e Lua) ficaram de fora, porque interagem de maneira inversa: eles influenciam a germinação, crescimento e morte das árvores; fazem parte de sua manutenção.

Luqiam Osahar (28-10-13)

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Runa LAGUZ

LAGUZ / LAGU


“byth leodum ... langsum gethuht,
Gif hi sculun nethan on nacan tealtum
And hi saeytha … swythe bregath
And se brimhengest bridles ne gymeth.”



A água para os marinheiros de primeira viagem parece vasta demais
Se eles tem de subir no cavalo marinho galopante,
E as ondas do mar os assustam excessivamente,
E o cavalo do mar não obedece seu freio.




O verso para laguz, “água”, continua nessa tendência negativa. O homem é um animal da terra, forçado a entrar num ambiente estranho em um navio-cavalo que é sempre incontrolável, voltamos a imagem do cavalo imprevisível. O cavalo incontrolável e as ondas selvagens reduzem o homem à carne amedrontada. Enquanto que em “sowelu”, homens do mar olhavam para o sol com esperança e confiavam em seu navio-cavalo, esses “homens da terra” ( provavelmente escravos, ou homens desprovidos de coragem e esperança, cheios de medos e sombras), temem o poder da água sob o barco e fracassam no controle do navio. Em “mannaz” e “laguz” o homem é encontrado em sua maré mais baixa.

Esta runa, em oposição a sowelu, o “sol”, representa a lua. A lua no contexto psico/espiritual está ligada à nosso inconsciente, portanto representa todos os nosso medos e frustrações que decorreram de um longo acumulo de experiências desde nossa estada no útero materno, muitos traumas estão ligados a esta fase. Quando mergulhamos nesse mundo sombrio da lua, nos encontramos com tudo aquilo que temos que enfrentar para desenvolver um estado de evolução elevado, o homem sem medos é o homem livre.

Esta runa foi encontrada em diversos artefatos enterrados com gravações de maldiçoes destinada a levar o infortuno ao mundo mental da vitima, assim sendo, chegamos a conclusão de como esse símbolo agia de forma densa no plano psicológico. Provavelmente eram maldiçoes destinada a levar a vitima à loucura, desencadeando assim uma serie de alucinações que estavam ligadas aos medos e as sombras, ou até mesmos aos referidos traumas de infância.
                                              


Na leitura divinatória, pode significar :


Plano material – frustrações, decepções, perdas, roubo, fazer uma leitura do passado para não cometer novos erros.
Plano abstrato – insegurança, medos, traumas, auto estima baixa.
Plano sentimental – descontrole emocional, perdas amorosas por insegurança, ciúmes e obsessão, falsos amigos.
Plano da saúde – problemas psicológicos, depressão, comportamento compulsivo.

Plano espiritual – intuição aguçada, poder de cura através da água, ligação intima com o plano paralelo, sacerdócio, dom da visão ( mediunidade).

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Runa MANNAZ

MANNAZ / MANN

“byth on myrgthe ... his magn leof,
Sceal theah anra gehwylc … othrum swican,
For than dryhten wyle dome sine
Thaet earme flaesc eorthan betaecan.”


Um homem em sua alegria é querido por seus parentes
Ainda que cada um possa decepcionar o amigo que ama
Pois o Senhor em seu julgamento destinará
Esta desafortunada carne à terra.





O verso para mannaz, “homem”, destrói a imagem da força e do poder tão cuidadosamente construída nos primeiros versos do aett. Esse verso é surpreendentemente negativo. Não há nada igual a ele nas estrofes anteriores. O verso para “homem” apresenta um estado inculto : feliz, cuidadoso e amado, e então, de repente ou até consequentemente, nada. Neste verso há um distinto onipotente do qual o homem é ‘objeto’. Ele apresenta uma imagem do qual a vida tantas vezes parece ser, afirmando que não há nada mais par o homem além da carne. Aqui a “sorte para o julgamento” lançada na estrofe de abertura, fracassa. A implicação é que isso sempre acontece da maneira errada.

No entanto, na visão ambivalente deste verso, nos mostra com clareza que o homem também pode ser amado e querido por seus parentes, uma forma de amor, muitas vezes incondicional, se tratando de maternidade/paternidade, e essa condição faz do homem uma ajuda ao outro, condizendo com as mesmas expectativas.

Pesquisas arqueológicas encontraram na Islândia gravações desta runa em artefatos que simbolizavam laços de amizades, por exemplo: em armaduras e instrumentos de guerra que eram confeccionados para presentear, no entanto não se sabe ao certo se nessas inscrições havia algum significado mágico no sentido de proteção contra as decepções que esses prováveis laços de amizade trariam, entretanto, uma coisa é certa, de que mannaz simbolizava essa ligação entre as tribos, fortalecendo de alguma forma os laços no caso de precisarem de ajuda.


