sexta-feira, 5 de julho de 2013

Saga Lenormandica. I parte



Havia um país com quatro reinos distintos, porém de vez em quando seus habitantes se misturavam para interagir entre si, trazendo movimento as mais inusitadas situações. Esse país se chamava Lenormandia.

Certa vez, por conta de várias mudanças ocorridas na região, foi necessária a intervenção do conselho, chamado Os Quatro Ases. Esse conselho era representado por um Ás de cada reino, os naipianos, considerado os mais sábios e os primeiros a serem consultados sempre que pensavam em iniciar algo.
O conselho se reuniu com o seguinte proposito: criar imagens populares que representassem cada reino e seus membros, desde a corte até a plebe. Após longos dias de análise resolveram partir e apresentar sua decisão. Então seguiram viagem disfarçados para interagir com a população e observar.
O primeiro Ás - o de paus, sabiamente se representou como um Anel, pensando ele que assim seria mais fácil criar alianças e acordos entre a população. Sendo ele o fogo primordial, o despertar da consciência e sabedoria, se lançou sem medo a fim de construir um país melhor, à base da diplomacia que uniria os povos.

O segundo conselheiro foi o Ás de copas. Sabendo ele que sua essência era a de despertar os melhores sentimentos nos seres, fazer com que nascesse uma luz nos corações dos homens, decidiu ser representado por uma figura masculina; pois sabia muito bem que a essência ativa/masculina muitas vezes carecia de sentimentos mais passivos. E foi determinado a despertar esse sentimento.

O terceiro e mais racional a seguir viagem foi o Ás de espadas. Esse sim era o desafio em pessoa. Tomava decisões rápidas e que o levava a ações enérgicas de transformação interna profunda, sempre usando a lucidez. Era o responsável por causar grandes mudanças internas. Valia-se muito da espiritualidade. Sabendo ele que a maioria das mulheres estava em submissão ao masculino autoritário, resolveu esse, portanto, partir representado por uma figura feminina e com isso levar às mulheres a essência mais ativa e transformadora de todas.

O quarto e mais convicto de todos - o Ás de ouros, sabendo que conseguiria concretizar todos os objetivos acordados no conselho, resolveu acompanhar os companheiros representado pela própria Luz divina – o Sol. Com isso ele levaria a esperança e a luz da vitória a todos os reinos dentro de uma nova estrutura material.

E assim seguiram viagem aos quatro reinos com a missão de atribuir imagens a seus habitantes.

