domingo, 31 de março de 2013

Homossexualidade, mais antiga que a roda.




Dr. Drauzio Varella fala sobre homossexualidade, com muita sabedoria.


Drauzio Varella é médico oncologista, cientista e escritor brasileiro
A homossexualidade é uma ilha cercada de ignorância por todos os lados. Nesse sentido, não existe aspecto do comportamento humano que se lhe compare.

Não há descrição de civilização alguma, de qualquer época, que não faça referência à existência de mulheres e homens homossexuais. Apesar dessa constatação, ainda hoje esse tipo de comportamento é chamado de antinatural.

Os que assim o julgam partem do princípio de que a natureza (ou Deus) criou órgãos sexuais para que os seres humanos procriassem; portanto, qualquer relacionamento que não envolva pênis e vagina vai contra ela (ou Ele).

Se partirmos de princípio tão frágil, como justificar a prática de sexo anal entre heterossexuais? E o sexo oral? E o beijo na boca? Deus não teria criado a boca para comer e a língua para articular palavras?

Se a homossexualidade fosse apenas perversão humana, não seria encontrada em outros animais. Desde o início do século 20, no entanto, ela tem sido descrita em grande variedade de espécies de invertebrados e em vertebrados, como répteis, pássaros e mamíferos.

Em virtualmente todas as espécies de pássaros, em alguma fase da vida, ocorrem interações homossexuais que envolvem contato genital, que, pelo menos entre os machos, ocasionalmente terminam em orgasmo e ejaculação.

Comportamento homossexual envolvendo fêmeas e machos foi documentado em pelo menos 71 espécies de mamíferos, incluindo ratos, camundongos, hamsters, cobaias, coelhos, porcos-espinhos, cães, gatos, cabritos, gado, porcos, antílopes, carneiros, macacos e até leões, os reis da selva.

Relacionamento homossexual entre primatas não humanos está fartamente documentado na literatura científica. Já em 1914, Hamilton publicou no Journal of Animal Behaviour um estudo sobre as tendências sexuais em macacos e babuínos, no qual descreveu intercursos com contato vaginal entre as fêmeas e penetração anal entre machos dessas espécies. Em 1917, Kempf relatou observações semelhantes.

Masturbação mútua e penetração anal fazem parte do repertório sexual de todos os primatas não humanos já estudados, inclusive bonobos e chimpanzés, nossos parentes mais próximos.

Considerar contra a natureza as práticas homossexuais da espécie humana é ignorar todo o conhecimento adquirido pelos etologistas em mais de um século de pesquisas rigorosas.

Os que se sentem pessoalmente ofendidos pela simples existência de homossexuais talvez imaginem que eles escolheram pertencer a essa minoria por capricho individual. Quer dizer, num belo dia pensaram: eu poderia ser heterossexual, mas como sou sem vergonha prefiro me relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Não sejamos ridículos; quem escolheria a homossexualidade se pudesse ser como a maioria dominante? Se a vida já é dura para os heterossexuais, imagine para os outros.

A sexualidade não admite opções, simplesmente é. Podemos controlar nosso comportamento; o desejo, jamais. O desejo brota da alma humana, indomável como a água que despenca da cachoeira.

Mais antiga do que a roda, a homossexualidade é tão legítima e inevitável quanto a heterossexualidade. Reprimi-la é ato de violência que deve ser punido de forma exemplar, como alguns países fazem com o racismo.

Os que se sentem ultrajados pela presença de homossexuais na vizinhança, que procurem dentro das próprias inclinações sexuais as razões para justificar o ultraje. Ao contrário dos conturbados e inseguros, mulheres e homens em paz com a sexualidade pessoal costumam aceitar a alheia com respeito e naturalidade.

Negar a pessoas do mesmo sexo permissão para viverem em uniões estáveis com os mesmos direitos das uniões heterossexuais é uma imposição abusiva que vai contra os princípios mais elementares de justiça social.

Os pastores de almas que se opõem ao casamento entre homossexuais têm o direito de recomendar a seus rebanhos que não o façam, mas não podem ser fascistas a ponto de pretender impor sua vontade aos que não pensam como eles.