Na leitura divinatória pode significar:


Plano material – associações comerciais, ou ajuda de amigos/ “terceiros”, fortalecimento de laços familiares, brigas com questões de inventario/herança.
Plano abstrato – desconfiança, falsidade, materialismo, amor incondicional, inveja.
Plano sentimental – traições , falsos/verdadeiros amigos, conselho de terceiros, desavenças,  pré-julgamento.
Plano da saúde – busca por orientação médica, dependência física, problemas de saúde hereditários.

Plano espiritual – ajuda de um sacerdote,  conselho, limpeza espiritual.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Orixá regente de "anos novos" ???


Há alguns anos uma onda de leitura anual para regência de orixás vem acontecendo. Mas isso não é nenhuma novidade, apenas se tornou "popular".

Bem, vamos esclarecer alguns pontos que vale a pena ser ressaltados:

1- Não existe essa coisa de Orixá regente do ano para "todo mundo".

Explicando: Orixá rege aquele que se dedica a egrégora dele; portanto, não seria apropriado determinar que um Orixá será regente de todos. O que acontece em algumas casas tradicionais de Asè ,é que, o babálorisà ou a Iyálorisà ira conversar com os orixás para ver quem se propõe a "olhar" ou "cuidar" dos filhos daquela determinada casa durante o ano que se inicia. 

Por isso, uma determinada casa de Asè terá seu Orixá regente, expandindo essa influência por todos seus descendentes ( as casas nascidas na mesma tradição, ou como dizemos no Asè : das "mesmas águas".

2- Dentro da tradição iorubá, não se conversa com esse orixá regente através da numerologia pitagórica, e sim através do Meríndìnlogum (Jogo de búzios). Portanto, não considero válido os cálculos numéricos a base dos números que compõe o ano a seguir. Muitos o fazem, e não vou descriminar essas interpretações - cada um segue aquilo que crê e TODOS devem ser respeitados.

Agora, digamos que algum babálorisà ou Iyalorisà resolva conversar com Ifá para saber a "Influência" de algum Orixá sob uma região ou população. Pode ? SIM ! E nestes casos a conversa é com os Odús; que, através de seus Omo Odús (caminhos) podem indicar não só um Orixá, mas talvez um grupo de Orixás que influenciarão determinadas épocas, naquela região. É semelhante as consultas a Ifá sobre as regiões em que as vitórias eram garantidas através dos Odus, em épocas remotas pelas tribos daomeanas.

Como e quando pode ser feita essa consulta ( para a região ou população) ?

Nos Itàns de Odú, quem determina os caminhos e assegura as influências negativas e positivas é o Odú Iká - o décimo quarto. 

Para os nossos ancestrais africanos, a Lua cheia (Àsùpá) era vista como os olhos de Olòorúm sob a Terra, nos momentos de escuridão. Reverenciavam essencialmente as Lua Cheia e Lua Nova ( ambas visivelmente em sua totalidade ), apenas com a diferença entre o dia e a noite. ( A lua em sua totalidade cheia vista a noite caminha em oposição ao Sol . A Lua Nova também se apresenta em sua totalidade; mas, muitas vezes não a vemos porque ela caminha durante o dia seguindo o Sol). Mas, ambas são chamadas de Àsùpá.
Então, a partir da última Lua Nova do ano se conta 14 dias (nascer do sol) para trás - sentido anti horário; e cairá em um àsùpá noturno; neste exato dia começam uma séries de rezas a Iká, até que se complete os 14 dias em que àsùpá se tornará diurno; e neste momento é que Iká se abre a revelação das influências divinas sobre a Terra.

Neste ano (2013), eu vou fazer esse tipo de leitura exatamente no dia 02 de dezembro (última lua nova de 2013). Aí, então, terei o Orixá ou Orixás que influenciarão minha terra. Entretanto, eu vou estar sob a "regência" de um Orixá determinado pela minha casa tradicional ancestral, que é o Engenho Velho (Casa Branca) em Salvador.

Espero ter esclarecido.


Runa EHWAZ

EHWAZ / EH


“byth for eorlum ... aetheling wyn,
Hours hofum wlanc … thaer him haeleth ymbe
Welege on wicgum, wrixlath spraece,
And bith unstyllum … aefre frofur.”

O cavalo ante os nobres é uma alegria principesca
Destacando-se orgulhosamente quando falam dele
Os ricos cavaleiros à sua volta
E para alguém que é inquieto, é sempre um consolo.




