segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Bem vindo 2014


Desejo a todos amigos, clientes e irmãos na Arte um ano repleto de realizações. Que todas as portas em que a chave de Sua Vontade entrar, possa se abrir e conduzir-lhes aos caminhos mais prósperos.
Nosso destino que faz somos nós mesmos, nunca esqueçam! Sejam mais otimistas, acreditem em seus potenciais e siga em frente com determinação e paz. Com toda certeza o Universo há de nos proporcionar muitos momentos de alegrias a partir de nossas ações positivas. A  todos vocês, principalmente a mim, deixo 7 frases para deflexão:

QUE...

1- Sejamos mais tolerantes com os outros.
2- Tenhamos paciência para colher os frutos na hora certa.
3- Acreditemos mais em nós e deixem os "deuses" descansar em paz.
4- Façamos pelo menos uma pessoa feliz.
5- Possamos nos valorizar mais.
6- Sejamos vigilantes com nossa saúde - psíquica, física e espiritual.
7- Agradeçamos a tudo e a todos!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Cartas na Mesa 2014

As vendas só iniciam em maio/2014. Um evento espetacular sobre o Baralho Lenormand.


sábado, 30 de novembro de 2013

A Runa DAGAZ


DAGAZ / DAEG / DAG

“byth drihtness sond ... deore mannum,
Maere metodes leoth, … myrgth and tohiht
Eadgum and earmum, … eallum brice.”


O dia, mensagem dos Deuses, ... é querido aos homens:
A luz do Grande Senhor ... significa alegria e esperança
Para ricos e pobres, ... proveito para todos.


A runa final do alfabeto rúnico é Dagaz, “dia” / “alvorada”, um verso otimista acompanha esta runa que, em associação com versos de “Ing” e “lar”, contribuem muito para dissipar a melancolia do poema das runas “homem” e “água”. Nesse verso a luz que apareceu em todo o poema como um conforto na runa “tocha” e “teixo”, e como uma fonte de força na runa “sol”, “estrela” e “ing”, é finalmente identificada como emanante do bem mais elevado, como sendo uma mensagem para o homem.

As comunidades rúnicas, estavam instaladas na sua maioria no extremo norte, uma região de climas bem selvagens, onde o inverno é extremamente rigoroso, permanecendo por até nove meses castigando-os com temperaturas altíssimas, por este motivo o “sol” era tão importante e na maioria das vezes venerado como uma divindade que ia e vinha, trazendo calor e felicidade. Esta “luz do Grande Senhor” era esperada com grandes expectativas, e era um sinal de alegria e esperança.

Não era de se estranhar que uma runa tivesse essa associação. É importante ressaltar que Dagaz não se refere exatamente ao sol ou alvorada como estação sazonal, e sim como a luz que “aquece” e traz conforto. 


Apesar de serem um povo guerreiro e que veneravam até mesmo a morte pela honra, davam muito valor a vida, e abrir os olhos e ver a alvorada era sinal de uma nova vida, mais um dia, renovação. Portanto Dagaz é uma runa de extrema positividade, é a esperança de mais um dia em nossas vidas, onde teremos a oportunidade de mais conquistas.



Na leitura divinatória, pode significar:          



Plano material – sucesso, conquistas, promoção no emprego, novas atividades que gerem lucros. 
Plano abstrato – felicidade, bem estar, comunhão, equilíbrio, auto estima elevada. 
Plano sentimental – boa relação amorosa, novas relações afetivas, conquistas de boas amizade. 
Plano da saúde – boa saúde, cura. 

Plano espiritual – novas adorações, orações de agradecimentos, limpeza espiritual, comunhão mágica.

Envie seus desejos ao "Povo Cigano".



Um receituário Rom interessante e simples. Mas que requer dedicação, silêncio (Total) e concentração.

Quando resolvemos pedir ou agradecer aos nossos ancestrais ciganos, usamos diversas maneiras para isso. Este receituário é aberto aos Gadjos. Portanto, caso queiram podem fazê-lo.

Bem, defina exatamente o que quer : Um pedido ou agradecimento deve ser bem explicito e detalhado. Não deixe nenhuma informação vaga. Inclua: nomes completos, locais, finalidade, tempo, etc.
Use o terceiro dia de lunação crescente.

Ingredientes:

100 g de farinha de trigo integral
9 folhas de louro, moída
5 colheres de azeite de oliva
1 colher de mel

Dentro de um tacho do cobre coloque todo ingrediente e amasse com suas mãos até formar uma massa (tipo de pão). Caso fique muito seco ( por conta da qualidade do azeite) pode usar um pouco de água mineral ou de fonte natural (chuva, rio, lago) até chegar ao ponto.

Deixe a massa descansar. Enquanto isso escreva com carvão em um pedaço de pergaminho seu pedido ou agradecimento. Depois de escrito, queime esse pergaminho, e o pó acrescente a massa pronta. Dê outra sovada e coloque para assar. 

Depois de assado, deixe esfriar, esmigalhe o pão e vá até um local onde exista muitos pássaros. Alimente esses pássaros com essas migalhas. Tenha a certeza de que nada ficou no chão!
Esses pássaros devem voar alto. Não alimente galinhas nem aves de baixo alcance em altura de voo.


LEMBRANDO: Todo processo desde a preparação até a entrega deve ser feito em SILÊNCIO.

Boas Vibrações!

A TORRE do Lenormand



Primeiro vamos deixar bem claro que a interpretação da Torre do baralho Lenormand foge completamente ao sentido da Torre - Casa de Deus, do tarô. A não ser que alguém me apresente uma Torre Lenormand caindo aos pedaços por uma força externa.

Não considero essa carta como negativa, mas de uma observação peculiar e bem detalhada. Como me embaso muito na simbologia dos elementos figurativos, procuro analisar tudo a volta do objeto principal, além dele mesmo. Então vamos lá para algumas considerações que pode ajudar em uma boa interpretação dessa carta em uma leitura.

A Torre remonta a uma estrutura muito antiga, que teve como principal objetivo orientar navegadores. Com o passar dos tempos é que ela começou a ser utilizada para diversos fins, a depender da região ou cultura.

Temos diversos tipos de torres: militar, eclesiástica, residenciais, comerciais, ornamentais, ou simplesmente logística - guindastes etc.

A torre no Lenormand pode vir representada de diversas formas, desde as mais antigas até as mais contemporâneas; e neste âmbito requer uma leitura específica.

