sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Boas festas


Caros leitores, peço desculpa pela ausência frequente este ano, pois estava muito atarefado com estudos. Entretanto em 2012 devo voltar com toda força!

A todos vocês um ano de muitas realizações e prosperidade!

Um forte abraço.


domingo, 13 de novembro de 2011

Olhar sob o Céu

Durante meus estudos de astrologia, me deparei com um texto muito interessante, que a autora Maria Lacerda de Moura fez sobre um trabalho, e gostaria de compartilhar com vocês. Diz:

" Realmente, é natural que a Civilização, tendo descido tanto que está destruindo todo o seu próprio esforço milenar, em um suicídio coletivo, bárbaro, e estupidez inqualificável; não é de admirar que os homens tenham esquecido de olhar para o firmamento, a fim de contemplar as constelações por sobre as nossas cabeças, e de olhar dentro de si mesmos, a fim de sentir a pulsação do Cosmo nos átomos do nosso corpo, indagando das causas da vida e do ritmo em todas as coisas do Universo."...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

ausência

Olá amigos seguidores, estou ausente por estes tempos porque estou dedicado ao estudo da astrologia. Breve voltarei.

abraços

domingo, 25 de setembro de 2011

Thoth em sua forma babuíno



""OS BABUÍNOS OU CINOCÉFALOS são grandes macacos africanos, cuja cabeça oferece alguma semelhança com a dos cães e que, no entender do historiador grego Diodoro de Sicília, parecem-se a homens disformes por seu corpo, sendo seu grito um gemido de voz humana.Outro autor grego, Eliano, que escreveu um tratado sobre a natureza dos animais, garantia que no tempo dos Ptolomeus os egípcios ensinaram os cinocéfalos a ler; também lhes ensinaram a dançar, a tocar a flauta e a cítara. Alfabetizados ou não, músicos ou não, no antigo Egito estes animais, usando o disco lunar e o crescente na cabeça, como se vê à esquerda, estavam associados ao deus Thoth (Tout, Tot ou Tehuti em egípcio). Os monumentos egípcios mostram os babuínos adorando, saudando e cantando ao Sol nascente e poente.""


Thoth  era considerado o deus da escrita e a divindade que revelara aos homens quase todas as disciplinas intelectuais: a escrita, a aritmética, as ciências em geral e a magia. Era o deus-escriba e o deus letrado por excelência. Havia sido o inventor da escrita hieroglífica e era o escriba dos deuses; senhor da sabedoria e da magia. Era o deus local em Hermópolis, principal cidade do Médio Egito. Deuses particularmente numerosos parecem ter se fundido no deus Thoth: deuses-serpentes, deuses-rãs, um deus ibis, um deus-lua e este deus-macaco, que vemos ao lado numa estatueta de bronze do século V a.C. pertencente a uma coleção particular. Thoth era o escrivão do reino do além-túmulo, que anotava tudo o que se passava durante o julgamento dos mortos. Nesse julgamento, que se realiza num grande ambiente denominado Saguão das Duas Verdades, está presente uma grande balança destinada a pesar o coração do morto. Esse artefato, colocado no centro do saguão, é encimado pelo babuíno de Thoth. Por ser o mais sábio e esperto dos deuses, Thoth era invocado pelo morto como advogado defensor de sua causa nesse julgamento, do qual dependia sua vida eterna.




Na figura acima vê-se um grupo esculpido em alabastro na XVIII dinastia, no reinado de Amenófis III (c. 1391 a 1353), atualmente no Museu do Louvre, em Paris, no qual o escriba Nebmerutef trabalha em um longo papiro, sob a vigilância de Thoth. Provavelmente a peça é proveniente de Hermópolis, tem 21,3 cm de altura, 20,3 cm de largura e 9,2 cm de profundidade. A egiptóloga Elisabeth Delange assim a descreve: "O escriba real, sacerdote-leitor chefe, chefe de todos os trabalhos do rei" fixa na pedra o que sua nobre função deve à inspiração benevolente de Thoth. Em posição assimétrica, a perna esquerda destacada, curvado sobre o papiro, Nebmerutef escreve com um cálamo, atualmente desaparecido, muitoconcentrado em sua tarefa. Tendo sobre a cabeça uma peruca "encaracolada", a face apresenta um belo jovem, com olhos amendoados, um pequeno nariz arredondado, copiando os traços característicos da fisionomia do rei Amenófis III, para enobrecer "seu retrato".

O Deus Thoth — prossegue a escritora —, em sua forma de macaco hamádrias, elevado sobre um alto pedestal de cornija, domina com toda sua altura a estatueta do funcionário. A cabeça do cinocéfalo emerge do tosão generoso que envolve o corpo de pelos longos e espessos. Ele porta um disco solar com alguns sinais da douradura original. A inscrição que circunda a base é o pedido clássico para se beneficiar dos víveres colocados no templo de Thoth para sua própria subsistência. Aquela do papiro comemora uma atividade particular da qual o escriba está orgulhoso. Enfim o texto do pedestal ostenta uma prece ao "Senhor de Hermópolis, o Venerável, Thoth" para "atingir a alegria, a inteligência e permanecer na terra para servir o rei, pleno de favor e de amor", seus votos de qualidades morais mostram então que ele tinha consciência de que elas não emanavam de sua própria vontade, mas que ele as recebia da divindade.
Thoth, o deus da ciência e sabedoria — conclui a autora — é também "a lingua de Ptah", o senhor de toda a palavra, de tudo escrito. Nebmerutef se proclama "o intérprete das palavras divinas", o que significa em outros termos "penetrar na literatura religiosa, tornar senhor de idéias inacessíveis, trazer à luz as passagens obscuras". Assim Thoth é a fonte da inspiração, da atividade reflexiva, interiorizada. O monumento se torna um hino de ação de graças do homem de letras ao deus da inteligência, a pedra traduzindo o canto "venha Thoth, seja meu diretor, torne-me hábil, teus trabalhos são os melhores de todos os trabalhos".

A Importância do Dualismo na Criação

Tudo que conhecemos - da menor partícula ao maior dos astros - é mantido em equilibro por uma Lei de natureza dual; sem estes extremos polarizados, não haveria a criação, não haveria Universo [ Uni - verso , os "versos" expressados de maneira única].
Na pura realidade não há diferença entre : macho e fêmea, bem e mal, par e impar, negativo e positivo, ativo e passivo, sim e não ..., tudo não passa de polaridades de uma única energia.
Nos textos antigos do Egito, Shu (ar) e Tefnut (umidade) são citados como os ancestrais de todos os neteru (deuses), que geraram todos os seres do Universo.
A dualidade também pode ser encontrada na nossa percepção do universo. Parece que há basicamente dois aspectos: o físico - que podemos sentir, e o metafisico - que não vemos nem ouvimos; não porque não exista, mas, por que sua frequência está abaixo daquela que podemos perceber. Não há distinção entre um estado metafisico e físico, a ciência hoje já pode afirmar, a partir da teoria da relatividade que a matéria é uma forma de energia, uma coagulação ou condensação de energia.
O Universo é uma hierarquia destas energias, em diferentes ordens e densidade. Para alguns, os sentidos estão mais familiarizados com a matéria - energia mais densa.

A fim de que, nós, como buscadores da evolução, encontre esta Essência Divina, devemos progredir na sequencia reversa da criação. O progresso da alma ao londo da senda é o movimento ascendente da esfera do mundo manifestado e criado por meio da organização destas peças energéticas.
Quando os Egípcios Antigos buscam unir os aspectos duais do mundo manifestados, eles retratavam como a união das "duas terras", que eram representados por Heru (Horus) - o coração, e Djeheuti (Thoth) - a língua.

Harmonizar os opostos é amarrar as polaridades equilibradas numa forma unica. Tudo no antigo Egito era conduzido - dentro dos mecanismos espirituais - para que houvesse esta união. Quando os opostos são equilibrados por meio do intelecto e intuição, nós nos tornamos completos, transcendemos os laços da humanidade comum e  nos tornamos tremendamente poderosos. Unir, é descobrir que os opostos são lados da mesma moeda. Um exemplo é conseguir encontrar os aspectos masculinos e femininos dentro de nós e aprender a harmoniza-los.
Observem:
* Sagrado e profano - "colhe-se o que planta". No sentido profano é o plantio. No sentido sagrado a colheita de bons frutos. Não há diferença entre as interpretação sagradas e profanas.
*Físico e metafisico - ver com os olhos um objeto, e sentir o significado da mesma coisa com o intelecto e intuição. [ Mecanismo que utilizamos com as imagens do Tarô ]
*Interior e exterior - perceber que nós humanos somos o Universo em miniatura, somos o microcosmo. As mesmas partículas que compõe o Universo estão contidas em nós.