Ehwaz ( Eh ), está aparentemente relacionada com o mundo de desenvolvimento do álamo, o poema volta ao “cavalo”, que já ocorreu em versos anteriores, mas somente agora foi dado a ele o status de toda uma runa. O cavalo era considerado um animal sagrado pelo potencial físico adicional que dava ao cavaleiro. Na ordem do alfabeto rúnico, é reservado para este aett final, o aett da transcendência. Aqui o “cavalo” representa o veiculo físico que transportará e ajudará o homem em sua viagem para dentro do desconhecido. Ele pode ser visto como simbolizando o corpo físico que deve ser treinado e cuidado para fazer seu trabalho melhor. Um bom cavalo é considerado no verso como fazendo um “aetheling”, “um príncipe”. Esta runa também nos transporta a um contexto de rapidez, haja vista, que a dinâmica e potencialidade de um bom cavalo também era medida pela sua velocidade.

Em algumas pesquisas direcionadas ao uso mágico das runas, encontramos inscrições de ehwaz sendo utilizada em palíndromos, como forma de selo para confirmar o feitiço ou maldição. Sendo assim, temos mais uma nova interpretação para esta runa, como sendo uma runa de “selo” para dar veracidade ao encanto, ou como “guardião” do feito, não se sabe exatamente se esta função era também atribuída aos cavalos, mas é certo a condição sacra deste animal na comunidade rúnica.




Na leitura divinatória, pode significar:


Plano material – viagens de negócios, persistência em um objetivo, novos empreendimentos de sucesso, promoções, status social elevado.
Plano abstrato – resistência, controle emocional, altruísmo, verdade, sigilo.
Plano sentimental – relações passageiras, sedução aguçada, libido, aventuras emocionais, meio social não muito confiável.
Plano da saúde – problemas de saúde passageiros, desgaste físico. 

Plano espiritual – busca de um caminho, ceticismo, dom para magia mental.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A ORIGEM DA RELIGIÃO AFRICANA NO BRASIL


Irmandade da Boa Morte 

A instituição de confrarias religiosas sob a égide da igreja católica separava as etnias africanas, os pretos de angola formavam a venerável Ordem Terceira do Carmo, fundada na igreja de Nossa senhora do rosário do pelourinho; os daomeanos (gêges) reuniam-se sob a devoção de Nosso Bom Senhor Jesus das necessidades e redenção dos homens preto na capela do corpo santo, na cidade baixa (Salvador); os nagôs, cuja maioria pertencia a nação Keto, formava duas irmandades: uma de mulheres, a de Nossa Senhora da ao Morte e a outra reservada aos homens, a de Nosso Senhor dos Martírios.
Essa separação por etnias completava o que já havia esboçado a instituição dos batuques do século precedente e permiti aos escravos, libertos ou não assim reagrupados, praticar junto novamente, em locais situados fora da igreja e culto do seus Deuses africanos.
Varias mulheres energéticas e voluntariosas originárias de keto, antigas escravas libertas, pertencentes a Irmandade da Boa Morte da igreja da barroquinha, teria tomado a iniciativa de criar um terreiro de candomblé, chamado Iyá Omi Àse Àirá Intilé. As versões sobre o assunto são diversas e bastantes relativas as diversas peripécias que acompanham essas realizações, os nomes dessas mulheres são até mesmos controversos, duas delas chamadas Iyalusso Danadana e Iyamasso Akalá, segundo uns, e Iyamasso Oká, auxiliadas de um certo Baba Assik saudado como Essa Assiká no padê do qual falaremos mais tarde, teriam sido as fundadoras do terreiro de Asé Airá Intilé. Iyamasso Danadana, segundo consta, regressou a áfrica e lá morreu, Iyanasso teria pelo lado viajando a Keto acompanhada por Marcelina da Silva. Não se sabe exatamente se essa sua filha era de sangue ou espiritual, porem se sabe que seu nome espiritual era Obatossi.
Marcelina Obatossi fez-se acompanhar nessa viagem por sua filha Madalena, após sete anos de permanência no Keto, o pequeno grupo voltou acrescida de suas crianças que Madalena tivera na África, e grávida de uma terceira, Claudina.
Iyanasso e Obatossi trouxeram do Keto, além dessas filhas e netos, um africano chamado Bangboxé, que recebu o nome de Adlfo Martins de Andrade ao chegar na Bahia , e saldado como Essa Obitikô.
O terreiro situado, quando de sua fundação, por trás da barroquinha (Salvador) mudou-se por diversas vezes e após haver passado pelo Calabar (Salvador), na baixa de são lázaro, instalou-se sob o nome de Ilê Iyamasso na Av. Vasco da Gama, onde ainda hoje se encontra, sendo familiarmente chamado de “Casa Branca” do engenho velho, e no qual Marcelina Obatossi tornou-se a Mãe de santo após a morte de Iyamasso.