Em geral, as Torres podem ser consideradas estruturas que comportam solidão ( salvo os casos de torres residenciais e comerciais), que não o é no baralho. Olhando por este aspecto considero a carta da torre da seguinte forma:

1- Estrutura de solidão ou aprisionamento, que necessariamente não pode ser imposta, as vezes até voluntária.
2- Estrutura de observação e alerta - (Torres militares)
3- Estrutura de ligação entre os mundos - material e divino, (Torres eclesiásticas).
4- Estrutura de reuniões e celebrações, diferente da carta do Jardim, pois na Torre as reuniões costumam ser secretas e não coletivas.

Por ser principalmente uma estrutura que em sua originalidade foi criada para orientação, a Torre no Lenormand vai nos apresentar em que aspecto de nossa vida estamos necessitando de orientação ou direcionamento [Observar os luminares próximos a ela - Lua, estrela ou Sol].

Se o Homem ou a Mulher se encontrar a frente da Torre, pode ser um convite a uma introspecção necessária, um recolhimento. 

Caso estejam abaixo da Torre, considero aprisionamento - físico, psíquico, emocional ou filosófico.

Quando usamos nossa Torre de maneira sábia, sempre vamos nos dar bem:

1- Subir nela com suas escadarias longas, ultrapassando nossos desafios, e olhar para novos horizontes!
2- Reformá-la, nos livrando de estruturas antigas e nos reciclando!
3- Adentrando-a e nos conectando com nosso Divino!

Tudo isso implícito no 6 de espadas - naipe representante da Torre Lenormand. 

A Torre pode estar sempre ligada a uma forma de "salvação"; seja ela material ou espiritual - a depender de um contexto geral das cartas envolvidas na leitura. Mas, de qualquer forma, é sempre bom analisar esta Carta com delicadeza, e jamais associa-la a destruição simbolizada na Torre do tarô.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Yemanjá - A Grande Mãe


Nesta minha postagem vou me restringir apenas a comentar sobre arquétipos e culto da deusa, pois os mitos são variáveis e pode confundir um pouco.

Yemanjá, “Iyá Omo Ejá”, (a mãe dos filhos peixe). Quando nossos ancestrais escravos africanos foram trazidos para nossa terra brasilis, trouxeram com eles vários deuses e deusas, cada tribo com sua divindade, imaginem a “confusão” que não foi ! cada um querendo cultuar seu deus, e como fazê-lo , se havia algumas discrepâncias? Ex:
1-      Algumas tribos eram, até mesmo, inimigas.
2-      Havia diferença linguísticas, dialetos diferentes.
3-      A predominância católica-portuguesa dificultava o culto pagão.