Portanto, vamos procurar conduzir nossa vida com a união de todas as polaridades contidas a nossa volta. vamos unir estas "duas terras", e fazer disso uma ferramenta para nossa evolução. E assim, desenvolver atributos de "super heróis", ou até mesmo, manifestar o Deu@s dentro de cada um.

F.[Mística Egípcia- Moustafa Gadalla]

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Equinócio de Primavera


Equinócio de Primavera

Que período maravilhoso do ano! Nós temos dois equinócios, o de outono e o de primavera; ambos marcam um período de extrema importância dentro dos mecanismos astrofísicos, psicológico e espiritual.
Isto só acontece quando a Luz (dia) e a escuridão (noite) possuem a mesma duração de tempo, em relação ao nosso planeta.
Aqui no nosso hemisfério -sul, este ano, o equinócio primaveril acontece no dia 23 de setembro às 09h : 04m.
Para as antigas civilizações, que eram extremamente observadoras dos astros, esse momento marcava grandes decisões. Isso porque, era exatamente quando tinham uma visão mais clara e equilibrada dos astros de importância para determinados cálculos e projetos.
Eram comuns no antigo Egito os equinócios serem usados para inícios e términos de grandes construções, como a grande pirâmide de Gisé, concluída pelo Faraó Kufu (Quéops).
No equinócio de primavera é celebrado este ato, por algumas ordens filosóficas, como por exemplo, os Rosa+Cruz.



Vejam como funciona nosso tempo e calendário relacionado aos astros:

Desde a Antiguidade foram encontradas dificuldades para a criação de um calendário, pois o ano (duração da revolução aparente do Sol em torno da Terra) não é um múltiplo exato da duração do dia ou da duração do mês. Os Babilonios, Egípcios, Gregos e Maias já tinham determinado essa diferença.
É importante distinguir dois tipos de anos:
Ano sideral: é o período de revolução da Terra em torno do Sol com relação às estrelas. Seu comprimento é de 365,2564 dias solares médios, ou 365d 6h 9m 10s.
Ano tropical: é o período de revolução da Terra em torno do Sol com relação ao Equinócio Vernal, isto é, com relação ao início da estações. Seu comprimento é 365,2422 dias solares médios, ou 365d 5h 48m 46s. Devido ao movimento de precessão da Terra, o ano tropical é levemente menor do que o ano sideral. O calendário se baseia no ano tropical.
Os egípcios, cujos trabalhos no calendário remontam a 4 milênios antes de Cristo, utilizaram inicialmente um ano de 360 dias começando com a enchente anual do Nilo, que acontecia quando a estrela Sírius, a mais brilhante estrela do céu, nascia logo antes do nascer do Sol. Mais tarde, quando o desvio na posição do Sol se tornou notável, 5 dias foram adicionados. Mas ainda havia um lento deslocamento, que somava 1 dia a cada 4 anos. Então os egípcios deduziram que o comprimento do ano era de 365,25 dias. Já no ano 238 a.C., o rei (faraó) Ptolomeu III, o Euergetes, que reinou o Egito de 246 a 222 a.C., ordenou que um dia extra fosse adicionado ao calendário a cada 4 anos, como no ano bissexto atual.” [fonte: UFRGS]

Voltando a nosso planeta, temos uma fase de renascimento. Tudo que foi plantado no inverno está a brotar e o que já existia começa a fornecer suas sementes para futuros plantios.
Trazendo isso como exemplo em nossas vidas, temos um momento de reflexão. Para aqueles, como eu, conectados com a Grande Mãe Natureza, devemos, portanto, seguir o “exemplo” e fluxo natural do movimento biológico.
Seria, portanto uma ótima fase para buscarmos nosso equilíbrio interior, alimentar e cuidar daquilo que está germinando, selecionar as sementes para novos plantios. Considerando que a Luz e a Escuridão estão em equilíbrio, isso só nos mostra que TUDO no Universo conspira a favor da balança em suas medidas simétricas.
Assim sendo, vamos procurar comungar com esse objetivo. Afinal de contas, nós fazemos parte do Sistema, e como tal, giramos com a Roda do Destino.
Considero que aqueles que não entrarem em sintonia com essa fase, possa na certeza, se sentirem desconectados com o mecanismo sazonal.
Vamos celebrar a Vida, NADA de colher flores! Vamos homenageá-las em seu habitat, vamos promover este equilíbrio e curso natural das coisas.
Apreciem, se deleitem, riam, brinquem, curtam o momento com responsabilidade e equilíbrio.

Apesar dos Antigos Egípcios celebrarem o equinócio de primavera com grande respeito e veneração; ele não estava associado a nenhum neter (deus) específico. Eu, particularmente, associo estas fazes de equinócios – outono e primavera, a deusa Ma’at, por se tratar da deusa responsável pela balança – justiça – equilíbrio. O próprio Thoth, considerados por alguns historiadores , como consorte de Ma’at, fazia a medição dos astros e calculava os ângulos de todas as construções no período equinocial.

Celebrando o equinócio de primavera com respeito e louvando a natureza, com toda certeza, vamos estar homenageando todo os De@ses Antigos, pois todos eles são frutos deste movimento astrofísico, no qual geraram seus “filhos” aqui na Terra.

Com todas as bênçãos da Primavera e de seu equinócio, me despeço de vocês, e desejo que este momento seja repleto de felicidades e recomeços.

Beijos “floridos” no coração de todos.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Imperador


A Carta do dia, a 4 - O Imperador.

Numerologicamente esta carta simboliza o quadrado, o sólido, tangível, tudo que é manifestado. Toda estrutura organizacional está contida nesta lamina. Para Jung, a quaternidade é a representação do fundamento arquétipo da psique - intuição, sentimento, sensação e pensamento.

É interessante ver o Imperador como um ser integrado por quatro aspectos fundamentais : Ser espiritual, Ser intelectual, Ser emocional e Ser físico, como era no Antigo Egito - onde a figura o Faraó -Imperador, continha todos estes aspectos, sendo até em algumas dinastias, considerado a personificação do De@s.

É um momento onde devemos canalizar toda nossa energia e pensamento para questões mais práticas, dedicando-se fundamentalmente a realidade de assuntos materiais. Assimilar-se ao Imperador é se autoproclamar como unica autoridade para mandar na nossa própria vida. Neste momento não devemos deixar-nos levar por opiniões de terceiros.

Vejo o Imperador como o "pai" do Louco, aquele que lhe ensina a respeitar seus limites. Mesmo em uma fase de crescimento e responsabilidades, onde deixamos de lado algumas questões como : amor e sentimentalismo; é importante conhecer nossos limites e não extrapolar na posição do Imperador, se não, podemos desenvolver uma posição auto-destrutiva, compulsiva e insegura - lembrando que todos os arcanos são bi-polares.

Para meu dia, percebo na imagem do Imperador, a mensagem de voltar a atenção para atividades mais praticas, colocar o material em ordem : rever as finanças, arrumar a casa, lavar a roupa, fazer compras...
Portanto, resolvi ficar em casa hoje o por a estrutura em ordem (rsrsrs).

Hoje não é dia de descanso! Afinal, aqui em casa o Imperador levanta do trono e também vai para a cozinha (rsrsrs)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Homem - Tarô de Etteilla


Minha carta do dia hoje é a 5 do tarô de Etteilla.

Este conjunto de cartas foi publicado em Paris e Amsterdam entre 1783 1 1787 pelo então cartomante Jean François Alliette, que se autodenominava pelo pseudônimo de Etteilla. Ele afirmava que o tarô era originário do Livro de Thoth, um texto mágico que surgiu em 2170 a.C, durante uma convenção no Templo de Amon, em Mênfis -Egito. Conforme Etteilla, o tarô foi completamente distorcido com o passar dos milênios.

Carta 5 - O Homem

O Homem para os antigos egípcios, era a personificação de Rá, para os misticos de Mênfis somos perfeitos, desde que sigamos as regras da evolução para atingir as bençãos de uma vida eterna.
A carta representa um homem, aparentemente pré histórico, se apoiando em um cajado. entretanto ele se coloca numa posição elegante, confortável; ou talvez, descansando de uma longa viagem pela estrada atras dele representada.
Cercado pela Ouroboros , simbolo da eternidade e continuo movimento, sua jornada não termina. Ainda há longas tarefas a serem feitas, ou algumas conquistas o aguarda. Pela visão de Etteilla, o Homem - carta 5, representa a vitoria, momentos favoráveis e talvez alguma viagem.

