quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Runa ANSUZ

ANSUZ/ AESC/ OS


“byth ordfruma aelcre spraece
Wisdomes wrathu ond witena frofur,
And eorla gehwam eadnys ond tohiht.”

A boca é a origem de toda a fala,
Sustento da sabedoria e conforto dos homens sábios
Facilidade e esperança para todo o nobre.



A runa ansuz, representa dificuldades na tradução e parece ter sofrido, em contrate com thurisaz, muita interferência.

O sentido dos versos leva alguns editores a supor que o nome “os” deve ser uma interpolação da palavra latina “os”, que significa “boca”. A palavra germânica primitiva postulada como o nome original de ansuz é “anzus”, que significa : uma deidade. Essa quarta runa é conhecida por ter mudado sua pronuncia a partir da silaba longa “a” no germano primitivo, para a silaba longa “o”, no anglo-saxão. Essa mudança foi acompanhada pela perda do “n” seguinte. Mas a palavra anglo-saxônica resultante “os” era rara, então um outro significado teve que ser encontrado. Um substituto que não destruía totalmente o sentido original da runa foi obtido na palavra latina “os”. A palavra latina “os”, boca, era mais adequada à sociedade cristã, visto que ela mudou a runa proveniente da crença em uma hierarquia de deidades. Qualquer que seja o significado exato da runa ansuz, o verso afirma a importância da fala no revelar a sabedoria do orador e o aperfeiçoamento da qualidade da vida daqueles que o cultivam. Antes de a escrita ser assumida, a oratória era o agente de persuasão em grupo social. Aqueles que pudessem falar bem torna-se membros poderosos da comunidade. A ocorrência de “os” no alfabeto rúnico mostra que as runas foram usadas em uma sociedade que ainda valorizavam altamente a palavra falada.


Na leitura divinatória, pode significar:


Plano material – convites, conselhos, fofocas, palavra bem/mal empregada, musica, noticias profissionais.
Plano abstrato – orações, pensamentos alheios, má/boa intenções.
Plano sentimental – cantada, paquera, má/boa comunicação, intrigas.
Plano da saúde – noticias de próximos doentes, cura através de informação, problemas no sistema respiratório, informação deturpada.
Plano espiritual – sonhos, comunicação com os deuses, orações, mensagens do plano espiritual.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Runa THURISAZ

THURISAZ / THIURTH / THORN / TOURS

“byth thearle scearp, ...thegna gehwylcum
Anfeng ys yfyl,...ungemetun rethe
Manna gehwylcum the him mid resteth”

O espinho é muito afiado, uma coisa má
Para se agarrar, extremamente horrível
Para qualquer homem que descanse entre ele.




Mudando do maciço auroque, o próximo verso descreve o espinho, algo muito pequeno, sem nenhum poder de atacar, e que pode passar despercebido e ainda causar a um homem a mais desagradável experiência. O espinho simboliza a grande quantidade de pequenos aborrecimentos que a vida pode trazer. Além desse sentido simbólico, o verso provê uma imagem do ambiente físico. A vida era desconfortável fora dos pequenos pedaços de terra cultivadas e das salas iluminadas pelo fogo.

Por todo o poema, refúgios de luz, calor e festança são cercados de todos os lados por uma grande sensação de desconforto dentro dos quais é melhor se aventurar com cuidado.

Em thurisaz, a forma da runa assemelha-se a do objeto que ela descreve. A palavra “espinho” permaneceu inalterada. O símbolo, que sugere um confronto árduo, mas não perigosos, pode ter sido tão adequadamente aplicável ao ponto de nunca ter havido nenhuma pressão moral, religiosa ou psicológica para interferir nele. Porem deve ser dito que tanto nos poemas rúnicos islandeses, como nos noruegueses, essa runa tornou “thurs” (gigante), com implicações fálicas, um ponto para se ter em mente quando se interpreta o significado de thurisaz.

Na leitura divinatória pode significar :

Plano material – cautela, esperar o momento propicio, recuar.
Plano abstrato – preocupação, má intenção, inveja.
Plano sentimental – relação desgastada, masoquismo, libido enfraquecida.
Plano da saúde – dores, imobilidade, pequenas cirurgias, ficar atento aos sinais ( procurar orientação médica ).
Plano espiritual – fanatismo, comodidade, falsos dogmas, perda de energia.

sábado, 24 de agosto de 2013

Runa URUZ

URUZ / URUS / UR

“ byth anmod ond oferhyrned,
Felafrecne deor,...feohteth mid hornum,
Maere morstapa; thaet is moding wunt.”

“ O auroque é sincero, como chifres
Subindo alto, um feroz lutador de chifres
Pisando seu pântano, uma besta admirável.”





Em  fehu salienta-se a inter-relação de riqueza e poder, o boi tornou-se oculto, para reaparecer surpreendentemente na segunda runa como uruz, o boi selvagem. A força e a tenacidade desse boi impôs respeito. Na sociedade rúnica o poder residia não somente na riqueza, mas também na força e na liberdade, a besta indômita não é dominada por ninguém. O domínio e a defesa de um território pessoal, o lar, são revelados nesse verso com uma busca respeitada e necessária.