Casa Branca

Verifica-se uma ligeira divergência na versão dada por dona Menininha relativas as origens de terreiros na barroquinha, o nome de Iyalusso Danadana não é mensionado, a primeira Mãe e santo teria sido Iya Akalá, que tendo regressado da África, aí mesmo veio a falecer, e a segunda Mãe de santo teria sido Iyamasso Oká.
Não se sabe com precisão a data de todos esses acontecimentos, pois no inicio do século XIX, a religião católica era a única autorizada; as reuniões de protestantes eram só toleradas para estrangeiros, o islamismo, que provocara uma serie de revoltas de escravos entre 1808-1835 eram formalmente proibidos e perseguido com extremo rigor, os cultos aos Deuses africanos eram ignorados e passavam por práticas supersticiosas. Tais cultos teria caráter clandestino e as pessoas que neles tomavam parte eram perseguidos pelas autoridades.
Por volta de 1826, a policia da Bahia havia no decorrer das buscas efetuadas com o objetivo de prevenir possíveis levantes de africanos, escravos ou livres na cidade ou nas redondezas recolhidos atabaques, espanta moscas e outros objetos que pareciam mais adequados ao candomblé do que uma sangrenta revolução. Um artigo do jornal da Bahia , de 3 de maio de 1855 faz alusão a uma reunião da casa de Ilê Iyamasso, foram presos e colocados a disposição da policia, Cristovam Francisco Tavares, africano amancipado, Maria Salomé, Joana Francisca, Leopodina Maria da Conceição, Escolástica Maria da Conceição, crioulos livres, os escravos Rodolpho Araujo Sá Barreto, mulato Melonio, e as africanas : Maria Tereza, Benedita, Silvana ... que estavam no local chamado engenho velho, numa reunião que se chamava candomblé; é curiosos encontrar nesse documento o nome, pouco comum de Escolástica Maria da Conceição, o mesmo com o qual teria sido batizada Mãe Menininha, 35 anos mais tarde, a famosa Mãe Menininha do Gantois, cujos pais a essa época sem duvida freqüentavam ou faziam parte do terreiro de Ilê Iyamasso, onde houve a ação policial.
Com a morte de Marcelina Obatossi, foi Maria Julia Figueiredo, Omoniké Yatalodé, também chamada de Erelú na sociedade do Geledê (Culto às Iyami Oxorongá), que se tornou a nova Mãe de santo. Isso provocou sérias discussões entre os membros mais antigos do terreiro de Iyamasso, tendo como conseqüência a criação de dois novos terreiros originários do primeiro, Julia Maria da Conceição Nazaré, cujo orixá era Dada Baayami Ajakú, fundou o terreiro chamado Iyá Omi Asè Iyamassé, no alto do Gantois, Eugenia Ana dos Santos, aninha Obabii, cujo orixá era Xangô , auxiliada por Joaquim Vieira da Silva, Obasanya, um africano vindo do Recife e saudado essa Oburô, no padê ao qual foi feita a alusão, fundaram outro terreiro saído do Ilê Iyamasso e chamado Centro Cruz Santa do Axé do Opô Afonjá, que foi instalado em 1910 em São Gonçalodo retiro, depois de o Axé ter funcionado provisoriamente num lugar chamado camarão do rio vermelho.
Sob o impulso dessa grande Mãe de santo, o novo terreiro rapidamente se igualou aos outros e talvez tenha sido mesmo ultrapassado em reputações aos outros candomblés keto. Maria da Purificação Lopes, a tia Badá Olufandei, sucedeu em 1938 a aninha e deixou em 1941 o engargo do terreiro a Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe senhora Oxun Miuá, filha espiritual de aninha Obabii.