Esta cara me lembra muito o Mundo do tarô convencional, a presença de alguns símbolos em comum, como o Ouroboros, e as quatro figuras que cercam a figura central; entretanto, diferente do Mundo, que tem as figuras como representações dos 4 elementos primordiais, o Homem de Etteilla, possui quatro mamíferos interessantes; que, se forem considerados como simbolismo antigo, podemos ter a Leão [ como sinal de realeza e poder], o Cavalo [ sinal de conquista e viagens], o Elefante [ simbolo da inteligencia] e o Touro [ claro sinal de espiritualidade, levando em conta o animal sagrado no período da Era de Touro, pelos egípcios].

Sendo assim, temos uma lâmina completa, indicando claramente os poderes necessários para o progresso e evolução do homem, tanto no físico como no espiritual.

Todo dia tenho o habito de "tirar" uma carta, aleatoriamente da minha coleção de cartas - acho que vou começar mesmo a postar isso aqui (rsrsrs). E hoje, fiquei muito feliz em ter tirado o Homem. Posso até pressentir que meu dia terá um sabor especial. Talvez, quem sabe, tenha inspiração para concluir alguns projetos. Como geralmente, nas segundas estou de folga, um dia para mim, vou refletir sobre esta lamina e fazer algo diferente.

Eu particularmente, acredito muito no potencial humano, e considero que a auto estima e confiança sejam atributos instintivos e de um valor especial para que possamos fazer de nossa vida puro sucesso. Lembrando, é claro, que temos também nossos "defeitos" ou melhor dizendo "nossas qualidades não trabalhadas"; mas, de qualquer forma, uma coisa é certa : " ...Cada Ser em si, carrega o dom de ser Capaz e ser Feliz ..." ( Almir Sater)

Para todos meus seguidores e leitores : Um ótimo dia, acompanhado dos atributos perfeito do Homem de Etteilla.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Ensaio da Viagem do Louco - Egito Antigo



A Viagem do Louco

Era por volta de  3002 a.C, sob a regência do Faraó Nermer – I Dinastita do Egito antigo. Eis que, entre cavernas a margem do Nilo surge uma figura única, um jovem, que desprovido de qualquer noção de tempo, personalidade e sem rumo; apenas vestido com pele de animal.
Seguindo este Ser, um crocodilo – talvez apenas a imaginação do povo. Mas, em fim... a população afirmara avistar este animal; e a este Ser indescritível o povo chamou-o de O Louco.
Este ensaio apresentará a viagem deste Louco nas terras do Nilo, em um período da história, onde a necessidade de evolução e organização de uma sociedade era prescindível.

O Louco prossegue sua viagem, por longo um longo caminho; sem noção do que está acontecendo, como se estivesse sofrendo de amnésia, este Louco não sabe de onde veio, quem é, para onde vai, nada! Absolutamente nada! Ele precisa descobrir quem é e como sobreviver neste lugar hostil.
Com o passar dos dias, em uma longa caminhada pelo deserto, o Louco percebe avistar a figura de outro Ser, semelhante a ele. Entretanto ele observa que esta pessoa está com vestimentas, e objetos; o homem está muito concentrado, como se estivesse observando algo entre o céu e a terra. O Louco, sem querer interromper, mas na ânsia de descoberta, interrompe o ritual deste ser. E logo o Louco lhe dirige a atenção com uma linguagem de sinais. Este homem, com toda serenidade e altivez se apresenta ao Louco:

- Eu sou O Mago.

O Louco, entretanto não sabe o que isso significa.
O Mago então, faz com que o Louco se sente e espere um pouco. Depois de terminar suas observações, o Mago se dirige ao Louco e diz:

- Meu jovem, você pode usar a língua para se comunicar, não precisa ficar gesticulando; pare de andar cambaleando, você pode se centrar e andar esguio, isso lhe trará passos mais firmes e longos. Use sua força física para retirar os obstáculos do caminho, subir montanhas para atalhos. Acredite em você e nos seus atributos, tens uma longa jornada pela frente, onde aprenderá sobre a vida e como evoluir.

O Louco então pergunta: - Posso ficar aqui contigo?

E o Mago responde de imediato:

 - Não! Apesar de ter me encontrado e eu ter lhe mostrado como prosseguir, a jornada é longa e você deve seguir-la imediatamente. Não se prolongue muito ao meu lado, pois pode ter experiências não muito agradáveis, nas quais você ainda não está preparado para vivenciá-las. Segue teu caminho, e nunca se esqueça que é um Ser em potencial, e se, seguir todos os conselhos encontrados pela sua jornada, além de formar sua personalidade,  podes conquistar o Mundo.

E o Louco então deixa o Mago e segue sua jornada...

Mas o Louco ainda não está preocupado com o que pode acontecer; ele é inconsciente. O inconsciente tem iniciativa própria, o Louco então procura sair deste estágio para o consciente.
Me faz lembrar as palavras de Suzuki ( Mestre zem) : “ O tempo não está dividido em passado, presente e futuro, essas divisões se contraíram em um único momento presente, na qual a vida palpita em seu verdadeiro sentido.”

O Louco então caminha entre pântanos, riachos e montanhas, a beira de abismos... Nessa sua jornada ele começa a observar tudo a volta. Animais, plantas, o céu. Nada escapa as suas vistas.

Nas noites ele observada as estrelas, o movimento dos astros, e começava então a “pensar”. Com o aprendizado do Mago, o Louco já tinha construído algumas coisas que o ajudaram a enfrentar sua jornada de maneira mais confortável. Ele já dormia sob abrigos, vestia peles mais quentes, e tinha uma noite mais tranqüila, haja vista ter aprendido a usar o fogo para seu conforto e proteção.

E foi em uma destas noites de sono profundo e tranqüilo que o Louco teve seu contato com uma figura transcendental, uma espécie de Sacerdotisa.

Neste sonho o Louco pergunta:

- Quem é você, que me atormenta com essas imagens e me mostra coisas que poderão acontecer comigo?

E ela responde:

- Sou A Sacerdotisa, sua Lei da inconsciência. Acompanharei-lhe sempre, serei sua guardiã, lhe guiarei onde os limites da fantasia e razão se cruzam.

E o Louco na esperança de não estar mais só, pergunta:

- E como posso chamá-la quando eu precisar de ti?

Num tom meio áspero, a Sacerdotisa diz:

- Jamais poderá me invocar! Eu vou e venho quando bem entendo; só eu, e somente eu sei a hora certa de lhe mostrar algumas respostas. Não espere encontrar tudo em mim. Eu conheço suas verdadeiras necessidades.

E neste momento o Louco desperta num súbito barulho que ele não tinha ainda ouvido.
Amedrontado não sai da caverna, espera amanhecer.

Ao primeiro raio de sol o Louco sai em busca de respostas para aquele som que o tinha acordado bruscamente, e observa que existem rastros a caminho de algum lugar. Resolve então segui-los.

Depois de uma longa caminhada, o Louco se depara com uma aldeia, a margem de um oásis. Pessoas vão e vem; cavalos, casas, crianças, animais domésticos. O Louco fica encantado com tanta novidade. Em fim não estou só – pensa ele. E começa a perambular pela aldeia, captando toda informação visual que pode.

Ele passeava na feira, atordoado com tantas novidades. O dia e passando e ele percebia que as pessoas iam se recolhendo em grupos às suas casas; até que, ficara só ele no meio da aldeia, sozinho novamente. Sentiu certa angustia e solidão, percebeu que as pessoas viviam em grupos e ele estava só.  Deitou aos pés de uma carroça e tentou dormir.

Quando estava quase mergulhando no sono, ouviu uma voz doce e suave chama-lo:

- Querido, de onde vc vem?

O louco então abre os olhos e se depara com uma mulher. E logo responde:

- Vim do deserto.

Onde estão seus pais? – pergunta a senhora.

O que são “pais”? – questiona o Louco.

E a senhora docemente lhe explica que os pais são aqueles de onde viemos e que cuidam de nós, nos protegem, nos dão amor, comida e ajudam-nos a crescer.

E o Louco diz quase que instantaneamente:

-Nunca tive isso. Qual seu nome?

- Me chamo A Imperatriz, e o seu?– responde a senhora.