Assim sendo, foram necessárias várias adaptações para que o culto permanecesse vivo, mesmo que na falta de sua plenitude. Uma dessas adaptação foi dar “títulos” a divindades semelhantes em sua liturgia, unindo as diversas divindades por “categoria”: deuses das águas, da terra, da guerra , da caça, da magia, da morte, etc.
O título de “Yemanjá” foi dado as deusas que de uma certa forma eram cultuadas, ou vinculadas às águas, isso pode ter acontecido por alguns fatores:
1-Essas deusas eram responsáveis pelo sustento da pesca, em algumas tribos.
2- Eram associadas aos ritos de fertilidade e agricultura, de onde as águas seriam simbolismo do sêmen primordial que fecunda a terra e provê os frutos; sabe-se que muitas tribos africanas consideravam o peixe como símbolo feminino sagrado.
3-Algumas tribos era comum a decapitação de membros com problemas mentais, servindo como sacrifício para uma boa pesca, desde que as cabeças fossem lançadas ao rio.
Enfim, chegando aqui e se adaptando, nossos ancestrais começaram a cultuar seus deuses, e apesar de várias modificações durante todo esses mais de 500 anos, ainda mantemos viva nossa belíssima religião com seus maravilhosos deuses.
A seguir poderão observar, que nem todas as Yemanjas de que se tem conhecimento, e devem existir muito mais, eram associadas não exclusivamente ao mar, muitas delas tinham seu culto em lagos e rios e até mesmo em fontes. Muita coisa se perdeu durante séculos, por isso não se cultuam todas, apenas temos registros históricos e não litúrgicos.
São 16 divindades registradas em minha pesquisa que recebem o título de Yemonjá, mas aqui no Brasil, só cultuamos em torno de 8 dessas deusas.
Yemanjá Asdgba : É a mais velha, manca de uma perna devido a uma luta com um Exu, rabugenta, e feiticeira, fala de costas, gosta de fiar seu cristal. Comanda as caçadas mais profundas do oceano.Veste branco.
Yemanjá Akurá: Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas. Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro.
Yemanjá Ataramaba: Esta divindade é representada numa forma infantil, historicamente não há registros de como e quando o culto a ela era praticado, mas como referência ela é simbolizada como estando sentada no colo de seu pai, Olokun., o Deus do Mar.
Yemanjá  Iyáku: Vive na espuma da ressaca da maré, muito violenta, está associada aos grandes desastres, registros arquelógicos remontam seu culto a aproximadamente 300 a.C na costa de Togo, a ela eram oferecidos sacrifícios humanos para aplacar sua ira. Não se “raspa” essa Yemanjá.
Yemanjá Ayio: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas. Está associada aos pássaros noturnos, seus altares eram montados no topo de grandes arvores, de onde se avistava o litoral e a mata, só as mulheres tinham permissão de se aproximar dessa divindade. Provavelmente, como a maioria das yabás, tem ligação com o Gelédè ( sociedade secreta feminina das Iyámì Oxorongá ).
Yemanjá Iya Iamasse: É a mãe de Ajaká ( um Xangô). Esposa de Oranian e muito festejada durante as festas consagradas a seu filho. As suas contas são branco leitosas, rajadas de vermelho e azul. Era venerada como a “Grande Senhora de Oyò”, por seu senso de justiça, sentava-se sempre à mesa ao lado de Ajaká, e presidia do conselho dos 12 ministros de Oyó.
Yemanjá Iyemoyo, Awoyó; Yemuo; Iyá Ori ou Iemowo: (os diversos nomes correspondem as diversas tribos que cultuavam as mesmas atribuições da deusa com nomes diferentes). É uma das mais velhas divindades que receberam o título de yemanjá, possui ligação com Olufã, o seu fundamento está no ori (cabeça). Era venerada em Ifé como a “Iyá Ajé funfun” a mãe feiticeira, aquela que curava todos os males. Representa a vida, pode curar doenças da cabeça. Veste branco e cristal.
Yemanjá Konla:  Divindade do litoral sul de Gana, se assemelha muito com a Yemanja Iyáku, O mito referente ao seu culto conta que ela afoga os pescadores, mas isso deve ser uma relação aos ritos sacrificiais desta deusa. O interessante é que ela não residia nos mares, e sim nas grutas; caminhava sempre acompanhada por um lobo. Só saia para receber oferendas, comia as víceras e a carne dava ao seu animal.
Yemanjá Maiyelewo: Esta Yemanjá era venerada no meio da mata, não se sabe ao certo o motivo, mas eram transportada água do mar até o centro da mata, onde havia um buraco no chão. Neste “lago” artificial com água salgada, eram depositadas suas oferendas, é uma deusa estritamente ligada ao uso mágico das ervas. Veste-se de algas, e carrega em sua cabeça uma cabaça com água do mar.
Yemanjá Odo: A deusa do rio benué na Nigéria, muito vaidosa e feminina, ligada aos ritos de fecundidade e agricultura. Seus altares eram lavados com sangue menstrual, uma referência talvez de que só as mulheres ( férteis) poderiam ter contato com a deusa. Alguns historiadores associam sua ligação com Exús pelo fato de existirem “falos” em volta de seus altares, mas provavelmente isso seria mais um item a representar os ritos de fertilidade e fecundidade desta deusa.
Yemanjá Ogunté: Considerada a nova guerreira, dona da espada, esposa de Alagbedé e mãe de Akorô . O seu nome significa aquela que contém a guerra. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Traz na cintura um facão e todas as ferramentas de seu filho. Veste branco; azul marinho, cristal, ou verde e branco.
Yemanjá Olossá :  É a Yemanjá mais velha da terra de Egbadò, considerada na região a Mãe Primordial, esta seria um divindade cultuada em um lago, não aceitava sacrifícios animais e sim agrícolas. Artefatos encontrados em referencia a ela mostram essa deusa usava uma vestimenta de penas. Talvez de pássaros aquáticos.
Yemanjá Oyo: Benéfica, muito feminina, saudada na cerimônia do Padê, se apresentava nua e conduzia o fogo. Não se levanta altares para esta yemanjá, e não se “raspa”. Não se sabe ao certo por que recebeu o título de “Iyá Omo Ejá”, pois não há referencia a ela em ritos aquáticos.
Yemanjá Saba: Fiadeira de algodão, bondosa e caridosa, foi esposa de Orunmilá e por um determinado tempo era consultada para ver o futuro, por seu dom da visão, tinha o título de “Iyá Ojù Itin” ( a mãe que vê na escuridão). Alguns mitos ligam ela à divindade do oráculo, mas historicamente, o ifá só migrou do Egito para a região de Benim depois do culto a esta deusa, aproximadamente 430 a.C.  
Yemanjá  Yasessu :A filha mais velha de Olokun, Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável, mensageira de seu pai, o deus do mar. Vive nas águas sujas do mar e tem como carruagem as arraias ( no mar) e as garças (na terra). Visitava seus devotos à noite, e levava consigo varias cabaças contendo os segredos do mar e da terra. Vários partos eram feitos no litoral e os filhos eram dedicados a ela.  Veste-se de corais e suas contas são de pérolas, andava sempre ao lado de sua irmã mais nova, Ajé-xalugá, a senhora da cura e riqueza do mar.
Yemanjá Yinaé : Aquela que os filhos sempre serão peixes. Também conhecida como Marabô, mora nas águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes; vem sempre a beira do mar apanhar as suas oferendas; era cultuada como uma ninfa. Provedora da fartura para vários povos ribeirinhos. Não se “raspa” essa Yemanjá. Recebia como oferenda as cabeças dos peixes que seus filhos se alimentavam.

Ervas:
Teté = Bredo sem espinhos ,Orim-rim = Alfavaquinha ,Odum-dum = Folha da costa , Efim = Malva branca ,Omin-ojú = Golfo branco ,Jacomijé = Jarrinha ,Ibin = Folha de bicho ,Já = Capeba ,Obaya = Beti-cheiroso ,Ìróko = Folha de loko,Tinin = Folha de neve branca, cana-do-brejo ,Ereximominpala = Golfo de baronesa ,Teterégún = Canela de macaco ,Monam = Parietária ,Jamim = Cajá, Obô = Rama de leite

Adùrá ti Yemonjá ( Reza para Yemanjá)

Yemonjá gbé rere ku e singbá ( Yemanjá, traz boa sorte repentinamente )
Gbè ní a gbè wí ( receba-nos e proteja-nos em seu seio )
To bo rénú odò yin ( te cultuamos em vosso rio)

Òrisá ògìnyón gbá ní odo yin ( orixá que se alimenta de inhames novos, receba-nos em vossa casa)

Dois mitos sobre Yemanjá.
Olodumare fez o mundo e repartiu entre os orisàs vários poderes, dando a cada um reino para cuidar.A Exú deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas. A Ogum o poder de forjar os utensílios para agricultura e o domínio de todos os caminhos. A Osóssi o poder sobre a caça e a fartura. A Obaluaê o poder de controlar as doenças de pele. Osumarê seria o arco-íris, embelezaria a terra e comandaria a chuva, trazendo sorte aos agricultores. Sango recebeu o poder da justiça e sobre os trovões. Oyá reinaria sobre os mortos e teria poder sobre os raios. Euá controlaria a subida dos mortos para o orum, bem como reinaria sobre os cemitérios. Osun seria a divindade da beleza, da fertilidade das mulheres e de todas as riquezas materiais da terra, bem como teria o poder de reinar sobre os sentimentos de amor e ódio. Nanã recebeu a dádiva, por sua idade avançada, de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os mortais; nas profundezas de sua terra, os corpos dos mortos seriam recebidos. Além disso do seu reino sairia a lama da qual Osalá modelaria os mortais, pois Odudua já havia criado o mundo. Todo o processo de criação terminou com o poder de Osogyian que inventou a cultura material.
Para Yemanjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Osalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos. Yemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava.Durante muito tempo Yemanjá reclamou dessa condição e tanto falou, nos ouvidos de Osalá, que este enlouqueceu. O ori (cabeça) de Osalá não suportou os reclamos de Yemanjá. Osalá ficou enfermo, Yemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias, utilizando-se de ori (banha vegetal), de omi-tutu (água fresca), de obi (fruta conhecida como nóz-de-cola), eyelé-funfun (pombos brancos) e esò (frutas) deliciosas e doces, curou Osalá. Osalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais ritos à cabeça.
Yemanjá seria a filha de Olokum, deus (em Benin e em Lagos) ou deusa (em Ifé) do mar. Foi casada pela primeira vez com Orunmyila, senhor das adivinhações, depois com Olofin-Oduduá, Rei de Ifé, com quem teve dez filhos, que se tornaram Orisás. De tanto amamentar seus filhos, seus seios ficaram enormes. Esta foi a origem dos desentendimentos com o marido. Embora ela já o houvesse prevenido, dizendo-lhe que jamais toleraria que ele ridicularizasse os seus seios, uma noite o marido, que havia se embriagado com vinho de palma, não mais podendo controlar suas palavras, fez comentários sobre seus seios volumosos.Tomada de cólera, Yemanjá fugiu em direção ao oeste, o "escurecer da terra". Olokun lhe havia dado outrora, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado, pois "não-se-sabe-jamais-o-que-pode-acontecer-amanhã". E assim Yemanjá foi instalar-se à oeste de Abeokutá, alusão à migração dos Egbás.Olofin-Oduduá lançou seu exército à procura de Yemanjá. Esta, cercada, em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Okun, o mar, lugar de residência de Olokun.