O primeiro reino se localizava em uma região árida, quase não havia umidade; uma série de vulcões espalhava-se sobre a planície do reino de Paus. Um clima de tensão tomou conta do conselho, que logo considerou que se tratava de um reino hostil. Caminhando pela aldeia se deparavam com pessoas sérias, pensativas, semblantes rígidos. Perceberam então que os habitantes não eram dados a conversas e muito observadores. Parecia que eles eram governados a “Mão de Ferro”. Pois o medo era muito presente.
O Ás de Paus, conhecendo muito bem seu Rei e sabendo da aura mística que pairava sobre o reino, aconselhou que o resto do conselho seguisse a risca as orientações de como proceder em analisar a corte.
A corte de Paus extremamente intuitiva, já tinha percebido a chegada do conselho. E para resguardar sua intimidade, o Rei de Paus tratou logo de avançar ao encontro deles. Sentado em seu cavalo com uma postura imponente, o Rei partiu para a aldeia. A simples ideia de que esse rei sairia de seu castelo para uma visita a aldeia, já deixava o povo apreensivo. O Rei de Paus tinha a fama, e na verdade o era, extremamente autoritário e impetuoso. Sua inteligência e estratégia, além da audácia e coragem era uma característica conhecida de todos, inclusive em outros reinos. O Rei de Paus exigia absoluta obediência e disciplina em sua presença. E para isso ele usava também de atributos mágicos para impor ou lembrar essa postura. Como Senhor do fogo, ele detinha o poder sobre as erupções vulcânicas, e sua proximidade fazia com que eles entrassem em erupção, causando assim uma escuridão proveniente de uma NUVEM de fumaça, que cobria todo vale. Neste momento, todos ficavam imóveis, sem ação. A presença desta “escuridão” causava inércia e temor.
O conselho de Ases em silêncio e observação, achou propício simbolizar este Rei com a imagem das NUVENS escuras e carregadas. Afinal de contas, representava a própria presença deste Rei, e como o povo deveria se comportar na espera que essas nuvens se dissipassem.
A Rainha de Paus era uma mulher extremamente sensual, inteligente e criativa. Firme em suas iniciativas sabia sempre o que queria. Era gentil e generosa – uma parte aquosa do fogo no reino de Paus. Entretanto, quando provocada, sabia ser muito perigosa com seus inimigos. Ao caminhar pela aldeia, o conselho ouvia muitas estórias sobre essa rainha; inclusive vinda de um grupo local de ciganos. Contavam eles, que, certa vez, em um passeio real, a rainha de Paus ajudara uma criança cigana que tinha sido picada por uma serpente. A rainha ao ver a cena, imediatamente desceu de sua carruagem, colheu algumas ervas e preparou um remédio junto ao veneno da serpente. Como para estes ciganos a serpente era um símbolo de cura e conhecimento, eles começaram a chamar essa rainha de “A senhora SERPENTE”. E mesmo sabendo que essa rainha de Paus era às vezes perigosa, eles começaram a admira-la e respeita-la mais ainda. Logo depois, a rainha de Paus recebeu em seu castelo um presente dos ciganos: um manto todo trabalhado em pedras, com a imagem de uma serpente bordada a ouro.
O conselho, ao ver o manto sobre a rainha, não teve dúvidas de qual imagem a representaria.
Em sua visita ao castelo de Paus, o conselho percebera a falta do valete de Paus, e logo questionou a dama de companhia da rainha onde se encontrava seu descendente. Os empregados do castelo não eram de muita conversa; mas, essa dama de companhia disse que a criança era problemática, muitas vezes agressiva e violenta. O valete de Paus vivia em constante cobrança; afinal de contas ele tinha que seguir as regras de seu Rei e também servir de exemplo. Ele usava muitas vezes seus dons espirituais e mágicos para causar destruição; uma forma talvez de chamar a atenção. A rebeldia era presente e sua explosão de sentimentos constante. Corria um boato pelos corredores do castelo que o Rei muitas vezes o açoitava com um chicote para disciplina-lo. Agora o conselho entendia o comportamento desse valete. Logo, esse valete, já possuía seu próprio símbolo – O CHICOTE, que lhe disciplinava, mas também causava dor e sofrimento.

Não demorou muito para que o conselho ficasse apreensivo com as tensões sobre esse reino, e trataram logo de seguir viagem.



O segundo reino estava localizado junto aos melhores mananciais. Rios, lagos e cachoeiras eram abundantes em volta do castelo de Copas. Logo que chegaram, o conselho foi recepcionado com muito carinho e atenção, e convidados a um banquete no castelo em companhia do rei e da rainha.
Logo ao entardecer, todos já se encontravam nas dependências do castelo de copas. O povo só tecia elogios ao governante, enfatizando que, sua preocupação era muito grande com seus súditos, e este rei fazia de tudo para dar segurança, proteção e conforto a todos. Ele era a personificação das paixões, muitas vezes o levando a situações eróticas impulsivas e primitivas. Era tão amado, que se dava ao prazer de ter muitas amantes no reino.   O Rei de Copas jamais deixava uma família sem abrigo, para ele o Lar era imprescindível, e fazia questão de financiar toda construção residencial nos limites de seu reino. Observando esse detalhe peculiar, o conselho não teve dúvidas de que o melhor símbolo para representar esse generoso rei era a CASA. E assim foi feito, sua túnica seria adornada com a imagem de uma casa.
A música tocava e todos festejavam a chagada dos visitantes. Houve então um silêncio no salão, e as trombetas tocaram. Eis que adentrava o recinto uma bela mulher abraçando amavelmente um adolescente, aparentemente seu filho. A Rainha de Copas fazia questão de cumprimentar a todos, muitas vezes sendo extremamente amável com as crianças. Muito misteriosa, as vezes alternava sua postura diante de determinadas situações, principalmente quando envolvia a traição de seu marido. Corria uma estória nos bastidores que ela pessoalmente fazia questão de acompanhar as parteiras em suas missões pelo reino. Acreditavam que a Rainha de Copas, por ser uma excelente rainha, tinha um poder especial de proteger seus súditos e abençoar os partos. Alguns ciganos a comparavam com as cegonhas, por tão bom agouro a qual era atribuída sua presença. Inclusive colocavam ninhos de cegonhas nos telhados das casas para atrair bênçãos.
O conselho achou por bem que a imagem da CEGONHA representaria muito bem essa Rainha de copas.
O Valete de Copas era um adolescente extremamente amoroso e carinhoso. Também com os pais que teve, não poderia ser diferente. O Rei e a Rainha de Copas o mimavam muito, lhe enchia de presentes, amor e dedicação. Este Valete encantava todas as aldeãs e aldeãos com sua beleza, alegria e jovialidade. Causava paixões avassaladoras. Era o tipo de príncipe que tocaria facilmente os corações até mais enrijecidos. Portanto, observando esse poder todo relacionado aos sentimentos, e a facilidade que esse valete tinha de conquista, o conselho decidiu que este príncipe – o Valete de Copas seria conhecido como o CORAÇÃO.