- O povo me chama de O Louco – responde ele.

A Imperatriz, com os olhos cerrados de doçura, abraça o Louco e o convida para ir a sua casa. Adentrando a casa, o Louco fica fascinado com a estrutura; mesa e cadeiras, camas, fogão. Tudo era acolhedor. Ele viu os filhos da Imperatriz brincando, rindo e recebendo todo carinho da mãe. E neste momento ele sentiu, pela primeira vez, como se realmente fosse alguém, que tivesse a importância para o outro.

A Imperatriz percebendo os sentimentos do Louco tratou de abraçá-lo, e com uma voz suave e materna disse:

- Se quiser, pode ficar aqui comigo por um tempo.

Feliz da vida e com um sorriso sem tamanho, o Louco aceitou. Logo a Imperatriz tratou de dar um banho nele, alimentou-o e o pôs na cama para dormir.

Acredito que foi a noite mais feliz e tranqüila para o Louco. Sem frio, sem fome, aceito em meio a um grupo. A Imperatriz acabou adotando-o.

O sol nunca tinha nascido tão belo para o Louco. Acordou mais tarde, foi brincar com as crianças; conheceu toda aldeia, fez amizades...

No final da tarde estavam todos em casa; a Imperatriz contava historias, preparava o jantar; quando adentra a casa uma figura altiva, robusta. Entra, abraça os filhos e se dirige a Imperatriz, beijando-a e abraçando-a. Quando olhou mais atentamente, percebeu a presença de uma outra criança, e num tom de desconfiança, perguntou a Imperatriz:

- Quem é essa criança?

- O nome dele é O Louco – responde a Imperatriz.

- O que ele faz aqui em nossa casa? -Indaga o homem.

A imperatriz então lhe conta toda historia. E o apresenta ao Louco:

- Esse é meu marido, o pai dos seus amigos, o nome dele é O Imperador.

O Louco meio assustado cumprimenta o Imperador.

O Imperador tinha acabado de chegar de uma viagem longa, estava cansado e não deu muita conversa ao Louco, ficou mais reservado; no entanto em constante observação; pois afinal era um estranho em casa, e merecia toda cautela.

Os dias iam passando e o Imperador mesmo com sua aparente rispidez, ia se afeiçoando ao Louco; pois era uma criança doce, inocente. O Imperador via no Louco um futuro brilhante; poderia ser um comerciante, um guerreiro, servir a guarda do faraó, ou até mesmo se tornar um regente do Egito. Mil coisas passavam pela cabeça do Imperador, elaborava então um destino cheio de conquistas para seu agregado, O Louco.

Mas para que seus planos dessem certo, o Imperador precisava tirar O Louco do convívio com a Imperatriz e passar mais tempo com ele. E para isso, ele teria que incutir no Louco uma formação mais lógica e racional, com pensamentos mais objetivos e concretos, fazendo com que o Louco sentisse a necessidade de prosperar e crescer; tudo claro que maneira bem elaborada, estratégica; pois não queria de indispor com a Imperatriz. Ele sabia que seria uma briga feia.

Astuciosamente o Imperador procurou levar o Louco sempre consigo, para todos os lugares e começou a ensiná-lo os códigos de moral e ética, a astúcia, os negócios.
O Imperador então se propôs a ensinar ao Louco como lidar com o dinheiro, as transações de negócios, como construir um patrimônio sólido e conservá-lo. Em alguns momentos tratava de mostrar o lado mais viril da masculinidade, induzindo o Louco a vivenciar alguns prazeres com as mulheres. Contava-lhe historias de seus antepassados e de como agiam em relação as conquistas e a todo patrimônio adquirido. Mostrou ao Louco os códigos de conduta e ética dentro da estrutura familiar. E foi neste instante que o Louco surgiu com uma dúvida:

-Imperador, por que temos que seguir estes códigos¿

E o Imperador responde quase de imediato:

-Não é questionamentos para o momento, na sua jornada você vai ter um encontro com a Justiça e neste momento compreenderá o motivo e a importância de seguir-mos às leis.

O Louco então passava a se tornar cada vez mais afeiçoado ao Imperador; o que deixou a Imperatriz ciumenta. Em um determinado momento o Louco percebeu que sua “mãe” estava diferente, e sem evitar pergunta-lhe:

- O que está acontecendo¿ percebo a senhora meio zangada; fiz algo de errado¿
- Não – responde a Imperatriz.

O Louco insiste, e então ela resolve abrir seu coração:

- Meu filho, você não fez nada de errado, eu apenas estou um pouco enciumada por sua convivência mais tempo com seu pai. Sei que não é certo esse sentimento, mas me preocupa você acabar ficando muito racional. Saiba que na vida tudo gira em torno de um equilíbrio, e deixar fluir também seu lado mais sentimental vai fazer de você uma pessoa completa e equilibrada. A vida não gira em torno das coisas materiais, é preciso as vezes deixar o coração falar. Seja também complacente, bondoso, amável com as pessoas. Procure equilibrar seus sentimentos.

-Mas eu também te amo. Diz o Louco

E a Imperatriz, com um olhar mais tranqüilo diz:

-Eu sei filho, mas a hora de você continuar sua jornada está próxima e logo não terá mais a mim nem ao Imperador. Terá que seguir apenas com o que nós o ensinamos.

E o Louco deixa-a pensativo. Começa então a especular várias coisas, pensamentos vão e vem na cabecinha do Louco; cada dia mais dúvida questionamentos, incertezas. A Imperatriz e o Imperador percebendo este momento do Louco decidem que é hora dele partir. Mas sem antes terminar seu aprendizado. De imediato enviam o Louco para a casa de um sábio senhor, conhecido na aldeia como O Hierofante.

O Louco então parte para passar um tempo em companhia deste senhor.

Ao chegar a casa do Hierofante, o Louco começa a questionar as coisas. São muitas duvidas e perguntas sobre a vida, o mundo, as filosofias religiosas. Mas, sabiamente, o Hierofante acalma o Louco e lhe explica que cada coisa no seu tempo. Prepara uma mesa e pede ao Louco que se sente. Em seguida lhe transmite alguns deveres daquele ambiente, regras que o Louco deveria seguir sem questioná-las:

- Meu jovem, sei que a ânsia de saber é grande; entretanto tenha paciência. Neste lugar você deve seguir algumas regras – silencio atenção, dedicação. Não me interrompa enquanto estiver falando. Ensinarei-lhe tudo que sei, e como podemos chegar a Deus. Mostrarei-lhe como a nossa mente é capaz de absorver conhecimento e usá-la quando mais precisamos. Todas as suas perguntas serão respondidas.

Prontamente o Louco obedeceu e começou seu processo de aprendizado. Com o Hierofante, o Louco aprendeu coisas que jamais sabia com a Imperatriz e o Imperador. Pensava ele : -Este homem deve ter vivido há 200 anos! Como ele sabe de tanta coisa¿

O Louco ficou com o Hierofante por um bom tempo. Saia com o senhor para pescar, passear na floresta, ia a aldeia com ele buscar mantimentos. E foi em um momento desses que o Louco experimentou pela primeira vez, uma sensação jamais sentida. Algo estranho estava acontecendo com ele.

O Louco tinha visto uma aldeã muito bela, e não conseguia parar de pensar nela. Sua mente não cabia mais nada. Era tão estranho para ele, que ficou envergonhado de perguntar ao Hierofante sobre esse sentimento. E foi aí que ele teve que enfrentar sua primeira escolha pessoal na vida. Agora ele não tinha o Mago; por mais que chamasse, a Sacerdotisa não vinha; a Imperatriz e o Imperador não estavam presentes; o Hierofante não poderia saber disso. E agora¿

Cada dia que se passava, o Louco se via mais encantado com essa aldeã, mas a vergonha o detinha, não sabia como chegar a ela. Vivia assim sua primeira paixão.

Então ele teve uma idéia! Vou pedir ao pai dela para trabalhar no seu comercio de camelos.- Pensou o Louco. E assim o fez, usou de toda astucia aprendida com o Imperador e seguiu ao encontro do senhor de camelos. Com uma boa lábia e usando de todo conhecimento adquirido com o Hierofante, ele conseguiu persuadir o comerciante, que de imediato o contratou.

Tamanha felicidade do Louco, que todo dia ficaria a admirar sua bela amada. O tempo ia passando e finalmente o Louco experimentou o prazer de ser beijado. A bela aldeã cedeu aos encantos e investida do Louco. Bons tempos se passaram. Quando um belo dia o Louco se viu diante de uma situação que apenas ele poderia decidir.