Afinal, caro leitor, a menos que seus dias sejam atormentados por fantasias sexuais inconfessáveis, que diferença faz se a colega de escritório é apaixonada por uma mulher? Se o vizinho dorme com outro homem? Se, ao morrer, o apartamento dele será herdado por um sobrinho ou pelo companheiro com quem viveu trinta anos?

sábado, 30 de março de 2013

A tradição afro-brasileira



Assim como os iorubás (nagôs em nosso país) é certo que na África todas as nações que deram escravos ao Brasil professam, desde suas origens, e com ligeiras variações locais, a chamada religião tradicional negro-africana. essa religião se apóia numa força suprema, geradora de todas as coisas, mas abaixo dela existem e são cultuados forças da natureza e espíritos dos antepassados. Para essa religião o maior bem da existência é a força vital - axé. Chamamos de religião tradicional negro-africana o que se reflete em todo o modo de ser e agir do negro africano.
A religião tradicional africana, reposta nos terreiros, bem como no interior de uma sociedade como a brasileira, regida por uma moderna ideologia ocidental, vai criar uma coexistência e interpretação multisseculares de duas ordens culturais - a branca e a negra. Assim a cultura negra vem funcionando como uma fonte permanente de resistência a dispositivos de dominação e como mantenedora do equilíbrio efetivo do elemento da cultura negra no Brasil.
É importante ressaltar que não se tratou de uma cultura negra fundadora de um campo de resistência  Para o Brasil vieram dispositivos culturais de diversas etnias dos escravos arrancados da Africa entre os seculos XVI e XIX; tais culturas já conheciam as mudanças na própria Africa em função de reorganizações territoriais e das transformações civilizatórias - a substituição de antigos reinos por uma estrutura de natureza estatal. No Brasil, as mudanças são mais radicais, já que os proprietários de negros escravos evitavam reunir grande numero de pessoas de uma mesma etnia, estimulando as rivalidades étnicas e desfavorecendo a constituição familiar.
Os folguedos, as danças, os batuques eram primitivos por acentuarem as diferenças entre diversas nações e por servirem como válvula de escape. Entretanto, os negros reviviam clandestinamente os ritos, cultuavam os deuses e retomavam a linha do relacionamento comunitário exatamente durante as danças e folguedos, criando uma cultura negra brasileira.
No interior da formação social brasileira, o continuum africano, afirma Muniz Sodré em A verdade Seduzida, gerou uma descontinuidade cultural em face a ideologia do Ocidente, que manteve intactas formas essenciais de diferença simbólica, por exemplo: a iniciação, o culto aos mortos - orixás e ancestrais ilustres (egungun), como aqueles reelaborados ou amalgamados em território brasileiro.
A expansão dos cultos ditos "afro-brasileiros" em todo território nacional, se deve a prática e persistência de formas essenciais em pólos de irradiação, que são as comunidades-terreiros (egbé). É isto que faz com que um santo da Igreja Católica - como São Jorge, possa ser cultuado num centro de Umbanda, como Ogum (orixá nagô). Assim, o conteúdo é católico, ocidental, religioso, mas a forma litúrgica é negra, africana, mítica.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Relógio de Sol encontrado no Egito



"Um relógio de sol descoberto fora de um túmulo no vale dos Reis, no Egipto, pode ser o mais antigo relógio de sol egípcio do mundo, dizem os cientistas. Datando da 19ª dinastia, ou século 13 AC, o relógio de sol foi encontrado no chão da cabana de um trabalhador, no Vale dos Reis, o local de sepultamento dos governantes do período do Império Novo do Egipto (cerca de 1550 a 1070 AC).


"A importância desta peça é que ela é cerca de mil anos mais antiga do que o geralmente aceite como o tempo quando este tipo de dispositivo de medição do tempo foi usado", disse a pesquisadora Susanne Bickel, da Universidade de Basileia, na Suíça. As descobertas passadas de relógios de sol datam ao período greco-romano, que durou entre cerca de 332 até 395AC.

O relógio é feito de uma peça achatada de calcário, chamado um ostracon, com um semicírculo negro dividido em 12 secções. Pequenos pontos no meio de cada uma das 12 secções, que têm cerca de 15 graus de separação, provavelmente serviram para fornecer tempos mais precisos.


Um dente no centro do ostracon provavelmente marcava onde um parafuso de metal ou madeira era inserido para lançar uma sombra e revelar a hora do dia. "A peça foi encontrada com outras placas em ostraca com pequenas inscrições, esboços de operários, e a ilustração de uma divindade", disse Bickel. Bickel e seus colegas não têm certeza do propósito dos operários no uso do relógio de sol, embora eles sugerem que pode ter representado a viagem do deus sol através do submundo.

"Uma hipótese seria a de ver este dispositivo de medição em paralelo com os textos ilustrados que foram inscritos nas paredes das tumbas dos faraós, onde a representação da noite, a viagem do deus sol através do submundo, é dividida nas horas individuais da noite", escreveram os pesquisadores. "O relógio pode ter sido usado para visualizar o comprimento das horas".

O dispositivo pode também ter sido utilizado para medir as horas de trabalho. Na mesma área, Bickel e seus colegas fizeram várias descobertas surpreendentes, incluindo um túmulo com dois enterros, um da 18ª dinastia do Egipto e outro da dinastia 22. Bickel e seus colegas têm trabalhado na área desde 2008 e planeiam continuar ao longo dos próximos dois anos."

[ Fonte: Ciência Online ]  ( Extraido da página facebook de JadeTravel Histórias e Viagens)