Runa OTHILA


OTHILA / OTHEL / ETHEL


“byth oferleof aeghwylcum mem,
Gif he mot thaer rihtes and gerysena on
Brucan on bold … bleadum oftast.”


O lar é amado por todos os humanos,
Se lá, eles podem adequadamente, e em paz
Desfrutar na sala de uma colheita constante.



Othila, “lar”, é o termo para a terra que pertence e é herdada pelos membros de uma família. Na sociedade rúnica também era prática comum para um senhor emprestar sua terra por uma geração para um individuo em particular como recompensa por serviços leais. Tal terra não era descrita pela palavra “ethel”. O “lar” que pertence a um homem é o lugar onde ele colhe sua experiência e assim aumenta sua criatividade. É seu espaço próprio. As condições ambientais são vistas como muito importantes para o desenvolvimento individual do começo ao fim do poema. Uma pessoa privada se seu próprio lugar, é na verdade um proscrito com necessidade de ajuda. O verso conta com os símbolos do segundo aett para enfatizar a importância do “lar”: a ‘sala’ é o cento da atividade, isso apareceu na runa “sintonia”. A colheita do “lar” é desfrutada na “sala”, que pode ser interpretada querendo dizer que é uma colheita de experiência obtida por meio de reflexão e da contemplação, ou seja, uma colheita real de frutos no qual alimenta toda a família sentados junto à mesa na “sala”.



Na sociedade rúnica, o “lar” tem uma importância muito grande, não se resume apenas a casa ( residência), mas a toda uma estrutura de “comunidade”. Mas isso não é estranho, levando em conta que havia um parentesco de sangue em quase sua totalidade dentro das comunidades. A runa othila representa, portanto, toda essa estrutura, onde havia essas ligações consangüíneas.

O sistema de organização social dentro da comunidade eram de suma importância, onde todos os direitos e deveres eram igualmente respeitados, por isso era considerado “amado por todos os homens”.



Na leitura divinatória, pode significar:


Plano material – reestruturação familiar, patrimônios, herança, nascimento/morte na família.
Plano abstrato – paz/conflitos familiares, disputas, inveja, amor incondicional.
Plano sentimental – casamento (por conta de gravidez), união ou discórdia familiar, brigas por herança, incestos, relações entre parentes consangüíneos.
Plano da saúde – problemas de saúde hereditário, alergias, insônia. 

Plano espiritual – instituição religiosa, altares de devoção ( santos/deidades/entidades), responsabilidades.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Runa INGUZ



INGUZ / ING / INGW

“waes aerest mid eastdenum
Gesewen secgun, ... oth he siththam eft
Ofer waeg gewat; waen aefter-ran;
Thus heardingas thone haele nemdun.”

Ing, no começo, era visto pelo povo
No leste da Dinamarca, até que mais tarde ele
Cruzou sobre as ondas, seguiu com seu carro.
Assim os ouvintes nomearam esse herói.



Mas então, Inguz (Ing) chega. Ele de repente aparece entre os homens e viaja adiante, seguindo seu carro. Ele cruza sobre as ondas, que parece perder seu aspecto negativo com sua passagem, e então desaparece. O avanço de um deus e de seu carro formavam um antigo rito de fertilidade, realizado para libertar o poder criativo preso no solo durante o inverno. Registros desse rito subsistem, no qual Freyr é o deus do carro. Freyr está associado de perto com riquezas da terra e a boa vida do aett de abertura de fehu. Ing, apesar de ser um deus de transformação como Freyr, não opera num nível terreno ou físico. No contexto do aett em que Teiwaz é a chave que liberta os aspectos criativos da psique, Ing está associado a uma constelação solar, assim sendo ele ainda é um outro talismã celeste capacitado a levantar os olhos do homem do pó do ambiente limitado, e a expandir seus horizontes. “A palavra “Ing” também quer dizer “tição” ou “farol”; ela aparece nesse contexto no nome da colina inglesa, “ Ingleborough”, nomeada depois da ruína romana no seu ponto mais alto, o ‘campo do farol’.


Em contraste com a runa pertho “sintonia”, que representa o principio feminino ligado a fecundidade/gestação, Inguz representa o principio masculino, nas mesmas características. Assim sendo é o próprio falo que insemina o óvulo e gera a vida. As inscrições com Inguz era comumente usada nos ritos ligados a fertilidade, geralmente para que a terra produzisse seus frutos.

A presença de uma divindade nesse aett não é incomum, pois representa a elevação espiritual do homem e a busca pela perfeição e sobrevivência vinda do plano espiritual. Esta é uma runa extremamente positiva, pois representa essa participação “divida” no contexto da sobrevivência humana.


Na leitura divinatória, pode significar:


Plano material – conquistas de bens, novas responsabilidades, conhecimento cientifico, concretização de um objetivo, sucesso nos empreendimentos, equilíbrio financeiro.
Plano abstrato – racionalidade, objetividade, autoritarismo, arrogância, preconceitos. 
Plano sentimental – chefia do lar, segurança, libido masculina, sentimento de posse, exibicionismo, fieis amizades, traições amorosas por desejo/libido.
Plano da saúde – impotência masculina, vicio de sexo, atividade mental em excesso. 