Há uma dupla referencia aos chifres do auroque no verso. Isso pode ser interpretado no sentido de que apesar do auroque estar firmemente enraizado no mundo físico, ele todavia aspira na direção do mundo espiritual. Os elmos com chifres escandinavos antigos, usados em cerimônias religiosas, talvez fossem talismãs mágicos designados não somente a produzir habilidade da força e da luta do touro em que o usa, mas também para indicar que o guerreiro luta para conquistar todos os mundos. Tradicionalmente os chifres simbolizam a penetração em um outro mundo.

No “Thesaurus” de Hickes e no glossário medieval ( lista de palavras com equivalência em outra língua), a runa uruz é explicada pela palavra latina “ noster” que é pronome possessivo “nosso”. Essa interpretação surge do fato que as palavras para “auroque” e “nosso” no inglês antigo eram ambas (ur-e). Tais exemplos de homonímia (significados diferentes com sons iguais) podem ser consideradas como indicações de uma relação simbólica especial entre os sentidos. No verso, o auroque é descrito como “sincero” e “pisando seu pântano”; ele é uma criatura possessiva protegendo o chão que pisa ( de sua casa ). Essa característica e a interpretação de “noster” pode ligar esta runa com a runa Othila, o lar. O lugar no qual as pessoas crescem. Privados desse espaço, elas podem ter o mesmo destino que o auroque, ou seja, a extinção.



Na leitura divinatória pode significar :


Plano material – conquista profissional, competição, aquisição material. 
Plano abstrato – força/fraqueza, luta, domínio físico, sobrevivência, liberdade. 
Plano sentimental – controle da relação (ou perda do mesmo), territorialista, agressividade (por ciúme), conquista/perda.
Plano da saúde – força física/ fraqueza, disposição/cansaço, limitações por pequenos acidentes.

Plano espiritual – sacerdócio, elevação, comunicação facilitada com o plano mágico.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Runa FEHU


FEHU / FAIHU / FOEH / FE


" A riqueza é um conforto para os homens;
Mas deve partilhá-la aqueles que espera lançar
Sua sorte para o julgamento perante o 'Senhor'."





A primeira runa, no lugar de honra, é fehu, a “riqueza”. A posse da riqueza como sinal de status e poder era a força motriz por trás das aspirações sociais da cultura de uso das runas. Em uma sociedade arcaica, a riqueza de um homem era medida pela quantidade de gado que ele possuía; fehu originalmente significa “gado” ou “rebanhos”. Na época que o poema rúnico foi composto, a riqueza podia residir em outras coisas além do conjunto de animais domésticos. Em navios e ouro por exemplo, e assim o sentido da palavra fehu mudou para um nível mais abstrato. Essas abstrações possibilitava uma interpretação mais ampla do conceito de riqueza para incluir valores morais e dons da previsão entre seus significados. O verso inclui uma dimensão moral quando adverte que a riqueza material deve ser partilhada a fim de trazer benefícios para o possuidor. Ele também inclui uma dimensão xamanística em referencia ao lançamento da sorte. Essa referencia pode ser sugerida pelo papel adivinhatório que era, de acordo com Tácito, feito pelo rei ou senhor supremo, aquele interprete do “notae” (sinais), escritos nos bastões usados para a sorte. Esse papel pode ter sido uma parte integrante de seu oficio elevado e indicativo de um nível especial de riqueza moral e espiritual.



O mesmo verso, porém, pode ser interpretado em termos cristãos como um aviso : o avarento tem muito a temer quando vem o julgamento. Tal ambivalência é típica do poema rúnico, as múltiplas camadas de significado parecem ser cuidadosamente inventadas, e são o que capacita o poema a funcionar como oráculo, aberto as interpretações paradoxais que podem se adaptar a uma variedade de casos. A interpretação significativa de símbolos ambivalentes é a habilidade que a mente divinatória deve adquirir.



No alfabeto hebraico, a primeira letra é o “Aleph”, que significa “um boi”. A posição inicial do boi no alfabeto mostra que o gado foi mesmo o indicador principal de riqueza e poder na época em que a escrita hebraica foi desenvolvida. Na runa inicial do alfabeto, o boi domestico está sob um conceito amplo de riqueza, sugerindo que a visão das runas como oráculo ocorreu em estágios de desenvolvimento em que a riqueza não era mais medida somente em termos de gado.



A ordem do alfabeto rúnico é considerada um enigma, porque o arranjo da seqüência dos valores sonoros é bem diferente dos outros alfabetos europeus. Apesar da seqüência ser totalmente diferente, o conceito é o mesmo, isto é, a riqueza; o foco de grande importância em uma sociedade arcaica, e ainda hoje em dia.



Na leitura divinatória pode significar :



Plano material – bens materiais, posse, perda, ganhos inesperados, compra, roubo.
Plano abstrato – amor, compaixão, doação, caridade, avareza, crueldade.
Plano sentimental - entrega, interesses, ciúme (posse), popularidade.
Plano saúde – boa saúde / má saúde ( pernas e musculatura)
Plano espiritual – conhecimento, busca pela divindade, segurança, perda/ganho de energia.