O comerciante, percebendo as habilidades do Louco, tinha designado para ele uma tarefa muito importante; mas ele teria que viajar para negociar as mercadorias. Não decidiu logo, preferiu pensar. No outro dia, ao sair para apanhar água no poço, o Louco se depara com um homem estranho; sentado a beira do poço este homem se dirige ao Louco e começa a expor a ele o desenrolar de um “provável” futuro, dois caminhos – o da razão e do coração. O Louco fica assustado com as palavras deste homem, mas começa a perceber que aqueles caminhos eram a escolha que ele teria que fazer. O Louco ficou escutando atentamente a historia. Ao terminar, o Louco pergunta:

-Como se chamas¿

- Me chamam de Os Enamorados. Responde o homem, e prossegue:

- Na sua vida meu jovem, aprenda a pesar muito bem suas escolhas. Procure ver mais além do que está sendo apresentado, para que possa decidir com verdade e vontade aquilo que será para sempre na sua vida. Saiba que está diante de um grande passo, pois as escolhas que fazemos é que determina nosso futuro. Nosso destino está em nossas mãos. Escolha sabiamente seu caminho e jamais se arrependerá.

O Louco então deixa o poço pensativo, sabendo que terá que fazer uma escolha que mudará totalmente o rumo de sua vida.

Dormiu apreensivo, na esperança de se encontrar com a Sacerdotisa, no entanto, nada. Sabia que ao acordar teria que dar a resposta ao comerciante.

Aos primeiros raios de sol, o Louco nem tinha pregado os olhos, de tanta ansiedade. Mas em fim tomara sua decisão. Depois de tanto pensar e analisar, resolveu então ter uma conversa com o comerciante para expor sua decisão. Ele sabia que existia varias possibilidades. Mas, resolveu então decidir por uma que acarretaria em novas responsabilidades, mas não teria que abrir mãos pelo menos naquele momento, de uma coisa que lhe deixava muito feliz – sua bela aldeã. 

Ao se encontrar com o comerciante foi logo expondo sua decisão. Na qual não voltaria atrás.

O Louco então decide que aceitaria o trabalho, entretanto o comerciante deveria dar a mão de sua filha em casamento. Após pensar um pouco e tendo a certeza de que o Louco era o melhor para aquele trabalho, aceitou; e como dote pela sua filha presenteou o Louco com uma biga, puxada por dois belos cavalos, um de cor branca e outro preto.  O Louco feliz e satisfeito com sua primeira conquista material, deu a biga o nome de O Carro.

Antes de partir, o comerciante chamou o Louco para lhe dar umas instruções, e disse-lhe:

- Este o Carro, representa sua vitória diante de uma escolha sabia e consciente, entretanto devo alertá-lo da responsabilidade que o acompanha; estes dois cavalos não foram adestrados, eles podem puxar para lado opostos, e você em nenhum momento deve perder o controle do Carro! Assuma a posição de líder e conduza-o pelo caminho com rédeas curtas, não deixe que nada distraia os cavalos, porque se não você perderá o controle do Carro e poderá sofrer conseqüências graves.

E assim o Louco partiu da aldeia em busca de novos horizontes, uma viagem que para ele seria de suma importância. Agora ele já não caminhava sozinho, tinha novas responsabilidades, e pretendia prosperar naquilo que fora incumbido.

A viagem durou alguns dias até que se aproximasse do local de encontro com outros comerciantes, próximo a Mênfis.  Mas, o Louco não esperava pelo que lhe aguardava.

Seguia ele a uma velocidade muito grande, na ânsia de chegar logo ao local marcado; durante alguns instantes lembrara de um conselho do Imperador, que lhe disse certa vez que no comando de uma biga não deveria exceder na velocidade, pois seria perigoso. Entretanto, como até em tão nada tinha acontecido, o Louco resolveu ignorar o conselho do Imperador.

Quase num piscar de olhos, o Louco se detraiu um pouco, e por uns instantes ficara inconsciente. A biga tinha perdido o eixo e os cavalos não suportaram, tombando-os assim. E com isso causando a morte de 3 ovelhas de um rebanho do prefeito local.

O Louco acordou meio tonto e de imediato pensou na sua amada, por sorte ela não tinha sofrido muito danos; porém os cavalos tinham se acidentado gravemente – o Louco tinha perdido o controle do Carro!

 E agora ele iria se deparar com uma situação muito delicada. Naquele momento ele entendeu o porque deveria ter seguido o conselho do Imperador. Ele teria agora que enfrentar A Justiça.

O Louco foi de imediato levado ao prefeito, que por sua vez analisou calmamente o caso e passou para o conselho de Mênfis.

O Louco esperou alguns dias pelo julgamento, pois a Justiça estava a analisar todos os detalhes,de maneira imparcial. Foram feitos levantamentos de velocidade, medição de pesos em relação a carga, a atenção e condicionamento físico do Louco. Tudo isso para que fosse anotado e estudado; tudo escrito a fim de registros. Depois de toda análise e com muita lógica, razão e verdade; a Justiça por fim se manifestou:

- O Louco por conduzir uma biga de maneira displicente, sem respeitar os limites dos cavalos, e o peso a qual estavam submetidos. Por causar um acidente deixando dois cavalos inutilizáveis. E por provocar a morte de 3 ovelhas. Fica estabelecido que deverá pagar o valor de 100 pesos de ouro.

Era o dobro do que o Louco tinha no momento. Ele então sentiu o peso da Justiça nos seus ombros, por não saber respeitar os limites, se deixar levar pelo impulso e emoção. Ele agora tinha aprendido uma grande lição – Medir todas as conseqüências!

Agora ele teria que trabalhar um tempo para o prefeito a fim de pagar o restante da divida com a Justiça. E por um instante pensou: Da Justiça ninguém está livre.

Durante seu trabalho para o prefeito, o Louco foi muito explorado. Ele estava sentindo na pele a dor pela sua irresponsabilidade. Após pagar sua divida com a Justiça, ele se encontrava muito triste, até sua amada tinha percebido sua mudança de comportamento. A cada dia que passava o Louco se encontrava sem forças, sem vontade de viver. Era como se estivesse perdido a esperança.

Até que um dia, sua amada teve uma idéia:

- O Louco, por que você não procura um local tranqüilo e sossegado para descançar, passar um tempo¿ Não se preocupe comigo, vou ficar bem aqui na casa do prefeito, mas você precisa mudar um pouco de lugar. – disse sua amada.

O Louco pensou bem e resolveu seguir o conselho de sua amada, afinal de contas ele não estava disposto a dispensar conselhos naquele momento. Então, ao amanhecer, saiu em busca de um local as margens do Nilo para sentar, refletir um pouco, pensar na vida, criar novos objetivos, elaborar um plano de como resgatar o trabalho a ele confiado pelo comerciante...

Encontrara então um local perfeito, a beira de uma caverna, onde por qualquer eventualidade poderia se abrigar e se proteger. Quando estava a pensar na vida, eis que surge ao seu lado, um senhor bem idoso, mal vestido, e com uma voz muito cansada. O Louco então lhe pergunta:

- Quem é você¿

- Sou O Eremita – responde o senhor.

E o Louco fica a observar aquela figura um tanto estranha, mas ao mesmo tempo cativante.

O Eremita então convida o Louco:

- Vamos entrar na minha  caverna, pois já pressenti que está chegando uma grande tempestade de areia. Vem, segure esta lamparina e me siga até dentro da caverna, pois lá  conversaremos melhor, e talvez quem sabe um pouco de recolhimento lhe faça bem.

E o Louco então pergunta:

- Como sabe que vem uma tempestade¿

-Sou muito velho, e sábio. Minha experiência de vida me ensinou muitas coisas! – responde o Eremita.

Então ambos se recolhem para o interior da caverna.

Com o Eremita o Louco aprende a ter paciência, ouve as historias e experiências de vida do velho sábio. Medita e começa então a reformular toda uma nova jornada, analisa e estuda os melhores caminhos a seguir.

Os dias passam e o Louco não se dá conta de quanto tempo está com o Eremita. A longa permanência dele na caverna recolhido o deixa confortável, e isso pode se tornar uma grande armadilha. O Eremita em si não se preocupa, pois na sua sabedoria entende que cada um tem seu “tempo” , e , portanto não cobra do Louco a despedida. No entanto, o tempo vai passando e lá se vão, sem que o Louco perceba, meses.