Pelo jogo complicado de filiações, “senhora” era bisneta de Obatossi por laços de sangue e neta pelos laços espirituais da iniciação, em outros termos Iyamasso Akalá (ou Oká) foi a geração anterior, ao mesmo tempo bisavó e trisavó de “senhora”, mas as coisas tornariam-se mais complicadas ainda quando “senhora” recebeu em 1952 o titulo honorífico de Iyamasso pelo Aláàfin Òyó da Nigéria, através de uma carta. Senhora, abolindo o tempo passado graças a essa distinção, tornou-se espiritualmente a fundadora dessa família de terreiros de candomblé na nação keto, na Bahia, todos os originários da barroquinha. Confirmou tão elevada posição, em 1962, quando foi presidi seguida de seus ogãs de santo do Ilê Iyamasso da Casa Branca do engenho velho, Maximiliana Maria da Conceição, tia Massi Oinfunké.
Essa dignidade recebida na áfrica por senhora, provocou, diga-se de passagem, comentários e rumores, os fuxicos que agitam e apaixonam as pessoas pertencentes a este mundo pequeno de tradições, onde as questões de etiqueta, de direito, fundamentadas sobre o valor dos nascimentos espirituais, de primaz graduação nas formas elaboradas de saudação, de prosternações, de ajoelhamentos são observados, discutidas e criticadas apaixonadamente; neste mundo onde beijar a mão, as curvaturas, as inclinações de cabeça, as mãos ligeiramente balançadas com gestos abençoadores representam um papel tão minucioso e docilmente praticado como na corte do rei Sol. Os terreiros de candomblé são os últimos lugares onde as regras de bom-tom ainda reinam.
Após o desaparecimento da saudosa Mãe senhora em 1967, duas novas mães de santo lhes sucederam a frente do Opô Afonjá: Maria Estela de Azevedo Santos, Odékayodé, retomando a tradição de Iyamasso e de Obatossi, realizando uma viagem as fontes, na Nigéria e no ex-Daomé.
Outros terreiros foram criados, originários do Opô Afonjá, formando uma terceira, ou mesmo uma quarta geração dessa família de candomblés que nasceram na barroquinha: citemos o Axé Opô Aganjú, de Balbino Daniel de Paula, Obaraim, que viajou para a África e participou das festas para Xangô, com perfeita naturalidade como se sua família não houvesse deixado aquele pais por varias gerações. Recebeu aí o novo nome africano, Gbobagunlá, o rei desse sob a terra. Indiquemos também o tereiro Ylé Orisanlá Funfun, instalado em Guarulhos, São Paulo pelos esforços de Iderico do Nascimento Coral, filho de santo de Mãe menininha do gantois; este pai de santo Fe, em companhia de um de seus filhos de santo, Tasso Gadzanis, de Ogum, varias periguinações pela África, onde recebeu de Olufon, rei de Ifon, o título invejável de Aworó Osalufón.
No estado do Rio de Janeiro instalaram-se numerosos candomblés originários dos terreiros de keto da Bahia, citemos entre os mais prestigiosos o Axé Opô Afonjá em coelho rocha, ligado auele mesmo nome estabelecido na Bahia pela celebre Aninha, em Miguel Couto, o terreiro de Nossa senhora das candeias, fundado por Nitinha de Oxun, filha de santo de tia Massi, o da Casa Branca; também em Miguel Couto o Abacá de Oxossi, fundado por Nilson hora caribe, Ode Ataio.
Tudo isso mostra a vitalidade e crescimento  e a multiplicação dos terreiros originários da barroquinha.
Ao lado do nagô-keto há na Bahia os da nação Ijexá, o mais digno dentre eles é o de Eduardo Ijexá.
Apesar da influencia nagô estar entre a maioria dos iniciados nesses cultos e há referencias também da influencia bantu entre os nagôs, isso se dá por conta da misturas de escravos vindo a esta costa; a maioria dos cativos foram gêges e nagô (daomeanos e yorubas), os angolanos e cangoleses também adentraram em nosso país.