Andaram vários dias até avistarem uma nova aldeia, localizada em meio a uma planície fértil e bela. A região ventava muito, havia pequenos ciclones constantes que fazia com que o povo sempre estivesse em alerta. Uma sensação de liberdade pairava sobre o ar. Ao se aproximarem percebiam os habitantes ocupados com seus afazeres, mas sem a tensão que tinham observado no reino de Paus e nem a descontração do reino de Copas; este reino parecia ser governado por um Rei muito justo e sério, e que, ao mesmo tempo dava liberdade a seu povo. Mais uns passos e se depararam com a principal fonte de renda do reino: uma plantação de flores. Essa imagem dava uma leveza à aldeia. Tudo era muito belo e organizado.
O Ás de Espada, representado por uma MULHER, logo se propôs a levar o resto do conselho à presença da Corte de Espada.
Chegando ao castelo tiveram uma surpresa: a Corte de Espada tinha saído para inspecionar o reino. Como todos os habitantes tinham suas atribuições, e a cumpriam com esmero, a Corte também dava o exemplo.

O Rei de Espadas era um Rei muito sério e desprendido de qualquer emoção; sua mente e espirito caminham juntas e muitas vezes ele se tornava impulsivo. Extremamente sedutor e com uma libido exacerbada, procurava conquistar seus prazeres pela beleza e sua postura altiva. O único lugar onde ele conseguia conter um pouco esse impulso era junto à plantação de lírios, que tanto adorava, e que usava para presentear suas conquistas. Isso ele tinha aprendido com algumas Suvanis (ciganas), que os lírios poderiam ser usados para a sedução e porções de encanto sexual.
A Rainha de Espadas se sentia obrigada a cavalgar ao lado de marido. Isso se dava por ela estar muito mais centrada nas coisas do que ele. Essa rainha era o poder em pessoa. Muito inteligente e destruidora de padrões ultrapassados, se tornava muitas vezes a Lei do reino. Na realidade, a maioria das decisões era tomada por ela, que presava “cortar o mal pela raiz”. Essa Rainha era muito querida pelo povo, que constantemente a presenteava com belos buquês de flores do campo, e esse reconhecimento – amor do povo, a deixava extremamente feliz. Sempre que a Rainha de Espadas decidia resolver a situação de alguém, era previsto uma série de bênçãos e alegrias. Uma mulher extremamente justa e comedida.
Logo ao longe, correndo pelos campos floridos e desprendido de qualquer medo, estava o Valete de Espadas. Um adolescente cheio de alegria, inocência, jovialidade. Aquela imagem intrigava o conselho. Eles já tinham ouvido falar que o Valete de Espadas era um jovem cheio de impulsos sexuais, sociais e espirituais e que vivia voltado as questões práticas, mas térreas. Mas então, eis que o observavam direito. E chegaram à conclusão que aquela figura “infantil” nada mais era do que uma estratégia de demostrar sua capacidade de lutar contra todos os obstáculos sem medo – o medo que aparentemente está ausente na CRIANÇA.