Plano espiritual – ajuda divina, solução de problemas através da espiritualidade, reconhecimento.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Deve-se cobrar tratamento espiritual?


Cobrar ou não pelos "trabalhos espirituais"?

Bem, mais uma vez batendo nessa tecla. Primeiro vamos expor algumas definições:

O que é espiritualidade?

É uma ação direcionada consciente ou inconsciente ao plano espiritual, que está desprovida de "obrigações". Todos tem um certo tipo de conexão com a divindade, seja ela externa ou interna. Portanto, a espiritualidade não tem nada a ver com religião, que em suma seria o re-ligare, com a própria espiritualidade.

O que são "trabalhos espirituais"?

É a forma atuante da espiritualidade, que pode vir em diversas formas litúrgicas: oração, benzedura, oferendas, manipulações telúricas, cânticos, celebrações etc.

Quando e porque são necessários alguns trabalhos espirituais?

Trabalha-se a espiritualidade de uma pessoa, quando esta não está suficientemente preparada para tal, despreparo esse que pode ser de ordem emocional, psicológica, energética. Então, procura-se uma senda 'Mágika' para que se possa fortalecer essa espiritualidade. Alguns procuram sendas "cósmicas" como: meditação, oração, interiorização etc. Outros procuram as sendas "telúricas" (mais comuns), que podem estar ligadas a liturgias de raiz primitiva (terra), com o auxílio de divindades, espíritos e a própria Natureza e seus elementos.

Porque, geralmente, se cobra por trabalhos espirituais?

Três motivos me levam a responder esta pergunta.

1- TUDO no Universo é uma troca, sempre foi e sempre será. A energia é cíclica e é "dando que se recebe", literalmente. 
2- Todo tipo de preparo espiritual, por parte do Sacerdote, requereu um investimento, seja através de material de estudos, tempo e utensílios litúrgicos.
3- Quando se busca um caminho telúrico para um tratamento espiritual, há despesas materiais, que pode ser resumido em: luz, gás, objetos ritualísticos, alimentos, minérios, flora etc. E esta despesa não cabe ao sacerdote.

Não estou dizendo que o Sacerdócio seja um tipo de profissão. Mas, na maioria dos casos, o Sacerdote sobrevive de sua espiritualidade e tem suas contas para pagar, contas essas que inclui, inclusive, o local onde haverá a atuação do tratamento espiritual - residencia própria ou templo.

Mas, ainda tem aqueles que consideram que a espiritualidade é um dom, dado por De@s, de graça, e não deve ser cobrado. 

Oras, foi dado À Pessoa, para uso próprio, e todos tem; portanto, se não querem ajuda, use sua própria espiritualidade; pois De@s não escolheu a quem dar, Ele deu a todos. Quem quer caridade vai procurar uma Instituição de Caridade, que geralmente são mantidas por ONG's ou Governo. Então, neste caso, o Sacerdote não tem despesas e oferece como caridade o seu tempo livre.

Outro ponto a ser abordado é o "quanto" cobrar por estes tipos de tratamentos. Ninguém é burro o suficiente para não ter a noção de custo de determinados utensílios comercializados normalmente por aí. Portanto, não cabe e nem é coerente que um sacerdote se utilize de seus conhecimentos para exploração da fragilidade do outro. Vemos constantemente notícias de valores exorbitantes e totalmente sem sentido, cobrados para certos tipos de tratamentos. E neste caso, cabe ao necessitado ter consciência disso, e não cair nas mãos destes inescrupulosos, sejam eles de fato Sacerdotes ou meros estelionatários.

sábado, 2 de novembro de 2013

A CASA do Lenormand.



Essa carta do Lenormand me fascina. Toda vez que a vejo em uma jogada procuro estudar tudo a sua volta. Considero a casa não só a habitação, ela é nosso 'Templo' físico; o lugar onde nos sentimos seguros, nosso repouso, nosso LAR - literalmente em sua origem da palavra : Lares (deuses romanos protetores do domicílio).
Em nosso Lar nos aquecemos ao aconchego da família, amigos, animais de estimação, etc.
Várias coisas podem ser construídas em nossa casa: uma família, uma profissão, amizades, amores, diversões...
A casa sempre nos remota à situações de ordem muito pessoal: nosso EU, nossa família, nossa ancestralidade. As pessoas sem um Lar (casa), são geralmente, consideradas pela sociedade, como párias ; assim uma casa, seja ela própria ou alugada, é sempre um sinal de que, consciente ou não, fazemos parte de uma sociedade organizada. Talvez, por isso a casa sempre nos remete a "segurança", que não necessariamente seria física, mas sim social.
Estar atento a posição da casa em uma consulta, pode nos sinalizar até que ponto o consulente se sente totalmente realizado. Pois a condição mais próxima de tranquilidade que temos é saber que após um longo dia de trabalho temos um local para nos refazer, nos tranquilizar, nos alimentar, dormir, refazer as energias, orar, receber aquele carinho de nossos filhos, amigos, familiares, animais . Enfim, parafraseando a Doroty ( Mágico de Oz ): " Nada como nosso Lar..." E assim vamos batendo nossos sapatinhos, esperando poder retornar para casa, como se nada tivesse acontecido.


E se espalhássemos as cartas Lenormand pela casa? Onde elas cairiam?



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Ósóròngá - as "bruxas" na cultura Iorubá.



Na liturgia tradicional Yoruba a que deu origem a Afro-brasileira, a Mãe Universal é denominada como a própria Terra-Negra, consequentemente possuindo vários nomes referentes a seus vários aspectos, não só dentro do âmbito natural como também dentro de vários âmbitos religiosos Yorubà. Um de seus títulos mais respeitado é ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ, nome que é cultuada na “Sociedade Òsòróngà”. Já na sociedade Òrìsà onde é cultuada primordialmente junto com ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, principalmente por ser o âmbito que ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ entra ritualmente no contexto feminino na interação com o oposto através de tudo que é Branco, se relacionando intimamente no culto da cabaça de Efun, atuando como um significante complemento na formação do Par universal e sobrenatural, ou seja, a união dos opostos refletida numa visão da união de ÒÒRÌSÀNLÀ como o esposo mítico da grande Mãe Òrìsà ÌYÀMÌ-NLÀ, renomeada necessariamente com o nome de ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ onde é primordialmente proprietária da cor vermelha, cor símbolo da vida, fonte de energia, poder sobrenatural, vivacidade, crescimento, dinamismo, movimento, possibilidade, sensibilidade, fertilidade. 