A palavra candomblé, que designa na Bahia as religiões africanas em geral, é de origem bantú, e provavelmente a influencia das religiões vindas da região da África situadas nas mediações do equador não se limitam apenas ao nome das cerimônias, mas tenham dado ao culto nagô e Gêge, de uma forma que os diferenciam das manifestações na África.

domingo, 13 de outubro de 2013

Runa BERKANO

BERKANO / BEORC

“byth bleda leas, ... bereth efne swa theah
Tanas butan tudder, bith on telgum wlitig
Heah on helme … hrysted faegere,
Geloden leafum, … lyft getenge.”

O álamo não tem frutos,... mesmo assim lança
Brotos sem ser semeados têm ramos brilhantes
Altos, ...num elmo ornamentado
Carregado de folhas,... tocando o céu.





Berkano (beorc) é a segunda arvore a aparecer como uma runa, mas a identidade desta arvore no poema rúnico é um enigma, apesar de beorc poder ser traduzido como bétula, tanto no poema islandês, como no norueguês, a bétula não se ajusta a descrição no verso acompanhante. O verso descreve uma arvore cuja reprodução é incomum desde que não segue o ciclo de flor-semente-broto-arvore.

Este ciclo reprodutivo mais comum era um dos temas do aett anterior, e foi representado naquele aett pela oposição de uma boa colheita e necessidade. A descrição da reprodução neste verso esboça o processo que é o tema predominante do aett de Tir, o processo de crescimento no qual não há lugar para a morte, um processo onde a expansão tem lugar sem a contração correspondente. Essa runa é interpretada “populus” em algumas listas rúnicas medievais, e na verdade a árvore descrita se ajusta ao álamo. O álamo preto, é uma árvore britânica nativa cujo nome pré-chauceriano não é registrado. Em geral os álamos não produzem sementes nos frios climas nórdicos, e se reproduzem inteiramente por brotos, adaptando-se por isso a descrição oferecida no verso rúnico.

Beorc é descrito como tendo “ramos brilhantes”; a casca da bétula nas arvores jovens é prateada, mas as folhas do álamo brilham prateadas na brisa por toda vida. A árvore está “tocando o sol”; esta frase é de importante valor simbólico no aett de Tir, onde os talismãs celestes são usados como guias. Os álamos pretos crescem a uma altura de 2,5m, enquanto a bétula é em media ,5m, e pode ser muito menor nos climas frios. O verso inclui uma imagem guerreira, de acordo com os temas do aett, e por isso descreve árvores essencialmente masculina. A bétula é invariavelmente associada com o principio feminino, o álamo não. A imagem guerreira dessa estrofe é aquela do elmo escandinavo-ingles como descritos nas saga de Beowulf, e encontrado no Sutton Hoo : um elmo disfarçado, tendo chapas de folhas dourada em volta da coroa. As coroas desses elmos brilhantes como faróis, como Tir e Ing, e como um álamo distante brilhando ao vento. O tronco de álamo preto inteiramente desenvolvido é limpo de ramos que são confinados numa densa coroa no topo da árvore, cujas folhas seriam usadas para efeitos medicinais.



Na leitura divinatória, pode significar:


Plano material – sucesso, crescimento e brilho, elaboração de novos projetos, associações comerciais benéficas.
Plano abstrato – sexto sentido aguçado, ilusão, utopia.
Plano sentimental – desenvolvimento da relação, segurança, controle emocional, alegrias no lar (família), circulo social favorável.
Plano da saúde – problemas no abdômen ( + rins/baço), retenção de líquido, cuidado com gestações, cura através de medicação alopata.

Plano espiritual – defesa, convivência em ambientes religiosos, entrega excessiva, fanatismo, cura através do toque.

Mentiras do cérebro



Muito bom essa matéria sobre alguns truques do nosso cérebro. Vale a pena começar a se exercitar para não ser tão "enganado" rsrsrs.

Fonte do Texto [ SUPER - Mistérios do Mundo]
Autor: Vinícios Delmondes


"Você não toma as próprias decisões - e boa parte do que vê não é real. É apenas uma ilusão criada pelo seu cérebro, que passa pelo menos 4 horas por dia enganando você. Conheça os truques que ele aplica - e saiba o que realmente acontece dentro da mente.

Você fica cego 4 horas por dia. Já foi enganado por um rótulo nesta semana. Tem preconceitos sobre todos os assuntos (por mais que ache que não). Toma decisões irracionais, que vão contra os seus interesses. Você não está no controle da própria mente. Mas não se preocupe: você é normal. Não é maluco e possui um cérebro perfeito, como o de qualquer outra pessoa. Só que ele inventa coisas para iludir você. Não é por mal. É só uma maneira de economizar energia.

O cérebro humano é o objeto mais complexo do Universo. Tem 100 bilhões de neurônios, que podem formar 100 trilhões de conexões. Se fosse possível criar um computador com o mesmo número de circuitos do cérebro, ele consumiria uma quantidade absurda de eletricidade: 60 milhões de watts por hora, segundo uma estimativa de cientistas da Universidade Stanford. É o equivalente a quatro usinas de Itaipu trabalhando simultaneamente. Mas o cérebro humano gasta pouquíssima energia - 20 watts, menos que uma lâmpada. E mesmo assim consegue fazer coisas extremamente sofisticadas, de que nenhum computador é capaz.

Só que isso tem um preço. O seu cérebro não consegue analisar as situações de forma completamente racional, avaliando todas as variáveis envolvidas em cada caso. Para fazer isso, ele precisaria de ainda mais circuitos - e muito mais energia. Mas, ao longo da evolução, a natureza encontrou uma solução: o cérebro pode mentir para seu dono. Sim, mentir. Descartar informações, manipular raciocínios e até inventar coisas que não existem. Dessa forma, é possível simplificar a realidade - e reduzir drasticamente o nível de processamento exigido dos neurônios. "São efeitos colaterais do funcionamento normal do cérebro", diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tudo começa pela visão. Você não percebe, mas o cérebro edita o que você vê. Das 16 horas por dia que uma pessoa passa acordada, em média, 4 horas são preenchidas por imagens "artificiais" - que não foram captadas pelos olhos, e sim criadas pelo cérebro.