Foi aí que tiveram uma ideia: vamos representar essa corte, tão disciplinada, rígida e organizada com imagens leves que correspondam a uma essência de beleza e esperança. E com isso o Rei foi representado pela imagem dos LÍRIOS, a Rainha pelas FLORES e o Valete pela CRIANÇA.

Muito felizes em ter encontrado um reino tão organizado, o conselho seguiu viagem para a sua última missão – figurar a corte de Ouros. O Ás de Ouros, representado pelo SOL, brilhava mais que tudo. Todo feliz, sabia que os outros Ases iam se empolgar com tanta riqueza.

O reino de Ouros se localizava ao oeste, em uma região litorânea. Cercados de montanhas rochosas e com vastas minas, que lhe proporcionava não só a segurança física contra ataques, como também o tornava o reino mais próspero de todos. O posicionamento geográfico desse reino dava a ele uma vantagem imensurável sobre o comércio. No reino de Ouros eram feitas as maiores negociações, trocas, venda e compra. Muitos navios de ciganos dos mares, os piratas, aportavam nestas terras, enchendo o Rei de Ouros de riqueza em troca de alimento e outros bens.
O Ás de Ouros brilhava tanto, que ao se aproximar do reino, os habitantes já trataram de avisar a Corte que seu Conselheiro estava chegando acompanhado de outros Ases. E com já era de se esperar, a comitiva foi recepcionada com muita fartura – festa, banquetes, musica e prazeres diversos.

Após a recepção, o conselho de Ases, começara a observar os detalhes desse governo procurando uma forma de representa-los. Passaram dias hospedados nas dependências do castelo e puderam fazer uma análise de como aquele reino tinha prosperado tanto. O Ás de Ouros sugeriu que procurassem as resposta com o 10 de Ouros, que era muito inteligente, sábio e guardava muitas informações – era como um LIVRO.
Seguindo o conselho, foram procurar as respostas com o 10 de ouros. Muitos detalhes foram citados, inclusive sobre a vida familiar da Corte. Contou então o 10 de Ouros sobre a corte:

O Rei de Ouros é um rei muito bondoso e generoso, porém muito perspicaz e se preocupa muito em manter a segurança econômica de todo o reino. Ele não se preocupa só com o castelo, mas com todos em volta. A maior fonte de renda vem da população litorânea e dos mares, pois há abundancia de peixes, que são comercializados; e também há os piratas que vem dos mares trazendo muito ouro e riqueza para o reino. Nossos habitantes não tem o que se queixar, o reino é cercado de prosperidade e não nos falta nada. O Rei está sempre voltado a manter essa estabilidade, o que muitas vezes faz com que se esqueça de seus sentimentos mais puros pela família.
Toda corte é próspera, entretanto a Rainha é uma excelente mãe, cuida de todos, protege, é trabalhadora. Porém, fica muito tempo solitária no palácio, pois seu marido está a maior parte do tempo produzindo os bens para o reino. Ela compensa isso com uma generosidade imensa. Ela faz festas grandiosas no castelo e na aldeia, e com isso fica cercada de pessoas que a amam. A bondade dela vai além da atenção desprendida, ela presenteia a muitos com terras e bens, e isso faz com que as pessoas vejam novas estradas se abrindo para a vida. Ela sempre proporciona oportunidades para os desprovidos ou necessitados.
O valete de Ouros vive em seu mundo. É um adolescente que vive a observar todo a sua volta, sem interferir. Ele parece que vive entre os mundos: térreo e espiritual, polaridades que o complementam. Está sempre em conexão com suas sensações físicas internas. Sempre sob os cuidados da Rainha ele aprendeu a separar o que é bom e ruim. O prazer dele está nas longas caminhadas entre as montanhas e florestas da região. Muitas vezes se vê em meio ao povo nas plantações de trigo encorajando-os ao trabalho e participando às vezes no processo de fabricação do pão. Alguns contam que o Valete de Ouros ensinara o povo a separar os melhores grãos para um plantio e colheita mais próspera. E para isso ele teria se utilizado de uma ferramenta peculiar entre os agricultores: a foice. Sempre na época de colheita, lá estava ele com sua foice, “de ouro”, separando o joio do trigo.

