quinta-feira, 29 de março de 2012

Águas de Março


                                                            (Tarô egípcio- Silvana Alasio)


Com essa caminhada para o inverno, esse outono, e diga-se de passagem, é a estação que mais gosto, coincide com Mércurio Retrógrado em Peixes. Me sinto literalmente um "peixe" fora d'água (rsrsr), a sensação é de recolhimento para mudanças que necessitam ser realizadas, tanto na interno quanto no externo. Isso me remete ao Arcano 9 - O Eremita, que nos ensina a rever nossos conceitos e padrões a partir da necessidade de nos recolhermos e reavaliar nosso futuro a partir de experiências passadas. Vamos acender a lanterna e seguir rumo ao interior da caverna... Ops : voltar antes da luz se apagar, se não ficaremos presos a nossos medos e sombras.

Vamos permitir que essas águas de março lavem nossa alma e nosso corpo, caminhando junto ao Sol para seu recolhimento. É momento de acompanhar a Natureza nesse ciclo de morte-renovação. Que nossas folhas caiam e dê passagem para uma nova roupagem, uma nova vida cheia de esperanças e boas-ventura. 

Assim como o De@s, vamos nos aproximando da época de escuridão, um momento de mergulhar no nosso inconsciente e renascer para novas verdades e depois trocar esses tons pasteis pelas cores vivas do próximo equinócio. Enquanto isso, é só relaxar e seguir o fluxo da Natureza.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A Natureza de GEB

Estava eu ontem assistindo a série "Primitivo", e pensando com meus botões: Como nós (seres humanos) somos bobos! O que nos faz pensar que somos tão "especiais"? Outrora a Natureza já eliminou tantas espécies, por um fator desconhecido a nós. Como podemos nos considerar a espécie no topo da cadeia alimentar? Se para a natureza TUDO e TODOS são iguais ! Todas especies são compostas basicamente das mesmas substancias e átomos, necessitamos de mesmo ambiente para sobreviver, respiramos o mesmo ar, e por fim : Vamos parar no mesmo lugar - embaixo da terra!

É claro que, com nosso potencial de desenvolvimento evolutivo, nossa mente nos transformou em "monstros" e "heróis"; mas, o que é isso tudo diante do poder da Natureza? Que, com o mesmo modo que nos alimenta, nos mata.

Hoje em dia, nós vemos uma série de movimentos : "vamos salvar o planeta...", quem somos nós? Gente, a Terra sempre soube se renascer, há bilhões de anos Ela vem mudando de diversas maneiras, e sempre se saiu bem, sempre se renovou e deu origem a novas especies. Antes, fatores externos (meteoritos, tempestades, inundações, etc.) e hoje: a cobiça desenfreada do Homo sapiens.

Mas não vamos nos enganar, não somos NADA! Para a Natureza temos a mesma importância de uma pequena semente de linhaça que acaba de desabrochar, e logo mais, poderá ser consumida. Vamos parar de nos achar o "centro" de tudo.

Uma evolução está acontecendo na mente de todos, e espero que um dia todos possam tomar consciência de quem realmente somos e o porque estamos aqui, não como matéria, e sim como energia. Porque essa sim (a energia) nunca é desperdiçada pela Natureza.

Mas, alguém pode pensar : "Luqiam, mas nossa natureza é divina, o deus(a) habita nosso Ser...", sim, concordo ! Mas também considero que essa "divindade" habita também outras matérias, quiçá um simples protozoário. A questão é não nos acharmos melhor que nossos irmãos - sub entenda-se : Tudo que habita o mesmo eco sistema. "Ahh, mas também somos os únicos a raciocinar." Não parece! Conforme a ciência, usamos apenas 10% de nossa capacidade cerebral; e o que dizer dos golfinhos? Que utilizam 30%! Nossaaaa, como somos burros!

Quando deixarmos essa carcaça que abriga nosso éter, aí sim! Poderemos, quem sabe nos considerar alguma coisa.

Para os egípcios, GEB, o deus da Terra, era imparcial - Senhor da vida e da morte! E, conforme alguns mitos, a ele era atribuído também o aprisionamento de algumas "almas", impedindo-a de viajar além das estrelas. O por que disso? Um simples raciocínio pode responder : Um espírito não preparado para a evolução!

Esta minha linha de pensamento não exclui, de maneira nenhuma, nossa culpa e quem sabe nossa responsabilidade em cuidar de nosso meio (natureza); mas vamos parar de nos achar tão especiais. Um dia, seja próximo ou distante, a raça humana desaparecerá e dará lugar a uma nova espécie! É a Lei natural de renovação de Geb (Terra).