Por fim o Louco desperta desse longo conforto e senti a necessidade de sair imediatamente da companhia do Eremita. Ele está descuidado, barbudo, sujo, magro. A calcificação agora se torna clara, e ele tem que ir embora. Para isso o Eremita lhe cede a lamparina, para que ele encontre a saída da caverna; haja vista, ele há meses, ter se perdido em seu labirinto.

O Louco então segue a trilha rumo a saída da caverna, onde o Eremita habita. Ao sair um raio de luz ofusca sua visão e ele deve esperar um pouco até se acostumar novamente com a Luz. Entretanto, uma nova mentalidade gira em torno do Louco, e imediatamente ele percebe que não pode parar, deve continuar, como num ciclo.

Em sua caminhada de volta para Mênfis, ele começa a perceber com mais detalhes o movimento da natureza à sua volta, como os astros giram sem parar, como as nuvens sempre estão mudando, sem se fixar. Os rolos de vegetação rasteira circulando a sua volta; e num momento de epifania, ele reconhece um ciclo natural de coisas, na qual ele é o eixo, o centro e denomina-a como Roda da Fortuna – Ontem eu estava mal, hoje estou renovado, e pronto para reconquistar meu caminho – Pensa o Louco.

A partir deste dia, o Louco começa a ver os obstáculos como algo passageiro; agora ele sabe que nada na natureza é fixo, tudo é mutável, inconstante. E assim, a Roda gira, conduzindo-nos a evolução. Feliz da vida com suas novas idéias e convicções, o Louco se apressa para chegar a casa.

Na esperança e na ânsia de por em prática todos os seus planos, o Louco não percebe que pegara o caminho errado para casa, e se depara com uma situação de perigo. Se vê diante de um chacal, faminto e feroz. Sem pensar duas vezes e agindo por impulso, o Louco se joga em uma luta corporal com este animal. Após minutos de luta, e agora num desejo desesperado de sair dali, eis que surge uma figura feminina, que suavemente toca a cabeça do chacal e o deixa imobilizado, como num passe de mágica.

O Louco, ainda ofegante e muito assustado, pergunta:

-Quem é você, e de onde veio¿ Não vi ninguém a milhas daqui!

-Não indague quem sou, e sim o que sou. – responde suavemente a mulher.

O Louco começa então a achar que está ficando “louco”, e começa a travar um diálogo com esta mulher.

-Sou A Força. Diz a mulher

O Louco então percebe que está diante de uma visão. Mas, como uma mulher tão bela e frágil como você foi capaz de dominar esta fera? Pergunta o Louco.

A mulher, com os olhos fixos no chacal, responde ao Louco:

Não sou tão frágil como pareço. A Força não se mede por atributos físicos. Eu sou o controle emocional diante de uma explosão instintiva deste animal. E assim é na vida, a todo instante. Aprenda a domar seus impulsos instintivos, porque, se não, assim como o chacal, serás dominado pelo mais equilibrado. Meu jovem, a cada dia terá que enfrentar o chacal dento de ti, uma luta constante surgirá entre seu instinto e sua lógica. Aprenda comigo como domar sua fera interior.

E o Louco por fim, permanece ali, por horas, na compreensão das palavras daquela mulher, e se vê diante de um dos aspectos mais elevados do Ser (intelectual e espiritual) dominando o lado animal ( emoções e instinto).

Após deixar a Força, o Louco então diminui seus passos no retorno a sua casa e começa a pensar mais profundamente nas lições aprendidas com o Hierofante e a Força. Ele percebe que interiormente está se iniciando uma mudança muito profunda, que envolve quebra de conceitos, padrões de pensamentos e um sentimento de amadurecimento muito grande. Ele sente que está se aproximando uma grande transformação na sua vida; e sabe que não deve busca-la e sim aguardar. Com isso, ele tem uma idéia! Sucumbir seu consciente ao inconsciente, e aguardar o final desta transformação. Afinal de contas, ele quer chegar em casa renovado; pois foi para isso que ele se afastou por um tempo.

E como, o ultimo passo para atingir seu objetivo, ele resolve se auto-sacrificar. Confortavelmente, em uma posição de entrega e espera, ele resolve se pendurar de cabeça para baixo em uma palmeira no oásis perto de Mênfis. Com este ato, ele interioriza-se pela ultima vez. Num estado de submissão ao plano espiritual. Ali, fica o Louco, por dias e dias, com o sol escaldante, os ventos de areias sob seu corpo. Tudo isso na espera de que algo de transformador possa lhe acontecer. Nesta situação ele experimenta o poder da Fé; pois mesmo pendurado, ele sabe que algo de bom provirá deste ato. E assim ele aguarda...

Com o passar de alguns dias, sem comida e sem água, neste ato de auto-sacrificio, o Louco sente-se fraco, começa a ter visões. O período de jejum e exposição ao tempo causara mudanças na sua percepção da realidade.

No final do 12º dia no O Pendurado, o Louco se depara com uma visão aterrorizante. Ele não sabe ao certo se é real ou fantasia. Mas, se aproxima muito rápido em direção a ele um beduíno montando um camelo muito magro, no qual dava para perceber até os ossos; a figura do beduíno não diferenciava de seu animal. Os olhos profundos se destacavam por baixo do turbante negro. Empunhando uma espada sarracena curva e com um único golpe, lançou a lâmina em direção ao Louco. Por um segundo o Louco pensou: - Estou morto!

Segundos se passaram, até o Louco perceber que a lâmina tinha atingido a corda que o deixara pendurado à palmeira. Ao chão e ainda fraco e ofegante, o Louco olha atentamente para o beduíno; que, com um sorriso sarcástico lhe diz:

- Finalmente chegou a hora de descer daí! As transformações de que tanto aguarda chegou por fim. Agora que conseguiu unir sua vontade com um propósito, está preparado para sua nova fase. Este ciclo de interiorização se fecha e agora terás que experimentar novos aprendizados.  Levanta-te e prossegue tua viagem.

Como em um despertar de súbito, o Louco se levanta e sentindo-se recuperado, pergunta ao beduíno:

-Como se chamas? E de onde veio?

Tenho vários nomes, e venho de diversos lugares e a qualquer hora. Eu decido os começos e finais; sou a renovação, a transformação, a vida, e A Morte. - Responde o beduíno.

Feliz por ter saído bem daquela situação, o Louco prossegue seu caminho de volta para casa; e de certa forma ele se sente muito renovado.

Eu dou alegrias inimagináveis sobre a Terra, certeza, e não fé na vida e na morte, paz inominável, descanso e êxtase. Não exijo nada em sacrifício.”Nuit [Livro da Lei].


O Louco prossegue sua viagem. Cansado, porém renovado, resolve banhar-se no rio Nilo. Tranqüilo e bem mais esperançoso com a nova fase que se inicia, ele começa a fazer planos para o futuro.

Neste momento aproxima-se dele uma senhora com duas ânforas. Enche uma ânfora e começa a lançar a água para a outra, em um movimento uniforme e continuo. O Louco intrigado com aquele comportamento se aproxima da senhora e pergunta:

- O que faz?

Nada, apenas observando o movimento da água. – Responde a senhora.

O Louco continua a banhar-se, e por um bom tempo observando aquele comportamento estranho da senhora. Quando não agüenta mais de curiosidade, pergunta:

- Por que a senhora continua neste movimento, aí parada? Não vejo graça nem um propósito nisso.

Realmente meu jovem, não tem graça nenhuma. Mas exercita-me a paciência. Nossa vida é igual a estas águas no Nilo, o fluxo corre em um curso natural; nada impede as águas de seguirem seu caminho. Não importa os obstáculos, ela sempre encontra um meio de ultrapassá-los e seguir adiante. Esse movimento que faço é juntamente para que eu não esqueça de que o fluxo de nossas vidas é constante. É preciso compreender que cada coisa tem seu momento para acontecer e que  só nos desgastamos se pretendermos forçar o curso dos acontecimentos além de sua própria flexibilidade. – Responde a Senhora.

O Louco então analisando as palavras desta Senhora, percebe quão sabias são e por fim se despede:

-Tenho que seguir viagem, como a senhora se chama?

A Temperança. – Responde a Senhora.

O Louco segue sua viagem, pensando nas sabias palavras da Temperança. Agora ele entende também que não precisa correr contra o tempo; que cada coisa acontecerá no momento certo. Este pensamento de certa forma deixa o Louco mais tranqüilo. Agora ele não precisa correr para chegar em casa.