Após ler detalhadamente a narrativa do Livro, 10 de Ouros, sobre a vida dos membros da corte de Ouros, o conselho resolveu por fim definir suas imagens naquilo que representava melhor suas atribuições diante do povo. E ficou assim definido que: O Rei de Ouros seria simbolizado pelos PEIXES / mar – sua principal fonte de prosperidade. A Rainha de Ouros seria simbolizada pelos CAMINHOS – que proporcionava com sua generosidade ao povo que necessitava. Valete de Ouros seria representado por um instrumento agrícola, ligado aos frutos da Terra, A FOICE – símbolo de colheita e separação (joio/trigo), um instrumento de corte necessário para que haja uma renovação.


A estória continua....

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Glossolalia



A Glossolalia constitui um comportamento universal pelo qual os humanos induzem um estado de transe semelhante às experiencias espirituais/misticas. Conforme George Jennings (etnólogo), essa prática faz parte dos cultos de muitos índios norte-americanos peiotes, dos índios do haida no norte do Pacifico, dos xamãs do Sudão, da Groenlândia, da Sibéria e da Africa, dos cultos xangô da costa oeste da Africa e de Trinidad, dos rituais de vodu do Haiti, dos cultos aborígines da Austrália e dos curandeiros dos Andes.
Nas sociedades cristãs, a glossolalia remonta ao Novo Testamento (Atos 2:1-42), quando Paulo e Lucas salientaram que o dom das línguas era parte notável da primitiva Igreja Cristã. De acordo com esses escritos, esse dom era visto como um efeito do Espírito Santo tomando posse do corpo cristão.
Como acontece com muitas experiências espirituais/místicas, a glossolalia apresenta-se geralmente em um cenário religioso formal. Entre os cristãos pentecostais, por exemplo, as reuniões especiais de "reavivamento" pretendem produzir uma atmosfera que encoraja os participantes a procurar esse tipo de experiência de êxtase. Como dos dervixes muçulmanos, que giram sem parar até chegarem a um frenesi extático, um indivíduo que procura alcançar a glossolalia precisa se entregar ao mesmo fervor religioso. Assim que esse "estado" elevado é atingido, ele, involuntariamente, começa a emitir uma algaravia ininteligível, fragmentos de palavras e vocalizações, e isso deu origem ao nome do fenômeno.
Então, devemos acreditar que tais experiências representam exemplos legítimos de seres humanos possuídos por um espírito? Essa algaravia ininteligível, atribuída ao dom das línguas, é, realmente, uma vocalização de nossos deuses, que usam nosso aparelho vocal para se exprimirem? Ou, trata-se apenas de um reflexo humano com base neurofisiológica?
Embora pouco ainda se saiba sobre a base biológica da experiência de glossolalia, foi revelado, por meio de registros eletroencefalográficos, que uma mudança distinta ocorre nos padrões de ondas cerebrais daqueles que entram no que os participantes chamam de estado de consciência "sagrado". Mas especificamente descobriu-se que, quando os participantes entram nesse estado de consciência, os padrões de ondas cerebrais mudam repentinamente de alfa para beta, confirmando que tais experiências têm relação direta com uma atividade neurológica.
A ligação física entre esse tipo de experiência religiosa e nossa neurofisiologia foi posteriormente validada em experimentos conduzidos por V.S. Ramachandran e S.Blakeslee, em 1998, que demostraram que o hemisfério cerebral direito desempenha um papel importante na glossolalia. Além disso, outros experimentos com a glossolalia, os quais revelaram mudanças de temperatura nos hemisférios direito e esquerdo, também sugerem que o "dom das línguas pode ser associado ao crescimento na atividade do hemisfério direito".
Então há de convir que esse é mais um mecanismo neurofisiológico confundido frequentemente com experiência de natureza "espiritual", e que, nada mais é do que uma atividade gerada pelo cérebro, não de uma fonte divina.