Somente após a união ritual do branco com o vermelho, os quais unidos ritualmente são aspecto rituais capazes de dar existência à algo, tanto espiritual quanto físico, ou seja, a única forma de se fazer nascer ritualmente a força de um determinado Òrìsà no culto e principalmente numa cabeça de Yawo, como também expressam a forma de união dos gêneros (macho e fêmea) presidindo o nascimento de seres físicos no planeta.No culto chamado Awo-Funfun, ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ é conhecida como a Mãe vermelha, onde necessariamente é mantida com esse mesmo nome, estruturalmente cultuada como esposa mítica de ÒÒRÌSÀNLÀ-ÒBÁTÁLÀ, onde entre muitos títulos classificados funfun’s (primordiais) é também chamada de IYEMOWO (mãe que possibilita dinheiro à suas filhas), ou seja, os búzios, elemento este símbolo da riqueza e ancestralidade de todas as Iyagbas, pertencendo primordialmente a Bàbáluàiyé o Òrìsà que possibilita riquezas matérias. Este fato é comprovado na iniciação de um Yawo seja à ÌYÀMÌ ou IYEMONJA, quando irrevogavelmente tanto em pequenos ou grandes rituais, seus Elegun’s saem à público com suas roupas Vermelha ou Branca completamente cobertas de Aje ( Búzios), num pedido único de riqueza seguidamente expressando a antigüidade desse Supremo Òrìsà feminino, seja qual for seu aspecto. 

Dizer que ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ não é um Òrìsà, ou dizer que Ela simplesmente não tem iniciação num culto próprio, é indiscutivelmente incorrer numa enorme falta de conhecimento referente a ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ.

O que é preciso distinguir sobre o nome ÒSÒRÓNGÀ, que é nada mais nada menos, que uma Sociedade executora de rituais aos ancestrais, onde ÌYÀMÌ encabeça como a matriarca das IYÁ-MI (minhas mães), ou seja, tanto Òrìsà’s Obirin (fêmeas) quanto os espíritos das Mães remotas e recentemente desencarnadas (Egungun feminino), cultuadas num complexo de ascensão a feminilidade, onde o homem principalmente tem seu precioso desempenho, administrando as forças femininas, num outro tipo de interação dos opostos, agora força sobrenatural feminina somada a força física masculina, ato precioso para ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ, que abençoa os homens com fecundidade através de Òòrìsà’nlà. Desta maneira está comprovado que homens capacitados pode sim, administrar pequenos e grandes rituais à ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ,até porque hoje, o fato de incorrer os homens à não cultua-la, foi devido uma pequena deturpação que aconteceu na Bahia/Salvador, quando um séquito de mulheres praticavam rituais às GÈLÈDÈ’s abstendo os homens a participarem de tais ritos, “era tanta força que elas tinham que o culto acabou se extinguindo completamente”,fato que deu origem a uma irmandade de mulheres de crença Católica... fatos que para os Yorubanos não tem coesão alguma referente ao culto de GELEDE, o que na verdade, é outro departamento em que ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ está inserida de forma complexa distinta comparado ao seu culto próprio.

Note bem, como faz uma grande diferença de acentuações do nome ÌYÀMÌ (poderosa e respeitável Mãe), o que torna totalmente diferente do nome IYÁMI (minha mãe), tanto na escrita quanto na característica verbal desempenhada no título. Por isso, tanto na sociedade ÒSÒRÓNGÀ quanto na sociedade Òrìsà, ÌYÀMÌ mãe universal, é, e deve sempre ser cultuada como o núcleo feminino, como também na interação do seu oposto, que é o próprio ÒÒRÌSÀNLÀ, o Pai Universal. 

Na verdade, ÌYÀMÌ é uma poderosa força singular que atua naturalmente como uma matriarca, num tipo de canalizadora do poder sobrenatural ou físico feminino, particularidade especial que cada uma Elas desempenham um tipo de função diferenciada, mas primeiramente como verdadeiras fontes geradoras de vidas, onde todas estão voltadas para a Grande Mãe que é o Òrìsà ÌYÀMÌ, atuando como base estrutural da vida, que em natural oposição preside a morte. Fato que comprova sua estreita relação com os Egunguns. Por isso, explicitamente de forma figurativa é afamada também como a Dona dos Mares, ou seja, o próprio útero mítico planetário, possuindo suas Águas Verdes ou Azuis, cores estas oriundas do Negro, o que comprova sua inteira relação com a morte e consequentemente com Egungun, fato que recebe o nome de ÌYÉMÒNJÁ-ÒDUÀ, possuindo poderosamente uma característica anfíbia associada ao Mar e a Terra. Por isso ÌYÀMÌ seja sob o titulo de ÒSÒRÓNGÀ ou IYÉMÒNJÁ, é uma única Grande Mãe, que irrevogavelmente está naturalmente e ritualmente relacionada a uma condição anfíbia, possivelmente cultuada Tanto na Água quanto na Terra com nomes distintos, o que faz da grande Mãe Poderosa em seus vários aspectos rituais, quando acontece suas transmutações no âmbito natural e no âmbito religioso. Comprovamos isso no culto de Egungun, onde ÌYÀMÌ é a primordial proprietária do Mel (elemento natural), cujo alimento é muito utilizado no culto à todo os Egungun (ancestral), principalmente SÀNGÓ. Já dá para perceber, o verdadeiro motivo que nas rodas de SANGO se louva tanto IYÉMÒNJÁ-ÒDUA, não havendo veracidade no fato de SANGO ser uma prole direta de IYÉMÒNJÁ e sim porque IYÉMÒNJÁ é a Mãe mítica de todos os seres vivos, e principalmente pela condição de SANGO ser um memorável e grande Egungun desencarnado, o qual é cultuado aqui no Brasil equivocadamente como um Òrìsà, onde acabou sendo confundido com os próprio Òrìsàs JAKUTA e AGANJU, nos quais SANGO foi iniciado individualmente quando vivo.
Este é o verdadeiro fato que ÌYÀMÌ ÒSÒRÓNGÀ necessariamente, com o nome de IYÉMÒNJÁ, é louvada nas Rodas de SANGO, ou seja, é também inserida nos rituais do grande Egungun-Sango, representante primordial do séquito ancestral Yorubà, fato ignorado aqui no Brasil pela maioria dos que exercem o titulo de Babalorisá e Iyalorisá. Pois até os Uruguaios e Paraguaios corrigiram este assunto, e já estão bem a frente comparado ao Brasil no tocante a SANGO. 
Voltando ao contexto feminino, ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ é uma Poderosa força voltada ao principio feminino, principalmente na função do Útero, Seios e Regra Menstrual, uma Mãe dotada de liderança, justeza, parcialidade e irritabilidade efêmera, possuidora de Astúcia e Sabedoria.
Na sociedade das GÉLÈDÈ (mascaras), Ela é também chamada pelo nome ÌYÀMÌ-AKO, titulo que faz referencia ao Pássaro “Wako-wako” representante de sua principal expressão Animal Alado e Caçador. No culto GÈLÈDÈ, acontece a saída seqüencial das mascaras, onde a mascara AKO encabeça o titulo de IYALODE (primeira dama da sociedade). ÌYÀMÌ-ÒSÒRÓNGÀ é ainda chamada ÌYÀMÌ-AKOKO (Poderosa e respeitável Mãe ancestral Suprema), pois este titulo entre alguns outros é somente uma referencia a antigüidade da Terra (O planeta).