Então, nosso caminhante agora se vê mais livre. Sabe que pode aproveitar os momentos. E então, resolve entrar em uma aldeia para se divertir um pouco. Ao entrar na vila, conhece um homem alto, vigoroso e belo; com sua eloqüência convence o Louco a pernoitar em sua hospedaria. O Louco assim, passa a noite se divertindo. Neste instante seus instintos mais profundos começam a se libertar; ele se embriaga, excede na alimentação, e se entrega a prazeres sexuais nunca experimentados. Naquele momento, para o Louco, essa era a noite mais feliz de sua vida. Sem limites, ele aproveita a noite. E por fim se descobre uma pessoa totalmente diferente do que era, livre de conceitos e amarras; mais belo, sedutor. Sua alto estima tinha se elevado bastante.

O Louco não percebe o tempo passar, e fica se entregando a cada dia mais aos prazeres oferecido pelo seu anfitrião.

Após alguns dias, pela vila, estava de passagem um dos filhos da Imperatriz, que fora criado junto ao Louco. E reconhecendo o Louco, lhe transmite uma notícia não muito agradável, e revela:

- Louco, meu irmão, estais aqui se divertindo e não sabe o que acontece com sua família e seus bens. Seu sogro, considerando que você não cumpriu com os acordos firmados nos negócios da família, foi a sua casa e lhe tirou tudo, inclusive sua esposa. Volta imediatamente para casa e vê se consegue reverter a situação.

O Louco neste momento cai em sua consciência, e percebe que deve seguir viagem imediatamente. Procura então seu anfitrião, agradece a hospitalidade e se despede.

O anfitrião então, num tom de sapiência, se dirige ao Louco e diz:

Querido amigo, sempre que quiser, estarei aqui. Sabe o quanto é livre em minha casa, na casa do Diabo. Porém, que esses dias tenham lhe servido de lição. Pois minha casa é de passagem, quem permanece nela por longo tempo pode pagar um preço caro. Portanto se apresse.

Assustado, o Louco segue viagem. Anda com passos mais largos. Seu coração aflito já pressente que algo de ruim lhe aguarda.

Ao chegar a Mênfis, se dirige logo à rua em que sua casa estava localizada. Entra imediatamente em casa, e como já esperava, ninguém estava lá. Seus pertences, seu dinheiro, sua amada; tudo tinha sido levado. Em um súbito desespero o Louco começa a derrubar toda a estrutura de sua casa, sem perceber que estava embaixo e poderia se machucar. Porém nada disso importava naquele momento. Ele tinha perdido tudo! Estava na miséria! Já era tarde, estava embaixo dos escombros. Sua ATorre tinha desabado.

Por dias o Louco ficou embaixo de sua velha construção. As roupas lascadas, a poeira sobre seu corpo, muita sujeira. Ele já não tinha forças para se levantar. Quando num súbito e repente momento, algo inexplicável acontece. Um sentimento inenarrável percorria todo seu corpo; uma espécie de fé e esperança; mas, diferente da que ele experimentara quando estava Pendurado. Essa Luz vinha de seu âmago, como se nada estivesse perdido.

“ O décimo quinto caminho é o da Consciência Estabilizadora [Sekhel Ma’amid], porque estabiliza a essência da criação na escuridão da pureza” (Sefer Yetzirah)

Levanta as vistas, no meio daquela escuridão, dos escombros de sua Torre, e avista lá no fundo uma Luz. Aos poucos o Louco começa a retirar as pedras sobre ele e levanta-se. Ao dirigir seus olhos acima, eis que vislumbra uma grande A Estrela. E neste momento ele diz:

-Não estou morto!

Recupera-se de suas feridas e agora ele tem que recomeçar. Entretanto um sentimento de culpa, medo, angustia e solidão lhe acompanha. Ele sabe que terá que refazer tudo sozinho. Afinal de contas nada lhe resta além da fé de que sairá desta fase. Para isso ele terá que mergulhar no mais profundo do seu inconsciente e enfrentar seus medos, suas sombras, sua depressão.

Mas, ele sabe que não estará sozinho, afinal de contas mergulhará nas terras da Sacerdotisa. A   Lua. E com a ajuda dela ele sobreviverá.

E assim, o Louco permanece por um longo período mergulhado na mais profunda escuridão de sua inconsciência. Lá ele reaprende tudo, se prepara para nascer novamente. Desta vez entre as pernas da sacerdotisa.

Dezoito Luas se passam, até que um belo dia, o Louco desperta! De súbito, uma bela manhã ele acorda e observa o céu. O Sol está brilhando mais que nunca. O Louco se sente revigorado, mas forte. Ele experimenta uma sensação tão viva, que parece que nada tinha acontecido. Sua disposição é tão grande, que ele resolve reconstruir sua casa.

Passando por perto, naquele abençoado dia de Sol, o Faraó Nemer observa aquele homem com tanta disposição e vigor. Consulta então um de seus informantes:

-Quem é aquele jovem?

Dizem que é O Louco, ele passou por maus bocados Senhor. - Responde o servo.

O Faraó fica a observar o Louco por alguns instantes. E então exige que ele seja levado ao seu palácio para uma audiência com o Regente.

As pessoas estranham a atitude do faraó, e os mais íntimos até questionam:

-Grande Regente, o que o faz crer que este homem tenha algum atributo para servi-lo?

- O Sol, Grande Rá, brilha sobre aquela pele como nunca vi. – Responde o faraó.

E assim é feito, o Louco é enviado para uma audiência com o Regente do Egito. Neste momento, apesar de uma mistura de  ansiedade e medo, o Louco sabe que está é uma grande oportunidade de recomeçar; e também tem consciência de que possui atribuições para isso.

Assim o Louco se banha, veste roupas limpas e vai ao encontro do faraó. Ao se aproximar do Regente, lhe presta todas as reverencias apropriadas. Após a apresentação, o faraó lhe pergunta:

-Sabe por que lhe chamei aqui?

-Não meu Senhor. –Responde o Louco

Então o faraó começa seu discurso:

- O Grande Rá me fez ver em você um grande instrumento para meus propósitos. Ao observar suas habilidades de construção, ao recuperar sua casa, me veio a idéia de lhe propor uma posição de destaque dentre meus construtores. Entretanto, não conheço seu passado. E nem me interessa. Terás que passar por um Julgamento para mostrar-me que merece tal função. Entende o que lhe digo?

-Sim, meu senhor. Estou a disposição de qualquer tribunal. –Responde o Louco.

O faraó então se levanta, e num tom sereno, se aproxima do Louco e lhe diz:

- Meu jovem, não será submetido a nenhum tribunal. O Julgamento do qual será o réu, é da sua própria consciência. Tu serás seu juiz! Darei-lhe alguns dias para que reflita a responsabilidade que cairá sob seus ombros, se aceitar minha proposta; e depois de 20 dias me trará a resposta. Tenha consciência de que se trata de uma ressurreição para sua vida. Irá prosperar como nunca. E se merecer minha total confiança, poderá até sentar-se à mesa com o faraó. Agora se retire e volte no final do 20º dia.

Sem conter-se de tanta felicidade, o Louco volta para casa e começa a se avaliar, se julgar, como solicitado pelo faraó. Depois de algumas reflexões, o Louco percebe que deve se aprimorar em algumas técnicas de construção. E assim o faz.

Passado alguns meses, o Louco tinha demonstrado ao povo que a escolha do faraó não tinha sido em vão. O Louco tinha desenvolvido novas técnicas. Demonstrava-se muito esperto e atencioso. O faraó observava sua grande responsabilidade diante de suas obras. Os escravos amavam e respeitava o Louco. Tudo no Louco preenchia o faraó de satisfação. Em fim, um belo dia, o faraó manda chamar o Louco.

O Louco estava no meio de um grande empreendimento, no qual dependia muito de sua atenção e presença. Mas não era correto deixar o Regente do Egito esperando. Então, o Louco mandou que parassem a obra e foi ao encontro do faraó.

Chagando no grande salão do palácio, o faraó já lhe agradava. Mandou que o Louco sentasse e escutasse com muita atenção o que ele tinha decidido fazer. E começou seu discurso:

- Um faraó nunca se engana! Há anos venho observando seu empenho e suas obras majestosas no meu império. Após muita reflexão e conversa com os deuses, tomei uma decisão muito importante; que afetará todo o Egito. Decidi que irá desposar de minha filha, e receberá uma grande quantidade de ouro. Além disso, terá que partir e expandir nossa obra pelo Baixo Egito. Receberá uma barca e 2.000 escravos. Seguirá Nilo acima e quero ter notícias de que conquistara o MUNDO.