O olho humano só capta imagens com clareza em uma pequena parte, a fóvea, que tem 1 milímetro de diâmetro e fica no centro da retina. Então, para compor a linda imagem que você está vendo agora, os seus olhos estão constantemente em movimento. Eles focam determinado ponto e depois pulam para o ponto seguinte. Cada um desses saltos tem duração de 0,2 segundo. Quer comprovar isso na prática? Na próxima vez em que você estiver conversando com uma pessoa, preste atenção nos olhos dela. Você irá perceber que eles se movimentam o tempo todo para escanear vários pontos do seu rosto.

O problema é que a cada pulo desses, enquanto os olhos estão se movendo para a próxima posição, o cérebro deixa de receber informação visual por 0,1 segundo. Durante esse tempo, você está cego. E, como nossos olhos fazem pelo menos 150 mil pulos todos os dias, o resultado são 4 horas diárias de cegueira involuntária. Você não percebe isso porque o cérebro preenche esses momentos com imagens artificiais, que dão a sensação de movimento contínuo. Mas que, na prática, você não viu.

Tem mais: o que você enxerga não é o que está acontecendo - e sim o que vai acontecer no futuro. É sério. Isso acontece porque a informação captada pelos olhos não é processada imediatamente. Ela tem de passar pelo nervo óptico e só depois chega ao cérebro. O processo leva frações de segundo, e você não pode esperar - um atraso na visão pode fazer com que você seja atropelado ao atravessar a rua, por exemplo. Então, o que faz o cérebro? Inventa. Analisa os movimentos de todas as coisas e fabrica uma imagem que não é real, contendo a posição em que cada coisa deverá estar 0,2 segundo no futuro. Você não vê o que está acontecendo agora, e sim uma estimativa do que irá acontecer daqui a 0,2 segundo.

As mentiras invadem a razão

Com R$ 1,10, você pode comprar um café e uma bala. O café custa R$ 1 a mais do que a bala. Quanto custa a bala? Responda rápido. Dez centavos, certo? Errado. Você acaba de ser enganado pelo próprio cérebro. Mas não está sozinho - mais da metade dos estudantes de universidades prestigiadas como Harvard, MIT e Princeton responderam a essa mesma pergunta e também erraram (entre alunos de instituições menos badaladas, o índice de erro é ainda maior, cerca de 80%). Essa charada é um dos exemplos citados no livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, Rápido e Devagar, ainda sem versão em português), do psicólogo israelense Daniel Kahneman, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas sobre o comportamento humano.

Para Kahneman, o cérebro tem dois tipos de pensamento. O primeiro é rápido e intuitivo e confia na experiência, na memória e nos sentimentos para tomar decisões. O segundo é lento e analítico - e serve como uma espécie de guardião do primeiro.

Se estamos decidindo sobre o que comer, podemos ficar em dúvida entre um sanduíche e um prato de feijão. Mas por que essas duas opções, justo elas, surgiram como as alternativas válidas para o momento? Por que você não considerou um bacalhau com batatas? Por que não um sorvete de abacaxi? Porque o seu pensamento intuitivo já estava inclinado para optar pelo sanduba ou pelo feijão e restringiu previamente as escolhas antes mesmo que você se desse conta de que estava chegando a hora de almoçar. Do contrário, passaríamos horas avaliando todas as possíveis opções de refeição - e morreríamos de fome. Se o pensamento intuitivo não existisse, seria extremamente difícil escolher uma roupa ou responder a perguntas banais, do tipo "como você está?" ou "gostou do filme?". De certa forma, o pensamento intuitivo é o que nos diferencia dos robôs. E é ele que permite ao cérebro processar informações na velocidade necessária. "Ele é mais influente. É o autor secreto de muitas decisões e julgamentos que você faz", explica Kahneman no livro. Foi o pensamento intuitivo que apontou os dez centavos como resposta para o enigma do café. Só que ele mentiu para você. A resposta certa é R$ 0,05. Se a bala custasse R$ 0,10, o café custaria R$ 1,10 - e o total daria R$ 1,20.