E enquanto isso, vamos vivendo o hoje! E aprendendo a respeitar e nos igualar a tudo que nos rodeia.

quarta-feira, 14 de março de 2012

A Estrela (Tarô)

                                                         (Tarô Egípcio - Silvana Alasio )

Falando de constelações, me veio alguns pensamentos sobre a Estrela do Tarô - um arcano estritamente ligado a espiritualidade, não se falando de dogmas, mas de uma essência divina dentro de nós. A estrela me transmite uma conexão mais profunda com nossa "divindade"; considerada por muitos uma lâmina de "sorte". Entretanto,  a denomino como a "Fé", e não esperança. Não falo de uma fé vazia, um acreditar consciente em algo, e sim daquela fé inconsciente, aquela que não sabemos de onde vem e que do nada nos levanta de uma crise, nos faz sair de um estado terminal, de um coma, de uma vontade de viver.
A estrela é a Luz no fim do túnel, é a faísca de luz que sinaliza o Louco a sair dos escombros da Torre. A Estrela "guia", aquela que guia nosso consciente para uma visão melhor do mundo. Entretanto, temos que ter cuidado, para que essa Fé não seja cega, ou nos deixe cego, dando lugar ao brilho em excesso, e venha ofuscar nossa realidade. A Luz da Estrela é sutil e constante, sempre se encontra presente, por mais que o céu esteja nublado.
Que nossa Estrela, nossa Fé mais profunda a natural, continue ardendo dentro de nossos corações, não deixando jamais nos desanimar pelos encalços da vida.

Egito, o espelho do céu ( I parte )



Estes dias estava eu no meu terraço e observando as "Três Marias", aí então me veio a idéia de falar um pouco disso; lembrei a importância que os egípcios antigos davam a constelação de Órion.
As estrelas e astros sempre tiveram uma importância para os antigos egípcios, não é atoa que várias de suas construções foram matematicamente calculadas em ângulos celestiais, em referencia aos astros e constelações que orbitam nosso sistema solar.
As constelações eram vistas como degraus para uma vida futura, e uma de grande importância para eles é a constelação de Orion, uma das poucas visíveis todo ano nos dois hemisférios. Órion  tem uma forma de trapézio formada pelas estrelas Betelguese, Rigel, Bellatrix e Saeph. Dentro do trapézio temos outras tres estrelas muito brilhante, de magnitude entre 1,70 e 2,23 - Mintaka, Almitan e Almitak ( conhecida popularmente como três Marias).

Vizinho a constelação de Órion estão as constelações de Gemini (Gemeos), Taurus (Touro), Lepus (lebre) e Monoceros (unicórnio). Órion, que significa "Oriente", e por ser visível nos dois hemisférios, acabou dando origem a vários mitos em diversas culturas, entre elas a Celta, Grega, Sumeriana, Nórdica etc.
Para os Egípcios, a constelação de Órion é a morada de Osíris, logo após ser ressuscitado por sua esposa Isis (Estrela Sirius). 
Conforme o Livro dos Mortos, é na constelação de Órion que está o Tribunal de Osíris, e talvez por isso, as piramides de Gizé tenham tanta relevância e associação com esta constelação. Estas piramides no Vale de Gizé se alinham com a com as estrelas Mitaka, Almitan e Almitak; isso se dá exatamente no solístico de inverno.

Virgina Trimble e Alexander Bardawy foram os primeiros a notar que os "respiradores" da piramide de Queops apontavam para a constelação de Orion, exatamente para o centro da nebulosa desta constelação; indicando assim, representativamente, a viagem da alma ao encontro de Osíris e seu Tribunal.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Dinastia I, II e III


                                                                        (Narmer)

As primeiras dinastias são remanescente de um período dinástico primitivo, antes do grego Menetto elaborar o esquema de 30 dinastias.
Os soberanos governantes deste período vieram de uma cidade "lendária" This, conhecidos como Reis Tinitas. Conforme o egiptólogo Flenders Petrie, estes primeiros reis são descendentes de invasores mesopotâmios, entretanto essa teoria se torna descartável com as novas descobertas de uma cultura notável, que se tornaria a riz das civilizações clássicas.
Todo desenvolvimento cultural e politico mostra que estes habitantes não vieram de fora, e sim de cidades autônomas do Vale do Nilo.
A Primeira dinastia é marcada com a primeira unificação do Egito sob o domínio do Faraó Narmer, neste período Menphis foi construída e se torna a 1º capital politica onde a escrita é difundida, e criada as primeiras escolas iniciáticas.
Foi um período muito mais politico e tecnológico do que militar. Neste período os faraós adotavam o nome de Hórus como titulo real, que os relacionava ao deus falcão solar.
Nermer cria um sistema de províncias administrativas denominadas Sepat, porém não funciona muito bem; futuramente iria funcionar nos períodos ptolomaicos.