Ìyàmì-Òsòróngà = Poderosa Mãe cultuada na Sociedade Osoronga. 

Ìyàmì-Ajé = Poderosa Mãe administradora do Poder Sobrenatural. Titulo em alusão quando seu culto é realizado na LUA NOVA na finalidade de utilização dos poderes sobrenaturais em defesa a uma agressividade (feitiço), ou relacionado aos projetos, ideais, envolvimentos e recolhimento de Yawo. “Por ser o ciclo mais escuro da lua”. 

Ìyàmì-Eleye = Poderosa Mãe Proprietária dos Pássaros. 

Ìyàmì-Oduwà = Poderosa Mãe proprietária do recipiente da existência (o mundo). 

Oduduwà = Recipiente Negro Existencial (A Terra figurativamente Negra)
Ìyàmì-Odu = Recipiente – Útero – Cabaça – O Planeta – Ovo – Esfera existencial. 
Ìyàmì-Alaiye = Poderosa Mãe proprietária de toda extensão Terrestre. 
ÌYÀMÌ-EKUNLAIYE = PODEROSA MÃE QUE INUNDA A TERRA COM ÁGUA... 
Ìyàmì-Iyemonja = Poderosa Mãe senhora que possui muitos filhos como cardumes de Peixes. “Uma alusão a sua qualidade anfíbia a quantidade de ser humanos existentes na terra comparada aos peixes no Mar”. (Titulo relacionado a Egun e não a Ogun como muitos erradamente afirmam)
Ìyàmì-Iyemowo = Poderosa Mãe que é o próprio dinheiro de suas filhas (búzios). “Uma alusão a grande quantidade de búzios que utiliza em suas roupas” (Titulo que é cultuada no culto de Orisanlá). 
Ìyàmì-Omolu = Poderosa Mãe a filha sagrada de Deus. (Título que é cultuada ao lado de Obaluwaiye)
Ìyàmì-Omolulu = Poderosa Mãe rainha das formigas. “Uma referencia ao fato de estar associada ao subsolo (Título que é também cultuada no culto de Obaluwaiye)”.
Ìyàmì-Ori ou Iya-Ori = Poderosa Mãe das Cabeças. “Uma alusão ao fato de está relacionada aos rituais de sacrifício animal sobre uma cabeça”. (Titulo que é também cultuada nos ritos de Bori).


Ìyàmì-Buruku = Poderosa Mãe Antiga. Uma referencia ao planeta na sua Antigüidade existencial. 
Ìyàmì-Agba = Poderosa Mãe ancestral associada ao poder feminino. 
Ìyàmì-Ako = Poderosa Mãe que é o pássaro Ako. Titulo referente ao 3o dia da lua cheia e a seu culto exatamente na sociedade das Geledes. 
ÌYÀMÌ-IYELALA = PODEROSA MÃE SENHORA DOS SONHOS. (RELACIONADA À REVELAÇÃO DE SITUAÇÕES ATRAVÉS DE SONHOS). 
Ìyàmì-Ayala = Poderosa Mãe esposa daquele que é o Céu. “Uma referencia ao fato da Terra ser coberta pelo Céu o próprio Orisanla”. 
Ìyàmì-Onilé = Poderosa Mãe proprietária da Terra. “Titulo referente a reverencia e aos rituais realizados dentro da terra”. Outra referencia é ao fato de ser o lugar mais próprio de se cultuar toda classe de espíritos, na qual Ela é a grande apaziguadora desses espíritos ou forças rebeldes. Numa única função de tranqüilizar, apaziguar ou neutralizar qualquer tipo de força oculta agressiva. 


ase o!



ORIKÍ TI IYAMÍ ÒSÒRÒNGÁ

MO JÚBÀ ÈNYIN ÌYÁMI ÒSÒRÒNGÁ

O TÒONÓN ÈJÉ ENUN

O TÒOKON ÈJÉ ÈDÒ
MO JÚBÀ ÈNYIN ÌYÁMI ÒSÒRÒNGÁ
O TÒONÓN ÈJÉ ENUN
O TÒOKON ÈJÉ ÈDÒ
ÈJÉ Ó YÈ NÍ KÁLÈ O
Ó YÍYÈ, YÍYÈ, YÍYÈ KÒKÒ,
Ó YÍYÈ, YÍYÈ, YÍYÈ KÒKÓ.



Meus Respeitos A Vós Minha Mãe Òsòròngá

Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue Interior

Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue, Do Coração E Do Fígado.

Meus Respeitos A Vós Minha Mãe Òsòròngá
Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue Interior
Vós Que Seguíeis Os Rastros Do Sangue, Do Coração E Do Fígado.
O Sangue Vivo Que É Recolhido Pela Terra Cobre-Se De Fungos.
Ele Sobrevive, Sobrevive, Ó Minha Mãe Velha,
Ele Sobrevive, Sobrevive, Ó Minha Mãe Velha. 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Saudades dos Orixás.