Esse duelo entre os dois tipos de pensamento, o rápido-intuitivo e o lento-analítico, também tem uma explicação evolutiva. O córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo processamento lógico, surgiu relativamente tarde na evolução da espécie humana - já as emoções e os instintos estavam com nossos ancestrais há muito mais tempo. Por isso elas são tão fortes e nos influenciam tanto. "A filosofia considera o ser humano um animal racional. Mas o que sabemos é que apenas em certas circunstâncias e à custa de muito esforço conseguimos ser racionais", afirma Vitor Haase, médico e professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O pensamento intuitivo está sempre presente, até nas situações em que a racionalidade é supremamente importante. Um estudo de pesquisadores das universidades de Ben Gurion, em Israel, e Columbia, nos EUA, analisou o comportamento de juízes que deveriam decidir sobre a liberdade condicional de presos (um processo rápido, que leva 6 minutos). Em média, somente 35% dos condenados ganhavam a condicional. Mas os cientistas perceberam que os juízes eram muito mais benevolentes depois de comer. Quando eles tinham acabado de fazer uma refeição, a taxa de aprovação subia para 65%. Com o passar do tempo, a fome vinha chegando, e a concessão de liberdade condicional ia caindo. Minutos antes do próximo lanche, o índice de aprovação era quase zero.

Decidir sobre liberdade condicional e julgar a própria felicidade são tarefas complexas. Para avaliar todas as variáveis envolvidas, muitas delas subjetivas, o cérebro tenderia a ficar sobrecarregado. Por isso, ele usa atalhos. "Os nossos problemas são resolvidos no piloto automático, através de soluções que a cultura já embutiu no nosso cérebro", diz Haase.

Estudos têm revelado outra distorção: toda pessoa sempre tende ao otimismo, mesmo quando não há motivos para isso. A pesquisadora Tali Sharot, da University College London, gravou a atividade cerebral de voluntários enquanto eles imaginavam situações banais - como tirar uma carteira de identidade. Ela também pediu que os voluntários pensassem em coisas do passado. Os testes mostraram que as mesmas estruturas cerebrais são ativadas para recordar o passado e imaginar o futuro. Só que, ao imaginar o futuro, os voluntários criavam cenários magníficos - era o cérebro tentando colorir os eventos sem graça. "Cerca de 80% das pessoas têm tendência ao otimismo, algumas mais do que outras", diz ela. Para Tali, autora do livro Optimism Bias (O Viés do Otimismo, ainda sem versão em português), o otimismo é sempre mais comum que o pessimismo - seja qual for a faixa etária ou o grupo socioeconômico da pessoa. Assim, nunca acreditamos que algo vá dar errado - mesmo quando o mais racional seria pensar que sim. "As taxas de divórcio, por exemplo, chegam a 40%, 50%. Mas as pessoas que estão para casar sempre estimam suas chances de separação em o%", exemplifica Tali. Segundo ela, a inclinação natural ao otimismo também é um dos fatores que levaram à crise econômica global de 2008. "As pessoas achavam que o mercado continuaria subindo cada vez mais e ignoraram as evidências contrárias", afirma.

Ele está no controle
As manipulações criadas pelo cérebro afetam até a capacidade mais essencial do ser humano: tomar as próprias decisões. Quando você decide alguma coisa, na verdade o cérebro já decidiu - com uma antecedência que pode chegar a 10 segundos. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, comprovou que as nossas escolhas são resolvidas pelo cérebro antes mesmo de chegarem à consciência. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma sequência aleatória de letras. O voluntário tinha que escolher uma das letras e apertar um botão sempre que ela aparecesse. Os cientistas monitoraram o cérebro dos participantes durante o experimento. E chegaram a uma descoberta impressionante: 10 segundos antes de os voluntários escolherem uma letra, sinais elétricos correspondentes a essa decisão já apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro ligadas à tomada de decisões. Cinco segundos antes de o voluntário apertar o botão, o cérebro ativava os córtices motores, que controlam os movimentos do corpo. Isso significa que, 10 segundos antes de você fazer conscientemente uma escolha, o seu cérebro já tomou a decisão para você - e até já começou a mexer a sua mão.

"O indivíduo não é livre para escolher", afirma Renato Zamora Flores, professor de genética do comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O cérebro restringe previamente as suas possíveis opções e, pior ainda, escolhe uma delas antes mesmo que você se dê conta. É possível lutar contra isso. Lembra-se daquele outro tipo de pensamento, o lento-analítico? Basta colocá-lo em ação. E isso você consegue tendo calma, refletindo sobre as coisas e duvidando das suas escolhas e opiniões. Os truques do cérebro são poderosos, mas não invencíveis. Agora que você sabe como funcionam, está muito mais preparado para lidar com eles - e se tornar realmente livre para tomar as próprias decisões."