                                                              (Pirâmide de Saqqara)

Na segunda dinastia, entre 2.770 e 2.649 a.C a capital foi transferida para Saqqara e o primeiro rei deste governo foi o Faraó Peribsem; este resolve então adotar o nome real de Set em vez de Hórus, o que denota uma provável disputa real baseada na mitologia local. Porém uma reconciliação entre as adorações ocorre no reinado de Khasekemwy, se significa : "Os dois senhores descansam nele", ou seja, este faraó adoraria as duas divindades Hórus e Set, em prol de uma possível harmonia, ou Unificação do norte e sul.

Na terceira dinastia, 2.630 a 2611 a.C, Djoser, o segundo faraó constrói o maior edifício da época, a piramide  de Saqqara, com uma altura de 60 metros. Entretanto, com a construção de um tumulo real, chamado de Mastaba, o projeto foi muitas vezes modificado até atingir uma pirâmide de 6 degraus. O responsável pela obra foi o então tão conhecido arquiteto e sacerdote de Thoth, Inhotep I, imortalizado nas estatuas.
                                                                         (Djoser)

No final deste período, as fronteiras do Egito já estava nas primeiras cascatas do Nilo, e com a morte de Djoser encerraria o periodo dinástico inicial, conhecido como época arcaica.

Pouco se tem conhecimento sobre a cultura religiosa deste período; os registros citam com base divina, Hórus - o Maior ( em sua forma falcão solar). Mas, levando em conta as disputas citadas - Hórus X Set, isso indica uma cultura religiosa aos Neter - deuses, bem mais arcaica do que realmente conhecemos. Esta referencia à disputa de poder através dos deuses se refere a grande batalha entre o norte e sul do Egito, mitologicamente ligada ao bem e o mal.

Cronologia:

Primeira Dinastia - 3.150 - 2.925 a.C

Narmer - 3150 a 3125 a.C
Aha - 3125 a 3100 a.C
Djer - 3090 a 3080 a.C
Den - 3080 a 3000 a.C
Anedjib - 3000 a 2950 a.C
Semerkhet - 2950 a 2941 a.C
Qaa - 2941 a 2925 a.C

Segunda e Terceira Dinastia - Há divergências entre os egiptólogos Iam Show e Baines e Malék, quanto as datação, entretanto,ambas são aceitas no meio acadêmico, com uma margem de erro de 150 anos a (+) ou a (-) .

2º Dinastia                                                          3 º Dinastia

Hetepsekhemwy                                                  Nebka
Nebra                                                                 Netjerykhet (Djoser)
Minetjer                                                              Sekhemkhet
Weneg                                                                Khaba
Sened                                                                 Samakht
Nubnefer                                                            Huni
Peribsem
Khhsekhemwy

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Rainha do Nilo - Nefertiti


Neste dia, 8 de março, venho prestar minha homenagem as mulheres com a representação de uma figura feminina de grande destaque e poder no Antigo Egito - Tadukhipa, uma princesa do reino de Mitanni ( atual Turquia); que, ao ser levada ao harém de Amen-hotep III adotou um nome egípcio de Nefertiti.
Nefertiti, foi o que, podemos chamar de uma revolucionária para sua época. Por ser a "mais bela", recebeu atenção especial.
Nunca se rebaixou ao domínio patriarcal, entretanto mantinha um respeito admirável. Aos +/- 13 anos casou-se com Amen-hotep IV, futuro Akenaton, e se transformou em uma figura indispensável para toda uma dinastia. A frente dos ritos secretos, era comparada a deusa Hathor durante as celebrações do "Sed" - festival que comemorava os 30 anos do Faraó.
Quando o poder do Sagrado Feminino se manifestou nela com toda sua gloria da maternidade, esta, só gerou outras mulheres, no total de 6 filhas - a perpetuação do feminino e seu poder!
Quando Akenaton se tornou o Faraó regente, Nefertiti este sempre ao seu lado. Tanto na administração do império como nos ritos sagrados a Aton. Ele presidia os ritos a Aton da alvorada ao crepúsculo e ela dava continuidade aos ritos entre o crepúsculo e a alvorada; a Senhora da Noite, Rainha do Nilo!
Lutou pelo fortalecimento e "independência" feminina, respeitada até pelos mais tradicionais, os haréns tinham uma supervisão atenciosa de Nefertitit, a qual protegia e defendia as mulheres escravas.
Uma pedra em Hermópolis mostra Nefertiti como guerreira a destruir os inimigos do Egito, personificada por mulheres prisioneiras, que até então eram destianado aos reis.
Muitas especulações giram em torno do desaparecimento de Nefertiti das inscrições pós XVIII disnastia, entre elas algumas são bem interessante:
1- Teria sofrido uma queda de status com a chegada de uma nova esposa para Akenaton, a qual provocou uma cólera e a fez ir embora.
2-Mudou seu nome para Ankhetkheperuré Nefernefernuaton - com propósitos religiosos, se dedicando exclusivamente ao Templo de Aton.
3-Com a morte de Akenaton, ela teria mudado de nome, adotando Ankhetkheperuré Semenkharé, para assumir a co-regência de Amarna, que durou apenas 2 anos.