O Louco, sem palavras, e com os olhos cheios de lagrimas de tanta felicidade; beija  mão do faraó e lhe assegura que fará jus a seu desejo. Será um bom marido e um justo imperador.

Prepara-se então para sua nova jornada. O Louco sabe que apesar de ter chegado ao lugar mais elevado que qualquer egípcio poderia chegar, ele ainda tinha uma longa jornada pela frente.

Parte então rumo ao seu destino. E após alguns dias de viajem, eis que o Louco avista uma caverna à margem do Nilo. E com o olhar fixo naquela gruta, ele diz:

- Agora sei de onde em vim, e para onde vou. Hoje posso dizer que todo aprendizado que tive me ensinou a evoluir. E de todo coração e com alma aberta a Amon, só tenho que agradecer:

Ao Mago – por me ensinar que posso!
A Sacerdotisa – por me mostrar que tenho vida!
A Imperatriz – por me abraçar e me amar como um filho!
Ao Imperador – por me ensinar os valores éticos e morais!
Ao Hierofante – por mostrar a ponte para o conhecimento!
Aos Enamorados – por me ensinar a fazer as escolhas certas!
Ao Carro – por me conduzir nos caminhos da sobrevivência!
A Justiça – por me mostrar que tudo tem um preço!
Ao Eremita – por iluminar meu interior e me auto-conhecer!
A Roda – por me mostrar o movimento da vida e me ver como o eixo!
A Força – que me ensinou a domar meus instintos!
Ao Pendurado – que me mostrou a necessidade do auto-sacrificio!
A Morte – por me ceifar meus velhos padrões e me transformar!
A Temperança – por incutir em minha essência a paciência!
Ao Diabo – por me mostrar uma vida livre de pré-conceitos!
A Torre – por me  ensinar através da dor, que devo respeitar meus limites!
A Estrela – por me erguer, quando não tinha mais nada!
A Lua – por permitir que eu aprendesse a lidar com meus medos e pudesse renascer!
Ao Sol – pela Luz e oportunidade de recomeçar com confiança!
Ao Julgamento – por ensinar-me que eu sou meu próprio juiz!
Ao Mundo – Pelos bons ventos que me conduzem nestas águas do Nilo ao sucesso!


(Luqiam Osahar- 13/09/2011 )










segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os Naipes - Cartomancia


Estava eu, pensando com meus botões... como os naipes do baralho se transformaram em oráculo? Ou será que o oráculo se transformou em "baralho"?
Historicamente, não ha referencia dos naipes na história da leitura oracular, com exceção da inclusão deles como "arcanos menores" do tarô. 
O baralho convencional baseado nos naipes, teve uma origem "mística", pelos ciganos árabes - mais tarde explico como funcionava - Mas esta forma, representada por estas figuras conhecidas como espada, copas, ouro e paus, foram elaboradas pelo pintor francês Jacquemin Gringonneur, encomendada pelo então Rei da França Carlos VI, isso lá pelos meados do século XIV.
Durante este período o baralho era usado como jogo, um passa tempo, e apenas pela nobreza. Apesar de já estar sendo usado pelos ciganos com sua composição mística. Creio que depois, com a propagação do tarô, e os estudos avançados dentro de uma linha esotérica, foram inclusos os "arcanos menores" - o baralho, para complementar uma leitura e enriquecer sua simbologia. O que, particularmente, acredito se tratar de visões diferentes, dentro de uma leitura; pois o tarô traz uma visão mais intimista e o baralho exterioriza a situação. Talvez por isso muitos chamem o baralho cigano de "fofoqueiro".
Bem, mas como então foram elaborados estes métodos de leitura através dos naipes? Sabe-se a principio que o povo rom (ciganos) tem uma linhagem patriarcal, mas toda a essência e poder mágico está na mão do matriarcal. As mulheres ciganas era quem detinha o poder e autorização para "ler o futuro", e se utilizar de instrumentos para isso. Claro que hoje já é bem diferente.
Mas... vamos lá. No inicio, a preocupação dos rom era essencialmente com a família, e portanto toda a atenção ligada a este centro, os ciganos antigos tinham suas ocupação - mesmo nômades. Eram artesões, circenses, adestradores de animais, funileiros, ourives etc... portanto não dependiam de ler a "sorte" para sobreviver; então a leitura se resumia ao Clã. Cada família tinha sua Shuvanni ( um tipo de sacerdotisa), que estava sempre atenta as questões internas. Esse conhecimento era transmitido de mãe p filha.
Dentro desta estrutura matriarcal, só existia dois naipes com a numeração de 1-10, que eram representados por uma mancha vermelha ( em quantitativo), para representar questões emocionais e familiares - conhecido hoje como naipe de copas, e com uma mancha marrom (terra) para representar os pensamentos, a lógica - conhecidos hoje como paus.
O vermelho não tem nada a ver com o coração -emoção, para os rom o vermelho era o sangue, as ligações familiares, e já sabiam que sentíamos as emoções pelos rins - uma visão inclusive sarracena.
Bem, quando as mulheres, com o passar do tempo, começaram a gerar mais o masculino (filhos), a transmissão do conhecimento matriarcal ficou comprometida, e tiveram que elaborar uma forma de passar o conhecimento para os homens. Como há uma certa tendencia a "segredos e ritos" que não podem ser modificados, ou não podiam, começaram a desenvolver mais dois elementos para que os "homens" pudessem se utilizar do oráculo; e daí surgiu os naipes de espadas e ouros. 
Há até uma certa lógica nesse aspecto, pois os homens estavam mais preocupados com assuntos externos, como bens e conquistas - a sobrevivência. Então, sabiamente acrescentaram mais estes dois elementos ao oráculo. Lembrando que, os rom sarracenos se utilizavam de folhas secas para "pintar" a simbologia. Para a representação destes novos elementos, foi utilizado um desenho de uma adaga e uma gota de ouro fundido.
Mas, como hoje nos utilizamos destes atributos significativos? Vale lembrar, que nosso meio contemporâneo vem de uma série de ensinamentos esotéricos, e que compõe hoje a simbologia do baralho. Por exemplo: 
Copas- Taça[ simbolismo do instrumento que contem a água, associada esotericamente as emoções, e também uma referencia ao sagrado feminino]. Coração [ por conta de uma falsa imagem do sistema emocional].
Paus- Bastão [uma referencia ao poder sacerdotal medieval, ou até a varinha mágica dos bruxos, trazendo assim o aspecto mental controlador, elaborativo, astuto]. Lança [ representando talvez a figura do caçador - de sonhos e objetivos].
Ouro - Quadrilátero [ simbolismo esotérico do material ]. Moedas [ representando a riqueza e poder.]
Espadas - Espada [ a arma de guerra, na qual dependia de força, habilidade e coragem para empunhá-la, guerra e estratégia, consequentemente uma mente em ação, sem limites]

Ficaríamos horas dissertando sobre os simbolismos...

E as cartas de côrte? Onde entram nesta história? Bem, quando o baralho chegou na Europa já tinham as representações de côrte. Mas, porque os rom acrescentaram estes símbolos?
Bem, quando as coisas começaram a piorar para nossos ancestrais andarilhos, eles precisavam se utilizar do oráculo para ganhar o sustento, isso começou com algumas famílias circences, na qual acrescentaram ao programa de atrações a "leitura da sorte". 
Bem, com suas andanças e apresentações em côrtes de diversos lugares, foi necessário incluir no oráculo cartas que representassem "terceiros" nas questões, haja vista os membros da nobreza só quiserem saber dos "outros"; e daí, talvez em uma forma de "agradar" tais nobres, foi elaborado figuras com membros da nobreza - O bobo da côrte ( que não utilizamos para o oráculo), o Valete, a Dama/Rainha e o Rei.
Com isso, os rom poderiam inclusive estabelecer os arquétipos e personalidades destes membros, representados pelos naipes.

Independente de qualquer origem e curso que nosso baralho tomou, é de se admitir que hoje temos um rico "livro", de auto-conhecimento, mistérios, previsões, adivinhações... Tudo a gosto do freguês.

Depois falarei de como este importante sistema se "meteu" no meio do tarô, uma longa história... pois a cada passo do Louco pelos arcanos ele se depara com as 52 cartas do baralho.

Aguardem...