Essa semana estava conversando com um amigo sobre o candomblé de hoje em dia, e fazendo algumas comparações com os de "antigamente". 
Me recordo claramente minha aflição por ter que ficar recolhido 3 meses dentro de uma roça; ter que acordar as 4h da manhã para tomar banho de ervas no Tempo - inverno, me recolhi no mês de agosto; de ter que tomar um mingau insosso; de comer alimentos sem temperos e pouco sal; de dormir em uma esteira no chão de terra batida; de acordar a qualquer hora para uma série de rezas; de ter que andar de cabeça baixa; e tantas outras coisas.

Hoje, sinto saudades de meu "barco", dos meus irmãos e de meu babalorisà - que faleceu ano passado. Se passaram 21 anos e muita coisa mudou; o candomblé de antigamente, quase extinto, dá lugar a uma nova modernidade. 

Antes, "Orixá" era simples sem deixar de ser belo; hoje é glamour, brilhando mais que alegoria de escola de samba. 
Antes, "Orixá" era humildade; hoje é Ego exacerbado.
Antes, "Orixá" era pura Natureza (de Natural); hoje é robótico (de programado).
Antes, "Orixá" era Fé e Devoção; hoje é comercial e profissão.
Antes, "Orixá" era Pai e Mãe espirituais; hoje são juízes e carrascos.
...

Ah, não vou ser tão radical. O tempo muda mesmo e não devemos ficar presos a conceitos tão primitivos. Mas hei de convir que, mesmo com nossa modernidade, é imprescindível que mantenhamos alguns aspectos devocionais inalterados. Mas estou sendo bem sincero quando digo que me assusta até onde essa modernidade vai parar.

Alguns aspectos litúrgicos devem e podem ser mudados, como por exemplo a imolação; que hoje não caberia mais em seu real propósito, que era de alimentar o povo. Afinal de contas, as pessoas hoje, em sua grande maioria, vai as casas de asè para beber, sim BEBER! Chega a ser engraçado quando alguns me convidam a uma festa de Orixá, e logo e tentam me convencer a ir porque vai ter 100 caixas de cerveja. 

Enfim, enquanto as pessoas não souberem desenvolver discernimento espiritual, jamais entenderão a diferença entre Orixá e "candomblé atual". 

Espero que os verdadeiros Orixás não tenham morrido, afinal os deuses também não são eternos; e sim, estejam escondidos ou pegado o "caminho de Aruanda" de volta para casa.

Que Iyá Omo ejá e Osò òsí abençoe a todos nós com discernimento e responsabilidades espirituais.

Luqiam (28-10-13)

A Arvore




A árvore sempre será sinal de bons auspícios.

Fonte de vida para diversas espécies; seja com seus frutos, suas propriedades medicinais, sua fotossíntese, sua sombra... e em tempos remotos um lugar de proteção contra os predadores.

A Árvore é um dos bens mais estimados da natureza. Quando não semeada propositalmente, a natureza dá um jeito de fazê-la por meios de pássaros, ventos, excrementos animais. etc.

Na cartomancia ela está presente direta ou indiretamente: no baralho Lenormand em sua carta 5 (a árvore), no Tarô em sua carta 12 (pendurado) e nos naipes, em "paus".

Na cultura Rom, sempre que se tinha uma noticia de gravidez na família, a avó plantava uma semente e cuidava zelosamente de sua germinação e crescimento até a criança completar a idade de 13 anos. Essa árvore era constantemente limpa e regada como a representação simbólica, quiçá mágica, dos cuidados à saúde da criança.

A "figura" da árvore está presente como protagonista até nas mais remotas histórias, como por exemplo da Bíblia - a árvore do conhecimento.

Fico a me perguntar: até que ponto vai a importância desse Ser entre nós? Será que existe algo "além", que ainda não percebemos? Já se perguntaram: Por que me sinto tão bem entre as árvores, por exemplo, em uma floresta?

Voltando ao Lenormand, essa carta é uma das mais importantes a serem analisadas em um lançamento; ela irá indicar a própria vida do consulente diante a situação apresentada. Geralmente a associo a própria saúde do consulente, seja ela mental ou física.

Essa carta pode está direta e indiretamente ligada a algumas outras cartas do baralho, e com essas pequenas observações, podemos ampliar nossa interpretação nas leituras.

Ao Cavalheiro (01) - como local de descanso diante uma longa cavalgada.
Ao Trevo (02) - como base para sua proliferação.
Ao Navio (03) - como matéria prima para sua construção; ou a queima para combustão (em navios a vapor).
A Casa (04) - como matéria prima para construção; ou puro ornamento.
As Nuvens (06) - formadas a partir da condensação.
A Serpente (07) - habitat e esconderijo de algumas.
O caixão (08) - matéria prima.
As Flores (09) - quando florescem.
A foice (10) - matéria prima para a haste que sustenta a lâmina.
O Chicote (11) - matéria prima utilizando seus cipós ou raízes.
Os Pássaros (12) - Como local para a construção dos ninhos.
A Criança (13) - Local para diversão - balanços e gangorras.
A raposa (14) - Como esconderijo.
O Urso (15) - Como fonte de prazer - Algumas espécies de ursos se esfregam em arvores para se coçar.
A Cegonha (17) - Construção de ninhos.
O cão (18) - Instrumento de demarcação territorial.
A Torre (19) - Os primeiros pontos de observação e proteção de fortalezas foram em árvores altas.
O Jardim (20) - Fornece sombra e frescor.
A Montanha (21) - Árvores em seu sopé adiam seu processo de erosão.
Os caminhos (22) - Sinalizadores ou marco de referência.
Os ratos (23) - Fuga de predadores; fonte de alimento.
O Coração (24 - Causa tranquilidade e bem estar.
O Anel (25) - Alguns casais tem hábitos de entalhar suas relações em seus troncos.
O livro (26) - Matéria prima do papel.
O Envelope (27) - resina usada para colar selos e selar o envelope.
Homem e Mulher (28 e 29 ) - fonte de alimento, sombra, descanso, lazer e diversão.
Os Lírios (30) - se tornam mais resistentes quando plantados aos pés de uma árvore.
A Chave (33) - Os primeiros instrumentos de abertura e fechadura de trancas eram de madeira.
Os Peixes (34) - A vida nasce nas raízes das árvores mangais.
A Âncora (35) - As primeiras embarcações fenícias eram "ancoradas" em árvores.
A Cruz (36) - Matéria prima original.

Observem que os luminares (Sol, Estrela e Lua) ficaram de fora, porque interagem de maneira inversa: eles influenciam a germinação, crescimento e morte das árvores; fazem parte de sua manutenção.

Luqiam Osahar (28-10-13)