De qualquer forma, uma mulher adimirável, inspiradora e de uma beleza indiscutível; com atributos físicos, sociais e espirituais de grande destaque e que merece nosso respeito e admiração.

Bendito todo Ser que carrega em seu corpo o Útero - Instrumento sagrado da Grande Mãe!

UM ótimo 8 de março e meus agradecimentos as mulheres importantes em minha vida : Minha Mãe, minhas irmãs, e minhas amigas.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Neteru ( Deus )


Há uma grande discussão quanto a "verdadeira" adoração religiosa dos egípcios antigos. Pouco se sabe, na realidade, pois inúmeros manuscritos e escritas nas tumbas e templos, tratam em comum uma veneração por uma divindade "superior" e solar.
Não vamos nos abster de que havia sim um politeísmo no antigo Egito; entretanto, estes deuses antropomórficos eram cultuados popularmente pela plebe e não pela realeza, a qual se atribuíam as características do supremo Deus solar - Rá.
Ao contrário do que muitos leigos pensam, o culto sacerdotal no antigo Egito se baseava principalmente no movimento e observação celeste; enquanto o culto popular era organizado pelo movimento sazonal que correspondia as cheias e secas do Nilo. Hoje já é de comum acordo entre muitos egiptólogos, que havia uma mescla nestes meios de adoração; os textos antigos citam os "mistérios secretos" e os "mistérios populares"; assim sendo, passa-se a considerar que todas as divindades antropomórficas eram partes ou personificação deste Ser celeste, criador de todas as coisas - o qual, vale lembrar, não tinha gênero, nele contia as duas polaridades : feminino e masculino, sombra e luz.
Eu particularmente, não gosto de usar o termo "monoteísmo", pois no meu entendimento, apesar de algumas dinastias elevarem a crença de um único Deus, no fundo se cultuava todos os outros, que outrora já faziam parte da casta popular. Prefiro o termo henoteísmo, onde uma divindade recebe um posto elevado, e as outras a servem; dessas maneira, aparentemente uma adoração única nos templos pode ser considerada, não excluindo a existência dos deuses populares.
O Dr. Wiedemann considera que três principais elementos podem ter constituído a religião egípcia:
1- Um culto Celestial - solar, que caracteriza um deus supremo criador de todas as coisas e administrador delas, e que manifesta seu poder através da Luz  - solar ou lunar.
2-Um culto de poder de regeneração da natureza - mais popular; expressados na adoração dos deuses "ithi phallic" (com pênis erecto); deusas férteis; deuses da vegetação e deuses animais. Sendo observado no ciclo natural da criação térrea.
3-Um culto aos deuses antropomórficos, o qual caracterizava um atributo de estarem entre os dois mundos, e em contato com o mundo dos mortos - local de julgamento da alma antes de partir para o céu.

E por exatamente os textos antigos conterem essa mistura de elementos, é que, não podemos afirmar ao certo que tipo de adoração era mais antiga. O interessante é que, até mesmo no Livro dos Mortos - considerados por muito um sinal do suposto "monoteísmo" do antigo Egito, encontramos nas Confissões Negativas, referencia a adoração de outros deuses : Capitulo CXXV 1.42 " Eu não pensei com desprezo no deus que vive em minha cidade"; isso pode ser uma alusão a Osíris, que era visto como um Deus.